Ao mesmo tempo em que estou relendo bastante sobre o tema "Finitude" em filosofia, soube da realização desse Seminário sobre "Memória e Finitude" conforme anotações abaixo sobre o seminário. A isso acrescentei Bibliografia que li, estou relendo e, após a realização do Seminário estarei atento às novas informações, estudo e discussões sobre o tema.
"III SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE FILOSOFIA"
"Entre os dias 23 e 25 de setembro, Profa. Débora Moreira Guimarães, estará em Natal participando do III Seminário Internacional de Filosofia – Memória e Finitude - UFMG.
Dia 24, às 19h - Palestra "Finitude e lembrança: reflexões sobre o estatuto ontológico do finado".
Ao longo do texto de “O último dia de um condenado”, por exemplo, Victor Hugo apresenta o momento derradeiro de um indivíduo condenado à “morte”.
Interessante o detalhe que me fez reler a obra: o crime não é revelado, de início, e Hugo conduz o leitor pela narrativa, culminando numa fase em que o condenado é apresentado como alguém que não se arrepende de seu crime, que aparece, em certa medida, nas outras duas obras que reli e menciono abaixo. Lamenta sim o que fez, por resultar em outro crime, do Estado, não por tê-lo condenado, mas por condenar sua filha, que será órfã de pai e estigmatizada, doravante.
O livro de Victor Hugo, com este tema, me levou à leitura de Dostoiévsky, que em “O Idiota” retoma o assunto, influenciado pela obra de Hugo.
Ora, dado esse tema, por ter aparecido nestes autores acima, acabei relendo “O estrangeiro”, de Camus, que de certa forma, trata na sua vertente, existencialista, o que Hugo e Dostoiévsky discutem em suas obras, mencionadas acima.
Meu interesse principal: a "última reflexão" que fazem os indivíduos diante da "sentença capital".
A estes, como disse acima, acrescentei “A consolação da filosofia”, de Boécio.
“Se esses soberbos se virem despojados de seu esplendor vazio deixarão aparecer, esses senhores, as correntes que os prendem e que eles trazem dentro de si…”
“[...] à Filosofia não é lícito deixar caminhando sozinho um discípulo seu”
Hoje, como tem sido disciplinadamente, um instante da manhã é dedicado às reflexões, mesmo saindo um pouquinho dos referenciais básicos de sempre, passo em revista os pensamentos e ações, e corrigendas são planejadas e necessárias. Tendo aprendido esses “exercícios” com as leituras de Thich Nhat Hahn e os Estóicos, e hoje, abri uma exceção nas leituras estudadas com esse intuito.
Reabri, após as releituras citadas acima, bem cedinho, a obra “A consolação da filosofia”, com o título original: "De phisolophiae consolatione"; releitura há muito planejada. Decisão bem acertada e o resultado da leitura foi um ganho enorme! Muito aprendizado!
“Escrita na prisão por um condenado à morte, essa obra latina do século VI não deve nada, ou deve muito pouco, às circunstâncias “trágicas” de sua composição. Trata-se de uma obra-prima da literatura e do pensamento europeu; ela se basta, e teria o mesmo valor se ignorássemos tudo a respeito daquele que a concebeu entre duas sessões de tortura, à espera de uma execução. Mas, dado que essa obra-prima não é anônima, nada perde por ter um autor e ser situada em suas circunstâncias, torna-se também, assim, o testemunho da grandeza à qual um homem pode elevar-se pelo pensamento em face da tirania e da morte.”
Ademais:
“O que Boécio nos ensina, com tanta autoridade hoje como no século VI, é que a única cultura fértil, oral ou escrita, é a que trazemos intimamente em nós, são os textos clássicos inesgotáveis inseminados na memória e cujas palavras tornam-se fontes vivas, à prova da tristeza, do sofrimento, da morte. O resto, de fato, é 'literatura'” (p. 17.)
Basicamente, na obra, Boécio trata da questão da verdadeira felicidade. Uma profunda reflexão em tonalidades platônicas.
Portanto, Boécio em seu livro “A consolação da filosofia” (por exemplo, no Livro IV), reflete sobre a infelicidade do homem. Defende que a injustiça que atinge o homem é ilusória e se entende dessa forma devido à sua limitada capacidade para um olhar mais ampliado sobre a existência. A entrega aos prazeres efêmeros faz com que o homem opte pelo vício e fuja da virtude que, ao contrário do que crê, lança-o num processo destrutivo que o aprisiona a uma perspectiva limitada da existência. A única rota possível para ampliar a concepção existencial capaz de desviá-lo de equívocos é o caminho de busca das Virtudes, única via na direção da verdadeira liberdade. As virtudes elevam o homem acima do nível rasteiro do comum da humanidade, afasta-o da animalidade. Reconhecer a própria natureza que torna o homem, efetivamente humano, em “essência”.
Acrescentei, algumas reflexões a partir de obras que tenho estudado e anotado aqui no Blog, com elementos de psicologia. Isto na medida em que os temas de certa forma se entrelacem ou sirvam para análise de conceitos e aprofundamentos.
(Grifos e destaques meus)
Enfim, valeram as releituras.
_______.
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