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domingo, 9 de março de 2025

ESTUDANDO AINDA OS TEXTOS DO PERÍODO PRÉ-CRÍTICO

 


Reunindo excertos para Desenvolvimento

Ainda relendo e estudando hoje Das Ende aller Dinge (1793)Acrescento novamente uma obra que ainda sigo aprendendo a ler em alemão, obra editada por Paul Menzer em 1911: Kants Populäre Schriften, com textos de Immanue Kant publicados entre 1755 e 1798.

Acrescentando ainda outra que sigo estudando sobre o assunto; um volume da “série”: “(Kant Studies Supplementary Booklets, 122).

“A série publica excelentes estudos monográficos e antologias sobre todos os aspectos da filosofia de Kant, bem como sobre a relação sistemática de sua filosofia com outras abordagens filosóficas do passado e do presente. São publicados estudos que têm caráter inovador e atendem a requisitos explícitos de pesquisa. As publicações representam, portanto, o estado mais recente da pesquisa."

______.

E, ainda com destaques especiais, claro, inclusive em relação à Psicologia racional, o período pré-crítico e, dado o percurso que iniciei há algum tempo (desde a graduação), as obras  de Immanuel Kant passaram a fazer parte das minhas leituras. De grande utilidade para a minha pesquisa, em andamento; são leituras que tem trazido uma série de apontamentos fundamentais além de importante bibliografia, algumas já acrescentadas às minhas leituras e outras a serem lidas o mais breve possível.

Recentemente, o professor Bruno Cunha (UFSJ) traduziu as Lições de ética. “Trata-se das notas que foram tomadas pelos alunos a partir dos ensinamentos do professor em sala de aula. 

Apesar desse atraso na edição e na publicação das Lições de Ética, é perceptível que houve um reconhecimento progressivo da importância desses manuscritos no século XX, o que é atestado, sobretudo, nos estudos e comentários que foram desenvolvidos, a partir de então, utilizando esse material como um suplemento para a reconstrução e a compreensão do desenvolvimento do pensamento moral de Kant.” 

Publicou seu livro “A gênese da ética kantiana” que, como diz o professor, Vinícius Figueiredo: Bruno Cunha começa a examinar a articulação entre moralidade e o problema do mal desde o de sua aparição primeira na obra de Kant, quando, ainda na década de 1750, ele se deparou com a teodiceia leibniziana. A originalidade de sua reconstrução reside na hipótese de que a cogitação de Kant sobre esse problema foi determinante na orientação de sua inteira filosofia prática. A ruptura com a tradição leibniziano-wolffiana, entre os anos 50 e 60, a aproximação de Kant em relação aos britânicos e especialmente, a Rousseau, são rediscutidos através desse problema, em uma investigação que combina a análise dos textos publicados com a interpretação das Reflexionen e das anotações ao compêndio de filosofia prática de Baumgarten. Ao fim e ao cabo, o leitor se dá conta que a articulação entre a fundamentação da obrigação, de um lado, e a aferição de um sentido para a ação moral, de outro, foi sendo gestada logo que a solução de matiz intelectualista e teológica oferecida pelo wolffianismo se revelou insustentável. A análise aqui efetuada das Reflexionen kantianas da segunda metade dos anos 60 é decisiva para reaver todo interessante e alcance das respostas ulteriores. Bruno Cunha é especialmente feliz em assinalar a lenta conversão de uma teodiceia objetiva – ponto de vista de Leibniz e Wolff – para o que será, com a consolidação do criticismo, uma filosofia da história. É impossível não recordar aqui um célebre artigo de G. Lebrun, no qual ele chamava a atenção para o fato de que a filosofia da história opera no kantismo como uma escatologia para o homem moral*”.

“ ‘Uma Escatologia para a Moral” escrito por Gérard Lebrun e publicado em 1986 (reeditada pela WMF Martins Fontes) na obra Ideia de uma história universal de um ponto de vista cosmopolita, em que aborda a ideia de que o homem tem o dever de realizar fins para a humanidade, mas que a efetivação desses fins não depende apenas do esforço individual. A ideia de progresso aparece no texto como fundamental para a humanidade, e o desenvolvimento deve ter como fim a humanidade, que é o meio para a realização plena do homem.”

______. 

A esses acrescentei Lições sobre a doutrina filosófica da religião, outra obra fundamental para o trabalho em andamento. 

E, hoje, acabo de saber que o professor Bruno Cunha traduziu outra importantíssima obra, para as minhas pesquisa sobre a Metafísica e, particularmente as discussões sobre este tema nas obras de Immanuel Kant, tanto no período pré-crítico como em toda “herança kantians”. A obra é Liçõe de metafísica. Conforme sinopse:

“Que há, portanto, realmente conhecimentos a priori já é algo comprovado. Por certo, há toda uma ciência de meros conceitos puros do entendimento. Mas se levanta a pergunta: como os conhecimentos a priori são possíveis? A ciência que responde essa questão se chama Crítica da razão pura. A filosofia transcendental é a ciência de todos os nossos conhecimentos puros a priori. Normalmente é denominada ontologia. [...] As principais ciências que pertencem à metafísica são a ontologia, a cosmologia e a teologia. [...] A ontologia é uma doutrina elementar pura de todos os nossos conhecimentos a priori. Em outras palavras, ela contém a soma total de todos os conceitos puros que podemos ter a priori de coisas. A cosmologia é a consideração do mundo por meio da razão pura. O mundo consiste no mundo corpóreo ou no mundo da alma. Portanto, a cosmologia contém duas partes. A primeira poderia ser denominada a ciência da natureza corpórea e a segunda parte a ciência da natureza pensante. Há, por essa razão, uma doutrina do corpo e uma doutrina da alma. A física racional [physica rationalis] e a psicologia racional [psychologie rationalis] são ambas partes principais que pertencem à cosmologia metafísica geral. – A última ciência metafísica principal é a teologia racional.” AA XXVIII: 541- 542

Com isso, prosseguindo com os trabalhos... 

E, hoje 12.10.2022:

Acrescento aqui um texto em que o professor Bruno Cunha fala sobre o processo de edição e tradução do livro mais recente deste filósofo vertido por ele ao português.

Link para a página com o texto, da Editora:

https://revistaursula.com.br/filosofia/as-licoes-de-metafisica-de-kant/?fbclid=IwAR2lk26kdj4GxdHu6RH19Hzte_-YWCOXCQIHrVNcVRq-aGjKMU0csTDsFbE

Acrescentei recentemente também a tradução do prof. Bruno Cunha da Religião nos limites da simples razão. 

______.

CUNHA, Bruno. A gênese da ética em Kant. São Paulo: Editora LiberArs, 2017.

KANT, Immanuel. Lições de ética. Trad. Bruno Cunha e Charles Fedhaus. São Paulo: Editora Unesp, 2018.

______. Lições sobre a doutrina filosófica da religião. Trad. Bruno Cunha. Petrópolis, RJ: Vozes, 2019.

______. Lições de metafísica. Trad. Bruno Cunha. Petrópolis, RJ: Vozes, 2021.

______. Religião nos limites da simples razão. Petrópolis, RJ: Vozes, 2024.

Mais Bibliografia sobre o tema

ANTOGNAZZA, Maria Rosa. The Oxford Handbook of Leibniz. Oxford University Press, 2018.

BUTLER, J; CLARKE, S; HUTCHESON, F; MANDEVILLE, B; SHAFTESBURY, L; WOLLASTON, W. Filosofia moral britânica: Textos do Século XVIII. Campinas, SP: Ed. Unicamp, 2014.

KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes. Trad. Guido A. de. São Paulo: Discurso editoria: Barcarola, 2009.

______. Textos pré-críticos. São Paulo: Editora Unesp, 2005.

______. Textos seletos. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.

______. Investigação sobre a clareza dos princípios da teologia e da moral. Lisboa: Imprensa Casa da Moeda, 2007.

LÉBRUN, Gerard. Ideia de uma história universal de um ponto de vista cosmopolita. 3. ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2010.

LEIBNIZ. G. W. Novos ensaios sobre o entendimento humano. Lisboa: Edições Colibri, 1993.

______. Ensaios de teodicéia. São Paulo: Estação Liberdade, 2013.

______; WOLFF, C; EULER, L.P; BUFFON, G.-L; LAMBERT, J. H; KANT, I. Espaço e pensamento: textos escolhidos. Organização de Márcio Suzuki (Org.). Tradução de Márcio Suzuki e Outros. São Paulo: Editora Clandestina, 2019. 286.

LOCKE, John. Ensaio sobre o entendimento humano. São Paulo: Martins Fontes, 2012. 

PHILONENKO, Alexis. L'Oeuvre de Kant: la philosophie critique. Tome I. J. Vrin, 1996. (col. Bibliothèque d'histoire de la philosophie)

RATEAU, Paul. Leibniz on the Problem of Evil. Oxford University Press, 2019.


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

AINDA SOBRE OS ESCRITOS PRÉ-CRÍTICOS KANTIANOS (VI)

Ainda devagar, tentando escrever, prosseguindo os estudos, com novos inícios e reinícios, superações. 

Ainda relendo e estudando hoje Das Ende aller Dinge (1793)Acrescento novamente uma obra que ainda sigo aprendendo a ler em alemão, obra editada por Paul Menzer em 1911: Kants Populäre Schriften, com textos de Immanue Kant publicados entre 1755 e 1798.

Na tradução desse mesmo texto feita por Artur Morão, lemos que:

"O opúsculo de Kant, O fim de todas as coisas, é apenas, de certo modo, uma espécie de corolário à sua obra capital A religião nos limites da simples razão (1793). Nesta, a redução da religião à moral leva o filósofo a expor de modo simbólico os princípios da religião cristã, a propor a distinção entre fé histórica (fé eclesial, que é desvalorizada porque de índole feiticista) e a fé da razão (fé moral), a encarar as verdades reveladas como simples auxiliares da religião enquanto sentimento moral. [...] Esta tendência para reconduzir a religião à moralidade, a teologia à antropologia, desnudando-a de todo o elemento místico, de toda a prática litúrgica e cultual, faz-se igualmente sentir no presente ensaio, que foi escrito na mesma altura e deriva claramente do mesmo fluxo de ideias e de inspiração. Difere simplesmente o objecto: não se fala da religião em geral, aborda-se tão-só a doutrina que, tradicionalmente, se refere aos Novíssimos (morte, juízo, inferno e paraíso). Respeitoso para com o cristianismo (que, no entanto, empobrece e desfigura), coerente consigo mesmo, Kant expurga o tema do Juízo de todos os resquícios míticos e reduz a sua substância à exigência e ao veredicto da razão moral.

Esta tendência para reconduzir a religião à moralidade, a teologia à antropologia, desnudando-a de todo o elemento místico, de toda a prática litúrgica e cultual, faz-se igualmente sentir no presente ensaio, que foi escrito na mesma altura e deriva claramente do mesmo fluxo de ideias e de inspiração. Difere simplesmente o objecto: não se fala da religião em geral, aborda-se tão-só a doutrina que, tradicionalmente, se refere aos Novíssimos (morte, juízo, inferno e paraíso). Respeitoso para com o cristianismo (que, no entanto, empobrece e desfigura), coerente consigo mesmo, Kant expurga o tema do Juízo de todos os resquícios míticos e reduz a sua substância à exigência e ao veredicto da razão moral.” (Artur Morão, na Apresentação da sua tradução)

Acrescentando e estudando o assunto, um volume da “série”: “(Kant Studies Supplementary Booklets, 122).

“A série publica excelentes estudos monográficos e antologias sobre todos os aspectos da filosofia de Kant, bem como sobre a relação sistemática de sua filosofia com outras abordagens filosóficas do passado e do presente. São publicados estudos que têm caráter inovador e atendem a requisitos explícitos de pesquisa. As publicações representam, portanto, o estado mais recente da pesquisa."

...

E, hoje 27 de fevereiro de 2025, acrescentando também: "New essays on the precritical Kant"

Embora Kant seja conhecido pelo desenvolvimento da filosofia crítica, esta antologia procura demonstrar a importância de examinar obras desde a sua fase pré-crítica como forma de traçar a evolução do seu pensamento. Apesar dos conceitos indubitavelmente novos na filosofia crítica madura de Kant, existem certos temas contínuos que ligam as suas obras pré-críticas juvenis às suas obras posteriores e mais famosas. Os ensaios desta coleção, cada um sob uma perspectiva diferente, concordam neste ponto essencial. Entre as questões consideradas está a ideia de negação nos primeiros trabalhos de Kant, suas noções de belo e sublime em conexão com a moralidade, a relação entre JG Herder e Kant, a relação de sua Dissertação Inaugural com sua filosofia crítica posterior e a interpretação das obras de Kant como uma revolução copernicana na filosofia.”

Os colaboradores são Karl Ameriks, Alfred Denker, Marion Heinz, Pierre Kerszberg, Rudolf Makkreel, Joseph Margolis, Andrew Norris, Angelica Nuzzo, Peter Reill, Tom Rockmore, Susan Shell e John Zammito.

...

Although Kant is known for his development of critical philosophy, this anthology seeks to demonstrate the importance of examining works from his early precritical phase as a means of tracing the evolution of his thought. Despite undoubtedly novel concepts in Kant's mature critical philosophy, there are certain continuous themes that link his youthful precritical works with his later, more famous works. The essays in this collection, each from a different perspective, agree on this essential point. Among the issues considered is the idea of negation in Kant's early work, his notions of the beautiful and sublime in connection with morality, the relationship between J. G. Herder and Kant, the relation of his Inaugural Dissertation to his later critical philosophy, and the interpretation of Kant's works as a Copernican revolution in philosophy.

The contributors are Karl Ameriks, Alfred Denker, Marion Heinz, Pierre Kerszberg, Rudolf Makkreel, Joseph Margolis, Andrew Norris, Angelica Nuzzo, Peter Reill, Tom Rockmore, Susan Shell, and John Zammito.

(Grifos Destaques meus)

______.

FUNKE, Gerhard (ed.) et al.; SALA, Giovanni B; MALTER, Rudolf. Kant und die Frage nach Gott: Gottesbeweise und Gottesbeweiskritik in den Schriften Kants. Berlim: Walter de Gruyrer, 2010.

KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes. Trad. Guido A. de. São Paulo: Discurso editoria: Barcarola, 2009.

______. Crítica da razão prática. Tradução de Valério Rohden. São Paulo, Martins Fontes, 2002.

______. Crítica da razão prática. Trad. Monique Hulshof. Petrópolis, RJ: Vozes, 2016.

______. Crítica da razão pura. 3. ed. "Do ideal do Bem Supremo como um fundamento de  determinação do fim último da razão pura. Segunda seção". (A805, 806 - B833, 834). Lisboa: Fundação Calouste Gulbekian, 1994.

______. Crítica da razão pura. "Segunda seção: Do ideal de Sumo Bem como um fundamento determinante do fim último da razão pura".  (A805, 806 - B833, 834. Petrópolis, RJ: Vozes; Bragança Paulista, SP: Editora Unuversitária São Francisco, 2013.

______. Sobre a Pedagogia. Tradução de Francisco Cock Fontenella. Piracicaba, SP: Editora Unimep, 1996.

______. Sobre a Pedagogia. Petrópolis, RJ, Editora Vozes, 2021.

______. Gesammelte Schriften. Vol. I-XXIX. Berlim: Reimer (De Gruyter) 1910-1983.

______. Textos pré-críticos. São Paulo: Editora Unesp, 2005.

______. Textos seletos. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.

______. Investigação sobre a clareza dos princípios da teologia e da moral. Lisboa: Imprensa Casa da Moeda, 2007.

______. Kants Populäre Schriften. Edição de Paul Menzer (1911). Berlim: Walter de Grutter; Reprint, 2018.

______. Lições de ética. Trad. Bruno Cunha e Charles Fedhaus. São Paulo: Editora Unesp, 2018.

______. A religião nos limites da simples razão. Edições 70, Lisboa, 1992.

______. A religião nos limites da simples razão. Trad. Bruno Cunha. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2024.

______.Vorlesung über die philosophische EncyclopädieInKant gesalmmelte Schriften, XXIX, Berlin, Akademie, 1980, pp. 8 e 12).

______. Observações sobre o sentimento do belo e do sublime; Ensaio sobre as doenças mentais. Tradução e estudo de Vinicius de Figueiredo. São Paulo: Editora Clandestina, 2018.

______. Observações sobre o sentimento do Belo e do Sublime; Ensaio sobre as doenças mentais. (Trad. Vinícius Figueiredo). Campinas, SP: Ed. Papirus, 1993.

______. Observações sobre o sentimento do Belo e do Sublime; Ensaio sobre as doenças mentais. Lisboa: Edições 70, 2012.

______. Die Religion innerhalb der Grenzen der bloßen Vernunft. W. de Gruyter, 1968.

______. A metafísica dos costumes. Trad. Clélia Aparecida Martins. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.

______. Antropologia de um ponto de vista pragmático. Tradução Clélia Aparecida Martins. São Paulo: Iluminuras, 2006.

______. Cursos de Antropologia: a faculdade de conhecer (Excertos). Seleção, tradução e notas de Márcio Suzuki. São Paulo: Editora Clandestina, 2017.

______. Resposta à pergunta: o que é “esclarecimento”?. In: Immanuel Kant textos seletos. Petrópolis, RJ: Vozes, 1985.

ROCKMORE, Tom (Ed.). New essays on the precritical Kant. Humanity Books, 2001.

SCHMUCKER. Josef. Die Ursprünge der Ethik Kants in seinen vorkritischen Schriften und Reflektionen. Meisenheim: A. Hain, 1961.

domingo, 10 de novembro de 2024

AINDA SOBRE OS ESCRITOS PRÉ-CRÍTICOS KANTIANOS (V)

 

Tentando escrever, prosseguindo os estudos, com novos inícios e reinícios, superações. 

Lendo e estudando hoje Das Ende aller Dinge (1793)Acrescento novamente uma obra que ainda sigo aprendendo a ler em alemão, obra editada por Paul Menzer em 1911: Kants Populäre Schriften, com textos de Immanue Kant publicados entre 1755 e 1798.

Na tradução desse mesmo texto feita por Artur Morão, lemos que:

"O opúsculo de Kant, O fim de todas as coisas, é apenas, de certo modo, uma espécie de corolário à sua obra capital A religião nos limites da simples razão (1793). Nesta, a redução da religião à moral leva o filósofo a expor de modo simbólico os princípios da religião cristã, a propor a distinção entre fé histórica (fé eclesial, que é desvalorizada porque de índole feiticista) e a fé da razão (fé moral), a encarar as verdades reveladas como simples auxiliares da religião enquanto sentimento moral. [...] Esta tendência para reconduzir a religião à moralidade, a teologia à antropologia, desnudando-a de todo o elemento místico, de toda a prática litúrgica e cultual, faz-se igualmente sentir no presente ensaio, que foi escrito na mesma altura e deriva claramente do mesmo fluxo de ideias e de inspiração. Difere simplesmente o objecto: não se fala da religião em geral, aborda-se tão-só a doutrina que, tradicionalmente, se refere aos Novíssimos (morte, juízo, inferno e paraíso). Respeitoso para com o cristianismo (que, no entanto, empobrece e desfigura), coerente consigo mesmo, Kant expurga o tema do Juízo de todos os resquícios míticos e reduz a sua substância à exigência e ao veredicto da razão moral.

Esta tendência para reconduzir a religião à moralidade, a teologia à antropologia, desnudando-a de todo o elemento místico, de toda a prática litúrgica e cultual, faz-se igualmente sentir no presente ensaio, que foi escrito na mesma altura e deriva claramente do mesmo fluxo de ideias e de inspiração. Difere simplesmente o objecto: não se fala da religião em geral, aborda-se tão-só a doutrina que, tradicionalmente, se refere aos Novíssimos (morte, juízo, inferno e paraíso). Respeitoso para com o cristianismo (que, no entanto, empobrece e desfigura), coerente consigo mesmo, Kant expurga o tema do Juízo de todos os resquícios míticos e reduz a sua substância à exigência e ao veredicto da razão moral.” (Artur Morão, na Apresentação da sua tradução)

Acrescentando ainda e sigo estudando o assunto, um volume da “série”: “(Kant Studies Supplementary Booklets, 122).

“A série publica excelentes estudos monográficos e antologias sobre todos os aspectos da filosofia de Kant, bem como sobre a relação sistemática de sua filosofia com outras abordagens filosóficas do passado e do presente. São publicados estudos que têm caráter inovador e atendem a requisitos explícitos de pesquisa. As publicações representam, portanto, o estado mais recente da pesquisa."

(Grifos e Destaques meus)

______.

FUNKE, Gerhard (ed.) et al.; SALA, Giovanni B; MALTER, Rudolf. Kant und die Frage nach Gott: Gottesbeweise und Gottesbeweiskritik in den Schriften Kants. Berlim: Walter de Gruyrer, 2010.

KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes. Trad. Guido A. de. São Paulo: Discurso editoria: Barcarola, 2009.

______. Crítica da razão prática. Tradução de Valério Rohden. São Paulo, Martins Fontes, 2002.

______. Crítica da razão prática. Trad. Monique Hulshof. Petrópolis, RJ: Vozes, 2016.

______. Crítica da razão pura. 3. ed. "Do ideal do Bem Supremo como um fundamento de  determinação do fim último da razão pura. Segunda seção". (A805, 806 - B833, 834). Lisboa: Fundação Calouste Gulbekian, 1994.

______. Crítica da razão pura. "Segunda seção: Do ideal de Sumo Bem como um fundamento determinante do fim último da razão pura".  (A805, 806 - B833, 834. Petrópolis, RJ: Vozes; Bragança Paulista, SP: Editora Unuversitária São Francisco, 2013.

______. Sobre a Pedagogia. Tradução de Francisco Cock Fontenella. Piracicaba, SP: Editora Unimep, 1996.

______. Sobre a Pedagogia. Petrópolis, RJ, Editora Vozes, 2021.

______. Gesammelte Schriften. Vol. I-XXIX. Berlim: Reimer (De Gruyter) 1910-1983.

______. Textos pré-críticos. São Paulo: Editora Unesp, 2005.

______. Textos seletos. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.

______. Investigação sobre a clareza dos princípios da teologia e da moral. Lisboa: Imprensa Casa da Moeda, 2007.

______. Kants Populäre Schriften. Edição de Paul Menzer (1911). Berlim: Walter de Grutter; Reprint, 2018.

______. Lições de ética. Trad. Bruno Cunha e Charles Fedhaus. São Paulo: Editora Unesp, 2018.

______. A religião nos limites da simples razão. Edições 70, Lisboa, 1992.

______. A religião nos limites da simples razão. Trad. Bruno Cunha. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2024.

______.Vorlesung über die philosophische EncyclopädieInKant gesalmmelte Schriften, XXIX, Berlin, Akademie, 1980, pp. 8 e 12).

______. Observações sobre o sentimento do belo e do sublime; Ensaio sobre as doenças mentais. Tradução e estudo de Vinicius de Figueiredo. São Paulo: Editora Clandestina, 2018.

______. Observações sobre o sentimento do Belo e do Sublime; Ensaio sobre as doenças mentais. (Trad. Vinícius Figueiredo). Campinas, SP: Ed. Papirus, 1993.

______. Observações sobre o sentimento do Belo e do Sublime; Ensaio sobre as doenças mentais. Lisboa: Edições 70, 2012.

______. Die Religion innerhalb der Grenzen der bloßen Vernunft. W. de Gruyter, 1968.

______. A metafísica dos costumes. Trad. Clélia Aparecida Martins. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.

______. Antropologia de um ponto de vista pragmático. Tradução Clélia Aparecida Martins. São Paulo: Iluminuras, 2006.

______. Cursos de Antropologia: a faculdade de conhecer (Excertos). Seleção, tradução e notas de Márcio Suzuki. São Paulo: Editora Clandestina, 2017.

______. Resposta à pergunta: o que é “esclarecimento”?. In: Immanuel Kant textos seletos. Petrópolis, RJ: Vozes, 1985.

sexta-feira, 8 de novembro de 2024

AINDA SOBRE OS ESCRITOS PRÉ-CRÍTICOS KANTIANOS (IV)



Ainda no trabalho sobre os escritos pré-críticos de Immanuel Kant; trabalho é o que não falta...

Cotejando com os originais: O "fim de todas as coisas"; Investigação sobre a evidência dos princípios da teologia e da moral [1] Anúncio do Programa de Lições para o Semestre de Inverno de 1765-1766 ”.

Na verdade,  dando continuidade aos estudos...

  1. Textos seletos. “Recordar Kant é pensar, em tudo o que disse, o que o coração de sua filosofia quis dizer. É o exemplo do próprio Kant. No que outros pensadores disseram, só se interessava pelo que quiseram dizer. Immanuel Kant foi um dos mais importantes e influentes filósofos da modernidade. Para recordá-lo, a presente publicação reúne o prefácio da Crítica da razão pura e outros textos menos conhecidos.”
  2. Textos pré-críticos: “A coletânea apresentada neste livro reúne boa parte dos textos publicados por Kant entre 1762 e 1770, quando, já bastante conhecido no meio filosófico alemão, ocupou o cargo de Magister na Universidade de Königsberg. Essa reunião não é arbitrária. Ela dispõe de um critério que subordina sua referência cronológica principal - a década de 1760 - a uma unidade de natureza intelectual, e marca uma etapa decisiva da trajetória de Kant, iluminando sua filosofia madura, a qual inicia com a Crítica da razão pura, de 1781.”
  3. Destacando aqui: "Investigação sobre a evidência dos princípios da teologia e da moral": Obra que "[...] foi escrita por Kant em 1763, com a finalidade de responder à pergunta, posta a concurso pela Academia das Ciências da Prússia, sobre a natureza das verdades metafísicas e a sua relação com as verdades matemáticas. Nesta obra, Kant evidencia encontrar-se já na posse de um dos princípios básicos da sua futura filosofia crítica, a saber: a insuficiência dos princípios lógicos para fornecer conhecimentos concretos sobre a natureza dos fenómenos físicos e metafísicos. Nestes últimos, os conceitos dados das coisas constituem o ponto de partida da análise, de modo que as suas determinações intrínsecas se encontram no final, e não no início, do trabalho filosófico.”
Para estudos sobre o Período pré-crítico ainda acrescentando novamente a obra de Alexander Gottlieb Baumgarten que lança "[...] uma nova luz sobre os argumentos das obras maduras de Kant e oferecer insights sobre seu pensamento moral pré-crítico [...]":


“Este livro apresenta a primeira tradução para o inglês de Initia Philosophiae Practicae Primae, de Alexander Baumgarten, o livro-texto que Kant usou em suas palestras sobre filosofia moral.

Originalmente publicado em latim em 1760, o Initia contém uma versão sistemática, mas original, da filosofia prática universal articulada pela primeira vez por Christian Wolff. Em sua cópia pessoal, Kant escreveu centenas de páginas de notas e esboços que documentam sua relação com essa tradição anterior. Traduzindo essas extensas elucidações para o inglês, juntamente com as notas de Kant sobre o texto, esta tradução oferece um recurso completo para a leitura de Kant da Initia. Para facilitar um estudo mais aprofundado, traduções inéditas de passagens elucidativas de G. F. Meier e Wolff também estão incluídas, juntamente com um glossário alemão-inglês-latim. A introdução dos tradutores fornece uma biografia de Baumgarten, uma discussão sobre a importância da Initia, sua relação com a filosofia prática universal de Wolff e Meier e seu papel nas palestras de Kant.

Ao lançar uma nova luz sobre os argumentos das obras maduras de Kant e oferecer insights sobre seu pensamento moral pré-críticoElementos da primeira filosofia prática revela por que o trabalho de Baumgarten é essencial para a compreensão do pano de fundo da filosofia de Kant.”

...

“This book presents the first English translation of Alexander Baumgarten's Initia Philosophiae Practicae Primae, the textbook Kant used in his lectures on moral philosophy.

Originally published in Latin in 1760, the Initia contains a systematic, but original version of the universal practical philosophy first articulated by Christian Wolff. In his personal copy, Kant penned hundreds of pages of notes and sketches that document his relation to this earlier tradition. Translating these extensive elucidations into English, together with Kant's notes on the text, this translation offers a complete resource to Kant's reading of the Initia. To facilitate further study, first-time translations of elucidatory passages from G. F. Meier and Wolff are also included, alongside a German-English-Latin glossary. The translators' introduction provides a biography of Baumgarten, a discussion of the importance of the Initia, its relation to Wolff's and Meier's universal practical philosophy and its role in Kant's lectures.

By shedding new light on the arguments of Kant's mature works and offering insights into his pre-Critical moral thought, Elements of First Practical Philosophy reveals why Baumgarten's work is essential for understanding the background to Kant's philosophy.”

Sobre o autor(es)

Alexander Gottlieb Baumgarten was born in Berlin on 17 June 1714 to Jacob Baumgarten, a Protestant evangelical preacher, and Rosina Elizabeth, née Wiedemannin. After being raised in the pietistic communities of Berlin and later Halle, Baumgarten was among the first to teach the controversial philosophy of Christian Wolff (1769-1764). By order of the king, he moved to Frankfurt on the Order in 1739, where he remained until his death in 1762. While at Frankfurt, Baumgarten wrote his most influential philosophical works: Metaphysics (1739), Philosophical Ethics (1740), and Aesthetics (2 Vols, 1750 & 1757). It is as formulated in these works that the Leibniz-Wolff tradition was chiefly communicated to later German philosophers, including Immanuel Kant. Today Baumgarten is also regarded as a central founder of modern aesthetics.

Courtney D. Fugate is Associate Professor of Philosophy at Florida State University, USA.

Lawrence Pasternack is Professor of Philosophy and Director of Religious Studies at Oklahoma State University, USA.

John Hymers is Associate Professor of Philosophy at La Salle University, USA, where he teaches modern philosophy.

Pablo Muchnik is Associate Professor of Philosophy at Emerson College, USA.

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Acrescento ainda a obra editada por Paul Menzer em 1911: Kants Populäre Schriften, com textos de Kant publicados entre 1755 e 1798.


Acrescentando hoje 05 de julho de 2025: "Träume eines Geistersehers, erläutert durch Träume der Metaphysik".

“O livro de Immanuel Kant "Sonhos de um vidente, explicados por sonhos de metafísica" é uma obra fascinante que se concentra tanto na filosofia quanto na literatura do século XVIII. Nesta obra, Kant apresenta uma conexão única entre sonhos e metafísica, explorando as profundezas da mente humana. Seu estilo de escrita é preciso e sofisticado, tornando a leitura um desafio intelectual. O livro se passa no contexto do Iluminismo e oferece ao leitor uma compreensão profunda da existência humana e do mundo metafísico.”

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ANTOGNAZZA, Maria Rosa. The Oxford Handbook of Leibniz. Oxford University Press, 2018.

BAUMGATEN, Alexander Gottlieb; KANT Immanuel. Baumgarten's elements of first practical philosophy: a critical translation with Kant's reflections on moral philosophy. Bloomsbury Academic; Reprint edição, 2021.

BUTLER, J; CLARKE, S; HUTCHESON, F; MANDEVILLE, B; SHAFTESBURY, L; WOLLASTON, W. Filosofia moral britânica: Textos do Século XVIII. Campinas, SP: Ed. Unicamp, 2014.

CUNHA, Bruno. A gênese da ética em Kant: o desenvolvimento moral pré-crítico em sua relação com a teodiceia. São Paulo: Editora LiberArs, 2017.

______. Lições sobre a doutrina filosófica da religião. Trad. Bruno Cunha. Petrópolis, RJ: Vozes, 2019.

KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes. Trad. Guido A. de. São Paulo: Discurso editoria: Barcarola, 2009.

______. Gesammelte Schriften. Vol. I-XXIX. Berlim: Reimer (De Gruyter) 1910-1983.

______. Textos pré-críticos. São Paulo: Editora Unesp, 2005.

______. Textos seletos. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.

______. Investigação sobre a clareza dos princípios da teologia e da moral. Lisboa: Imprensa Casa da Moeda, 2007.

______. Kants Populäre schriften. Edição de Paul Menzer (1911). Berlim: Walter de Grutter; Reprint, 2018.

LEIBNIZ. G. W. Novos ensaios sobre o entendimento humano. Lisboa: Edições Colibri, 1993.

______. Ensaios de teodicéia. São Paulo: Estação Liberdade, 2013.

______; WOLFF, C; EULER, L.P; BUFFON, G.-L; LAMBERT, J. H; KANT, I. Espaço e pensamento: textos escolhidos. Organização de Márcio Suzuki (Org.). Tradução de Márcio Suzuki e Outros. São Paulo: Editora Clandestina, 2019. 286.

LOCKE, John. Ensaio sobre o entendimento humano. São Paulo: Martins Fontes, 2012. 

PHILONENKO, Alexis. L'Oeuvre de Kant: la philosophie critique. Tome I. J. Vrin, 1996. (col. Bibliothèque d'histoire de la philosophie)

RATEAU, Paul. Leibniz on the Problem of Evil, Oxford University Press, 2019.



[1] Aqui, utilizando a tradução do prof. Luciano Codato. In: Escritos pré-críticos: Immanuel Kant. São Paulo: Ed. Unesp, 2005.

REFLEXÃO MATINAL CXXX: “CURA OU CONTROLE DAS PAIXÕES”? EUROIA E AS "PAIXÕES DA ALMA E SEUS ERROS" (III)

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