Ainda estudando Immanuel Kant, mantendo o foco no percurso que tem início no período pré-crítico, passando demoradamente pelo período entre Kant e Hegel e, chegando à algumas questões e autores ligados ao denominado neokantismo ou neocriticismo e refletindo sobre essa abordagem como perspectiva filosófica desenvolvida na Alemanha, aproximadamente entre os anos 1860 a 1914, para entender as ideias em geral no período e o retorno às ideias mesmas de Kant em oposição a alguns autores do Idealismo.
Acrescento hoje esta obra que trata, especificamente, do "Eclipse da Moral e o nascimento do cinismo contemporâneo" entre os anos de 1807-1817:
“A obra procura ater-se à organização do repertório que torna possível reformular o problema da moralidade nos novos tempos, ou seja, a passagem da idade Moderna para a Contemporânea, circunscrito na época em que a prosa crítica de Hegel atingiu a maturidade e o discurso moral passava da crise ao declínio. Na Fenomenologia do espírito e nas primeiras aulas que ministrou sobre filosofia do direito, Hegel desvendou a gênese de uma convergência entre a abstração moral, de origem kantiana, e abstrações de mais recente feitio, as que o processo de transição ao novo tempo ia produzindo em seu rastro. Pelos anos de 1807-1817, o filósofo alemão deu forma a uma micrologia bastante específica, onde se condensam as dinâmicas de moralidade e não-moralidade. Onde moralidade e não-moralidade só fariam negar-se ou repelir-se, Hegel investigou injunções, sondou compromissos, avaliou dissensões. E chegou a ensaiar o delineamento de micro figuras que melhor representassem ou ilustrassem a questão.
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"Eclipse da Moral: Kant, Hegel e o nascimento do cinismo contemporâneo", de Silvio Rosa Filho, analisa o declínio da moralidade moderna entre 1807-1817, argumentando que a abstração da moral kantiana, ao encontrar a realidade histórica, converteu-se em cinismo. A obra foca em como Hegel, na Fenomenologia do Espírito, desvenda essa transição da crise moral para o cinismo atual.
Pontos principais da obra:
Crise da Moralidade Moderna: O livro aborda a passagem da Idade Moderna para a Contemporânea, marcada pelo declínio do discurso moral.
Crítica a Kant: Hegel identifica um dualismo no pensamento kantiano (sujeito/objeto) e aponta que a moralidade abstrata de Kant falha em se realizar concretamente.
Nascimento do Cinismo: A moralidade, ao se tornar abstrata e idealizada (Kant), passa a ser ignorada ou manipulada na prática, gerando o cinismo contemporâneo.
Hegel e a Eticidade: Hegel propõe a superação da moralidade subjetiva (Kant) pela moralidade objetiva (eticidade), mediada pelas instituições, conforme discutido em suas análises.
Micrologia da Moralidade: O autor investiga como Hegel, no período de 1807-1817, analisou as dinâmicas entre moralidade e não-moralidade, delineando micro figuras que representam essa transição.
O livro é descrito como uma análise da "microfísica" das relações morais e da inversão da moral kantiana.” (Texto extraído do Google)
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RESENHA:
200 ANOS DE CINISMO
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ROSA FILHO, Silvio. Eclipse da Moral: Kant, Hegel e o nascimento do cinismo contemporâneo”. São Paulo: Ed. Barcarola, 2010.
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ROSA FILHO, Silvio. Eclipse da Moral: Kant, Hegel e o nascimento do cinismo contemporâneo”. São Paulo: Ed. Barcarola, 2010.

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