quinta-feira, 3 de junho de 2021

KANT SOBRE AUTOCONHECIMENTO E AUTOFORMAÇÃO: A NATUREZA DA EXPERIÊNCIA INTERIOR

 

Como tem acontecido de tempos para cá; aliás desde que iniciei os estudos da obra de Immanuel Kant, tenho reunido um conjunto de leituras sobre os principais temas que mais me interessam e que anoto aqui, nessa página, para mais fácil localização e retomada dos mesmos. Sempre mantendo o referencial básico para tais leituras, como é o caso aqui.

Recentemente, num dia como hoje, durante os estudos, tive acesso ao livro escrito por Katharina Kraus. Uma autora que estuda a obra de Immanuel Kant, que não conhecia e produziu essa obra focada numa abordagem da história da filosofia moderna, especialmente, na filosofia da mente e psicologia. Sua pesquisa atual diz respeito à concepção de autoconhecimento empírico de Kant, bem como à perspectiva da primeira pessoa, incluindo questões como seu status epistêmico especial, sua relação com a racionalidade e sua relevância para a psicologia científica. Além disso, ela também está interessada em filosofia da ciência, epistemologia e psicologia moral. Isso me fez ter interesse em acompanhar mais de perto essa produção. 

Aos estudos, portanto! Que seja proveitosa para a pesquisa mais esse contato. Ou pelo menos, para produção de um texto.

O livro:

"Como um proeminente filósofo da Aufklärung , Kant - é sabido - convoca todos os humanos a formarem suas próprias opiniões, independentemente das restrições impostas a eles por outros. Dito isso, Kant enfoca a razão humana universal e pouco nos diz sobre o que nos torna pessoas individuais. Neste livro, Katharina T. Kraus explora a concepção especificamente kantiana de personalidade psicológica, explicando como, de acordo com Kant, passamos a nos conhecer como tais pessoas. Baseando-se nas obras críticas de Kant, bem como em seus Vorlesungen e Reflexionen, Kraus desenvolve a primeira concepção textualmente completa e sistematicamente coerente de nossa capacidade de fazer o que Kant chama de “experiência interna”. A concepção original de Kant de conhecimento e autoconstituição que ela propõe aborda questões atuais na filosofia da mente e será relevante para os debates filosóficos contemporâneos. Será do interesse de especialistas em história da filosofia, bem como de especialistas em filosofia da mente e psicologia.”

A autora: KATHARINA KRAUS

"Seus interesses de pesquisa estão centrados na história da filosofia moderna, especialmente Immanuel Kant, e na filosofia da mente e psicologia. Sua pesquisa atual diz respeito à concepção de autoconhecimento empírico de Kant, bem como à perspectiva da primeira pessoa, incluindo questões como seu status epistêmico especial, sua relação com a racionalidade e sua relevância para a psicologia científica. Além disso, ela também está interessada em filosofia da ciência, epistemologia e psicologia moral."

Mesa redonda: “Table ronde "Kant on Self-Knowledge and Self-Formation", de Katharina Kraus, 7 juin 2021, 18 h-20 h (en ligne)”

Link do evento: http://etudeskantiennes.mozello.fr/actualites/params/post/3118048/table-ronde-kant-on-self-knowledge-and-self-formation-de-katharina-kraus-7-?fbclid=IwAR2qpTLVsCTRYuT8EdWOlgoeVtoQhe-AF1xBU9xhGOEToCDtq98kaALvAno

...
Link 1:


Sugestão:

Link 3: "Mundos alemães da EA: história das ideias e representações. Universidade de Paris 8 - Saint-Denis."

domingo, 30 de maio de 2021

REFLEXÃO MATINAL XC: REFLEXÕES SOBRE A VIDA (OU: FUGINDO DA CONFUSÃO)

 

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“Wieviel ist aufzuleidenn” (RILKE)



“O homem procura sempre um significado para a sua vida. Ele está sempre movendo-se em busca de sentido de seu viver; em outras palavras, devemos considerar aquilo que chamo de ‘vontade de sentido’ como um interesse primário do homem [...]” (2005, p. 29) 

Hoje recordando momentos difíceis do triste início de 2014, iniciei a releitura dessa obra; lida em fins dos 90. Mais uma vez retornando à edificante releitura desse livro, acrescentando novos livros que vieram em seguida, do mesmo autor. Preenchendo a manhã com reflexões que engrandeçam a “alma”. São só apontamentos para uma “reflexão matinal”, mas de profunda reflexão, destaco aqui alguns trechos de leituras já feitas várias vezes, como o trecho seguinte: 

“A liberdade do ser humano, a qual não se lhe pode tirar, permite-lhe, até o último suspiro, configurar a sua vida de modo que tenha sentido [...] Se é que a vida tem sentido, também o sofrimento necessariamente o terá”

Mais de uma vez escrevi aqui, destacando para minha aprendizagem, a maneira peculiar com que Viktor E. Frankl (1905 – 1997), investigou a questão do "sentido" ultrapassando em grande medida, uma mera especulação. Pelo contrário: é possível extrair de sua posição uma boa reflexão filosófica.

É sabido que parte do problema expresso pelo “sentimento de vazio de sentido” que leva as pessoas a procurar o psicólogo e o psiquiatra; um “vazio existencial” e a “depressão”, há muito discutidas nas áreas de saúde, apresentam-se cada vez mais como “doenças do século XXI”; ponto alto da investigação de Frankl em seu livro. O fato de o homem, na maioria das vezes, não saber o que quer deveria, segundo ele, servir para que tal ignorância a respeito de tal "sentido" fosse substituída por uma profunda reflexão sobre a Vida.

“Da confusão nascia o sentimento de falta de sentido da vida. A compensação financeira ou, dentro de certos limites, a segurança social não bastam. O homem não vive apenas de bem-estar material” (FRANKL, 2005, p. 23)

Ou seja, a discussão “terapêutica” de Frankl coloca o problema da “busca de sentido” como um tema de fundamental interesse humano, não somente como reflexão que aumente o sentido da existência mas como algo segundo o qual seria impossível viver sem. Buscar sentido em Viver constitui, portanto, para Frankl, a questão existencial primeira. Dado que é um sobrevivente de “campos de concentração” torna-se mais intenso o que ele pretende com a sua proposta: quase que num sentido kantiano de que viver é um dever. A busca pelo sentido, portanto, é imprescindível: viver bem.

Em ‘Um sentido para a vida’, Viktor Frankl retorna ao humanismo que fez de Man’s Search for Ultimate Meaning um best­seller no mundo todo. Em nossa época de falta de sentido para a vida e de despersonalização, o Dr. Frankl levantou uma voz solitária e forte contra a falta de dimensão humana na psicoterapia. Neste livro, ele refuta o ‘pseudo­humanismo’ que invadiu a psicologia popular e a psicanálise. E, pela explicitação das mais significativas características humanas, ele revigora a área com muito humanismo, ao mesmo tempo que preserva as tradições inestimáveis tanto da análise freudiana como do comportamento.”

(Grifos e destaques são meus)

______.

ARRIANO FLÁVIO. O Encheirídion de Epicteto. Edição Bilíngue. Tradução do texto grego e notas Aldo Dinucci; Alfredo Julien. Textos e notas de Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão. Universidade Federal de Sergipe, 2012).

BLÖSER, Claudia; STAHL, Titus (eds.). The Moral Psychology of Hope. Rowman and Littlefield, 2020. 302pp.

CARLISLE, Claire. Philosopher of the heart: the restless life of Søren Kierkegaard. Londres: Penguin, 2020.

COMTE-SPONVILLE, André. Pequeno tratado das grandes virtudes. São Paulo: Martins Fontes, 2009. 

CUNHA, Bruno. A gênese da ética em Kant: o desenvolvimento moral pré-crítico em sua relação com a teodiceia. São Paulo: Editora LiberArs, 2017.

______. Lições sobre a doutrina filosófica da religião. Trad. Bruno Cunha. Petrópolis, RJ: Vozes, 2019.

FRANKL, Viktor. Um sentido para a vida: psicoterapia e humanismo. Aparecida, SP: Ideias e letras, 2005.

______. Yes to life: in spite of everything. Beacon Presss, 2020.

______. Em busca de sentido. 25. ed. - São Leopoldo, RS: Sinodal; Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.

______. O Sofrimento humano: Fundamentos antropológicos da psicoterapia. Trad. Bocarro, Karleno e Bittencourt, Renato. Prefácio, Marino, Heloísa Reis. São Paulo: É Realizações, 2019.

______. The doctor and the soul: from psycotherapy to logotherapy. New york: Bantam Books, 1955.

______. Psycotherapy and existencialism: selected papers on logotherapy. New York: Simon and Schuster, 1970.

______. Angst und Zwang. Acta  Psychotherapeutica, I, 1953, pp. 111-120.

______. Um sentido para a vida: psicoterapia e humanismo. Aparecida, SP: Ideias e letras, 2005.

______. Teoria e terapia das neuroses: introdução à logoterapia e à análise existencial. São Paulo: É Realizações, 2016.

KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes. Trad. Guido A. de. São Paulo: Discurso editoria: Barcarola, 2009.

______. Lições de ética. Trad. Bruno Cunha e Charles Fedhaus. São Paulo: Editora Unesp, 2018.

______. Textos seletos. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.

______. Textos pré-críticos. São Paulo: Editora Unesp, 2005.

______. Crítica da razão pura. 3. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbekian, 1994.

KARDEC, A. Le Livre des Esprits. Paris, Dervy-Livres, s.d. (dépôt légal 1985). (O Livro dos Espíritos. Trad. Guillon Ribeiro, ______. O livro dos Espíritos. 93. ed. - 1. reimpressão (edição histórica). Brasília, DF: Feb, 2013. (Q. 258-273 e 907-919).

sexta-feira, 21 de maio de 2021

TEMPO: BERGSON E SEUS ESTUDOS SOBRE “A RELAÇÃO DO CORPO COM O ESPÍRITO”

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"Os verdadeiros mistérios não são aqueles nos quais mergulhamos cada vez mais por um aprofundamento dialético, mas os que se mantêm inteiros em sua efetividade pura" (Jankélévitc)

Uma grande questão filosófica: o tempo; está presente em vários autores, desde a Antiguidade até os dias de hoje. Recentemente, me surpreendi com a maneira que os autores abaixo anotados trataram a questão. Sob diversos modos de ver a obra deles e mantendo o foco temático levado a cabo aqui nessa página, incluí nas minhas leituras, essas obras, as suas reflexões.

Escrevi aqui, há algum tempo, que entre outros motivos, a minha surpresa à época com o contato inicial com a obra de Vladimir Jankélévitch (sobre o tempo na música e na “morte”) foi perceber a novidade, para mim, na obra de  Bergson. Seus textos, por apontarem na direção de questões e problemas que Sócrates e Platão, entre outros, mesmo antes deles, já tinham estudado e apresentado profundas reflexões, com as quais tenho aprendido muito. Alguns temas como a “realização da felicidade humana”, o passado, o presente, o futuro, a "memória" a imortalidade e também as relações mente-corpo, todos tendo por base o tempo.

E, isso, na obra de Henri Bergson que Jankélévitch estudou e apresentou em alguns temas nessa área. Daí o desejo permanente de rever o tema da “relação mente-corpo” na obra de Bergson.

Procuro ver, nesse sentido, que a filosofia apresenta-se como ferramenta para novos embates e revisão das respostas e proposição de novas ou as mesmas perguntas. Bergson fornece alguns elementos para novos enfrentamentos existenciais. Portanto, uma obra repleta de importante tarefa na discussão sobre a “ética e a existência”, e, agora, em “filosofia da biologia”.

Outro fator importante que me levou a ampliar, doravante, o meu contato com a obra é a leitura que Jankélévitc fez da filosofia de Kant, e sua "associação" com as ideias de Bergson sobre o problema da noção de tempo. O que também se encontra nestas concepções bergsonianas é um retorno aos antigos para ali identificar o problema que foi herdado de uma tradição que pode ser contada desde de Parmênides, Zenão e outros antigos. Duas das obras de Henri Bergson a serem estudadas juntamente, a partir disso serão “Matéria memória” e “Evolução criadora.

No prefácio de “Matéria e memória” (pp. 3-4) lemos:

“Um grande progresso foi realizado em filosofia no dia em que Berkeley estabeleceu, contra os mechanical philosophers, que as qualidades secundárias da matéria tinham pelo menos tanta realidade quanto as qualidades primárias. Seu erro foi acreditar que era preciso para isso transportar a matéria para o interior do espírito e fazer dela uma pura ideia. Certamente, Descartes colocava a matéria demasiado longe de nós quando a confundia com a extensão geométrica. Mas, para reaproximá-la, não havia necessidade de fazê-la coincidir com nosso próprio espírito. Fazendo isso, Berkeley viu-se incapaz de explicar o sucesso da física e obrigado, enquanto Descartes havia feito das relações matemáticas entre os fenômenos sua própria essência, a considerar a ordem matemática do universo como um puro acidente. A crítica kantiana tornou-se então necessária para explicar a razão dessa ordem matemática e para restituir à nossa física um fundamento sólido - o que, aliás, ela só conseguiu ao limitar o alcance de nossos sentidos e de nosso entendimento. A crítica kantiana, nesse ponto ao menos, não teria sido necessária, o espírito humano, nessa direção ao menos, não teria sido levado a limitar seu próprio alcance, a metafísica não teria sido sacrificada à física, se a matéria tivesse sido deixada a meio caminho entre o ponto para onde Descartes a impelia e aquele para onde Berkeley a puxava, ou seja, enfim, lá onde o senso comum a vê. É aí que nós também procuramos vê-la. Nosso primeiro capítulo define essa maneira de olhar a matéria; nosso quarto capítulo tira as conseqüências disso.

Mas, conforme anunciávamos no início, só tratamos da questão da matéria na medida em que ela interessa ao problema abordado no segundo e terceiro capítulos deste livro, que é o próprio objeto do presente estudo: o problema da relação do espírito com o corpo

Portanto, a partir de duas das obras de Bergson, prossigo estudando este tema “relação mente-corpo”, sem nunca me distanciar das leituras fundamentais, claro!

E, sempre "nos limites da simples razão"...

...

Sobre as obras de Bergson:

“Há tons diferentes de vida mental, e nossa vida psicológica pode se manifestar em alturas diferentes, ora mais perto, ora mais distante da ação, conforme o grau de nossa atenção à vida. Essa é uma das idéias diretrizes e ponto de partida de Matéria e memória, obra em que Henri Bergson afirma a realidade do espírito, a realidade da matéria, e procura determinar a relação entre eles sobre um exemplo preciso, o da memória.”

“Principal obra de Henri Bergson, Prêmio Nobel de Liberatura de 1927, A evolução criadora (1907) representou uma ruptura com as principais correntes filosóficas do fim do século XIX. Diante da apologia do saber científico, rigoroso, das rígidas leis do determinismo, Bergson lança a afirmação de que a totalidade tem a mesma natureza do indivíduo, de um movimento incessante, um impulso de liberdade criadora que transforma de forma irrefreável a matéria. O filósofo francês discorre sobre o problema da existência humana e assevera que a mente – energia pura, impulso vital – é responsável por toda evolução orgânica.”

(grifos e destaques meus)

______.

BERGSON, Henri, 1859-1941. Matéria e memória: ensaio sobre a relação do corpo com o espírito. Trad. Paulo Neves. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999. (Coleção tópicos)

______. Evolução criadora. São Paulo: Editora Unesp, 2010.

______. Ensaio sobre os dados imediatos da consciência. São Paulo: Edipro, 2020.

DESCARTES, R. Oeuvres. Org. C. Adam e P. Tannery. Paris: Vrin, 1996. 11v. [indicadas no texto como Ad & Tan]

_______. Descartes: oeuvres et lettres. Org. André Bidoux. Paris: Gallimard, 1953. (Pléiade).

______. Discursos do Método; Meditações; Objeções e Respostas; As Paixões da Alma; Cartas. (Introdução de Gilles-Gaston Granger; prefácio e notas de Gerard Lebrun; Trad. de J. Guinsberg), Bento Prado J. 3. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1983 (Os Pensadores).

______. O mundo (ou Tratado da luz) e O Homem. Apêndices, tradução e notas: César Augusto Battisti, Marisa Carneiro de Oliveira Franco Donatelli. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2009.

DUPRÉ, John. Process of life: essays in the philosophy of biology, Oxford University Press(UK); Reprint. 2014.

______. Everything flows: towards a processual philosophy of biology. OUP Oxford;  Illustrated edição , 2018.

______. The metaphysics of biology. Cambridge University Press, 2021.

HULL, David l; RUSE, Michael. The Cambridge companion to the philosophy of biology. Cambridge University Press, 2007.

KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes. Trad. Guido A. de. São Paulo: Discurso editoria: Barcarola, 2009.

______. Textos seletos. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.

______. Textos pré-críticos. São Paulo: Editora Unesp, 2005.

______. Crítica da razão pura. 3. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbekian, 1994.

______. Dissertação de 1770De mundi sensibilis atque inteligibilis forma et principio. Akademie-Ausgabe. Acerca da forma e dos princípios do mundo sensível e inteligível. Trad., apres. e notas de L. R. dos Santos. Lisboa: Imprensa Casa da Moeda. FCSH da Universidade de Lisboa, 1985.

______. Prolegômenos a qualquer metafísica futura que possa apresentar-se como ciência. Trad. José Oscar de Almeida Marques. São Paulo: Estação Liberdade, 2014)

______. Prolegômenos a toda metafísica futura. Lisboa: Edições 70, 1982.

KELLY, Eduard F; CRABTREE, Adam; MARSHALL, Paul. (Editores). Beyond physicalism: toward reconciliation of science and spirituality. Rowman & Littlefield Publishers, 2015. (636 p.)

______; KELLY, Emily Williams; Crabtree, Adam.  Irreducible Mind: Toward a Psychology for the 21st Century . Rowman & Littlefield Publishers, 2009. (1151 p.)


POESIA: SÓ UMA PAUSA NAS REFLEXÕES



Reli, hoje, um conjunto de poemas que li, ainda bem jovem.

Publicados pela primeira vez em 1966, li em 1982. Em cada um deles, é notório perceber as convicções do autor; embora não sejam iguais as minhas (um dia coincidiram, em certa medida; não mais), são de uma sonoridade e sentido de existência tocantes, imprescindíveis!

Destes, destaco dois aqui:

"DIZ TU POR MIM, SILÊNCIO

Não era hoje um dia de palavras,
Intenções de poemas ou discursos,
Nem qualquer dos caminhos era nosso.
A definir-nos bastava um acto só,
E já que nas palavras me não salvo,
Diz tu por mim, silêncio, o que não posso."

. ' .

"DEMISSÃO
Este mundo não presta, venha outro.
Já por tempo demais aqui andamos
A fingir de razões suficientes.
Sejamos cães do cão: sabemos tudo
De morder os mais fracos, se mandamos,
E de lamber as mãos, se dependentes."
______.
(SARAMAGO, José. In: "Os poemas possíveis". 3. ed., Lisboa: Editorial Caminho, 1981).

quarta-feira, 19 de maio de 2021

REFLEXÃO MATINAL LXXXIX: ENCARAR DE UM PONTO MAIS ELEVADO, A VIDA


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Tem sido comum, as minha leituras e releituras sobre as discussões sobre a virtude; não somente, como tenho feito, extraindo excelentes reflexões dos textos dos estoicos, mas em diversos autores e em meio à sociedade, em geral, muitos dos quais acrescento várias obras.

Por exemplo, recentemente, iniciei a leitura dessa obra, de Claudia Blöser e Titus Stahl, com a qual tive contato através de uma resenha que li e postei aqui. no blog.

O tema é a “esperança”, mais uma vez, e ainda que não seja tão raro que se ouçam dizer que o mundo atual tem se tornado tão vazio de sentido por não haver uma preocupação com essa questão, sigo refletindo sobre a temática.

E, aqui, diante de tanta leitura errônea da Vida, de como se deve valorizar ou o que valorizar nessa vida. Pois, é certo que me distancio o quanto posso e devo das valorizações exageradas do presente como o único a que se deve dedicar a vida.

Portanto, o a que tenho me dedicado é esse distanciamento de uma visão “presentista” e propositalmente empobrecida da vida. O que aprendo e me exercito é nesse sentido: encarar a vida de um ponto mais elevado”.

Ora, por sermos imperfeitos, sempre nos equivocamos, à medida que somos desafiados. E, porque a maioria teme o isolamento da próprias decisões que, certamente, o fastariam da visão de "massa", o que se faz é "seguir a maré". Daí, a meu ver, um pessimismo injustificado em relação à Vida. Não nos convençamos de que, imperfeitos, não possamos almejar o melhor. Menos ainda que o presente seja a única referência. Parece-me, tendo notado, ser de extrema urgência uma visão mais "desinteressada" da Vida.

Assim, 

“Postos de lado os defeitos e os vícios acerca dos quais ninguém se pode equivocar, qual o sinal mais característico da imperfeição?

“O interesse pessoal. Frequentemente, as qualidades morais são como, num objeto de cobre, a douradura que não resiste à pedra de toque. Pode um homem possuir qualidades reais, que levem o mundo a considerá-lo homem de bem. Mas essas qualidades, conquanto assinalem um progresso, nem sempre suportam certas provas, e às vezes basta que se fira a corda do interesse pessoal para que o fundo fique a descoberto. O verdadeiro desinteresse é coisa ainda tão rara na Terra que, quando se patenteia, todos o admiram como se fora um fenômeno.

O apego às coisas materiais constitui sinal notório de inferioridade, porque, quanto mais se aferra aos bens deste mundo, tanto menos compreende o homem o seu destino.

Pelo desinteresse, ao contrário, demonstra que encara de um ponto mais elevado o futuro." - (A. K.)

Com issso, quero ressaltar uma visão mais positiva da Vida, inclusive, do conceito de "Esperança"

Aliás, "recentemente surgiu um consenso aproximado de que a esperança tem três partes componentes principais:

  • primeiro, a crença de que o resultado esperado é possível, mas não garantido;
  • segundo, um desejo ou preferência por esse resultado;
  • e uma terceira coisa que equivale a uma atitude "e se" em tom positivo em relação a um futuro contendo esse resultado ... (231-32)"

Em contraste com o agente desesperado, que pode desejar X e acreditar que X é possível, mas não garantido, o agente que espera tem uma atitude "e se" tonificada positivamente em relação à obtenção de X. Em outras palavras, a visão contínua reflete que, em contraste com o desespero, a esperança envolve uma orientação positiva em direção à possibilidade daquilo que é desejado. (BLÖSER, 2020)”

 

______.

ARRIANO FLÁVIO. O Encheirídion de Epicteto. Edição Bilíngue. Tradução do texto grego e notas Aldo Dinucci; Alfredo Julien. Textos e notas de Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão. Universidade Federal de Sergipe, 2012).

BLÖSER, Claudia; STAHL, Titus (eds.). The Moral Psychology of Hope. Rowman and Littlefield, 2020. 302pp.

CARLISLE, Claire. Philosopher of the heart: the restless life of Søren Kierkegaard. Londres: Penguin, 2020.

COMTE-SPONVILLE, André. Pequeno tratado das grandes virtudes. São Paulo: Martins Fontes, 2009. 

EPICTETO. Entretiens. Livre I. Trad. Joseph Souilhé. Paris: Les Belles Lettres, 1956.

______. Epictetus Discourses. Book I. Trad. Dobbin. Oxford: Clarendon, 2008.

______. O Encheirídion de Epicteto. Trad. Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão: EdiUFS, 2012. (Edição Bilíngue)

______. Testemunhos e Fragmentos. Trad. Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão: EdiUFS, 2008.

______. The Discourses of Epictetus as reported by Arrian; fragments: Encheiridion. Trad. Oldfather. Harvard: Loeb, 1928.  https://www.loebclassics.com/

FRANKL, Viktor. O sofrimento humano: fundamentos antropológicos da psicoterapia. Trad. Bocarro, Karleno e Bittencourt, Renato. Prefácio, Marino, Heloísa Reis. São Paulo: É Realizações, 2019.

______. Em busca de sentido. 25. ed. - São Leopoldo, RS: Sinodal; Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.

______. Yes to Life: In spite of everything. Beacon Press, 2020.

______. Um sentido para a vida: psicoterapia e humanismo. Aparecida, SP: Ideias e letras, 2005.

GALENO. On the passions and errors of the soul. Translated by Paul W . Harkins with an introduction and interpretation by Walter Riese. Ohio State University Press, 1963.

GAZOLLA, Rachel.  O ofício do filósofo estóico: o duplo registro do discurso da Stoa, Loyola, São Paulo, 1999.

HADOT, Pierre. The inner citadel: the meditations of Marcus Aurelius. London: Harvard University Press, 2001.

HANH, Thich Nhat. Meditação andando: guia para a paz interior. 21. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000.

______. Silêncio: o poder da quietude em um mundo barulhento. Rio de Janeiro, RJ: Harper Collins, 2018.

HEIDEGGER, Martim. Conceitos fundamentais de metafísica: mundo, finitude e solidão. Rio de Janeiro, RJ: Forense Universitária, 2003. (considerações sobre o "tédio")

KARDEC, A. Le Livre des Esprits. Paris, Dervy-Livres, s.d. (dépôt légal 1985). (O Livro dos Espíritos. Trad. Guillon Ribeiro, ______. O livro dos Espíritos. 93. ed. - 1. reimpressão (edição histórica). Brasília, DF: Feb, 2013. (Q. 258-273).

LEBRUN, Gérard. O conceito de paixãoIn: NOVAES, Adauto (org.). Os sentidos da paixão. São Paulo: Cia. das Letras, 1987.

KIEKEGAARD, S. A. O desespero humano: doença até a morte. São Paulo: Abril Cultural, 1979.

______. O desespero humano: São Paulo: Ed. UNESP, 2010.

______. Do desespero silencioso ao elogio do amor desinteressado. (Org. Alvaro Valls). Escritos, 2004.

______. As obras do amor. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.

______. O conceito de angústia. 3. ed. Trad. Alvaro Valls. Petrópolis, RJ, Vozes, 2015.

KING, C. Musonius Rufus: Lectures and Sayings. CreateSpace Independent Publishing Platform, 2011.

LONG, Georg. Discourses of Epictetus, with Encheiridion and fragments. Londres: Georg Bell and sons, 1890.

______. How to be free. Princeton, New Jersey:  Princeton University Press, 2018.

______. Epictetus: a stoic and socratic guide to life. New York: Oxford University Press. 2007.

LUTZ, C. Musonius Rufus: the Roman Socrates. Yale Classical Studies 10 3-147, 1947.

MAY. Rollo. O homem à procura de si mesmo. São Paulo: Ed. Círculo do livro, 1992.

______. Psicologia do dilema humano. 2. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009.

SÉNECA, Lúcio Aneu. Cartas a Lucílio. 5. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbekian, 2014.

 

segunda-feira, 17 de maio de 2021

ESTUDOS SOBRE O IDEALISMO

 

Lendo, uma obra recém editada que, por oferecer um material bastante informativo sobre o período clássico da filosofia alemã, acrescentei às leituras fundamentais. A obra, apresenta estudos sobre o Idealismo e, desde que tive as primeiras informações sobre sua publicação, passei à leitura. Nela, Autores do período são apresentados  e discutidos em     detalhes.

Mais um livro entre os quais me obriguei a ler por tratar-se de reunião de vários estudiosos do Idealismo alemão, discutindo sua relação ou divergências com o romantismo, o Iluminismo e a cultura da Europa dos séculos XVIII e XIX.

É a tarefa para essa semana. Uma visão geral sobre o movimento filosófico do Idealismo alemão, importante a todos que tem interesse por filosofia, literatura, teologia, estudos alemães e história das idéias.

mundo e suas representações: estudos sobre o idealismo:

“Este livro é o resultado de uma compilação de textos inéditos escritos por estudantes, pesquisadores e pesquisadoras ligados ao Grupo de Pesquisa Estudos do Idealismo (GPEI). O GPEI foi formado em 2002 e no mesmo ano certificado junto ao CNPq, tendo como líderes os professores Lucio Lourenço Prado (UNESP-Marília/SP) e Ernesto Maria Giusti (UNICENTRO/PR). Desde então, o GPEI vem reunindo membros cujas pesquisas e produção acadêmica transitam pelos temas do idealismo moderno, do idealismo transcendental e da recepção do kantismo desde o século XVIII. Ao longo do ano passado, já em cenário pandêmico e marcado pela restrição da realização de atividades acadêmicas presenciais, o GPEI promoveu, sob a condução do professor Lúcio, os Seminários GPEI, evento em ambiente virtual que contou com a apresentação de conferências de integrantes do grupo e pesquisadores convidados. Desse evento surgiram algumas das pesquisas que agora aqui aparecem reunidas.”

______.

AZIZI, Diego dos Anjos; MOREIRA, Camila Bozzo; PRADO, Lúcio Lourenço Prado (Orgs.). O mundo e suas representações: estudos sobre o idealismo. Guarapuava, PR: Apolodoro Virtual Edições, 2021.

 

 


domingo, 16 de maio de 2021

KANT E A FILOSOFIA MODERNA

 


JORNADAS SOBRE AS "REGRAS PARA A DIREÇÃO DO ESPÍRITO": RENÉ DESCARTES

 


Transmissão pelo: https://youtu.be/HtbrayAmCEE


REFLEXÃO MATINAL LXXXVIII: ESCOLHAS E SERENIDADE

(IMAGEM: "Pinterest")

Manhã de trabalho, após brevíssima meditação que registro abaixo. É certo que, como sempre, os textos que compõem o que anoto aqui e agora são praticamente os mesmos de sempre. Das nossas escolhas (προαίρεσις - prohairesis) dependerá a nossa Serenidade.

Natural que assim seja, portanto, pois na retomada de cada um está sempre o vínculo ao projeto pessoal que compartilho, tendo como foco desviar sempre na direção da manutenção:

  • da Serenidade [εὐροίας]
  • da Paz [Ἀταραξία] conforme Epicteto (D. II.XVIII.28-29),

Assim, prossigo, no exercício para “cura das paixões”. O fragmento abaixo, diz bem a que me refiro:

"E, caso escolheres ater-te sobretudo ao que é útil, não sintas aborrecimento diante das dificuldades, ponderando quantas coisas na vida já te ocorreram não como desejavas, mas como era útil." (Fragmento 27 - "ESTOBEU" 3.7.22 - Capítulo 7: "Sobre a Coragem").

Assim,

"Nada farei por causa da opinião alheia, mas tudo por força da consciência." (SÊNECA, Lucio Aneu. "Da vida feliz". XX, 4)

Pois,

"A prudência determina o que é necessário escolher e o que é necessário evitar." (Comte-Sponville)

Foi assim, após a “meditação da manhã”, aproveitando a pausa com a pesquisa principal que reli o trecho que segue abaixo, em que se nota o convite a estarmos atentos ao que realmente está ao nosso alcance e o que não é de nossa alçada, separando pacientemente uma coisa da outra para continuarmos o caminho nas correções. Convite sempre reiterado, na linha de interpretação do que escrevemos até aqui, neste texto. Cabendo-nos, observar que a prática visada concernente à filosofia moral aqui, numa perspectiva estoica, entre outras clássicas na filosofia, sempre ter como motivação a busca individual pela Virtude.

"Para que suportemos mais facilmente e com mais zelo as penas que devemos enfrentar em vista da virtude e da perfeita honestidade, eis os raciocínios úteis que foram feitos. “A quantas penas alguns se submetem por causa dos seus maus desejos, como aqueles que amam sem freio, quantas penas outros suportam tendo em vista o ganho de dinheiro, quantos males alguns sofrem para conquistar reputação! E, no entanto, é voluntariamente que todas estas gentes suportam toda espécie de fadiga. Não é, pois, monstruoso que eles suportem tantos males por nada daquilo que é bom, e que nós não suportemos com solicitude e prontidão toda a fadiga pela perfeita honestidade, para evitar o vício que prejudica nossa vida, para adquirir a virtude que nos proporciona todos os bens?” (TÈLÈS et MUSONIUS, 1978).

(grifos e destaques meus)

 ______.

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KANT SOBRE AUTOCONHECIMENTO E AUTOFORMAÇÃO: A NATUREZA DA EXPERIÊNCIA INTERIOR

  Como tem acontecido de tempos para cá; aliás desde que iniciei os estudos da obra de Immanuel Kant, tenho reunido um conjunto de leituras ...