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domingo, 7 de junho de 2020

MEDITAÇÃO RETROSPECTIVA NOTURNA XXXVI: OS VERDADEIROS BENS E A "LEI NATURAL"

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Segundo os estóicos, se a razão não segue a "Lei natural", ela se perde no caminho dos vícios e, com a desculpa de que viver é tarefa complexa, o homem, decide-se por desvios improdutivos e não a seguindo, tornam, a vida difícil, infeliz e distante das Virtudes. Quase que, com tal afastamento, criam uma “segunda natureza”, resultado de vida viciosa e indisciplinada.

Tenho aprendido e prossigo com a “meditação andando” (Hanh, 2000) por trilhas da “filosofia prática” tanto em Epicteto quanto em Sêneca, que uma das tarefas práticas da filosofia dos antigos e dos estoicos, é a busca por cultivar uma vida simples e sem apegos infundados ao que esteja lá fora, no mundo externo. Já é natural e fundamental o desprendimento, sem desprezo do que nos seja útil ao aprendizado.

Aqui, acrescento um texto a que retomo e registrei nesta página, escrito por Aldo Dinucci e Antonio Tarquínio; um trecho da “Introdução ao Manual de Epicteto (2012) referindo-se a Sócrates, no Eutidemo; um "Diálogo" platônico que, à época, tomei para meditação da noite e revisito hoje. O texto trata dos verdadeiros bens.

Diz o texto:

"No Eutidemo de Platão, Sócrates observa que os bens reconhecidos pelos mortais se transformam em males se administrados por imprudentes. Apresentarei o argumento de Sócrates no Eutidemo de um modo didático. Pensem, leitores, em uma lista de bens. Suponho que nela incluirão coisas como a riqueza, a saúde, o poder, um elevado status social, o prazer, a vida

Mas considerem o seguinte: a riqueza na mão de um tolo se torna inútil ou destrutiva; e se pode ser má, não é em si mesma nem boa, nem má. A saúde também nem sempre é um bem, já que seu contrário, a doença, pode por vezes levar o homem a valorizar sua vida e tomar ciência de si mesmo. O poder já foi ocasião para a ruína e a destruição de muitos. Um elevado status social pode concorrer para tornar o homem arrogante e cercá-lo de falsos amigos. O prazer também nem sempre é um bem, pois há prazeres que escravizam e destroem os homens. Seu contrário, a dor, nem sempre é um mal, pois às vezes é um meio para se obter algo maior (como o atleta que se submete a um treinamento extenuante para melhorar seu desempenho). E a vida também não é em si mesma um bem ou um mal, pois há ocasiões em que a morte é opção melhor que a vida (como no caso de alguém que, para continuar vivendo, tem que trair seus princípios, sujeitar-se a indignidades, ou compactuar com crimes).” (Dinucci; Taquínio, 2012. p.7)

(os grifos e destaques são meus)

“Mantenha-se firme, mantenha-se Bem” (Sêneca)

Sugestão para aprofundamente da reflexão sobre o tema da "paixões"

Link com a exposição do professor Aldo Dinucci (UFS): "O Estoicismo e a cura das paixões"  https://www.youtube.com/watch?v=lnxfnwMdVmg - 07 de julho de 2020.

__________.

ARRIANO FLÁVIO. O Encheirídion de Epicteto. Edição Bilíngue. Tradução do texto grego e notas Aldo Dinucci; Alfredo Julien. Textos e notas de Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão, SE: Universidade Federal de Sergipe, 2012.

DINUCCI, Aldo; TAQUÍNIO, Antonio. Introdução ao manual de Epicteto. São Cristóvão, SE: Universidade Federal de Sergipe, 2012.

HANH, Thich Nhat. Meditação andando: um para a paz interior. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000.

domingo, 9 de fevereiro de 2020

REFLEXÃO MATINAL LXXV: ANTE AS DIFICULDADES


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Num dia como o de hoje, pela manhã chuvosa tão apazível; numa das pausas na pesquisa, relendo, um excelente artigo que toma como ponto de partida “Diatribes” de Epictetus, dei-me conta da profundidade da reflexão sobre o “Como é preciso enfrentar as dificuldades” (1.24). 

Diz Epicteto: “as dificuldades mostram o que são os homens” (1.24.1).

Está a nos aconselhar, ou seja:

“assim, da mesma forma que, no capítulo 5a do Encheirídion, Epicteto nos diz que a morte não é terrível, mas é terrível a opinião segundo a qual a morte é terrível, aqui nosso estoico nos aconselha a não ver as dificuldades da vida como coisas terríveis, mas como desafios pelos quais podemos mostrar nosso valor. (DINUCCI)”
                                      
Dado estarem algumas coisas sob nosso controle e outras nos fugirem totalmente; a maneira com que encaramos, portanto, as “dificuldades da vida” merecem atenção somente no sentido em que se elas nos aparecem como "obstáculos"; devemos transformá-los em exercícios (aplicação dos princípios) que ao nos testarem, acabam fortalecendo-nos para que os superemos.

Não lamentarmos o que nos ocorre, mas aprendermos. Eis que daí, ao repensar certas afirmações temos avançado. Muito a fazer, mas está dada a largada.

O demais, por ir além de mim, não me está ao alcance.

(Grifos e destaques meus)
______.
DINUCCI, A.; JULIEN, A. O Encheiridion de Epicteto. Coimbra: Imprensa de Coimbra, 2014.
DINUCCI, A. Fragmentos menores de Caio Musônio Rufo; Gaius Musonius Rufus Fragmenta Minora. In: Trans/Form/Ação. vol.35 n.3 Marília, 2012.
______. Diatribes 12 e 13 de Musônio Rufo: Sobre coisas relativas a Afrodite e casamento. In: Revista Crítica Histórica, v. 7, p. 348, 2013. Disponível em: http://www.revista.ufal.br/criticahistorica/index.php?option=com_content&view=article&id=178:diatribes12e13demusoniorufo&catid=87:documentacao&Itemid=63
______. Apresentação e tradução da Diatribe 1.1 de Epicteto. In: Revista ARCHAI. As origens do pensamento ocidental, v. 13, p. 143-157, 2014. Disponível em: http://seer.bce.unb.br/index.php/archai/article/view/11000
______. Apresentação e tradução da Diatribe de Epicteto 1.8. In: Prometeus. Filosofia em Revista, v. 7, p. 289-295, 2014. Disponível em: http://seer.ufs.br/index.php/prometeus/article/view/2845
______. Tradução e comentário à Diatribe de Epicteto 1.2: como manter o caráter próprio em todas as ocasiões. In: Veredas da História, v. 5, p. 197-208, 2012. Disponível em: http://veredasdahistoria.kea.kinghost.net/edicao8/15_TRADUCAO_COMENTADA_197-208.pdf.
______. Introdução ao Manual de Epicteto. 3 ed. São Cristóvão: EdiUFS, 2012.

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

REFLEXÃO MATINAL LI: PAZ E SERENIDADE

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"Quem conhece a si próprio triunfa facilmente de si mesmo."
.'.
(Revue, 1862)
...

Paz e serenidade. Meus grandes temas nas reflexões atuais. Pois que...:

Retraçando de vez um caminho novo, é imperativo "matar o homem velho". As ideias tais como se arregimentam e são defendidas pelos "integrados" afastam-me cada vez cada vez mais ao convívio comigo!

Não há projeto mais digno que ser um Só! 

Nem é novidade que os grandes sempre foram os esquecidos, os enganados, pouco ouvidos, até atacados; mas que fazem muita falta nos dias de hoje. É a esses grandes e seus nobres ideais que me filiei de tempos para cá, ou que a eles retornei ...

Estudar a mente e ação desses gigantes da moral me faz convicto de que não quero mais "ir por aí".

E, aconteça o que acontecer, ideias antigas eu as estraçalhei, com projetos que já eram meus, que até os havia abandonado em favor de influências tacanhas, tão pueris e até más ou inconsequentes. 

Nada de revolução que não esteja fincada num projeto de pura reforma interior.

O Bem! Ah, o Bem!

Preparando um Adeus!

Armando-me do silêncio! Só de coisas elevadas tenho alimentado o Espírito.
______.
E, enquanto treinamos a constância, leiamos:

"Poema Transitório

(...) é preciso partir
é preciso chegar
é preciso partir é preciso chegar...
Ah, como esta vida é urgente!

... no entanto
eu gostava mesmo era de partir...
e - até hoje - quando acaso embarco
para alguma parte
acomodo-me no meu lugar
fecho os olhos e sonho:
viajar, viajar
mas para parte nenhuma...
viajar indefinidamente...
como uma nave espacial perdida entre as estrelas."

(Mario Quintana)
....

terça-feira, 5 de março de 2019

MEDITAÇÃO RETROSPECTIVA NOTURNA III

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Tenho anotado aqui, para exclusivo aprimoramento pessoal; reflexões que tenho feito a respeito de progresso individual; conhecimento e cuidado de si (num enfoque à maneira da "Inner citadel" de Marco Aurélio); ou como "local of control".
E, nesse sentido, não faz muito tempo tenho estudado mais detidamente a filosofia estoica, com objetivos exclusivamente autoeducativos ... de mim para mim.
E, tendo lido, relido e agora estudando atentamente o Encheirídion, traduzido pelo prof. Aldo Dinucci, uma espécie de “Manual de bolso” que teria sido elaborado pelo aluno de Epictetus, Flávio Arriano, a partir das Diatribes, aulas que teria assistido, portanto, e que resultaram no Encheirídion. Dessa Filosofia estoica, tenho anotado aqui, nesse blog, a relação com as ideias de Sócrates.
Aqui, uma reflexão sobre uma postura “existencial”, em certa medida, na contramão da visão dos que se impressionam em ver alguém trabalhando duramente para fugir das convenções e buscando algo muito elevado:  

“[13.1] Εἰ προκόψαι θέλεις, ὑπόμεινον ἕνεκα τῶν ἐκτὸς ἀνόητος δόξας καὶ ἠλίθιος, μηδὲν βούλου δοκεῖν ἐπίστασθαι· κἂν δόξῃς τις εἶναί τισιν, ἀπίστει σεαυτῷ. ἴσθι γὰρ ὅτι οὐ ῥᾴδιον τὴν προαίρεσιν τὴν σεαυτοῦ κατὰ φύσιν ἔχουσαν φυλάξαι καὶ τὰ ἐκτός, ἀλλὰ ἀνάγκη τοῦ ἑτέρου ἐπιμελούμενον τοῦ ἑτέρου ἀμελῆσαι.”

“[13] Se queres progredir, conforma-te em parecer insensato e tolo quanto às coisas exteriores.  Não pretendas parecer saber coisa alguma. E caso pareceres ser alguém <importante> para alguns, desconfia de ti mesmo, pois sabe que não é fácil guardar a tua escolha, mantendo-a segundo a natureza, e, <ao mesmo tempo>, as coisas exteriores, mas necessariamente quem cuida de uma descuida da outra.”

Valorizar em excesso as coisas exteriores é mesmo, perda de precioso tempo...

______.
ARRIANO FLÁVIO. O Encheirídion de Epicteto. Edição Bilíngue. Tradução do texto grego e notas Aldo Dinucci; Alfredo Julien. Textos e notas de Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão. Universidade Federal de Sergipe, 2012).

EPICTETO. Entretiens. Livre I. Trad. Joseph Souilhé. Paris: Les Belles Lettres, 1956.

______. Epictetus Discourses. Book I. Trad. Dobbin. Oxford: Clarendon, 2008.

______. O Encheirídion de Epicteto. Trad. Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão: EdiUFS, 2012. (Edição Bilíngue).

______. Testemunhos e Fragmentos. Trad. Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão: EdiUFS, 2008.

______. The Discourses of Epictetus as reported by Arrian; fragments: Encheiridion. Trad. Oldfather. Harvard: Loeb, 1928.  https://www.loebclassics.com/

GAZOLLA, Rachel.  O ofício do filósofo estóico: o duplo registro do discurso da Stoa, Loyola, São Paulo, 1999.

HADOT, Pierre. The inner citadel: the meditations of Marcus Aurelius. London: Harvard University Press, 2001.


HANH, Thich Nhat. Meditação andando: guia para a paz interior. 21. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000.

REFLEXÃO MATINAL CXL: SOBRE O SENTIDO DA VIDA (X)

    R ecentemente tive acesso ao pensamento desse autor: Rudolf Christph Eucken, estou lendo esses dois livro citados dele. Seu p ensamento ...