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sexta-feira, 13 de setembro de 2019

MEDITAÇÃO RETROSPECTIVA NOTURNA XVII: AINDA SOBRE FUNDAMENTOS


Foto
(IMAGEM: "Pinterest")



Põe-te a pensar...:


"Homens, a escola de um filósofo é um hospital - você não deveria sair sentindo prazer, mas dor, porque não estão bem quando entram." (Epictetus)



O ser humano é dotado de força suficiente para manter uma vida com coesão e serenidade, em qualquer situação com que se depare na vida. Se, é certo, souber perseverar no exercício da atenção [prosokhe] e, acima de tudo, dedicar-se às próprias aptidões. O desafio maior: empenhar-se em jamais desviar-se para atividades que estejam fora de seu alcance, ou seja, estar atento à essas aptidões, focar nelas.

“Nem gemerás, nem censurarás, nem adularás a ninguém” (EPICTETO, D. I, 1).

Para os estóicos, o instante, espaço do sempre tempo, sem tempo, é a ocasião, o ensejo oportuno para acolhimento do Ser, e alguém que esteja aprendendo filosofia estóica, estará exercitando-se na arte de conciliar dois dos nossos mais terríveis adversários.

Por um lado, os caprichos pessoais; por outro a vida como é; isso resultaria em ausência de perturbações (ataraxia). Ora, o equilíbrio decorreria de uma harmonia com a natureza. E, tal harmonia é alcançada por alguém que atinja a compreensão de que tudo o que nos ocorre que não seja da nossa alçada, é da alçada de uma "vontade maior". 

Portanto, é tarefa do prokopton, como temos estudado aqui: colocar-se em harmonia com as leis naturais

Epicteto encontra no coração humano aquilo que, mais tarde, Pierre Hadot chama de “cidadela interior”. Inatingível, num estágio avançado, por forças externas, o coração humano não pode ser determinado do exterior para o interior, pelo contrário, está no interior a fonte da determinação da serenidade.
______.

CÍCERO. Sobre o Destino. São Paulo: Editora Nova Alexandria, 2001.
DINUCCI, A.; JULIEN, A. O Encheiridion de Epicteto. Coimbra: Imprensa de Coimbra, 2014.
EPICTETO. Enquiridión. Barcelona: Editora Anthropos, 1991. (Edição bilíngüe, grego espanhol).
EPICTETO. Entretiens. Livre I, II, III, IV. Trad. Joseph Souilhé. Paris: Les Belles Lettres, 1956.
______. Epictetus Discourses. Book I. Trad. Dobbin. Oxford: Clarendon, 2008.
______. O Encheirídion de Epicteto. Trad. Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão: EdiUFS, 2012. (Edição Bilíngue)
______. Testemunhos e Fragmentos. Trad. Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão: EdiUFS, 2008.
EPICTETUS. The Discourses of Epictetus as reported by Arrian; fragments; Encheiridion. Trad. Oldfather. Harvard: Loeb, 1928.  https://www.loebclassics.com/
HADOT, Pierre. The inner citadel: the meditations of Marcus Aurelius. London: Harvard University Press, 2001.
HADOT, Pierre. Manuel d’Épictète. Paris : Editora Librarie Générale Française, 2000.
MARCO AURÉLIO. Meditações. São Paulo: Abril Cultural, 1973. (Livro II. 1)
MARC AURELE, Pensées. Paris: Editora Les Belles Lettres, 1925. JAGU, Armand. Épictète et Platon. Paris: Vrin, 1946.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

MEDITAÇÃO RETROSPECTIVA NOTURNA XVI: REEDUCAR-SE INTERNAMENTE



Uma paisagem possível.
(IMAGEM: "Pinterest")

"Ou a dor é um mal para o corpo: então que este o diga. Ou é um mal para a alma: mas à alma é permitido conservar a própria serenidade e não admitir que seja um mal — porque raciocínio, tendência, desejo e aversão residem em nós mesmos, e nenhum mal nos atinge."
(MARCO AURÉLIO. Meditações. VIII : 28)

Texto do Imperador filósofo com profunda influência de Epicteto.

Prossigo aqui, fugindo de discursos, com a leitura das poucas obras escolhidas para orientar-me os passos na caminhada. A obra dos estoicos, tenho dito, firmou-se há algum tempo nesse conjunto com um único objetivo: alcançar a imperturbável paz de espírito (ataraxia). Por serenidade se esforça por aqui!

Esforço e prática constantes na condução dos estudos para, cada vez mais internalizar a convicção de que a real felicidade depende de uma escolha nossa, jamais de coisas externas. Dos acontecimentos externos, quase nada está sob nosso controle, portanto, nas adversidades, devido à não disciplina em termos de prosoché, afastamo-nos da Lei natural e adotamos julgamentos bastante equivocados sobre os eventos à nossa volta.

Como profilaxia, portanto, intensificamos os treinos e esforços, há muito iniciados por serem necessários na retomada da direção, do retorno à Lei. Só assim volveremos às bases mais sólidas para reformulação do nosso comportamento e, como consequência, qualificarmos nossos hábitos. Sempre atentos e vigilantes, um Prokopton sabe o que quer fazer a cada instante e, compreende o que está sob seu controle e o que não está. Viverá, assim, sua vida: tranquilamente. 

Ademais quem se pretenda dedicar a esse roteiro, fácil será perceber desde que se decida, que o homem é infeliz à medida que se empenha tresloucadamente na conquista de bens exteriores, que não pode alcançar e por fugir cegamente de “males” que são naturalmente inevitáveis.

Segundo os estoicos, de quem estamos seguindo as leituras, é necessário uma mudança no modo de olhar o mundo e as ações, uma conversão: metanoia. O caminho é reeducar-se cada ser humano na busca do Bem que está ao seu alcance para que, daí descubra que o que lhe sucede não é necessariamente um mal a paralisá-lo. Haverá o que lhe foge ao controle e por isso, o esforço no que está sob seu controle, o interior, é o que deve fazer todos os dias; incessantemente.

­­­______.
DINUCCI, A.; JULIEN, A. O Encheiridion de Epicteto. Coimbra: Imprensa de Coimbra, 2014.

EPICTETO. Entretiens. Livre I, II, III, IV. Trad. Joseph Souilhé. Paris: Les Belles Lettres, 1956.

______. Epictetus Discourses. Book I. Trad. Dobbin. Oxford: Clarendon, 2008.

______. O Encheirídion de Epicteto. Trad. Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão: EdiUFS, 2012. (Edição Bilíngue)

______. Testemunhos e Fragmentos. Trad. Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão: EdiUFS, 2008.

EPICTETUS. The Discourses of Epictetus as reported by Arrian; fragments; Encheiridion. Trad. Oldfather. Harvard: Loeb, 1928.  https://www.loebclassics.com/

HADOT, Pierre. The inner citadel: the meditations of Marcus Aurelius. London: Harvard University Press, 2001.

MARCO AURÉLIO. Meditações. São Paulo: Abril Cultural, 1973. (Livro II. 1)

PRITCHARD, M. “Philosophy for Children”. Stanford Encyclopedia of Philosophy, 2002. Acessado em 19 de agosto de 2016; Fonte: http://plato.stanford.edu/entries/children/ .

SÉNECA, Lúcio Aneu. Cartas a Lucílio. 5. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbekian, 2014.


terça-feira, 20 de agosto de 2019

MEDITAÇÃO RETROSPECTIVA NOTURNA XIV: AINDA A "CIDADELA INTERIOR"

Thompson Park in Upper Arlington, Ohio.  I have photographed this scene the past three years.  This is the 2013 version.































Passeia sozinho, conversa contigo mesmo”
(EPICTETUS, Diatribes, III, 14, 1)


Há momentos que, na vida, passamos em revista todo o nosso esforço em fazer a coisa certa, a escolha certa; a melhor tomada de decisão. Tudo em função do presente caótico que se nos afigura catastroficamente. Mas, nada de desânimo, portanto, se por outro lado, é o momento de recomeços, já em andamento.

As más notícias, as más surpresas nos dão força e nos colocam na direção da tão almejada “tranquilidade” (apatheia), e a mais "imperturbável paz de espírito” (ataraxia)

Antes, portanto, é mais um momento de refletirmos estoicamente... ou, no mínimo, sermos coerentes na caminhada, digna e solitária caminhada. 

Pois:

“[1.1] Das coisas existentes, algumas são encargos nossos; outras não. São encargos nossos o juízo, o impulso, o desejo, a repulsa – em suma: tudo quanto seja ação nossa. Não são encargos nossos o corpo, as posses, a reputação, os cargos públicos – em suma: tudo quanto não seja ação nossa. [1.2] Por natureza, as coisas que são encargos nossos são livres, desobstruídas, sem entraves. As que não são encargos nossos são débeis, escravas, obstruídas, de outrem. [1.3] Lembra então que, se pensares livres as coisas escravas por natureza e tuas as de outrem, tu te farás entraves, tu te afligirás, tu te inquietarás, censurarás tanto os deuses como os homens. Mas se pensares teu unicamente o que é teu, e o que é de outrem, como o é, de outrem, ninguém jamais te constrangerá, ninguém te fará obstáculos, não censurarás ninguém, nem acusarás quem quer que seja, de modo algum agirás constrangido, ninguém te causará dano, não terás inimigos, pois não serás persuadido em relação a nada nocivo. [1.4] Então, almejando coisas de tamanha importância, lembra que é preciso que não te empenhes de modo comedido, mas que abandones completamente algumas coisas e, por ora, deixes outras para depois. Mas se quiseres aquelas coisas e também ter cargos e ser rico, talvez não obtenhas estas duas últimas, por também buscar as primeiras, e absolutamente não atingirás aquelas coisas por meio das quais unicamente resultam a liberdade e a felicidade. [1.5] Então pratica dizer prontamente a toda representação bruta: ‘És representação e de modo algum <és> o que se afigura’. Em seguida, examina-a e testa-a com essas mesmas regras que possuis, em primeiro lugar e principalmente se é sobre coisas que são encargos nossos ou não. E caso esteja entre as coisas que não sejam encargos nossos, tem à mão que: ‘Nada é para mim’ ”. 

É nesse sentido que já diziam os estoicos que não devemos deixar que a nossa felicidade dependa de coisas externas. 

Acontecimentos externos não estão sob nosso controle. 

A maneira como reagimos à adversidade é uma escolha nossa, e depende do nosso julgamento em relação aos eventos. Exercício e esforço nesta direção dão-nos uma poderosa base para o nosso comportamento, para qualificarmos nossos hábitos (ethos).

“Pois quando uma vez você concebe um desejo por dinheiro, se a razão for aplicada para trazer a você para a concepção de um mal, tanto as paixões se acalmam quanto o princípio governante [razão] é restaurado à sua autoridade original.” (EPICTETO. Diatribes. Livro II. XVIII.8)

Só se é prejudicado, na verdade, por acontecimentos externos se se acredita que estes possam nos atingir. 

Devemos nos lembrar sempre do que é realmente um bem ou um mal para nós; sermos o próprio personagem das nossas ações.

“Muito bem, então, se o julgamento do homem determina todas as coisas [no campo da ação], e se um homem tem maus julgamentos, qualquer que seja a causa será também a consequência.” (EPICTETO. Diatribes. Livro II. XVIII.8)

O que Epicteto e os estóicos propõem, então, é que sejamos gratos por qualquer pequena coisa que tenhamos e lembrarmos que há situações em que poderíamos estar piores do que a que estamos hoje. 

Devemos nos ocupar, no entanto, em transformar nossos dias em oportunidade de trabalho pessoal na busca por virtudes. O único dano real que podemos enfrentar será consequência de escolhermos mal, optarmos por algo que não esteja sob nosso controle. 

Portanto, em definitivo, a estratégia é compreendermos as coisas pelo que elas realmente são, construirmos nosso caráter nessa direção; único caminho verdadeiro, todo o resto são apenas apetrechos e decorações; grandes ilusões que não podem, definitivamente, enganar o mais importante juiz: nós mesmos.



______.
ARRIANO FLÁVIO. O Encheirídion de Epicteto. Edição Bilíngue. Tradução do texto grego e notas Aldo Dinucci; Alfredo Julien. Textos e notas de Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão. Universidade Federal de Sergipe, 2012).

EPICTETO. Entretiens. Livre I, II, III, IV. Trad. Joseph Souilhé. Paris: Les Belles Lettres, 1956.

______. Epictetus Discourses. Book I. Trad. Dobbin. Oxford: Clarendon, 2008.

______. O Encheirídion de Epicteto. Trad. Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão: EdiUFS, 2012. (Edição Bilíngue)

______. Testemunhos e Fragmentos. Trad. Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão: EdiUFS, 2008.

______. The Discourses of Epictetus as reported by Arrian; fragments: Encheiridion. Trad. Oldfather. Harvard: Loeb, 1928.  https://www.loebclassics.com/.






domingo, 21 de abril de 2019

REFLEXÃO MATINAL XXXIV: "LOCAL OF CONTROL"


Belezas da vida
(fonte da IMAGEM: Pinterest)
(texto em construção)

Ainda na esteira das reflexões “de si para si”, que é o que realmente importa, faço mais um registro entre os que se somam e serão reunidos, oportunamente. Para uso futuro. Afastarmo-nos da Lei, dando crédito a falsos juízos, isso é o que nos faz infelizes.

O filósofo estoico Epicteto propõe, como tenho percebido nas meditações por aqui, como um primeiro passo o afastamento dos falsos juízos. A proposta de Epicteto está bem próxima da que tinha sido apresentada por Sócrates. Uma "vida examinada" e orientada por filosofia, como para Sócrates, também para Epicteto faria com que compreendêssemos essa Lei e nos tiraria da ignorância, além disso, nos colocaria na esteira de dois princípios estoicos fundamentais que devem já formar a base sólida para enfrentar-se. 
A saber:

  • a tranquilidade (apatheia),
  • a imperturbável paz de espírito (ataraxia).

Destaco, como tenho feito aqui, em outros escritos, nesse blog, algumas dicas de Epicteto. Antes, porém, faço breve menção a um texto de Agostinho de Hipona, bem próximo da reflexão que inicio e, em seguida acrescento ainda, outras citações para reflexão matinal, num esforço meramente pessoal de, na tentativa de afastar-me dos falsos juízos, tomando tal embate como exercícios na aplicação dos Theoremata (Encheridion, 51).

Lemos em Agostinho que:

"Os homens saem para fazer passeios, a fim de admirar o alto dos montes, o ruído incessante dos mares, o belo e ininterrupto curso dos rios, os majestosos movimentos dos astros. E, no entanto, passam ao largo de si mesmos. Não se arriscam na aventura de um passeio interior”. 


Enquanto Marco Aurélio, nos dizia, nas suas Meditações “de si para si”:

3. Os homens procuram retiros, campos, praias, montanhas; também tu te habituaste a desejar com ardor tais asilos. Mas é coisa insensata — porque, a qualquer hora, podes retirar-te em ti mesmo. Com efeito, retiro algum é tão repousante para o homem como o que encontra na própria alma, sobretudo se nela encerra essas verdades que, apenas aprofundadas, nos conferem quietação absoluta; e, dizendo “quietação”, entendo equilíbrio perfeito da alma. Oferece, pois, a ti mesmo constantemente esse retiro e renova-te aí. Nele deves encontrar as máximas breves e fundamentais que, apenas achadas, bastarão para afugentar da tua alma todas as lutas e para te devolver, isento de amargura, à vida onde de novo vais entrar. Porque, afinal, o que provocou a tua amargura? A maldade humana? Medita estas verdades: os seres racionais nasceram uns para os outros; suportarmo-nos mutuamente é uma parte da justiça; os erros são involuntários e todos os que outrora brigaram, desconfiaram uns dos outros, se odiaram, se disputaram, foram vencidos pela morte, que os reduziu a cinzas. Deixa, pois, de sofrer por tais motivos.
Será contra o teu destino, marcado pela natureza universal, que tens amargura? Repete a ti mesmo este dilema: ou uma Providência ou átomos apenas, e tantas provas de que o mundo é semelhante a uma cidade. As sensações corpóreas têm ainda influência sobre ti? Lembra-te de que o pensamento não participa dos movimentos suaves ou rudes da respiração desde que tomou posse de si mesmo e reconheceu a própria essência; e lembra-te igualmente de todos os ensinamentos que ouviste e aceitaste relativos à dor e ao prazer. — É a gloríola que te agita? Considera o esquecimento rápido de tudo, o abismo de tempo que se estende para trás e para diante de ti, a vaidade desse ruído em volta do teu nome, a inconstância e a incompetência dos que parecem elogiar-te e a exiguidade do espaço em que a tua fama se encerra: porque a Terra inteira é um ponto apenas — e que parcela ínfima o pequeno canto que habitamos e, aí, quantos homens (e que homens) te hão de louvar!
Resta-te, pois, o retiro que te oferece a tua alma. E, sobretudo, não te oponhas: mas sê livre e encara as coisas como criatura viril, humana, como um cidadão e um mortal. E, entre os teus pensamentos habituais, coloca estas duas verdades: primeiro, que as coisas não tocam na alma, mas ficam imóveis e fora dela, e que as perturbações da alma nascem apenas da opinião interior que nela se forma sobre as coisas; — segundo, que todos os objetos que vês serão em breve transformados e deixarão de existir; pensa constantemente nas inúmeras transformações a que já assististe: o mundo é uma contínua mudança e a vida, apenas opinião.

Portanto, o que nos fará realmente Bem é buscarmos o retiro que ofereça tranquilidade (apatheia) e imperturbável paz de espírito (ataraxia).

Para isso:

“12. É preciso que estejas prevenido sempre para estas duas coisas: primeiro, fazer unicamente o que te inspirar a tua faculdade soberana e legisladora para o bem comum; segundo, mudar de procedimento se alguém te corrigir de um erro e te fizer renunciar a uma opinião, sendo porém necessário que essa mudança proceda sempre de um motivo decisivo — por exemplo, de justiça ou de interesse geral e outras coisas análogas, e nunca da esperança em prazeres ou glórias.

13. Possues a razão? — Sim. — Então por que não te serves dela? Se é o que deve ser, que mais queres?

Bem próximo do que também disse Musônio Rufus:

"Devemos viver como médicos, tratando a nós mesmos com a razão, contra os males de não usá-la.”

Encerro com uma última citação de Marco Aurélio:

17. Não vivas como se devesses viver milhares de anos. Pende sobre ti o inevitável: enquanto vives, enquanto podes, torna-te homem de bem.”

______.

AGOSTINHO de HIPONA (354 - 430). "Confissões". Livro X...
DINUCCI, A.; JULIEN, A. O Encheiridion de Epicteto. Coimbra: Imprensa de Coimbra, 2014.
EPICTETO. Entretiens. Livre I. Trad. Joseph Souilhé. Paris: Les Belles Lettres, 1956.
______. Epictetus Discourses. Book I. Trad. Dobbin. Oxford: Clarendon, 2008.
______. O Encheirídion de Epicteto. Trad. Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão: EdiUFS, 2012. (Edição Bilíngue)
______. Testemunhos e Fragmentos. Trad. Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão: EdiUFS, 2008.
EPICTETUS. The Discourses of Epictetus as reported by Arrian; fragments; Encheiridion. Trad. Oldfather. Harvard: Loeb, 1928.  https://www.loebclassics.com/
HADOT, Pierre. The inner citadel: the meditations of Marcus Aurelius. London: Harvard University Press, 2001.
King, C. Musonius Rufus: Lectures and Sayings. CreateSpace Independent Publishing Platform, 2011.
LONG, Georg. Discourses of Epictetus, with Encheiridion and fragments. Londres: Georg Bell and sons, 1890.
LONG, A. A. How to be free. Princeton, New Jersey:  Princeton University Press, 2018.
______. Epictetus: a stoic and socratic guide to life. New York: Oxford University Press. 2007.
Lutz, C. Musonius Rufus: the Roman Socrates. Yale Classical Studies 10 3-147, 1947.
Pritchard, M. “Philosophy for Children”. Stanford Encyclopedia of Philosophy, 2002. Acessado em 19 de agosto de 2016; fonte: http://plato.stanford.edu/entries/children/ .
MARCO AURÉLIO. Meditações, IV : 3, 12, 13 e 17. (tradução de Virgínia de Castro e Almeida)
SÉNECA, Lúcio Aneu. Cartas a Lucílio. 5. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbekian, 2014.

 


quinta-feira, 18 de abril de 2019

BUSCAR O MELHOR É SÓ UM DEVER

peace

(IMAGEM: Pinterest)


Marquinhos

“Passeia sozinho, conversa contigo mesmo”
(EPICTETUS, Diatribes, III, 14, 1)


Ainda "medito andando" e decidi, há algum tempo, como tenho registrado aqui nesse blog, aprofundar lenta e sistematicamente à medida que se desenvolve, a intensa busca por "eustatheia" (tranquilidade) e "euthymia" (crença em si). 

Estabelecido, desde o início, como projeto de ‘”passar em revista” e corrigir, os velhos hábitos. Retomado, persisto e prossigo o conselho sugerido por filósofos estóicos como especificamente Sêneca, Epictetus, Musônius e Marco Aurélio. A estes acrescento, na medida da necessidade de aprendizagem constante, outros, entre os clássicos que me forem surgindo ou sugeridos.

Para isso, como sugerem os estóicos, adotei pelas manhãs a reflexão matinal e à noite, a meditação retrospectiva noturna. A essa metodologia acrescento as caminhadas, a “meditação andado”, de Thich Nhat Hahn.

No entanto, como se pode notar, o objetivo não é o de exercitar o corpo. Não!

É momento importante de, após tanto trabalho, dificuldades, insucessos, tudo parecendo obstáculos insuperáveis, faço o caminho inverso, de resistência verdadeira, construtiva, constituinte de um novo posicionamento existencial. Um retumbante “não” à amargura e à incredulidade.

Isso o que me levou, nessa trajetória, a refletir em oposição a certos hábitos antigos, posso expressar nessa frase dita pelo imperador e filósofo estóico, Marco Aurélio:

"Meu único medo é fazer algo contrário à natureza humana ;  a coisa errada, do jeito errado, ou no momento errado." (Meditações. VII . 20)

Ademais, percebi o quanto é mais saudável, ainda que as mazelas do corpo persistam e, por vezes, saírem, de certa forma, vencedoras e maceram a alma. Não! Estabeleci que é essa última que deve, de uma vez por todas assumir o controle da existência e, independentemente das agruras. Sobre tal resolução, andei pensando bastante na frase abaixo, de Sêneca, outro estóico:

“Recolhe-te a estas coisas mais tranquilas, mais seguras, melhores! [...] elevar-se às coisas sagradas e sublimes para conhecer qual é a substância de Deus, seu prazer, sua condição, sua forma, que destino guarda a tua alma, que lugar a Natureza nos destina após nos separarmos do corpo [...].” (SÊNECA. Sobre a brevidade da vida, XIX, 1).

Será fácil e recorrente o desejo de desistir; dado o não reconhecimento imediato e os resultados não estarem associados aos aplausos da multidão. Mesmo assim, estar só é o recomendável, nesse empreendimento.

______.
DINUCCI, A.; JULIEN, A. O Encheiridion de Epicteto. Coimbra: Imprensa de Coimbra, 2014.

EPICTETO. Entretiens. Livre I, II, III, IV. Trad. Joseph Souilhé. Paris: Les Belles Lettres, 1956.

______. Epictetus Discourses. Book I. Trad. Dobbin. Oxford: Clarendon, 2008.

______. O Encheirídion de Epicteto. Trad. Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão: EdiUFS, 2012. (Edição Bilíngue)

______. Testemunhos e Fragmentos. Trad. Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão: EdiUFS, 2008.

EPICTETUS. The Discourses of Epictetus as reported by Arrian; fragments; Encheiridion. Trad. Oldfather. Harvard: Loeb, 1928.  https://www.loebclassics.com/

HADOT, Pierre. The inner citadel: the meditations of Marcus Aurelius. London: Harvard University Press, 2001.

MARCO AURÉLIO. Meditações. São Paulo: Abril Cultural, 1973. (Livro II. 1)

PRITCHARD, M. “Philosophy for Children”. Stanford Encyclopedia of Philosophy, 2002. Acessado em 19 de agosto de 2016;
Fonte: http://plato.stanford.edu/entries/children/ .

SÉNECA, Lúcio Aneu. Sobrea brevidade da vida. Porto Alegre, RS: L&PM, 2007.



domingo, 9 de dezembro de 2018

REFLEXÃO MATINAL XIV




A imagem pode conter: céu, nuvem, árvore, grama, atividades ao ar livre e natureza

VISÃO DE MUNDO

À medida que prossigo com a leitura dos textos produzidos pelos estoicos percebo uma abordagem mais focada na reflexão com fins práticos, para aplicação na vida cotidiana dos resultados a que se chegou refletindo. Inegável a profundidade dos estoicos em temas mais voltados à ação do que à teoria do conhecimento e outros assuntos
Mais evidente ainda é que a atividade teórica dos estoicos está sempre situada numa abordagem que diverge profundamente da maneira com que se tem defendido o que seja a Filosofia atualmente, por exemplo.
Ora, desde Sócrates, portanto, levar a cabo uma atividade filosófica exige do seu praticante uma opção por um determinado “modo de viver” que está situado desde o início da atividade filosófica, sem foco inicial num objetivo a ser alcançado, pelo contrário, uma visão de mundo já está na base da escolha de determinado “modo de viver” em oposição a outras formas de agir e é esta que determina e dá os contornos daquilo que pretende ensinar e como vai ensinar.
Tomada a decisão, escolhido o caminho, tendo como ponto de partida uma tal "visão de mundo" a orientar cada passo;  com "eustatheia" (tranquilidade) e "euthymia" (crença em si) prossigamos como sugerem os estoicos, neste caso: Epictetus.

"Pergunte-se o seguinte no início da manhã:

O que está faltando para que eu me liberte da paixão?
E para alcançar a tranquilidade?
O que sou eu? 
Um corpo, um dono de propriedades ou uma reputação?
Nenhuma dessas coisas. 
O que, então? 
Um ser racional. 
O que, então, é exigido de mim? 
Meditar sobre as minhas ações.
Como eu me afastei da serenidade? 
O que eu fiz de hostil, indiferente e não-social?
O que eu falhei em fazer em todos esses momentos?" - (Epictetus).

______.
PS:

* "908. Como se poderá determinar o limite onde as paixões deixam de ser boas para se tornarem más?


“As paixões são como um corcel, que só tem utilidade quando governado, e que se torna perigoso quando passa a governar. Uma paixão se torna perigosa a partir do momento em que deixais de poder governá-la, e que dá em resultado um prejuízo qualquer para vós mesmos ou para outrem.”




...
* (KARDEC, Allan. O livro dos Espíritos. 93. ed. 1. reimpressão. (edição histórica). Brasília: FEB, 2013)

 III SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE FILOSOFIA – MEMÓRIA E FINITUDE - UFMG

Ao mesmo tempo em que estou relendo bastante sobre o tema "Finitude" em filosofia, soube da realização desse Seminário sobre ...