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sexta-feira, 12 de abril de 2019

HANS JONAS E A FILOSOFIA DA MENTE

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Dando prosseguimento aos meus "primeiros apontamentos" sobre o tema "relação mente-corpo" acrescento aqui, mais um livro que acabei de ler e que fará parte das minhas reflexões.

Fundamental para as minhas reflexões e futura redação dessas ideias, desde o início, têm sido os estudos das "Meditações metafísicas" e "As paixões da alma" e "O Homem" de René Descartes.

E, como sempre faço à cada livro que leio ou releio, que me leva a aprendizagem e sempre renovado interesse pelo tema, registro aqui. Isso para que fiquem armazenados os conteúdos aos quais sempre retorno e que sempre me convidam aos estudos mais detalhados. 

Neste caso, livro de fundamental importância por contemplar uma ampla variedade de temas, a mim particularmente interessantes e que me auxiliam na compreensão aprofundada em vários ângulos de abordagens. O tema tem sido debatido amplamente e acompanho as discussões e publicações a que consigo ter acesso. 

Tomando como ponto de partida a Filosofia, avanço por esse campo bastante diversificado da ciência.     

“A filosofia da mente tem se unido à física, à biologia, à neurofisiologia, às ciências cognitivas e à psicologia para desvendar, basicamente, dois "mistérios": 

1) Qual a natureza desse fenômeno chamado consciência? Ela pode ser reduzida a elementos físico-químicos ou constitui uma entidade ontológica diversa do físico?

2) O que significa dizer que somos seres livres que agem consciente e responsavelmente, e não determinados por fatores internos ou externos? O autor enfrenta essas questões trazendo ao debate o pensamento de Hans Jonas e, assim, nos abre um quadro teórico diferente e crítico para a consideração dessa problemática. 

Além de discutir a filosofia de Jonas no contexto da filosofia analítica, o livro procura dar duas contribuições específicas: de um lado, deseja ser uma introdução aos problemas da filosofia da mente, que sem dúvida lançará o leitor na querela atual acerca das relações entre mente e cérebro; de outro lado, o livro pretende expandir os estudos sobre a filosofia de Hans Jonas, um autor em descoberta e com matizes ainda não apreciados."

(os grifos são meus)


______.
VIANA, Wellistony C. Hans Jonas e a filosofia da mente. São Paulo: Paulus, 2016.

Link de “degustação” oferecida pela editora:
https://www.paulus.com.br/loja/appendix/4313.pdf

sábado, 4 de novembro de 2017

ESPERANÇA E RESPONSABILIDADE: HANS JONAS


    


“É apenas em função da pressão de hábitos reais da ação – e geralmente do fato de que sempre a ação já aconteceu, sem que isto tenha sido ordenado antes de tudo – que a ética, enquanto regulação desse agir tendo em vista o critério do bem ou do permitido, entra em cena. Tal pressão emana dos novos poderes tecnológicos do homem, cujo exercício é dado com sua existência. Se eles real­mente são tão novos como aqui defendido, e se pelos tipos de suas consequências potenciais eles realmente aboliram a neutralidade moral que o comércio técnico com a matéria até agora possuía – então sua pressão exige que se procure por novas prescrições éticas que sejam competentes para assumir sua orientação mas que, antes de tudo, possam sustentar-se teoricamente [...]” (JONAS, 2017, p. 49)

Inicio aqui apontamentos para uma reflexão a ser revista e corrigida, mantido seu fio condutor sobre o que configura o progresso tecnológico em suas implicações éticas presente ou futuras. Considerados os pensadores de minhas leituras mais frequentes, tomo aqui por base o livro de Hans Jonas, traduzido recentemente.
Mesmo reconhecendo que desde Francis Bacon, que pensava a partir de uma luta entre o homem e a natureza, que o levou a fazer sua reflexão sobre o domínio da natureza que a ciência proporcionaria; é mesmo desde o século XIX, que o otimismo em relação à técnica, ganha seu status e seu auge se dará no século XX.
O célere avanço da civilização Ocidental produziu essa crença generalizada nos poderes que o homem ganha, mas que para alguns, acentuará um progressismo e cientificismo de proporções catastróficas. Desde a minha leitura do médico e filósofo alemão Hans Jonas, do seu livro: "O princípio responsabilidade" escrito em 1979, (que li e reli atentamente em 2006, um ano tão bom para mim) venho acompanhando seus escritos e o que se tem discutido a partir de suas ideias que aparecem como uma denúncia contra qualquer utopia exagerada progressista, independentemente do viés político-ideológico que esteja por trás de seus enunciados.
Da obra partimos para destaque de argumentos de Jonas que antecedendo qualquer ideia de progresso está a ideia assumida e defendida por ele com veemência de que o Ser existe, a própria VIDA “um não enfático ao não-ser”.
Essa maneira de pensar leva Jonas a trabalhar num sentido filosófico interessante e o filósofo Leibniz é lembrado no sentido que sua grande questão sobre “Por que existe alguma coisa ao invés do nada?”, que segundo ele pode ser retomado no Gênesis ou no Timeu de Platão onde se afirma o “existir em preferência ao “não-existir”. Ainda que se reconheça em Jonas sua visão, em certa medida religiosa, o seu grande argumento é a ética da responsabilidade, que tem como um de seus pilares a releitura do imperativo categórico de Kant, que Jonas dirá ser perceptível em Kant e em outras teorias éticas desde os filósofos da Antiguidade, o enfoque apenas nos atos de um indivíduo. Assim propõe o seguinte enunciado dentro de sua ética da responsabilidade:

“Age de maneira que tuas ações não comprometam a existência de uma autêntica vida humana sobre a Terra”.

Está, com isso considerando as ações humanas numa nova civilização tecnológica, Tais ações passariam a ser pensadas como possíveis de comprometer o futuro da humanidade, mesmo dos que ainda nem nasceram. O que extraímos das leituras da obra até aqui e que ainda seguiremos é uma questão existencial, ora, sem a esperança num futuro o princípio de responsabilidade de Jonas estaria inviabilizados.
Portanto, tendo iniciado a leitura de Jonas com aquele livro indicado acima, avançamos depois para “Técnica, medicina e ética: sobre a prática do princípio de responsabilidade.” E, recentemente, iniciei a leitura do livro “Ensaio filosóficos: da crença antiga ao homem tecnológico”[1] que acrescentarei aqui após atenta leitura.
...

Vídeo 1, sobre a obra: 
https://www.youtube.com/watch?v=SOgtozcgwzQ

Vídeo 2, ...................: 


[1] JONAS, Hans.  Ensaio filosóficos: da crença antiga ao homem tecnológico”. (trad. Wendell Evangelista Soares Lopes. São Paulo: ed. Paulus, 2017.

______.  Ensaio filosóficosda crença antiga ao homem tecnológico”. (trad. Marijane Lisboa, Luiz Barros Montez. São Paulo: Ed. Contraponto/Ed. PUC-Rio, 2006.




sexta-feira, 13 de outubro de 2017

TÉCNICA, MEDICINA E ÉTICA: SOBRE A PRÁTICA DO PRINCÍPIO RESPONSABILIDADE

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Do que ainda preservo das leituras para pesquisa realizada até 2012, considerando-se que alterei totalmente minha forma de estudar a questão e por ter abandonado totalmente os referenciais usados àquela época, busquei com a leitura dessa obra, entender aquele mesmo cenário tecnológico que me levou à pesquisa que redirecionei para outros flancos. Tal cenário tecnológico, bom que se diga, no qual está inserido o curso da humanidade e, se mal-conduzida tende a alterar drasticamente a ordem das coisas, é essa preocupação que fez com que Hans Jonas nos advertisse para questão. Pois:

“a técnica avança sobre tudo o que diz respeito aos homens – vida e morte, pensamento e sentimento, ação e padecimento, ambiente e coisas, desejos e destino, presente e futuro – em resumo, dado que ela se converteu em um problema tanto central quanto premente de toda a existência humana sobre a terra, já é um assunto de filosofia e é preciso que exista alguma coisa como uma filosofia da tecnologia”

Evidente a preocupação de Hans Jonas com o impacto da técnica moderna; tanto do ponto de vista própria existência humana quanto para a biosfera que o circunda. Hans Jonas discute algumas questões com as quais devemos nos inquietar e aprofundar:
  1. Como foi que a tecnologia se tornou-se o destino da civilização contemporâne?
  2. Por que a técnica moderna é um problema filosófico?
  3. Como a tecnologia levanta um problema ético?
  4. Seria a tecnologia eticamente neutra?
Hans Jonas, assim, discute a reelaboração de um novo princípio ético que seja capaz de reorientar a ação dos homens no mundo atual a partir da compreensão do fenômeno da técnica que, para ele é a condição de possibilidade para uma formulação ética ontologicamente fundamentada. Hans Jonas, portanto, discute a necessidade de compreendermos a questão e desenvolvermos uma filosofia da tecnologia, que ele já tinha discutido desde seu ensaio de 1959 “The Pratical Uses of Theory”.

Livro: 
"Técnica, Medicina e Ética: sobre a prática do princípio responsabilidade". São Paulo: Paulus, 2013. (Ethos) 


"Ao resgatar filosoficamente o tema da vida, apoiado nos dados das ciências biológicas, o autor aponta os desafios e as ameaças contemporâneas lançadas pela técnica, diante dos quais seria preciso formular novos critérios éticos, visto que os modelos tradicionais já não dão conta da nova realidade. O tema central da obra é o fato de que a técnica transformou o homem em seu objeto. De sujeito da tecnologia, os avanços no campo da medicina e da moderna biotecnologia fizeram do ser humano um objeto, ou seja, uma espécie de artefato.Quais as consequências disso no campo ético, e quais as novas experiências e obrigações daí advindas? Até onde podem ir os experimentos com seres humanos? O que restará ainda da imagem do homem caso a técnica melhorativa realizar seu projeto utópico? Em que consiste o fato, ontológica e eticamente falando, de que o homem tenha se habilitado a "refabricar inventivamente" a si mesmo? Eis alguns dos problemas tão graves e urgentes quanto polêmicos que Hans Jonas enfrenta nesta obra."

TEMPO DE ESTUDOS. LEITURA DE "AMOR AO BELO E AO BEM: ESTUDOS SOBRE O BANQUETE E A REPÚBLICA DE PLATÃO" (II)

 Amor ao belo e ao bem: estudos sobre o Banquete e a República de Platão “ O Amor é o anseio de imortalidade. ” ( Platão - Banquete   Termin...