.'.
Retornando aos poucos às atividades normais, ao intenso trabalho e, enquanto isso, retomando alguns capítulos, nos últimos dias, de duas obras de René Descartes que desde a graduação, sempre revisito. É só por serem clássicos valem ler e reler como clássicos, uma regra por aqui. Nenhum dos meus interesses excluem os clássicos. Indispensáveis!
E, ainda , tomando o estudo do tema como uma das tarefas fundamentais e, com certeza, para alcançar 'Aταραξία - ataraxia e ἀπάθεια - apátheia. Como sempre digo quando são desse tipo, estão bem em consonância com os enunciados básicos que, como princípios, já são adotados aqui, pois:
"[...] se a razão prevalecer, as paixões nem sequer começarão; mas se elas se encaminharem contra a vontade da razão, elas se manterão contra a vontade da razão. Pois é mais fácil detê-las no começo do que controlá-las quando ganham força." (DESCARTES. In: Paixões da alma.)
. ' .
As duas obras a que me refiro: "Regras Para a Direção do Espírito" e "As paixões da alma", de René Descartes, um dos grandes, de quem sempre extraio excertos para reflexões no blog.
Aqui, no caso, As paixões da alma; sempre revisitando essa brevíssima reflexão dela selecionada, sobre as "emoções":
"Ora, visto que essas emoções interiores nos tocam mais de perto e têm, por conseguinte, muito mais poder sobre nós do que as paixões que se encontram com elas, e das quais diferem, é certo que, contanto que a alma tenha sempre do que se contentar em seu íntimo, todas as perturbações que vêm de outras partes não dispõem de poder algum para prejudicá-la. Servem, antes, para lhe aumentar a alegria, pelo fato de, vendo que não pode ser por elas ofendido, conhecer com isso a sua própria perfeição. E, para que a nossa alma tenha assim do que estar contente, precisa apenas seguir estritamente a virtude. Pois quem quer que haja vivido de tal maneira que sua consciência não possa censurá-lo de alguma vez ter deixado de fazer todas as coisas que julgou serem as melhores (que é o que chamo aqui seguir a virtude), recebe daí uma satisfação tão poderosa para torná-lo feliz que os mais violentos esforços da paixão nunca têm poder suficiente para perturbar a tranqüilidade de sua alma".
Acrescentando, portanto:
DESCRIÇÂO DA OBRA:
Uma ponte entre Descartes e Kardec. Ao acompanhar Descartes, aprendemos a precisão conceitual, a clareza da análise e o rigor do método. Ao ouvir Kardec, descobrimos a dimensão moral e evolutiva das paixões, entendidas como desafios do Espírito em sua caminhada rumo ao bem. Entre ambos, há uma complementaridade que enriquece nossa visão: o filósofo mostra como pensar, fornecendo as ferramentas da razão e da análise, enquanto o mestre do Espiritismo convida a aplicar esse conhecimento na vida prática, no esforço de autossuperação, na educação dos sentimentos e na conquista da verdadeira virtude.
Um grande exercício de autoconhecimento. Cada página busca revelar não apenas o que as paixões são, mas como podem ser compreendidas, governadas e educadas. A filosofia cartesiana nos ajuda a compreender os mecanismos; a filosofia espírita nos aponta os caminhos da superação moral. Ao unir esses dois olhares, oferecemos ao leitor um itinerário para compreender-se a si mesmo, reconhecendo nas paixões não inimigas a serem extirpadas, mas forças naturais a serem educadas e orientadas.
Que este livro seja lido como convite: convite ao estudo rigoroso, à reflexão profunda e, sobretudo, à prática de nossa transformação moral, que é a maior finalidade de todo o conhecimento espírita.
Visão rápida do sumário:
Capítulo I. Sobre o conceito de paixões da alma em Descartes.
Capítulo II. Paixões em Descartes: natureza, enumeração e governo.
Capítulo III. A admiração e suas paixões derivadas.
Capítulo IV. As paixões derivadas da admiração nas obras de Kardec.
Capítulo V. Paixões que dependem do bem e do mal.
Capítulo VI. As paixões que dependem do bem e do mal na obra de Kardec.
Capítulo VII. O egoísmo.
Capítulo VIII. Amor da alma vs. amor-paixão.
Capítulo IX. As virtudes e os vícios: a convergência de Descartes e Kardec.
Capítulo X. O valor moral do saber e da riqueza.
Capítulo XI. As virtudes e os vícios: a indulgência diante dos defeitos alheios.
Capítulo XII. As virtudes e os vícios: sobre a revelação do mal.
Capítulo XIII. Virtude: caminho, meta.
Capítulo XIV. Virtude cristã-espírita: convite, obstáculos e o trabalho interior.
Sobre o Autor
Cosme Massi é filósofo, professor, conferencista e escritor. Doutor e Mestre em Lógica e Filosofia da Ciência pela UNICAMP. Especialista em Aprendizagem, Epistemologia, Ética e Teoria da Prova. Graduado em Física pela UFRJ. Ganhador de um Prêmio Moinho Santista em Lógica Matemática (1993).
Profissionalmente é Sócio e Consultor da HOPER Educação. Foi Pró-Reitor de Planejamento e Avaliação Institucional da Universidade Positivo. Atuou como Membro da Comissão Técnica de Avaliação (CTA) do INEP/MEC e Consultor de Avaliação do Ensino Superior — INEP/MEC. Atualmente, lidera iniciativas de Gestão Compartilhada e Inteligência Acadêmica com foco no desenvolvimento de modelagens avançadas em Inteligência Artificial e na análise estratégica de microdados educacionais, orientando instituições de ensino superior na tomada de decisão e na melhoria consistente de desempenho acadêmico.
No Espiritismo é pesquisador especializado na doutrina de Allan Kardec, quando fundou o IDEAK Instituto de Divulgação Espírita Allan Kardec e criou a KARDECPEDIA, atualmente em 9 idiomas, utilizada por estudiosos em todos os continentes.' (Fonte: Nobiltá)
Link para saber mais e estudar sobre o tema "paixões, vícios e virtudes" da alma em outra perspectiva: https://kardecpedia.com/
Sugestão de leitura: CHIBENI, S. S. As paixões: uma breve análise filosófica espírita. Disponível em: https://www.geeu.net.br/artigos/paixoes.pdf. Acesso em: 15 de maio de 2026.
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