Estudando o tema...
Enquanto reflito sobre "Körper" (corpo físico e observável) e "Leib" (corpo vivido), durante a aula da Profa. Débora Guimarães:
1. FUCHS, Thomas. O cérebro: um órgão relacional. Rio de Janeiro, RJ: Via Verita, 2025.
"Em O Cérebro: um órgão relacional, Thomas Fuchs desafia a visão tradicional de que o cérebro é apenas um processador de informações, como propõe a neurociência positivista. Ao invés disso, Fuchs propõe uma abordagem revolucionária que inscreve o cérebro no mundo, enfatizando sua inseparabilidade das experiências corporais e das interações com o ambiente. A partir da tradição filosófica de Husserl, Heidegger e Merleau-Ponty, o autor revela como o cérebro é, na verdade, um órgão de mediação, fundamental para as relações do organismo com o meio ambiente e com os outros seres humanos. Este livro não se limita a uma discussão teórica, mas explora os impactos dessa nova concepção em diversos campos, desde a natureza das nossas experiências até as possibilidades de tratamento de transtornos existenciais. A obra, traduzida e atualizada a partir da 5ª edição alemã, foi recebida como uma revolução no estudo das ciências cerebrais e continua a provocar reflexão sobre o papel do cérebro na formação do ser humano que sente, pensa e age."
2. FUCHS, Thomas. Para uma psiquiatria fenomenológica. 2. ed. Rio de Janeiro, RJ: Via Verita, 2025.
"Para uma psiquiatria fenomenológica, de Thomas Fuchs, reúne ensaios e conferências que propõem uma compreensão ampliada do sofrimento psíquico a partir do diálogo entre filosofia e clínica. Superando o reducionismo biológico, a obra apresenta uma abordagem sistêmico-ecológica, na qual os transtornos mentais são compreendidos como perturbações da pessoa corporificada em sua relação com o mundo e com os outros. Um livro fundamental para quem busca uma psiquiatria voltada ao cuidado do ser humano em sua totalidade."
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3. A obra que me fez pensar hoje foi "Civilização", de onde retirei uma ideia para a reflexão: "Máximo de tédio no máximo de civilização", de um conto escrito por Eça de Queirós: “Civilização”; publicado em 1892, no Jornal de Notícias do Rio de Janeiro. O texto deu o mote para que, mais tarde, Eça de Queirós escrevesse seu romance “As cidades e as serras” (1901), obra em que retoma a ideia inicial que deu origem ao texto publicado naquele jornal.
Tanto no conto quanto no romance Eça de Queirós contrapõe o estilo de vida da “modernidade”, da "civilização" ao modo de vida no campo (nas serras). Mostra o homem “moderno” com as suas facilidades propiciadas pelo avanço das tecnologias e, por outro lado, a dificuldade que esse mesmo homem encontra em lidar com a solidão e com o vazio existencial: “o tédio moderno”.
“Na Terra tudo vive - e só o homem sente a dor e a desilusão da vida. E tanto mais as sente, quanto mais alarga e acumula a obra dessa inteligência que o torna homem, e que o separa da restante Natureza, impensante e inerte. É no máximo de civilização que ele experimenta o máximo de tédio. A sapiência, portanto, está em recuar até esse honesto mínimo de civilização, que consiste em ter um teto de colmo, uma leira de terra e o grão para nela semear.
Em resumo, para reaver a felicidade, é necessário regressar ao Paraíso - e ficar lá, quieto, na sua folha de vinha, inteiramente desguarnecido de civilização, contemplando o anho aos saltos entre o tomilho, e sem procurar, nem com o desejo, a árvore funesta da Ciência! Dixit!" (Eça de Queirós. In: 'Civilização')
Importante, no entanto, seguir em busca da Serenidade, do mínimo bom-senso. Ainda que esse tal “tédio” apareça a nos desafiar, prossigamos sem criar necessidades artificiais ou dar ensejo a uma "segunda natureza" dependente de fatores externos.
PS: E, hoje, 19 de setembro de 2026 (Relendo), voltei a este pequeno texto que escrevi em 2018, para acrescentar algumas das últimas leituras da obra de Ortega y Gassset (lidas entre 2015 e 2020) que tocam em grande medida, o que estive pensando à época e atualmente sobre o "tédio", "angústia". Como dito acima, acrescentando as reflexões da Professora Débora a partir da obra de Thomas Fuchs.
E, também acrescentei outras obras, de Heidegger em que trata do tédio, da questão da técnica, da finitude, numa outra abordagem. Mas, destas leituras procuro extrair mais reflexões sobre este tema.
Todos, são textos aos quais voltarei, com certeza, mais de uma vez ainda...
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