sexta-feira, 8 de maio de 2026

REFLEXÃO VESPERTINA CLXXIV: ANOTAÇÔES ESPARSAS SOBRE "MUDANÇA DE HÁBITOS"

(IMAGEM: "Pinterest")

Em desenvolvimento...

Andei meditando, novamente, sobre o mesmo tema e textos e elaborando novos "exercícios":  

LE - "Quando o homem se acha, de certo modo, mergulhado na atmosfera do vício, o mal não se lhe torna um arrastamento quase irresistível?

Arrastamento, sim; irresistível, não; porquanto, mesmo dentro da atmosfera do vício, com grandes virtudes às vezes deparas. São Espíritos que tiveram a força de resistir e que, ao mesmo tempo, receberam a missão de exercer boa influência sobre os seus semelhantes. (L. E. 2013. Q. 361; 645; 845)

É sabido que vivemos em meio a muita confusão. Momentos de profunda tristeza, donde sempre nos recuperamos e nos colocamos a pensar no hábito a que tantos se deixam seduzir (eu mesmo me deixei levar noutro tempo):

  • do pessimismo, por um lado e do extremo esforço em 
  • do extremo esforço em "mudar o mundo", por outro lado.

Assim, de algum tempo para cá, nos que me imponho em "mudança de hábitos", passou a ser fundamental, para mim, exercitar a superação de concepções pessimistas e abraçar com mais afinco o que mero desejo de mudar o que nos é externo; que está fora do nosso alcance.

Como tenho postado aqui, na medida em que vou estudando e tentando a pratica, "medito andando".

Dessa decisão, parti para busca de aprofundamento sistemático para a intensa busca por "eustatheia" (tranquilidade) e "euthymia" (crença em si), como já disse, é projeto em andamento “há séculos” e que, às vezes, por descuido, foi interrompido.

No entanto, retomando sigo o conselho sugerido por alguns estoicos e outros grandes sábios, como os que acrescento na Bibliografia no final do texto.

Por exemplo, sobre a mudança de hábitos antigos por novos hábitos (mais saudáveis), trabalho constantemente. E, é bastante caraterística a reflexão proposta por Epictetus em relação ao hábito e o habituar-se a determinadas ações. Segundo ele, estreitamente ligadas aos aspectos mentais de cada indivíduo.

A preocupação, portanto, sempre notada nas leituras que se faço de sua obra, como acima, é a distinção entre o que é interno (encargos nossos) e o que é externo (que não são encargos nossos), conforme EPICTETUS, no Encheiridion, I.

Ou seja, disso resulta que não é necessário o reconhecimento nas opiniões alheias, mas as próprias opiniões. Importante aqui, os hábitos novos entre os quais se refere:

  • autodomínio (enkrateia).
  • perseverança (karteria).
  • à paciência (anexikakia). 

 Também extraído do Encherídion, anoto:

“Quanto a cada uma das coisas que sucedem contigo, lembra, voltando a atenção para ti mesmo, de buscar alguma capacidade que sirva para cada uma delas. Caso vires um belo homem ou uma bela mulher, descobrirás para isso a capacidade do autodomínio. Caso uma tarefa extenuante se apresente, descobrirás a perseverança. Caso a injúria, a paciência. Habituando-te desse modo, as representações não te arrebatarão.”

Assim, ao voltar-se para si, é imperativo que cada um de nós que se proponha tal “exercício” esteja empenhado e adotar novos hábitos, contrários ao mero vício. O que se obtém de tais conselhos é que, estando cientes de que desejamos a mudança, de que o vício incomoda, devemos mudar de direção. O estoico Epictetus chega a propor que quem não se opõe a antigos hábitos; quem não os supera nem se torna filósofo.

Reforçando, portanto:

É mera reflexão pessoal. Dado o interesse na proposta, "há muitas auroras que brilharam ainda", ou seja, há muito a fazer! E,

"A semente da plena consciência se encontra em cada um de nós, mas nos esquecemos de regá-la. Acreditamos que só seremos felizes no futuro, quando conseguirmos uma casa, um carro ou um doutorado. Mantemos uma luta em nossa mente e em nosso corpo e não sentimos a paz e a alegria que temos ao nosso alcance neste preciso instante: o céu azul, as folhas verdes e os olhos de nosso ser querido."

"[...] Manter a calma interior mesmo nas situações mais caóticas e viver uma vida satisfatória [...] não requer longas horas de meditação."

Uma reflexão, entre as que acho belíssimas e costumo associar com a que segue abaixo, em que se lê os preceitos seguintes:


“Não deixe teu sono cair sobre seus olhos lassos

Antes de ter pesado todos os atos do dia:

Em que falhei? Que fiz, qual dever omiti?

Começa por aí e prossegue o exame: após o que 

Condena o malfeito, alegra-te pelo Bem.” [1]

...

Antes de ir para a cama, portanto:

Reflita sobre as coisas mais importantes que aconteceram no dia que encerrou e o que de mais importante relaciona-se com uma ética pessoal.

Pergunte a ti mesmo:

  1. O que fiz errado?
  2. O que fiz certo?
  3. E o que ainda precisa ser feito?

...

Acrescento ainda, nessa mesma perspectiva, numa outra abordagem para uma “visão de mundo” (Weltanschauung), temos as seguintes questões:

“Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal?[2]

“Um sábio da Antiguidade vo-lo disse: Conhece-te a ti mesmo.”

a) - Conhecemos toda a sabedoria desta máxima; porém a dificuldade está precisamente em cada um conhecer-se a si mesmo. Qual o meio de consegui-lo?

Fazei o que eu fazia quando vivi na Terra: ao fim do dia, interrogava a minha consciência, passava revista ao que fizera e perguntava a mim mesmo se não faltara a algum dever, se ninguém tivera motivo para de mim se queixar. Foi assim que cheguei a me conhecer e a ver o que em mim precisava de reforma. Aquele que, todas as noites, evocasse todas as ações que praticou durante o dia e inquirisse de si mesmo o bem ou o mal que fez, rogando a Deus e ao seu anjo guardião que o esclarecessem, grande força adquiriria para se aperfeiçoar, porque, crede-me, Deus o assistiria. Dirigi, pois, a vós mesmos perguntas, interrogai-vos sobre o que tendes feito e com que objetivo procedestes em tal ou tal circunstância, sobre se fizestes alguma coisa que, feita por outrem, censuraríeis, sobre se obrastes alguma ação que não ousaríeis confessar. Perguntai ainda mais: “Se aprouvesse a Deus chamar-me neste momento, teria que temer o olhar de alguém, ao entrar de novo no mundo dos Espíritos, onde nada pode ser ocultado?” Examinai o que pudestes ter obrado contra Deus, depois contra o vosso próximo e, finalmente, contra vós mesmos. As respostas vos darão, ou o descanso para a vossa consciência, ou a indicação de um mal que precise ser curado.

“O conhecimento de si mesmo é, portanto, a chave do progresso individual. Mas, direis, como há de alguém julgar-se a si mesmo? Não está aí a ilusão do amor-próprio para atenuar as faltas e torná-las desculpáveis? O avarento se considera apenas econômico e previdente; o orgulhoso julga que em si só há dignidade. Isto é muito real, mas tendes um meio de verificação que não pode iludir-vos. Quando estiverdes indecisos sobre o valor de uma de vossas ações, inquiri como a qualificaríeis, se praticada por outra pessoa. Se a censurais noutrem, não a podereis ter por legítima quando fordes o seu autor, pois que Deus não usa de duas medidas na aplicação de Sua justiça. Procurai também saber o que dela pensam os vossos semelhantes e não desprezeis a opinião dos vossos inimigos, porquanto esses, nenhum interesse têm em mascarar a verdade, e Deus muitas vezes os coloca ao vosso lado como um espelho, a fim de que sejais advertidos com mais franqueza do que o faria um amigo. Perscrute, conseguintemente, a sua consciência aquele que se sinta possuído do desejo sério de melhorar-se, a fim de extirpar de si os maus pendores, como do seu jardim arranca as ervas daninhas. Faça o balanço de seu dia moral, como o comerciante faz o de suas perdas e seus lucros; e eu vos asseguro que a primeira operação será mais proveitosa do que a segunda. Se puder dizer que foi bom o seu dia, poderá dormir em paz e aguardar sem receio o despertar na outra vida.

“Formulai, pois, de vós para convosco, questões nítidas e precisas e não temais multiplicá-las. Justo é que se gastem alguns minutos para conquistar uma felicidade eterna. Não trabalhais todos os dias com o fito de juntar haveres que vos garantam repouso na velhice? Não constitui esse repouso o objeto de todos os vossos desejos, o fim que vos faz suportar fadigas e privações temporárias? Ora, que é esse descanso de alguns dias, turbado sempre pelas enfermidades do corpo, em comparação com o que espera o homem de bem? Não valerá este outro a pena de alguns esforços? Sei haver muitos que dizem ser positivo o presente e incerto o futuro. Ora, esta exatamente a ideia que estamos encarregados de eliminar do vosso íntimo, visto desejarmos fazer que compreendais esse futuro, de modo a não restar nenhuma dúvida em vossa alma. Por isso foi que primeiro chamamos a vossa atenção por meio de fenômenos capazes de ferir-vos os sentidos e que agora vos damos instruções, que cada um de vós se acha encarregado de espalhar. Com este objetivo é que ditamos O Livro dos Espíritos.

______

PARA "EXERCÍCIOS":

1. "Não é possível estudar. Mas é possível conter a arrogância (hybris). É possível vencer os prazeres e os prazeres e os sofrimentos. É possível estar acima da mísera fama. É possível não se irritar com os insensíveis e ingratos. É possível mesmo cuidar deles." (AURÉLIO, Marco. Meditações. Trad. Aldo Dinucci. São Paulo: Companhia das Letras, 2023.

2. (Sêneca, Vida feliz. XVII, XVII, 3). Acrescentarei algumas reprovações depois, e trarei mais acusações contra mim mesmo: para o presente, farei a seguinte resposta. "Eu não sou um homem sábio, e eu não serei um a fim de alimentar o seu despeito: então não exija que eu esteja no mesmo nível do melhor dos homens, mas meramente ser melhor do que o pior: eu estou satisfeito, se todo dia eu tirar algo de meus vícios e corrigir meus defeitos, não cheguei a perfeita perfeição mental, de fato, nunca chegarei a ela.”

3. Ainda nessa pausa nas leituras frequentes necessárias, relendo um pequeno texto, de muita importância prática!

EPICTÈTE. Entretiens. Livre II. Paris: Les Belles Lettres, 2002. (Prosseguindo. Relendo hoje, o cap. XVI: "Que nous ne nous exerçons a faire l'appication de nos jugements concernant les biens et les maux." (p. 62-68)

Destacando, do capítulo:

- "Procurar as nossas falhas ..."

- "Buscar em nós os remédios para as nossas inquietudes"

- "Retificar nossos juízos"

Mantenhamo-nos no caminho.

[1] Entretiens. Livre III. 40; Conversações III, 10. 3 (tradução Souilhé), (1956).

[2] KARDEC, A. Le Livre des Esprits. 2013. (Q.919-919a).

______.

ARRIANO FLÁVIO. O Encheirídion de Epicteto. Edição Bilíngue. Tradução do texto grego e notas Aldo Dinucci; Alfredo Julien. Textos e notas de Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão. Universidade Federal de Sergipe, 2012.

DINUCCI, A.; JULIEN, A. O Encheiridion de Epicteto. Coimbra: Imprensa de Coimbra, 2014.

EPICTETO. Entretiens. Livre I, II, III, IV. Trad. Joseph Souilhé. Paris: Les Belles Lettres, 1956.

______. Epictetus Discourses. Book I. Trad. Dobbin. Oxford: Clarendon, 2008.

______. O Encheirídion de Epicteto. Trad. Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão: EdiUFS, 2012. (Edição Bilíngue)

______. Testemunhos e Fragmentos. Trad. Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão: EdiUFS, 2008.

EPICTETUS. The Discourses of Epictetus as reported by Arrian; fragments; Encheiridion. Trad. Oldfather. Harvard: Loeb, 1928.  https://www.loebclassics.com/

HADOT, Pierre. The inner citadel: the meditations of Marcus Aurelius. London: Harvard University Press, 2001.

HANH, Thich Nhat. Silêncio: o poder da quietude em um mundo barulhento. Rio de Janeiro, RJ: Harper Collins, 2018.

______. Meditação andando: guia para a paz interior. 21. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000.

IRVINE, William B. A guide to the good life: the ancient art of Stoic joy. New York: Oxford University Press, 2009.

KANT, Immanuel. Crítica da razão pura. 3. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbekian, 1994. (B 832-847)

______. A metafísica dos costumes. Trad. Clélia Aparecida Martins. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.

______. Lições sobre a Doutrina Filosófica da Religião. Trad. Bruno Cunha. Petrópolis: Vozes/ São Francisco, 2019.

______. Lições de Metafísica. Trad. Bruno Cunha. Petrópolis: Vozes/São Francisco, 2021

______. Textos pré-críticos. São Paulo: Editora Unesp, 2005.

______. Textos seletos. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.

______. Investigação sobre a clareza dos princípios da teologia e da moral. Lisboa: Imprensa Casa da Moeda, 2007.______. A religião nos limites da simples razão. Edições 70, Lisboa, 1992.

______. A religião nos limites da simples razão. Trad. Bruno Cunha. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2024.

______.Vorlesung über die philosophische EncyclopädieInKant gesalmmelte Schriften, XXIX, Berlin, Akademie, 1980, pp. 8 e 12).

______. Crítica da razão pura. Tradução Valerio Rohden e Udo Moosburguer. Coleção Os Pensadores. São Paulo,Abril Cultural, 1983.

______. Crítica da razão pura. "Do ideal de Sumo Bem como um fundamento determinante do fim último da razão pura. Segunda seção". (A805, 806 - B833, 834). Lisboa: Fundação Calouste Gulbekian, 1994.

_____. Antropologia de um ponto de vista pragmático. Tradução Clélia Aparecida Martins. São Paulo: Iluminuras, 2006.

______. Cursos de Antropologia: a faculdade de conhecer (Excertos). Seleção, tradução e notas de Márcio Suzuki. São Paulo: Editora Clandestina, 2017.

______. Resposta à pergunta: o que é “esclarecimento”?. In: Immanuel Kant textos seletos. Petrópolis, RJ: Vozes, 1985.

______. Lições de Ética. Trad. Bruno Cunha e Charles Feldhaus. São Paulo: Unesp, 2018.

______. Crítica da razão prática. Trad. Monique Hulshof. Petrópolis, RJ: Vozes, 2016.

______. Sobre a Pedagogia. Tradução de Francisco Cock Fontenella. Piracicaba, SP: Editora Unimep, 1996.

______. Sobre a Pedagogia. Petrópolis, RJ, Editora Vozes, 2021.

KARDEC, A. Le Livre des Esprits. Paris, Dervy-Livres, s.d. (dépôt légal 1985). (O Livro dos Espíritos. Trad. Guillon Ribeiro, ______. O livro dos Espíritos. 93. ed. - 1. reimpressão (edição histórica). Brasília, DF: Feb, 2013.

LONG, A.A. Epitetus: a stoic and Socratic guide to life. New York: Oxford University Press, 2007.

______. (Org.) Primórdios da filosofia grega. São Paulo: Ideias e Letras, 2008..

MARCO AURÉLIO. Meditações. São Paulo: Abril Cultural, 1973. (Livro II. 1)

MENDELSOHN, Moses. Fédon: ou sobre a imortalidade da alma. São Paulo: E. Madamu, 2025.

PASTERNACK, L. The Postulate of Immortality in the Critique of Practical Reason (and Beyond). Kantian Review. 2024;29(1):19-38. doi:10.1017/S1369415423000456 . Disponível em: https://www.cambridge.org/core/journals/kantian-review/article/postulate-of-immortality-in-the-critique-of-practical-reason-and-beyond/CF7872987124350371C24A98D7EAFA58 . Acesso em: 03. 07.2025.

SÉNECA, Lúcio Aneu. Cartas a Lucílio. 5. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbekian, 2014.

______. Edificar-se para a morte: das cartas morais a Lucílio. Petrópolis, RJ: Vozes, 2016.

____. Sobre a clemência. Introdução, tradução e notas de Ingeborg Braren. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.

____. Sobre a ira. Sobre a tranquilidade da alma. Tradução, introdução e notas de José Eduardo S. Lohner. São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras, 2014.

SCHELLE, Karl Gottlob. A arte de passear. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

THOUREAU, Henry David. Andar a pé: um ritual interior de sabedoria e liberdade. Loures: Editora Alma dos livros, 2021.




domingo, 3 de maio de 2026

RETOMANDO OS ESTUDOS: SOBRE "KANT E OS ANTIGOS" (II)

 

Acrescentando aos estudos (Relendo mais uma vez):

Agora acrescentando um outro livro sobre o assunto:

1. SANTOS, Robinson dos (Org.). Kant e os antigos. Petrópolis, RJ: Vozes: CAPES, 2025.

Kant e os antigos foi o tema geral do IX Colóquio Kant Internacional, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), realizado em julho de 2024. Desde o ano de 2010, o evento foi 1.realizado bianualmente (com exceção do período da pandemia de covid-19), contando em todas as edições com uma excelente participação de estudantes de graduação e pós-graduação, bem como de professores e pesquisadores do Brasil e do exterior, interessados na pesquisa sobre questões do – e relacionadas ao – pensamento filosófico kantiano. Nessa mesma edição de 2024, comemoramos os 300 anos do nascimento do filósofo e 14 anos de atividades do Grupo de Estudos Kant da UFPel. Apesar das contingências e das dificuldades daquele momento, relacionadas às inundações no Rio Grande do Sul, o evento foi realizado de modo exitoso graças aos auxílios recebidos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Programa de Pós-Graduaço em Filosofia da UFPel e também a uma soma de esforços por parte dos próprios colegas conferencistas que, em alguns casos, se dispuseram a percorrer caminhos não convencionais, dada a situação de excepcionalidade dos itinerários terrestres daquele momento. Por isso, gostaria de deixar registrado aqui o agradecimento: ao Departamento de Filosofia e ao PPG em Filosofia da UFPel; aos docentes e discentes que apoiaram diretamente na Comissão Organizadora e Científica e que participaram do evento, tanto como ouvintes quanto como apresentadores de comunicações; às agências de fomento Capes e Fapergs, pelo auxílio financeiro que viabilizou a realização do evento e a publicação

deste livro; ao Conselho Editorial da Editora Vozes, pela disposição em publicar esta obra; e, em especial, a Aline Carneiro, pelo apoio e pela colaboração no contato com a editora, para que esse projeto se concretizasse. São Paulo, janeiro de 2025. (Organizador)

______.

2. MERRITT, Melissa. Kant and stoic ethics. Cambridge University Press, 2025.

Embora seja amplamente reconhecido que muitos conceitos centrais à ética kantiana têm origem estoica, ainda há relativamente pouca análise acadêmica aprofundada da importância da ética estoica para o desenvolvimento da filosofia kantiana ao longo do período crítico e além. Este volume reúne um grupo intelectualmente diverso de estudiosos dos clássicos e da filosofia para avançar nossa compreensão deste tópico, abordando questões sobre a transmissão da filosofia estoica no contexto intelectual de Kant, a qualidade da compreensão do próprio Kant sobre o estoicismo, sua transformação de algumas de suas ideias centrais e a importância do tópico para o que permanece vital na ética estoica e kantiana hoje. O volume interessará àqueles que trabalham com história da filosofia, a natureza da racionalidade, a filosofia da ação, a psicologia moral e a teoria da virtude.


* Sobre a autora: "Melissa Merritt is Senior Lecturer in Philosophy at the University of New South Wales. She has published widely on Kant’s theoretical and practical philosophy in journals including Philosophical Quarterly, European Journal of Philosophy, Southern Journal of Philosophy, British Journal for the History of Philosophy and Kantian Review.

...
PS: Acrescentando hoje uma resenha sobre a obra de Faviola R. Castro.

CASTRO, Faviola Rivera. Virtude, Felicidade e Religião na Filosofia Moral de Kant. México, Instituto de Pesquisas Filosóficas-UNAM, 2014, 328 pp., ISBN: 978-607-02-4788-0. Disponível em: https://turia.uv.es/index.php/REK/article/view/9992. Acesso em: 06 de setembro de 2025.

______.

BAUMGATEN, Alexander Gottlieb; KANT Immanuel. Baumgarten's elements of first practical philosophy: a critical translation with Kant's reflections on moral philosophy. Bloomsbury Academic; Reprint edição, 2021.

BICALHO, Vanessa Brun. Ciência e sabedoria de vida na filosofia transcendental de Kant à luz do estoicismo. Tese de Doutorado (Campus de Toledo). Universidade Estadual do Oeste do Paraná – Unioeste, 2021,

FUNKE, Gerhard (ed.) et al.; SALA, Giovanni B; MALTER, Rudolf. Kant und die Frage nach Gott: Gottesbeweise und Gottesbeweiskritik in den Schriften Kants. Berlim: Walter de Gruyrer, 2010.

KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes. Trad. Guido A. de. São Paulo: Discurso editoria: Barcarola, 2009.

______. Gesammelte Schriften. Vol. I-XXIX. Berlim: Reimer (De Gruyter) 1910-1983.

______. Textos pré-críticos. São Paulo: Editora Unesp, 2005.

______. Textos seletos. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.

______. Investigação sobre a clareza dos princípios da teologia e da moral. Lisboa: Imprensa Casa da Moeda, 2007.

______. Kants Populäre Schriften. Edição de Paul Menzer (1911). Berlim: Walter de Grutter; Reprint, 2018.

Lições de ética. Trad. Bruno Cunha e Charles Fedhaus. São Paulo: Editora Unesp, 2018.

______. A religião nos limites da simples razão. Edições 70, Lisboa, 1992.

______. A religião nos limites da simples razão. Trad. Bruno Cunha. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2024.

______.Vorlesung über die philosophische EncyclopädieInKant gesalmmelte Schriften, XXIX, Berlin, Akademie, 1980, pp. 8 e 12).

______. Observações sobre o sentimento do belo e do sublime; Ensaio sobre as doenças mentais. Tradução e estudo de Vinicius de Figueiredo. São Paulo: Editora Clandestina, 2018.

______. Observações sobre o sentimento do Belo e do Sublime; Ensaio sobre as doenças mentais. (Trad. Vinícius Figueiredo). Campinas, SP: Ed. Papirus, 1993.

______. Observações sobre o sentimento do Belo e do Sublime; Ensaio sobre as doenças mentais. Lisboa: Edições 70, 2012.

______. Die Religion innerhalb der Grenzen der bloßen Vernunft. W. de Gruyter, 1968.

MERRITT, Melissa. Kant on reflection and virtue. Cambridge Universty Press, 2018.

______. The sublime. Cambridge Universty Press, 2018.

______. Kant and stoic ethics. Cambridge University Press, 2025.

SANTOS, Robinson dos (Org.). Kant e os antigos. Petrópolis, RJ: Vozes: CAPES, 2025.

sábado, 2 de maio de 2026

TEMPO DE ESTUDOS SOBRE QUESTÕES DE "MÉTODO". TEMAS LIVRES (V)



Estudos ainda em ANDAMENTO. Elaborando, ainda, um texto e desenvolvendo as ideias discutidas hoje 01 de maio de 2026. 

Ainda relendo (estudado) o livro "Dissertação sobre as paixões"; "História natural da religião"; (D. Hume); "As paixões da alma" (R. Descartes), "Antropologia de um ponto de vista pragmático"(I. Kant), "As leis naturais e a verdadeira felicidade"; "Ação e tempo: causalidade, liberdade e evolução moral" (Massi) amparado nas Q. 495, 843, 845, 872, 1009 (LE), CIGE (cap. I, item 14), ESE e LM (itens 159; 182 e  256); RE. (set, 1858-1869).

Hoje, em continuidade dos estudos, destacando a Conclusão do LE e a GE (cap. I, item 14).

Mesmo não podendo digitar por muito tempo, ainda, as reuniões de estudo e as leituras seguem normais. Pela manhã, como sempre, mantidos os estudos e leituras de sempre sobre a Filosofia de Christian Wolff; Immanuel Kant; Kierkegaard, entre outros. E, agora esse estudo muito bom, envolvendo questões de "método".

Participando agora, numa das pausas na leitura e mais estudos atentos a partir da excelente nova tradução da "Religião nos limites da razão pura", do prof. Bruno Cunha e outros textos kantianos, tentando redigir um artigo e um texto maior, apesar das dificuldades,  com amigos de Curitiba (IDEAK), vários Estados, alguns países. Sempre muito bom retornar aos estudos ... rever os amigos de aprendizado.

Gostei muito, desde a proposta inicial que me levou a participar deste o grupo, da discussão sobre "O que é ciência e outras questões" sobre o tema como ponto de partida, e claro, sempre excelente estudo e muito esclarecedor sobre o tema.

Para melhor compreensão do tema Filosofia da ciência na abordagem utilizada durante as discussões sugiro a página do professor Silvio S. Chibeni:

Aproveitei para aprofundar também as leituras sobre o "conceito de pessoa" (identidade pessoal)


______.

BOUDRY, M. (2021). Diagnosing pseudoscience – by getting rid of the demarcation problem. Journal for General Philosophy of Science. https://doi.org/10.1007/s10838-021-09572-4

CHALMERS, A. (2013). The limitations of falsificationism. In A. Chalmers (Ed.), What is this thing called science? (4th ed., pp. 81–96). essay, University of Queensland Press.

DESCARTES, R. Oeuvres. Org. C. Adam e P. Tannery. Paris: Vrin, 1996. 11v. [indicadas no texto como Ad & Tan]

_______. Descartes: oeuvres et lettres. Org. André Bidoux. Paris: Gallimard, 1953. (Pléiade).

______. Discursos do Método; Meditações metafísicas; Objeções e Respostas; As Paixões da Alma; Cartas. (Introdução de Gilles-Gaston Granger; prefácio e notas de Gerard Lebrun; Trad. de J. Guinsberg), Bento Prado J. 3. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1983 (Os Pensadores).

GORDIN, Michael D. Pseudosciencea very short introduction. New York: Oxford University Press, 2023.

HANSSON, Sven Ove. Belief Change: introduction and overview. Springer,  2018.

______. Vetenskap och ovetenskap. Stockholm: Tiden, 1983.

______. Defining Pseudoscience In: Philosophia Naturalis, 33: 169–176. 1996.

______. Falsificationism FalsifiedIn: Foundations of Science, 11: 275–286, 2006.

______. Values in Pure and Applied ScienceIn: Foundations of Science, 12: 257–268, 2007.

_____. Philosophy in the Defence of ScienceIn: Theoria, 77(1): 101–103, 2011., Theoria, 77(1): 101–103, 2011.

______. Defining pseudoscience and science.  In: Pigliucci and Boudry (eds.), pp. 61–77, 2013.

______. Philosophy of pseudoscience: reconsidering the demarcation problem. University of Chicago Press; Illustrated edição, 2013.

HUME, David. História natural da religião. Trad. apres. e notas Jaimir Conte. São Paulo: Ed. Unesp, 2005.

______. Tratatado da natureza humana. São Paulo: Ed. Unesp, 2009.

______. Uma investigação sobre os princípios da moral. Trad: José Oscar de Almeida Marques. Campinas, SP: Editora UNICAMP, 1995, p.19.

______. A arte de escrever Ensaios. São Paulo: Ed. Unesp, 2008.

______. Dissertação sobre as paixões: seguida de História natural da religião. Trad. Pedro Paulo Pimenta. São Paulo: Iluminuras, 2021.

______. Dissertação sobre as paixões Trad. Jaimir Conte. In: Revista Princípios. Natal, v.18, n.29, jan./jun. 2011, p. 371-399.

JAMES, William. L'expérience religieuse: essai de psychologie descriptive. Legare Street Press, 2022. (482 páginas).

______. (e-book) L'expérience religieuse. 

______. As variedades da experiência religiosa: um estudo sobre a natureza humana. São Paulo: Cultrix, 2017.

______. A vontade de crer. São Paulo: Edições Loyola, 2001.

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terça-feira, 28 de abril de 2026

REFLEXÃO MATINAL CXXVI : RELIGIÃO FILOSÓFICA KANTIANA

  

Retornando aos estudos 

Estudando sempre, mantendo o foco de sempre, acrescentando novos textos às leituras sobre o período “pré-crítico” kantiano, destaco aqui hoje, esta obra: "The kantian religion" de Ian Hunter.

Cheguei a esta obra assim que terminei mais uma releitura dos textos básicos da pesquisa sobre Idealismo alemão na trilha da filosofia clássica alemã: “Entre filosofia e medicina”, retomando e mantendo um vínculo temático que sempre mantenho presente nas minhas leituras e releituras.

Em grande medida, esta obra “Entre filosofia e medicina” está ligada à uma tradição “Wollfiana", a um universo da obra do autor da “Psicologia empírica” que, juntamente com a nova tradução da obra de Leibniz está na bibliografia também.

Como sigo estudando o período “pré-crítico”, tenho encontrado vários textos sobre o tema; por isso, acrescento mais este: "The kantian religion" com enfoque nos estudo de Kant sobre o tema e de que maneira isso vai constituindo seu caráter. E, acrescento por ser de grande ajuda nos estudos do período e aprofundamento do tema, além de oferecer um enfoque sobre “razão e religião” que pretendo aprofundar a partir dos textos de Kant principalmete. Assunto que sempre está entre meus interesses.

...

KANTIAN RELIGION - Ian Hunter

Uma investigação histórica sobre a filosofia kantiana como uma forma de religião filosófica

A filosofia kantiana é tipicamente vista como fornecedora de uma teoria universal do conhecimento e da moralidade, baseada em princípios atemporais extraídos da mente humana. 

Em A Religião Kantiana, Ian Hunter oferece uma perspectiva drasticamente diferente. Hunter argumenta que os argumentos de Kant foram construídos a partir de fontes puramente históricas e serviram como ferramentas ascéticas para moldar o eu grandioso do filósofo kantiano; eram exercícios de autoesclarecimento intelectual e transformação moral empreendidos por um grupo de indivíduos com formação filosófica em busca de clareza espiritual e pureza moral. Esses “ritos solenes da mente” eram vistos como herdeiros e rivais dos recursos regenerativos e da importância cultural da religião cristã, e o kantismo foi caracterizado como uma religião filosófica.

...

Fonte: “A historical inquiry into Kantian philosophy as a form of philosophical religion.

Kantian philosophy is typically viewed as providing a universal theory of knowledge and morality based on timeless principles retrieved from the human mind. 

In The Kantian Religion, Ian Hunter offers a starkly different account. Hunter contends that Kant’s arguments were assembled from purely historical sources and served as ascetic devices for crafting the towering self of the Kantian philosopher; they were exercises in intellectual self-clarification and moral transformation undertaken by a cohort of the philosophically educated in search of spiritual clarity and moral purity. These “solemn rites of the mind” were seen as heir and rival to the regenerative resources and cultural importance of the Christian religion, and Kantianism was characterized as a philosophical religion.

Hunter describes the ways that elite spiritual athletes performed a series of philosophically strenuous “acts of the self on the self” through Kant’s intellectual exercises. When Kantianism emerged as an insurgent cultural movement in the 1780s, it offered young academics training to be clergy and teachers a philosophy that was powerful enough to supplant Christian spirituality and to subordinate humanist scholarship and the natural sciences to philosophical self-reflection. For Kant and his followers, the religious disposition of Kantian philosophy came solely from the immanent practice of the philosophy itself. As a rival to conventional religion and as an academic interloper, Kantian philosophy unleashed a wave of conflicts in Germany’s ecclesiastical and scholarly cultures. Although recent Kant commentary typically views Kantianism as intrinsically secular and scientific, Hunter argues provocatively that Kant’s contemporaries viewed his philosophy as an extra-ecclesiastical path to spiritual refinement and moral regeneration.

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REFLEXÃO VESPERTINA CLXXIV: ANOTAÇÔES ESPARSAS SOBRE "MUDANÇA DE HÁBITOS"

( IMAGEM : "Pinterest") Em desenvolvimento... Andei meditando, novamente, sobre o mesmo tema e textos e elaborando novos "exe...