sexta-feira, 17 de setembro de 2021

REFLEXÃO MATINAL XCII: "ESTAR NO MUNDO"

 

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“Faça uma prática dizer a todas as impressões fortes: ‘Uma impressão é tudo o que você é’. Em seguida, teste e avalie com seus critérios, mas um principalmente: pergunte: ‘Isso é algo que está ou não está sob meu controle?’ E se não é uma das coisas que você controla, diga: ‘Então não é minha preocupação’. (EPICTETO. D. II, 18)

A recomendação é excelente! Portanto, cabe-nos concentrar a atenção no que está sob nosso controle, a Natureza cuida do que está longe do nosso poder.

Assim, pela vontade, podemos dedicar bom tempo exercitando o domínio das nossas opiniões, das paixões; como li, recentemente, sobre a piedade Epicteteana. Uma tonalidade de alta confiança é percebida também nesse texto do imperador-filósofo:

"Toma conta de mim e atira-me para onde quiseres — porque, seja onde for, conservarei a minha consciência tranquila, isto é, satisfeita, contanto que eu proceda em conformidade com a minha natureza de homem. Valeria a pena que, por tão pouco, a minha alma se considerasse infeliz, se tornasse inferior a si mesma, se rebaixasse, se apaixonasse, se deixasse abater, se inquietasse? E que encontrarás na vida a que mereça tanto?"

"[...] Portanto, se coisa alguma sucede a cada ser senão o que é ordinário e natural, por que motivo hás de indignar-te? Pois a natureza nada te deu que fosse insuportável."

APARANDO AS ARESTAS

E, enquanto faço uma pausa, preparo um cafezinho indispensável, reflito sobre esta passagem do grande Plotino:

"Recolhe-te em ti mesmo e observa. E se achas que ainda não és belo, faze o que faz o criador de uma estátua que deve ser bela. Ele corta aqui e ali, alisa acolá, torna uma linha mais leve, uma outra mais pura, até que na estátua surge um belo rosto. Faze o mesmo: corta o excesso, endireita o que está torto, leva luz ao que está sombrio, trabalha para fazer com que tudo resplandeça em beleza, e não cesses de cinzelar a tua estátua até que ela desprenda sobre ti o divino esplendor da virtude, até que vejas a bondade final estabelecida com firmeza no santuário sem mácula."

Por certo, se assim fosse, estaríamos mais ligados ao “estar no mundo sem ser do mundo”; num constante olhar para “dentro de si”. 

Que sejam dias de muito trabalho e estudos, mesmo com dificuldades; em Paz!

______.

SUGESTÃO DE LEITURAS

DINUCCI, A.; JULIEN, A. O Encheiridion de Epicteto. Coimbra: Imprensa de Coimbra, 2014.

EPICTETO. Entretiens. Livre I. Trad. Joseph Souilhé. Paris: Les Belles Lettres, 1956.

______. Epictetus Discourses. Book I. Trad. Dobbin. Oxford: Clarendon, 2008.

______. O Encheirídion de Epicteto. Trad. Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão: EdiUFS, 2012. (Edição Bilíngue)

______. Testemunhos e Fragmentos. Trad. Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão: EdiUFS, 2008.

EPICTETUS. The Discourses of Epictetus as reported by Arrian; Fragments; Encheiridion. Trad. Oldfather. Harvard: Loeb, 1928.

GAZOLLA, Rachel.  O ofício do filósofo estóico: o duplo registro do discurso da Stoa, Loyola, São Paulo, 1999.

HADOT, Pierre. The inner citadel: the meditations of Marcus Aurelius. London: Harvard University Press, 2001. 

IRVINE, William B. A guide to the good life: the ancient art of Stoic joy. New York: Oxford University Press, 2009.

KARDEC, A. Le Livre des Esprits. Paris, Dervy-Livres, s.d. (dépôt légal 1985). (O Livro dos Espíritos. Trad. Guillon Ribeiro, ______. O livro dos Espíritos. 93. ed. - 1. reimpressão (edição histórica). Brasília, DF: Feb, 2013. ("As virtudes e os vícios": Q. 893-906).

KING, C. Musonius Rufus: Lectures and Sayings. CreateSpace Independent Publishing Platform, 2011.

LONG, Georg. Discourses of Epictetus, with Encheiridion and fragments. Londres: Georg Bell and sons, 1890.

LUTZ, C. Musonius Rufus, the Roman Socrates. Yale Classical Studies 10 3-147, 1947.

MARCO AURÉLIO. Meditações. São Paulo: Abril Cultural, 1973. (Livro VIII: 45, 46)

SÉNECA, Lúcio Aneu. Cartas a Lucílio. 5. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbekian, 2014.

XENOFONTE. Apologia de Sócrates. 5. ed. Trad. Líbero Rangel de Andrade. São Paulo: Nova Cultural, 1991. (p. 164-165). (Col. Os Pensadores)

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

REFLEXÃO VESPERTINA I: AGIR COM MODERAÇÃO

 

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reflexão vespertina de hoje; como de praxe, é mais um exercício fugindo da trivialidade, que instaura o domínio da superficialidade, destrói o sentimento de moderação e da busca do necessário, antes visto como normalidade.

A prática comum, desse modo, entre os estudos, tem sido a adoção sistemática, disciplinada, de exercícios que propiciam um distanciamento das agruras do cotidiano no firme propósito de buscar ou resgatar instantes de Paz. Nas passagens de filosofia, citadas aqui, a repetida tentativa de refletir sobre este esforço; esta busca constante pela moderação.

Pois que:     

"A natureza dá-nos em abundância o que naturalmente necessitamos. A civilização do luxo é um desvio em relação à natureza: dia-a-dia cria novas necessidades, que aumentam de época para época; o engenho está a serviço dos vícios”.

Onde está a moderação?

“Desapareceu de entre nós a antiga moderação natural que limitava os desejos às necessidades; hoje, desejar apenas o essencial é dar provas de mesquinho provincianismo”

É então que a filosofia de Sêneca e dos estoicos, portanto, ganha aqui, para tal reflexão, o sentido de medicamentum. Ou seja; um guia para aprimoramento do caráter puramente humano. A compreensão da natureza nos conduzirá à superação de temores e à compreensão do homem e do que está para além das suas limitações.

Exercitemo-nos, na busca pela moderação. A fuga do trivial.

A moderada normalidade é meta por aqui.

E,

Como resultando das muitas "meditações matinais" que tenho feito, surgiu a lembrança de que os estoicos propunham também “meditações vespertinas” e “meditações noturnas”, como já escrevi aqui, outras vezes.

E, não é novidade que, em geral, a filosofia é vista como um exercício inútil, reservado a desocupados que vivem isolados em suas torres de marfim. A considerar-se que a filosofia tem mesmo uma característica bastante voltada à reflexão teórica, abre-se imenso campo para que a vejam como inaplicável, portanto, dispensável.

Mas, como outros estoicos, o filósofo estoico Caio Musônio Rufo, chamado por alguns de “Sócrates romano”, tornou-se à sua época conhecido não só por sua coerência interna, ou seja, pela aproximação entre o que ensinava e o que vivenciava mas por ter ensinado outro grande estoico: Epicteto; sobre quem tenho dedicado alguns breves textos aqui, no Blog.

Aqui, mais uma vez, vou destacar que nas minhas leituras cada vez mais frequentes sobre estoicismo, que o mais notório princípio para prática dessa filosofia é o conjunto de "exercícios práticos". Ora, visto que os objetivos estoicos estão sempre ajustados de forma a dar mais valor à ação do que às palavras, a maneira de agir de cada indivíduo que pretenda ser um estoico é priorizada devido ao fato de que verdadeiramente a ação mostra como uma pessoa realmente é. Daí a incessante busca, realizando tais "exercícios práticos" no cotidiano para alcançar o sempre almejado princípio da eustatheia (tranquilidade) e desenvolver a euthymia (crença em si). E, como, também, já anotei aqui nessa página, mais de uma vez, nunca é demais reforçar e refazer o caminho no sentido de dar continuidade às reflexões pessoais, procurando juntar teoria prática, uma das maneiras estoicas de se posicionar em oposição àqueles que julgam a filosofia como inútil. A referência estoica é Sócrates.

Então, nesta meditação vespertina de hoje, reflito e proponho:

“(a) As coisas não inquietam os homens, mas as opiniões sobre as coisas. Por exemplo: a morte nada tem de terrível, ou também a Sócrates teria se afigurado assim, mas é a opinião a respeito da morte — de que ela é terrível — que é terrível! Então, quando se nos apresentarem entraves, ou nos inquietarmos, ou nos afligirmos, jamais consideraremos outra coisa a causa senão nós mesmos — isto é: as nossas próprias opiniões.

(b) É ação de quem não se educou acusar os outros pelas coisas que ele próprio faz erroneamente. De quem começou a se educar, acusar a si próprio. De quem já se educou, não acusar os outros nem a si próprio.”

Acrescento:

(c) Outra recomendação de Musônio Rufo valorizava a "moderação", ou sōphrosúnē (σωφροσύνη - em grego antigo). A sōphrosúnē consiste em abrandar suas emoções; não comer demais, ser frugal e comportar-se com certo equilíbrio e gravitas. A moderação está profundamente relacionada com estabelecimento de médias nas atividades práticas pessoais. E, no que se refere especificamente às emoçõesMusônio Rufo afirma, por exemplo, que:

“Palavras de aconselhamento e admoestação oferecidas quando as emoções de uma pessoa estão em seu ponto mais alto e transbordante pouco ou nada adiantam. [Fragmento nº 36]”

Portanto, como um método para exercício dessas recomendações, segue a indicação abaixo:

“O método a que Musônio Rufo se refere pode ser a prática estoica da meditação retrospectiva noturna, a qual envolve a reflexão sobre o que você fez de bom ou de ruim em cada dia e a imaginação sobre o modo de melhorar sua conduta dali por diante. 

À mesa do jantar ou à hora de dormir, converse com seu filho sobre como foi o dia para vocês dois, discutindo o que deu certo e o que deu errado. Vocês perderam alguma oportunidade de fazer algo positivo pelo seu crescimento enquanto pessoas? Útil tanto para os filhos como para os pais é refletir sobre sua própria conduta, fazer comentários sobre suas falhas pessoais e revirar o cérebro em busca de soluções que visem ao aprimoramento de si. Sabedoria não é algo que se adquira do dia para a noite: estamos sempre nos empenhando na direção dela.”

método de Musônio Rufo apresentado acima como "meditação vespertina",  é uma proposta de reflexão sobre o que fizemos de bom ou ruim ao longo de cada dia e o estabelecimento ou reforço de "metas" a serem vencidas para a melhora da conduta a partir de cada novo dia que vai terminando.

Isso já aparece nas atribuições necessárias ao "προκόπτον –prokopton”, tanto na "meditação retrospectiva noturna", quanto nas "reflexões matinais"

Ademais, como fiz aqui, nunca é dispensável reforçar e prosseguir nos termos expostos em que nos colocaremos em uníssono o que dizemos e o que fazemos. Moderação e equilíbrio dos polos.

(Grifos e destaques meus)

______.

SUGESTÃO DE LEITURAS

DINUCCI, A.; JULIEN, A. O Encheiridion de Epicteto. Coimbra: Imprensa de Coimbra, 2014.

EPICTETO. Entretiens. Livre I. Trad. Joseph Souilhé. Paris: Les Belles Lettres, 1956.

______. Epictetus Discourses. Book I. Trad. Dobbin. Oxford: Clarendon, 2008.

______. O Encheirídion de Epicteto. Trad. Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão: EdiUFS, 2012. (Edição Bilíngue)

______. Testemunhos e Fragmentos. Trad. Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão: EdiUFS, 2008.

EPICTETUS. The Discourses of Epictetus as reported by Arrian; Fragments; Encheiridion. Trad. Oldfather. Harvard: Loeb, 1928.

HADOT, Pierre. The inner citadel: the meditations of Marcus Aurelius. London: Harvard University Press, 2001. 

IRVINE, William B. A guide to the good life: the ancient art of Stoic joy. New York: Oxford University Press, 2009.

KARDEC, A. Le Livre des Esprits. Paris, Dervy-Livres, s.d. (dépôt légal 1985). (O Livro dos Espíritos. Trad. Guillon Ribeiro, ______. O livro dos Espíritos. 93. ed. - 1. reimpressão (edição histórica). Brasília, DF: Feb, 2013. ("As virtudes e os vícios": Q. 893-906).

KING, C. Musonius Rufus: Lectures and Sayings. CreateSpace Independent Publishing Platform, 2011.

LONG, Georg. Discourses of Epictetus, with Encheiridion and fragments. Londres: Georg Bell and sons, 1890.

LUTZ, C. Musonius Rufus, the Roman Socrates. Yale Classical Studies 10 3-147, 1947.

SÉNECA, Lúcio Aneu. Cartas a Lucílio. 5. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbekian, 2014.

XENOFONTE. Apologia de Sócrates. 5. ed. Trad. Líbero Rangel de Andrade. São Paulo: Nova Cultural, 1991. (p. 164-165). (Col. Os Pensadores)

sábado, 11 de setembro de 2021

UMA REFLEXÃO SOBRE UM "PROBLEMA EXISTENCIAL E METAFÍSICO" NO DIÁLOGO "CLARA", DE SCHELLING

Pausa na oficina! Lendo Schelling.

Mantendo as leituras de sempre; Immanuel Kant, o Idealismo alemão; Ética das virtudes; Espiritualidade e saúde; relação mente-corpo e um pouquinho de Estoicismo...

E, hoje, encerrando a leitura dessa tradução de um texto "inacabado" de Schelling: "Clara ou Sobre a conexão da natureza com o mundo dos espíritos: um diálogo".

Interessante, exatamente por tratar-se de um autor que conheço pouco, suas relações com o que estudo e por ser um tema que não sabia ter sido discutido por ele!

. ‘ .

F. W. J. Schelling: "Clara ou Sobre a conexão da natureza com o mundo dos espíritos: um diálogo".

"Com o diálogo "Clara", Schelling coloca um problema existencial e metafísico: a base da questão de saber se e de que maneira é possível conceber, de maneira filosófica, lógica e conceitual, uma relação entre a natureza e o mundo dos espíritos, entre a vida física e a vida espiritual, entre imanência e transcendência, encontra-se de fato a esperança de poder alcançar, naturalmente, um momento que garanta a sobrevivência do homem após a morte. Esta última pergunta anima a intenção mais profunda de Schelling, que escreve o diálogo principalmente para encontrar respostas para a dor causada pela morte prematura de sua esposa Caroline Michaelis (1809). No entanto, este não é o problema tradicional da imortalidade da alma, mesmo que a "Clara" tenha alguma analogia com a "Fedone" platônica. Schelling não apenas busca a sobrevivência da alma ou espírito após a morte, mas visa a sobrevivência de todo o homem, incluindo seu corpo, sua dimensão natural e sensível. A natureza radical e a sinceridade da questão são refletidas em uma linguagem que, conceitual e filosófica, muitas vezes se transforma em poética e descritiva, e na estrutura oferecida quase inteiramente por ambientes naturais, que não servem apenas como pano de fundo romântico para argumentos filosóficos, mas constituem o ponto de partida necessário para qualquer conhecimento do mundo espiritual.

(Introdução de Wofgang Neuser)"

______.

SCHELLING. F. W. J. Schelling. "Clara ou Sobre a conexão da natureza com o mundo dos espíritos: um diálogo". 2. ed. Trad. Muriel Maria-Flickinger. Porto Alegre, RS: EDIPUCRS, 2015.

quarta-feira, 8 de setembro de 2021

CICLO DE CONFERÊNCIAS SOBRE A "CRÍTICA DA RAZÃO PURA" DE IMMANUEL KANT

 


Continuando a série de palestras e encontros sobre sua obra magna, a Crítica da razão pura, em que pesquisadores de sua obra do Brasil inteiro, abordam uma temática da Crítica e buscam elucidar seus conceitos.

Quinto encontro será nessa sexta feira (10/09), às 16h. Com participação do professor Luciano Codato (UNIFESP)

Tema: "O lado conceitual da experiência humana: Analítica dos conceitos"

Link: https://www.youtube.com/watch?v=XPdiJ0_kre4

terça-feira, 7 de setembro de 2021

IMMANUEL KANT E O IDEALISMO ALEMÃO: UM MANUAL

 


"Immanuel Kant e o Idealismo alemão: ein Handbuch"
"Wie relevant ist die Philosophie Kants und des Deutschen Idealismus für die Gegenwart?
Am Anfang war Kant. Seine "Kritik der reinen Vernunft" war eine Initialzündung und eröffnete einen neuen Denkraum. Darin waren sich die drei wichtigsten Repräsentanten des Deutschen Idealismus — Fichte, Schelling und Hegel — einig. Auch Karl Leonhard Reinhold, Friedrich Schiller und Friedrich Hölderlin gingen damit konform.
Doch wie sieht das heute aus? Gehört Kant ins Museum der Philosophiegeschichte? Haben die Denker des Deutschen Idealismus, die sich auf Kant beziehen, uns noch etwas zu sagen?
- Ist Kants Philosophie noch zeitgemäß? Problemlagen und Perspektiven, die für heutige Debatten relevant sind
- Fichte, Schelling, Hegel: die Entwicklung der Philosophie nach Kant
- Betrachtungen zur Elementarphilosophie Karl Leonhard Reinholds und ihrer Folgen
- Eigenständige und originelle Zugänge zu den philosophischen Strömungen
- Ein Handbuch, das einen Einstieg in das tiefere Studium ermöglicht
Warum wir die Philosophie Kants und des Deutschen Idealismus heute noch brauchen
Das von Klaus Vieweg herausgegebene Buch stellt wichtige Aspekte von Kants Denken sowie ausgewählte Hauptstränge der fulminanten Denkbewegung nach Kant vor. Der Herausgeber ist Professor für Klassische Deutsche Philosophie und beschäftigt sich vor allem mit der Philosophie des Deutschen Idealismus, insbesondere mit Hegel, und dem Skeptizismus. Zusammen mit fünf weiteren Expert:innen eröffnet er den Leserinnen und Lesern Zugänge zu einer Epoche der Weltphilosophie, die keineswegs ins Museum gehört!"

. ' .

"Quão relevantes são a filosofia de Kant e o idealismo alemão para o presente?
No início havia Kant, sua "Crítica da Razão Pura" foi uma centelha inicial e abriu um novo espaço para o pensamento. Os três representantes mais importantes do idealismo alemão - Fichte, Schelling e Hegel - concordaram com isso. Karl Leonhard Reinhold, Friedrich Schiller e Friedrich Hölderlin também se conformaram com isso.
Mas como está hoje? Kant pertence ao museu da história da filosofia? Os pensadores do idealismo alemão que se referem a Kant têm mais alguma coisa a nos dizer?
- A filosofia de Kant ainda é atual? Problemas e perspectivas são relevantes para os debates de hoje?
- Fichte, Schelling, Hegel: o desenvolvimento da filosofia de Kant

- Considerações sobre a filosofia elementar de Karl Leonhard Reinhold e suas consequências

- Abordagens independentes e originais para correntes filosóficas.
- Um manual que permite uma introdução a um estudo mais aprofundado
Por que ainda precisamos da filosofia de Kant e do idealismo alemão hoje
O livro publicado por Klaus Vieweg apresenta aspectos importantes do pensamento de Kant, bem como linhas principais, selecionada,s do movimento do pensamento alemão após Kant.

O editor é professor de filosofia clássica alemã e lida principalmente com a filosofia do idealismo alemão, especialmente com Hegel, e com o ceticismo. Junto com cinco outros especialistas, ele dá aos leitores acesso a uma época da filosofia mundial que de forma alguma pertence a um museu! "
_______.
Trecho da obra:


segunda-feira, 6 de setembro de 2021

REFLEXÕES E NOVAS PERSPECTIVAS EM EPISTEMOLOGIA: "CIÊNCIA E PSEUDOCIÊNCIA"

  


Este livro explica como a lógica da mudança de teoria emprega modelos formais na investigação de mudanças em bancos de dados e estados de crença. Os tópicos cobertos incluem caracterizações equivalentes de operações AGM, representações estendidas dos estados de crença, operadores de mudança não incluídos na estrutura original, mudança iterada, aplicações do modelo, suas conexões com outras estruturas formais e críticas ao modelo.”

. ' .

A demarcação entre ciência e pseudociência faz parte da tarefa mais abrangente de determinar quais são as crenças epistemicamente justificadas. Este verbete esclarece a natureza específica da pseudociência em relação a outras categorias de doutrinas e de práticas não-científicas, inclusive a recusa da ciência e a resistência aos fatos. Os critérios de demarcação mais importantes são discutidos e algumas das suas fraquezas são expostas. Por último, enfatiza-se que há muito mais consenso sobre questões particulares de demarcação do que sobre os critérios gerais em que esses juízos devem se basear. Isso é um indício de que há muito trabalho filosófico importante por fazer sobre a demarcação entre ciência e pseudociência.”  (HANSSON, Sven ove. First published Wed Sep 3, 2008; substantive revision Thu May 20, 2021. Disponível em: https://plato.stanford.edu/entries/pseudo-science/Acesso em: 06 de setembro de 2021).

E, por falar em "epistemologia”; nas últimas manhãs dedicadas à retomada dos estudos e trabalhos, volto, com esforços, a uma outra obra de Karl Popper que há muito desejava reler (alguns capítulos, especificamente).

Tem sido uma constante, nesse tópico “filosofia da ciência”, na leitura dos clássicos da área, que eu encaminhe minhas reflexões sobre a forma como Popper trata a importância e relevância da metafísica ante o “critério de demarcação científica” (Popper, 1972).

De grande importância, para mim, ainda que Popper não tenha desenvolvido claramente essa questão em suas obras, quis ler aqui: qual pode ser a importância da metafísica para a investigação do conhecimento científico, ainda hoje. Certo é que Karl R. Popper não nega os pressupostos de teor metafísico na produção da ciência.

Assim, admitindo que haja tal relevância, importante que se investigue a função que a metafísica teria no desenvolvimento e produção da ciência. Popper defendeu tal relevância da metafísica em torno das “teorias da ciência”, presente, segundo ele, desde a antiguidade.

Leitor de Kant, retomo a questão sem me afastar das referências básicas e, para me manter refletindo sobre “os dois os problemas fundamentais da teoria do conhecimento: o problema da indução (problema de Hume) e o problema da demarcação (problema de Kant)”:

Mas, este retorno ao tema deve-se ao recente contato com a obra de Sven Ove Hansson citada desde o início e que motivou-me a escrever este brevíssimo texto que pretendo melhorar e aprofundar, no texto e no tema. A começar pelo livroBelief Change: introduction and overview”.

“This book explains how the logic of theory change employs formal models in the investigation of changes in belief states and databases. The topics covered include equivalent characterizations of AGM operations, extended representations of the belief states, change operators not included in the original framework, iterated change, applications of the model, its connections with other formal frameworks, and criticism of the model.”

“Este livro explica como a lógica da mudança de teoria emprega modelos formais na investigação de mudanças em bancos de dados e estados de crença. Os tópicos cobertos incluem caracterizações equivalentes de operações AGM, representações estendidas dos estados de crença, operadores de mudança não incluídos na estrutura original, mudança iterada, aplicações do modelo, suas conexões com outras estruturas formais e críticas ao modelo.”

Incluí acima, neste texto, o link do artigo que li e tive primeiro contato com este autor.

Ou seja, começando um novo caminho de reflexões a partir de produções mais recentes sobre o tema.

(os grifos destaques são meus)

______.

Hansson, Sven Ove. Belief Change: introduction and overview. Springer,  2018.

______. Vetenskap och ovetenskap, Stockholm: Tiden, 1983.

______. “Defining Pseudoscience”, Philosophia Naturalis, 33: 169–176. 1996.

______. “Falsificationism Falsified”, Foundations of Science, 11: 275–286, 2006.

______. “Values in Pure and Applied Science”, Foundations of Science, 12: 257–268, 2007.

______. “Philosophy in the Defence of Science”, Theoria, 77(1): 101–103, 2011.

______. “Defining pseudoscience and science”, pp. 61–77 in Pigliucci and Boudry (eds.), 2013.

______. Philosophy of pseudoscience: reconsidering the demarcation problem. University of Chicago Press; Illustrated edição, 2013.

KANT, Immanuel. Crítica da razão pura. 3, ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbekian, 1994.

_____. KUHN, Thomas S., 1974. “Logic of Discovery or Psychology of Research?”, pp. 798–819 in P.A. Schilpp, The Philosophy of Karl Popper, The Library of Living Philosophers, vol xiv, book ii. La Salle: Open Court.

LAKATOS, Imre, 1970. “Falsification and the Methodology of Research program”, pp 91–197 in Imre Lakatos and Alan Musgrave (eds.) Criticism and the Growth of Knowledge. Cambridge: Cambridge University Press.

______. 1974a. “Popper on Demarcation and Induction”, pp. 241–273 in P.A. Schilpp, The Philosophy of Karl Popper, The Library of Living Philosophers, vol xiv, book i. La Salle: Open Court.

______. 1974b. “Science and pseudoscience”, Conceptus, 8: 5–9.

_____. 1981. “Science and pseudoscience”, pp. 114–121 in S Brown et al. (eds.) Conceptions of Inquiry: A Reader London: Methuen.

LAUDAN, Larry, 1983. “The demise of the demarcation problem”, pp. 111–127 in R.S. Cohan and L. Laudan (eds.), Physics, Philosophy, and Psychoanalysis, Dordrecht: Reidel.

POPPER, K. (1993). Lógica da pesquisa científica. São Paulo: Edusp.

______. Conjecturas e refutações. Trad. Bath S. Brasília: UB, 1972.

______. Os dois problemas fundamentais da teoria do conhecimento. São Paulo: Editora Unesp, 2013.

______. O conhecimento e o problema mente-corpo. Lisboa: Edições 70, 2009.

______; ECCLES, J. C. O cérebro e o pensamento. Campinas, SP: Papirus; Brasília, DF: Ed. Universidade de Brasília, 1992.

______. O conhecimento objetivo. Belo Horizonte, MG: Itatiaia, 1999.

______. O eu e seu cérebro. Campinas, SP: Papirus; Brasília, DF: Ed. Universidade de Brasília, 1995.

MEDITAÇÃO RETROSPECTIVA NOTURNA: "CURA DAS PAIXÕES" E "MAIOR DOS MALES"

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Há pouco, terminados os trabalhos da pesquisa; dei-me um intervalo enquanto servi-me de um café, mais uma vez! E, hoje das boas lembranças que reaparecem aqui e dou destaque, revi esta, atribuída a Sócrates, no Górgias de Platão.

Enquanto algumas me sugerem o mesmo "Recolhimento", durante os cafezinhos da tarde, outras, ainda pensando no proposto pela "doutrina", sugerem "reforma", "revisão" e, principalmente: reparação!

A isso tudo, com as costumeiras recordações de infância, acrescentando, de vez em quando, uma reflexão "estoica" ("cura das paixões").

Ao texto:

. ' .

"[478d-e] Sócrates: …Considerando-se dois doentes, seja do corpo ou da alma, qual o mais infeliz: o que se trata e obtém a cura, ou aquele que não se trata e permanece doente?

Polo: Evidentemente, aquele que não se trata.

Sócrates: E não é verdade que pagar pelos próprios crimes seria a libertação de um mal maior?

Polo: É claro que sim.

Sócrates: Isso porque a justiça é uma cura moral que nos disciplina e nos torna mais justos?

Polo: Sim.

Sócrates: O mais feliz, porém, é aquele que não tem maldade na alma, pois ficou provado que esse é o maior dos males.

Polo: É claro.

Sócrates: Em segundo lugar vem aquele que dessa maldade foi libertado.

Polo: Naturalmente."

SÓCRATES. In: Górgias.

______.

(IMAGEM: "Pinterest")

ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. São Paulo: Nova Cultural, 1987 (col. Os Pensadores).

______. Ethica Nicomachea - III 9 - IV 15: As virtudes morais. Trad. Marco Zingano. São Paulo: Odysseus Editora, 2019.

FOOT, Philippa. Natural goodness. Clarendon Press, 2003.

______. Moral dilemmas: and other topics in moral philosophy. Oxford University Press, 2003)

______. Virtues and Vices: and other essays in moral philosophy. OUP Oxford; Reprint, 2003). Informações sobre a a autora: https://pt.wikipedia.org/wiki/Philippa_Foot

MACINTYRE, Alasdair. Depois da virtude: um estudo sobre teoria moral. Campinas, SP: Vide Editorial, 2021.

 

SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS

ARRIANO FLÁVIO. O Encheirídion. Edição Bilíngue. Tradução do texto grego e notas Aldo Dinucci; Alfredo Julien. Textos e notas de Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão. Universidade Federal de Sergipe, 2012).

BORGES, Maria. Borges. Razão e emoção em Kant. Pelotas, RS: Editora e Gráfica Universitária, 2012.

______. Emotion, Reason, and Action in Kant. Bloomsbury Academic, 2019.

CÍCERO. On ends (The Finibus). Tradução de H. Rackham. Harvard: https://www.loebclassics.com, 1914.

CUNHA, Bruno. A gênese da ética em Kant. São Paulo: Editora LiberArs, 2017.

DESCARTES, R. Oeuvres. Org. C. Adam e P. Tannery. Paris: Vrin, 1996. 11v. [indicadas no texto como Ad & Tan]

_______. Oeuvres et lettres. Org. André Bidoux. Paris: Gallimard, 1953. (Pléiade).

______. Discursos do Método; Meditações metafísicas; Objeções e Respostas; As Paixões da Alma; Cartas. (Introdução de Gilles-Gaston Granger; prefácio e notas de Gerard Lebrun; Trad. de J. Guinsberg), Bento Prado J. 3. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1983 (Os Pensadores).

EPICTÉTE. Entretiens. Livres I, II, III, IV. Trad. Joseph Souilhé. Paris: Les Belles Lettres, 1956.

______. Epictetus Discourses. Trad. Dobbin. Oxford: Clarendon, 2008.

______. O Encheirídion de Epicteto. Trad. Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão: EdiUFS, 2012. (Edição Bilíngue).

______. Testemunhos e Fragmentos. Trad. Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão: EdiUFS, 2008.

______. The Discourses of Epictetus as reported by Arrian; fragments: Encheiridion. Trad. Oldfather. Harvard: Loeb, 1928.  https://www.loebclassics.com/

HANH, Thich Nhat. Meditação andando: guia para a paz interior. 21. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000.

KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes. São Paulo: Discurso editoria: Barcarola, 2009.

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______. Lições de ética. Trad. Bruno Cunha e Charles Fedhaus. São Paulo: Editora Unesp, 2018.

______. Lições sobre a doutrina filosófica da religião. Trad. Bruno Cunha. Petrópolis, RJ: Vozes, 2019.

______. Anthropology from a pragmatic point of view. Carbondale, III: Southern Illinois University Press. 1996. eBook., Base de dados: eBook Collection (EBSCOhost).

______. Antropologia de um ponto de vista pragmático. Trad. Clélia Aparecida Martins. São Paulo: Iluminuras, 2006.

______. Crítica da razão prática. Tradução de Valério Rohden. São Paulo, Martins Fontes, 2002.

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KARDEC, A. Le Livre des Esprits. Paris, Dervy-Livres, s.d. (dépôt légal 1985). (O Livro dos Espíritos. Trad. Guillon Ribeiro, ______. O livro dos Espíritos. 93. ed. - 1. reimpressão (edição histórica). Brasília, DF: Feb, 2013. ("As virtudes e os vícios": Q. 893-906).

KIRK, Russel. The conservative mind: from Burke to Eliot. São Paulo: É Realaizaçõea, 2020.)

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ROWE, C. J. Plato. Phaedo. Cambridge Greek and Latin classics, 2001.

 



terça-feira, 31 de agosto de 2021

UMA REFLEXÃO SOBRE "MUDANÇA DE HABITOS" E "CURA DAS PAIXÕES"

(IMAGEM: "Pinterest")

Fundamental que, ao voltar-se para si, é imperativo que se adote novos hábitos, mas contrários ao mero vício. 

O que se obtém de tal conselho é que, estando ciente de que deseja a mudança, de que o vício incomoda, deve-se mudar de direção. 

E, Epicteto chega a propor que quem não se opõe a antigos hábitos, quem não os supera nem se torna filósofo.

É só uma reflexão pessoal. Mas, muito a fazer!

O texto, recentemente publicado numa revista sobre Estoicismo:




segunda-feira, 23 de agosto de 2021

NUPES-UFJF 2021: SIMPÓSIO "CIÊNCIA E ESPIRITUALIDADE"

 


Muito bom! Li alguns de seus textos e livros. Trata de temas que tenho estudado há alguns anos. E registro aqui no Blog!

Vejamos:

Simpósio "Ciência e Espiritualidade" - 11 de setembro 2021. NUPES - Juiz de Fora. 

"Diversos especialistas de todo o país e mais um grande nome internacional para discutirmos, de modo prático e direto, como integrar a espiritualidade na prática clínica da medicina, psicologia, enfermagem etc."

Presença confirmada de KENNETH PARGAMENT:

Um dos principais pesquisadores sobre o tema e sobre Psicologia e Religião.

"Professor de psicologia clínica na Bowling Green State University, já publicou mais de 250 artigos sobre religião e saúde mental [...]"

Autor de um excelente livro que li recentemente: "Spiritually Integrated Psychotherapy: Understanding and Addressing the Sacred." The Guilford Press (2007) e de outro: "The Psychology of Religion and Coping: Theory, Research and Practice"

"This two-volume handbook presents the most comprehensive coverage of the current state of the psychology of religion and spiritualit."

 

______.

PARGAMENT, KENETH. Handbook of Psychology: Religion, and Spirituality. American Psychological Association (APA), 2013.

REFLEXÃO MATINAL XCII: "ESTAR NO MUNDO"

  (IMAGEM: "Pinterest") “Faça uma prática dizer a todas as impressões fortes: ‘Uma impressão é tudo o que você é’. Em seguida, tes...