Aproveitando uma Pausa na Oficina:
Aproveitando para encerrar leituras interrompidas destes dois lançamentos recentes. Tenho em mãos, mais uma vez, e desde que saíram, a 2ª edição do “Herança dos filósofos medievais” (Miguel Spinelli, 2025), e a 3ª edição revista e ampliada de "Idade Média: o nascimento do ocidente" (Hilário Franco Júnior, 2025). Os dois publicados pela Editora Madamu (SP).
E, como sempre, prosseguindo com leituras do tema principal:
Dado o percurso que iniciei há alguns anos, hoje retornando às referências básicas que estou sempre estudando para as pesquisas aqui, acrescentei o artigo do prof. Lionel Ribeiro dos Santos, às obras que fazem parte das leituras diárias e que passaram a fazer parte das minhas leituras frequentes. De grande utilidade para a pesquisa, em andamento; o texto traz uma reflexão e apontamentos fundamentais além de importante bibliografia, algumas já acrescentadas às minhas leituras e outras a serem lidas o mais breve possível.
Aqui, no seu artigo, o prof. Leonel faz uma reflexão sobre “herança kantiana” abordando um “confronto” da ética kantiana a partir do cristianismo com éticas antigas. Para mim, especificamente, a contribuição é de extrema importância por estar ao mesmo tempo estudando alguns autores estóicos, principalmente Epicteto, Marco Aurélio e Sêneca.
Adicionei abaixo o link do artigo, mais referência e prossigo estudando:
“Kant, sua interpretação moral do Cristianismo e raízes bíblico-cristãs da sua ética
Resumo: O assunto de que se trata neste ensaio situa-se na confluência entre a filosofia moral e a filosofia da religião de Kant, uma zona de coabitação problemática ou, antes, uma zona de passagens e de tensões, que muito raramente é visitada. E, todavia, da sua abordagem podem resultar importantes clarificações para pontos fulcrais nomeadamente da ética kantiana. Começa-se por considerar alguns problemas de método a respeito do assunto do ensaio e das dificuldades que o envolvem e se passa, depois, a abordar a interpretação que Kant faz da ética cristã no confronto com outros sistemas éticos da Antiguidade (nomeadamente o Estoicismo e o Epicurismo), apontando à explícita inspiração bíblico-cristã de tópicos essenciais da ética kantiana. De seguida, esclarece-se a interpretação kantiana do Cristianismo como religião moral e natural e a suposta complementaridade entre moral e religião, segundo o entendimento do filósofo, passando, após, à explicitação do pressuposto geral que preside à hermenêutica bíblicoteológica kantiana: a razão como supremo exegeta e o princípio da moralidade como o seu supremo critério. Conclui-se com um breve apontamento sobre uma inesperada, muito relevante e ainda recente reabilitação do filósofo da razão pura como qualificado intérprete do mais genuíno significado humano, moral e histórico do Cristianismo.”
Link do artigo:
SANTOS, Leonel Ribeiro dos. Kant, sua interpretação moral do Cristianismo e raízes bíblico-cristãs da sua ética. Conjectura: filos. e Educ. [online]. 2017, vol.22, n.2, pp.226-278. ISSN 2178-4612. Disponível em: http://educa.fcc.org.br/pdf/conjectura/v22n2/2178-4612-conjectura-22-02-00226.pdf . Acesso em: 15.05.2026.
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