1ª Reflexão: Por onde fores irás como és
Nesta Carta CIV (§§ 1-34) Sêneca conversa com Lucílio sobre uma certa relação entre corpo e mente (que eu vou chamar de Espírito). Trata especificamente desde os primeiros parágrafos, do tema “Paz”, defendendo que esta não pode ser alcançada fugindo fisicamente dos problemas e sim através de uma transformação interior.
Por onde fores irás como és, isso resumiria a ideia de Sêneca. A Carta desenvolve a ideia de que viajar para fugir não resolve as angústias nem muda o mundo. O que realmente ajuda é “domar as próprias paixões e vícios."
Ele mesmo saiu de Roma em direção a sua casa de campo para cuidar da saúde física, mas ressalta que se deve cuidar do corpo e satisfazê-lo apenas na medida necessária para manter uma boa saúde, para que se mantenha obediente à mente (Espírito) ou se não for assim, será um obstáculo para o desenvolvimento de Virtudes.
Na Imagem destaco a resposta de Sócrates ao ser perguntado sobre o assunto (§§ 7-8).
2ª Reflexão: Controle da paixões
Sêneca, nesta Carta CXVI (§§ 1-8) desenvolve uma reflexão sobre Autocontrole, e isso de certa forma, me faz lembrar de algumas obras de Epicteto e outros estóicos sobre o tema “cura das paixões” ou “controle das paixões”.
Para Sêneca, nesta carta, como nas Cartas 85, 94, 96 e em outras, é mais prudente errradicá-las. Por outro lado, já li nas “Paixões da alma” de René Descartes que é melhor evitar que elas surjam e tomem conta da mente (Espírito) tornando cada vez mais difícil retomar o controle racional.
Diz também Descartes: "[...] se a razão prevalecer, as paixões nem sequer começarão; mas se elas se encaminharem contra a vontade da razão, elas se manterão contra a vontade da razão. Pois é mais fácil detê-las no começo do que controlá-las quando ganham força." (DESCARTES. In: Paixões da alma).
Portanto, Sêneca, que é destaque aqui, defendia que se mantenha uma distância dos estímulos que podem provocar as paixões ruins que uma vez no controle podem adoecer a “alma”. Somente o Autocontrole pode intervir sob comando da razão (hegmonikon - ἡγεμονικόν) ou como o conceito de "locus of control” desenvolvido por um psciólogo: Julian Rotter (1916-2014).
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