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quarta-feira, 1 de julho de 2020

"DA CONTEMPLAÇÃO À LEI MORAL": IMMANUEL KANT

"Kant and the divine: from contemplation to the moral lawChristopher J. Insole

“Uma descrição definitiva do desenvolvimento da concepção de Kant do bem mais elevado, em relação à liberdade, felicidade e autonomia. Uma interpretação inovadora da visão de mundo de Kant. Envolve uma vasta gama de textos de todos os períodos do pensamento de Kant, alguns ainda não traduzidos para o inglês. Um caso novo e original da unidade e coerência da filosofia crítica de Kant."

...

"Kant and the divine: from contemplation to the moral law Christopher J. Insole

A definitive account of the development of Kant's conception of the highest good, in relation to freedom, happiness, and autonomy. An innovative interpretation of Kant's worldview. Engages with a vast range of texts from all periods of Kant's thought, some not yet translated into English.A fresh and original case for the unity and coherence of Kant's critical philosophy”

______.

Sobre o autor:

"Christopher J. Insole, Professor of Philosophical Theology and Ethics, University of Durham

After teaching at the Universities of London and Cambridge, Christopher Insole took up his post at Durham in 2006, becoming Professor of Philosophical Theology and Ethics in 2013. He has published extensively on realism and anti-realism, religious epistemology, the relationship between theology, metaphysics, and political philosophy, and on the thought of Immanuel Kant. His books include his major study of Kant's philosophy of religion (Oxford, 2013)."

 ______.

INSOLE, Christopher J. Kant and the divine: from contemplation to the moral law. Oxfor University Press, 2020.

______. Kant and the creation of freedom: a theological problem. Oxford University Press, 2015.

Para saber mais

ANTOGNAZZA, Maria Rosa. The Oxford Handbook of Leibniz. Oxford University Press, 2018.

BUTLER, J; CLARKE, S; HUTCHESON, F; MANDEVILLE, B; SHAFTESBURY, L; WOLLASTON, W. Filosofia moral britânica: Textos do Século XVIII. Campinas, SP: Ed. Unicamp, 2014.

CUNHA, Bruno. A gênese da ética em Kant. São Paulo: Editora LiberArs, 2017.

GRAPOTTE, Sophie (Org.); LEQUAN, Mai; RUFFING, Margit. Kant et les sciences: un dialogue philosophique avec la pluralité des savoirs. Paris: Vrin, 2011.

______; PRUNE-BRETINNET. Tinca, (dir.). Kant et Wolff: héritages et ruptures. Paris: Vrin, 2011.

______. RUFFING, Margit; TERRA, Ricardo.(dir.).  Kant - la raison pratique: concepts et héritages. Paris: Vrin, 2015.

KANT, Immanuel. Lições de ética. Trad. Bruno Cunha e Charles Fedhaus. São Paulo: Editora Unesp, 2018.

______. Lições sobre a doutrina filosófica da religião. Trad. Bruno Cunha. Petrópolis, RJ: Vozes, 2019.

______. Lições de metafísica. Trad. Bruno Cunha. Petrópolis, RJ: Vozes, 2021.m 

______. Réflexions métaphysiques (1780-1789). Introduction, traduction et notes par Sophie Grapotte, Docteur de l’Université de Bourgogne, membre du « Groupe de travail sur la philosophie allemande du XVIIIe siècle » (CERPHI). Paris: Vrin, 2011.

______. Fundamentação da metafísica dos costumes. Trad. Guido A. de. São Paulo: Discurso editoria: Barcarola, 2009.

______. Textos pré-críticos. São Paulo: Editora Unesp, 2005.

______. Textos seletos. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.

______. Investigação sobre a clareza dos princípios da teologia e da moral. Lisboa: Imprensa Casa da Moeda, 2007.

LEIBNIZ. G. W. Novos ensaios sobre o entendimento humano. Lisboa: Edições Colibri, 1993.

______. Ensaios de teodicéia. São Paulo: Estação Liberdade, 2013.

______; WOLFF, C; EULER, L.P; BUFFON, G.-L; LAMBERT, J. H; KANT, I. Espaço e pensamento: textos escolhidos. Organização de Márcio Suzuki (Org.). Tradução de Márcio Suzuki e Outros. São Paulo: Editora Clandestina, 2019. 286.

LOCKE, John. Ensaio sobre o entendimento humano. São Paulo: Martins Fontes, 2012. 

PHILONENKO, Alexis. L'Oeuvre de Kant: la philosophie critique. Tome I. J. Paris: Vrin, 1996. (col. Bibliothèque d'histoire de la philosophie)

RATEAU, Paul, author. Leibniz on the problem of evil. New York: Oxford University Press, 2019.

SCHMUCKER. Josef. Die Ursprünge der Ethik Kants in seinen vorkritischen Schriften und Reflektionen. Meisenheim: A. Hain, 1961.

THEIS, Robert (dir.). Théologie et religion. Paris: Vrin, 2013.

 


domingo, 7 de junho de 2020

MEDITAÇÃO RETROSPECTIVA NOTURNA XXXVI: OS VERDADEIROS BENS E A "LEI NATURAL"

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Segundo os estóicos, se a razão não segue a "Lei natural", ela se perde no caminho dos vícios e, com a desculpa de que viver é tarefa complexa, o homem, decide-se por desvios improdutivos e não a seguindo, tornam, a vida difícil, infeliz e distante das Virtudes. Quase que, com tal afastamento, criam uma “segunda natureza”, resultado de vida viciosa e indisciplinada.

Tenho aprendido e prossigo com a “meditação andando” (Hanh, 2000) por trilhas da “filosofia prática” tanto em Epicteto quanto em Sêneca, que uma das tarefas práticas da filosofia dos antigos e dos estoicos, é a busca por cultivar uma vida simples e sem apegos infundados ao que esteja lá fora, no mundo externo. Já é natural e fundamental o desprendimento, sem desprezo do que nos seja útil ao aprendizado.

Aqui, acrescento um texto a que retomo e registrei nesta página, escrito por Aldo Dinucci e Antonio Tarquínio; um trecho da “Introdução ao Manual de Epicteto (2012) referindo-se a Sócrates, no Eutidemo; um "Diálogo" platônico que, à época, tomei para meditação da noite e revisito hoje. O texto trata dos verdadeiros bens.

Diz o texto:

"No Eutidemo de Platão, Sócrates observa que os bens reconhecidos pelos mortais se transformam em males se administrados por imprudentes. Apresentarei o argumento de Sócrates no Eutidemo de um modo didático. Pensem, leitores, em uma lista de bens. Suponho que nela incluirão coisas como a riqueza, a saúde, o poder, um elevado status social, o prazer, a vida

Mas considerem o seguinte: a riqueza na mão de um tolo se torna inútil ou destrutiva; e se pode ser má, não é em si mesma nem boa, nem má. A saúde também nem sempre é um bem, já que seu contrário, a doença, pode por vezes levar o homem a valorizar sua vida e tomar ciência de si mesmo. O poder já foi ocasião para a ruína e a destruição de muitos. Um elevado status social pode concorrer para tornar o homem arrogante e cercá-lo de falsos amigos. O prazer também nem sempre é um bem, pois há prazeres que escravizam e destroem os homens. Seu contrário, a dor, nem sempre é um mal, pois às vezes é um meio para se obter algo maior (como o atleta que se submete a um treinamento extenuante para melhorar seu desempenho). E a vida também não é em si mesma um bem ou um mal, pois há ocasiões em que a morte é opção melhor que a vida (como no caso de alguém que, para continuar vivendo, tem que trair seus princípios, sujeitar-se a indignidades, ou compactuar com crimes).” (Dinucci; Taquínio, 2012. p.7)

(os grifos e destaques são meus)

“Mantenha-se firme, mantenha-se Bem” (Sêneca)

Sugestão para aprofundamente da reflexão sobre o tema da "paixões"

Link com a exposição do professor Aldo Dinucci (UFS): "O Estoicismo e a cura das paixões"  https://www.youtube.com/watch?v=lnxfnwMdVmg - 07 de julho de 2020.

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ARRIANO FLÁVIO. O Encheirídion de Epicteto. Edição Bilíngue. Tradução do texto grego e notas Aldo Dinucci; Alfredo Julien. Textos e notas de Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão, SE: Universidade Federal de Sergipe, 2012.

DINUCCI, Aldo; TAQUÍNIO, Antonio. Introdução ao manual de Epicteto. São Cristóvão, SE: Universidade Federal de Sergipe, 2012.

HANH, Thich Nhat. Meditação andando: um para a paz interior. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000.

domingo, 17 de maio de 2020

IMMANUEL KANT E AS CIÊNCIAS: UM DIÁLOGO FILOSÓFICO


Acrescentando aqui, nas leituras dos próximos dias, publicação de 2011, pela "Editions Vrin", organizado por Sophie Grapotte e outros estudiosos. Seguindo com as leituras; sempre em conjunção com as ciências em geral. E, com o cuidado de, mesmo variando os temas, não sair das delimitações.

"Relação com as ciências. O filósofo Immanuel Kant examinou as relações entre a filosofia e as ciências, incluindo a geometria, a aritmética, a cinemática e a dinâmica. Conciliava a dinâmica e a mecânica em favor da segunda, numa tentativa de superação da ontologia material."

Após conferir o "sumário" percebi o quanto é um livro com alguns tópicos bem interessantes, que vou ler, exatamente, porque analisa não somente "a definição kantiana de ciência, conhecimento e cientificidade em geral mas [...] os vários tipos de conhecimento com os quais Kant conseguiu lidar. Através de uma série de estudos dedicados a várias ciências em um contexto kantiano, este volume estuda como Kant atribui a cada ciência uma unidade ideal, uma região ôntica (um domínio de objetos), um método, até uma epistemologia, bem como uma modo histórico de constituição e progressão adequada, com a preocupação constante (resultante de críticas) de distinguir as ciências, para nunca confundir seus limites. Este volume revela, assim, um Kant, não apenas teórico da ciência, mas um teórico, praticante mesmo das ciências em sua pluralidade. Kant aparece como sendo ele próprio um Naturforscher, físico, cientista, cientista das ciências naturais no sentido mais amplo. Este volume destaca a contribuição de Kant para um grande número de ciências de seu tempo (matemática, física, química, biologia, geografia física, cosmologia, astronomia, mas também ciências qualificadas hoje como ciências do espírito ou homem, como antropologia ou psicologia), como evidenciado pelos numerosos folhetos científicos a que Kant se dedicou, de 1754 a 1794, a vários assuntos da ciência física ou história natural (terremotos, vulcões, marés, climas, ventos, influência da Lua na Terra, modificação da velocidade de rotação da Terra, meteoros, cometas, etc.).”

(só os grifos destaques meus)

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Sinopse da editora: “Le présent volume analyse, non plus en amont la définition kantienne de la science, du savoir, de la scientificité en général, mais cette fois en aval la place des divers savoirs dont Kant a pu traiter. Par une série d’études consacrées à diverses sciences en contexte kantien, le présent volume étudie comment Kant assigne à chaque science une unité idéale, une région ontique (un domaine d’objets), une méthode, voire une épistémologie, ainsi qu’un mode historique de constitution et de progression propres, avec le constant souci (issu du criticisme) de distinguer les sciences, de ne jamais confondre leurs limites. Ce volume révèle ainsi un Kant, non pas seulement théoricien de la science, mais théoricien, voire praticien des sciences en leur pluralité. Kant y apparaît comme étant lui-même un Naturforscher, physicien, scientifique, savant dans les sciences de la nature au sens le plus large. Ce volume souligne l’apport de Kant à un grand nombre de sciences de son temps (mathématique, physique, chimie, biologienaissante, géographie physique, cosmologie, astronomie, mais aussi sciences qualifiées aujourd’hui de sciences de l’esprit ou de l’homme, comme anthropologie ou psychologie), comme en attestent les nombreux opuscules scientifiques que Kant consacre, de 1754 à 1794, à divers sujets de science physique ou d’histoire naturelle (séismes, volcans, marées, climats, vents, influence de la Lune sur la Terre, modification de la vitesse de rotation axiale de la Terre, météores, comètes, etc.).”

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GRAPOTTE, Sophie (Org.); LEQUAN, Mai; RUFFING, Margit. Kant et les sciences: un dialogue philosophique avec la pluralité des savoirs. Paris: Vrin, 2011.

Para saber mais sobre a obra, antes li:

No Link da editora:

http://www.vrin.fr/book.php?code=9782711624010

E, a Resenha, no "scielo":

https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-31662013000400010&lng=pt&nrm=iso

 




segunda-feira, 4 de maio de 2020

BIOÉTICA: PAUSA PARA REVISITAR NA ESTANTE ANTIGOS ESTUDOS SOBRE O TEMA

Ephraim Rubenstein, Book Pile XXXX  oil on linen 36" x 26" #books

(IMAGEM: "Ephraim Rubenstein, Book Pile XXXX - oil on linen 36" x 26" In: "Pinterest")

Revisitando a estante!

Numa recente conversa, como já escrevi aqui, inspirei-me a retornar à estrada há algum tempo percorrida, numa fase de bastante entusiasmo sobre o tema. À época do mestrado, no caso. O interesse em retornar aos textos se deu, principalmente, pelo retorno e aumento do meu interesse pelo tema e pela publicação de novos textos relacionados abaixo, de autores com quem contato pessoal e com as suas obras (livros ou artigos).

Hoje, como em tudo, a moderação agigantou-se por aqui. Uma nova maneira de pensar me levou, em tempo, novamente aos clássicos. Donde não pretendo sair. 

Assim, notório que não estou nem pretendo me incluir entre os entusiastas da forma "contemporânea" de se pensar sobre o assunto, daí o retorno constante aos velhos textos, procurando preservar um certo referencial.

Para isso, portanto, sigo mais cuidadoso; principalmente à medida que me deparo com as tentativas atuais de impor-se recursos "presentistas".

Ainda que se persista em reafirmar mundo afora que são novos tempos, não compreendo os "novos" métodos de reflexão como avanços, mas de simplificação muito grosseira e abertura a relativismos!

Já à época da redação de um trabalho acadêmico, percebia que as soluções tecnológicas, por exemplo, nesse campo sobre o qual estudei, traziam à tona problemas novos piores que os que prometiam resolver.

Mas, como prossigo refletindo sobre o tema e, recentemente num seminário me empolguei a ponto de retomá-lo e rascunhar um esboço de texto que pretendo submeter em breve.

Enfim, de retorno ao tema, às releituras, leituras dos textos novos recém lançados, acrescentei as duas obras abaixo, também para releituras: uma, a de Dworkin, "Domínio da vida", lida ainda por ocasião da redação do texto acadêmico supra citado; a outra obra, de Michael Sandel: “Contra a perfeição” é a que, junto com os lançamentos dos livros da profa. Camila e o livro dos profs. Cohen e Reinaldo Ayer, me animaram mais a retomar o tema e redigir um texto. 

As obras enumeradas abaixo, portanto, compõem uma bibliografia que estou retomando, aproveitando a ocasião e pretensão, como disse acima, de submeter para publicação.

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ANGOTTI NETO, Hélio. Bioética. Brasília, DF: Ed. Monergismo, 2019.

BENTO XVI. Instrução Dignitas Personae: sobre algumas questões de Bioética. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2009.

COHEN, Cláudio; OLIVEIRA, Reinaldo Ayer. Bioética, direito e medicina. São Paulo: Ed. Manole, 2019. 

DURAND, Guy. Inrodução geral à bioética: história, conceitos e instrumentos. 5. ed. São Paulo: Centro Universitário São Camilo: Loyola, 2014.

DWORKIN, Ronald. Domínio da vida: aborto, eutanásia e liberdades individuais. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2009. 

FRIAS, Linoln. A ética do uso e da seleção de embriões. Florianópolis, Edufsc, 2012.

HABERMAS, Jürgen. O futuro da natureza humana. São Paulo: Martins Fontes, 2004.

______. Dialética da secularização: sobre razão e religião. Aparecida, SP: Ideias & Letras, 2007.

PERINI, Carla Corradi; PESSINI, Leo. Bioética, humanização e fim de vida: novos olhares - Série Bioética Volume 8. Curitiba, PR: Editora CRV, 2018.

SANDEL, Michael. Contra a perfeição: ética na era da engenharia genética. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 20013.

______. Justiça: o que é fazer a coisa certa. 13. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2013.

SANTANA, Júlio César Batista; PESSINI, Leo; SÁ, Ana Cristina de. (Orgs.) Cuidados paliativos: uma reflexão bioética. CURITIBA, PR, 2018.

VAN RENSELAER POTTER. Bioética: ponte para o futuro. São Paulo: Edições Loyola, 2015.

VASCONCELOS, Camila. Direito médico e bioética: história e judicialização da relação médico-paciente. São Paulo: Ed. Saraiva, 2020.

ZATZ, Mayana. GenÉtica: escolha que nossos avós não faziam. Rio de Janeiro: Globo, 2011.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

MEDITAÇÃO RETROSPECTIVA NOTURNA XXIV: OS BENS VERDADEIROS


Fontes, Seu Jardim Com Mais Emoção!por Depósito Santa Mariah
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Tanto Epicteto, como o próprio Sêneca, numa descrição da razão, diriam que é próprio da razão exigir de nós uma vida plena, simples e disciplinada, de acordo com a "Lei natural", e que, com a aplicação desta, a nossa vida resultaria em liberdade e felicidade.

Segundo eles, como estóicos, se a razão não segue a "Lei natural", ela se envereda por trilhas viciosas e, com a desculpa de que viver é tarefa complexa, o homem, decide-se por desvios improdutivos e não as seguindo, tornam, a vida difícil, infeliz. Quase que, com isso, criam uma “segunda natureza” viciosa e indisciplinada.

Enfim, tendo aprendido a seguir “meditando andando” (Hanh, 2000) por essas trilhas da “filosofia prática” tanto em Epicteto quanto em Sêneca, uma vida simples e sem apegos infundados ao que nos seja exterior, é fundamental.

A isso acrescento, do professor Aldo Dinucci e Antonio Tarquínio, um trecho da “Introdução ao Manual de Epicteto” referindo-se a Sócrates, no Eutidemo; "Diálogo" platônico que tomei para meditação dessa noite:

Os estoicos “Consideram Sócrates o exemplo máximo onde se realiza uma filosofia voltada para a construção de um homem integralmente forte e livre, repercutindo muitos temas do pensamento socrático, como, por exemplo, a questão da piedade. (Dinucci; Taquínio, 2012)

Aforismos:

a) "A água do mar é a mais pura e a mais poluída; para os peixes é potável e salutar, mas para os homens é impotável e deletéria"[1]

b) "Para Divindade, tudo é belo, bom e justo, mas os homens supuseram umas coisas injustas, outras justas"[2]

"No Eutidemo de Platão, Sócrates observa que os bens reconhecidos pelos mortais se transformam em males se administrados por imprudentes. Apresentarei o argumento de Sócrates no Eutidemo de um modo didático. Pensem, leitores, em uma lista de bens. Suponho que nela incluirão coisas como a riqueza, a saúde, o poder, um elevado status social, o prazer, a vida. 
Mas considerem o seguinte: a riqueza na mão de um tolo se torna inútil ou destrutiva; e se pode ser má, não é em si mesma nem boa, nem má. A saúde também nem sempre é um bem, já que seu contrário, a doença, pode por vezes levar o homem a valorizar sua vida e tomar ciência de si mesmo. O poder já foi ocasião para a ruína e a destruição de muitos. Um elevado status social pode concorrer para tornar o homem arrogante e cercá-lo de falsos amigos. O prazer também nem sempre é um bem, pois há prazeres que escravizam e destroem os homens. Seu contrário, a dor, nem sempre é um mal, pois às vezes é um meio para se obter algo maior (como o atleta que se submete a um treinamento extenuante para melhorar seu desempenho). E a vida também não é em si mesma um bem ou um mal, pois há ocasiões em que a morte é opção melhor que a vida (como no caso de alguém que, para continuar vivendo, tem que trair seus princípios, sujeitar-se a indignidades, ou compactuar com crimes).” (Dinucci; Taquínio, 2012)

(os grifos são meus)

__________.
ARRIANO FLÁVIO. O Encheirídion de Epicteto. Edição Bilíngue. Tradução do texto grego e notas Aldo Dinucci; Alfredo Julien. Textos e notas de Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão, SE: Universidade Federal de Sergipe, 2012.

DINUCCI, Aldo; TAQUÍNIO, Antonio. Introdução ao manual de Epicteto. 
São Cristóvão, SE: Universidade Federal de Sergipe, 2012.

HANH, Thich Nhat. Meditação andando: um para a paz interior. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000.



[1] HIPÓLITO. Hippolytus' Refutationes omnium heresium. Gottingen: Duncker, 1859, ix, 10, 5
[2] PORFÍRIO. Porphyrii Quaestionum homericarum ad Iliadem pertinentium reliquias collegit disposuit. Ed. B. G. Teubner. Charleston: Nabu Press, 2010, iv, 4.

 III SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE FILOSOFIA – MEMÓRIA E FINITUDE - UFMG

Ao mesmo tempo em que estou relendo bastante sobre o tema "Finitude" em filosofia, soube da realização desse Seminário sobre ...