domingo, 12 de novembro de 2017

APONTAMENTOS SOBRE PROGRESSO DO ESPÍRITO: FILOSOFIA, METAFÍSICA E HISTÓRIA EM KANT

 

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DESENVOLVENDO...

 

I. INTRODUÇÃO AO TEMA

"Diferentes ordens de Espíritos

96. São iguais os Espíritos, ou há entre eles qualquer hierarquia?

“São de diferentes ordens, conforme o grau de perfeição que tenham alcançado.”

97. As ordens ou graus de perfeição dos Espíritos são em número determinado?

“São ilimitadas em número, porque entre elas não há linhas de demarcação traçadas como barreiras, de sorte que as divisões podem ser multiplicadas ou restringidas livremente. Todavia, considerando-se os caracteres gerais dos Espíritos, elas podem reduzir-se a três principais.

“Na primeira, colocar-se-ão os que atingiram a perfeição: os Espíritos puros. Formam a segunda os que chegaram ao meio da escala: o desejo do bem é sua preocupação. Pertencem à terceira os que ainda se acham na parte inferior da escala: os Espíritos imperfeitos. A ignorância, o desejo do mal e todas as paixões más que lhes retardam o progresso, eis o que os caracteriza.”

98. Os Espíritos da segunda ordem, que desejam apenas o bem, têm o poder de praticá-lo?

“Cada um deles dispõe desse poder, de acordo com o grau de perfeição a que chegou. Assim, uns possuem a ciência, outros a sabedoria e a bondade. Todos, porém, ainda têm que sofrer provas.”

99. Os da terceira ordem são todos essencialmente maus?

“Não; uns há que não fazem nem o mal nem o bem; outros, ao contrário, se comprazem no mal e ficam satisfeitos quando se lhes depara ocasião de praticá-lo. Há também os levianos ou estouvados, mais perturbadores do que malignos, que se comprazem antes na malícia do que na malvadez, e cujo prazer consiste em mistificar e causar pequenas contrariedades, de que se riem.”

Escala espírita

100. Observações preliminares. – A classificação dos Espíritos se baseia no grau de adiantamento deles, nas qualidades que já adquiriram e nas imperfeições de que ainda terão de despojar-se. Essa classificação, aliás, nada tem de absoluta. Apenas no seu conjunto cada categoria apresenta caráter definido. De um grau a outro a transição é insensível, nos limites os matizes se apagam, como nos reinos da Natureza, como nas cores do arco-íris, ou, também, como nos diferentes períodos da vida do homem. Podem, pois, formar-se maior ou menor número de classes, conforme o ponto de vista donde se considere a questão. Dá-se aqui o que se dá com todos os sistemas de classificação científica, que podem ser mais ou menos completos, mais ou menos racionais, mais ou menos cômodos para a compreensão. Sejam, porém, quais forem, em nada alteram o fundo da ciência. Assim, é natural que inquiridos sobre este ponto, hajam os Espíritos divergido quanto ao número das categorias, sem que isso tenha nenhuma conseqüência. Entretanto, não faltou quem se agarrasse a esta contradição aparente, sem refletir que os Espíritos nenhuma importância ligam ao que é puramente convencional. Para eles, o pensamento é tudo. Deixam-nos a nós a forma, a escolha dos termos, as classificações, numa palavra, os sistemas.

Façamos ainda uma consideração que se não deve jamais perder de vista, a de que entre os Espíritos, do mesmo modo que entre os homens, há os muito ignorantes, de maneira que nunca serão demais as cautelas que se tomem contra a tendência a crer que, por serem Espíritos, todos devam saber tudo. Toda classificação exige método, análise e conhecimento aprofundado do assunto. Ora, no mundo dos Espíritos os que possuem limitados conhecimentos são, como os ignorantes deste nosso mundo, inaptos a apreender um conjunto, a formular um sistema. Só muito imperfeitamente percebem ou compreendem uma classificação qualquer. Consideram da primeira ordem todos os Espíritos que lhes são superiores, por não poderem apreciar as gradações de saber, de capacidade e de moralidade que os distinguem, como sucede entre nós a um homem inculto com relação aos civilizados. Mesmo os que sejam capazes de tal apreciação podem divergir quanto aos detalhes, conforme o ponto de vista em que se achem, sobretudo se se trata de uma divisão que nenhum cunho absoluto apresente. Lineu, Jussieu e Tournefort tiveram cada um o seu método, sem que a botânica houvesse em conseqüência experimentado modificação alguma. É que nenhum deles inventou as plantas, nem seus caracteres. Apenas observaram as analogias, segundo as quais formaram os grupos ou classes. Foi assim que também nós procedemos. Não inventamos os Espíritos, nem seus caracteres. Vimos e observamos, julgamo-los pelas suas palavras e atos, depois os classificamos pelas semelhanças, baseando-nos em dados que eles próprios nos forneceram.

Os Espíritos, em geral, admitem três categorias principais, ou três grandes divisões. Na última, a que fica na parte inferior da escala, estão os Espíritos imperfeitos, caracterizados pela predominância da matéria sobre o espírito e pela propensão para o mal. Os da segunda se caracterizam pela predominância do espírito sobre a matéria e pelo desejo do bem: são os Espíritos bons. A primeira, finalmente, compreende os Espíritos puros, os que atingiram o grau supremo de perfeição.

Essa divisão nos pareceu perfeitamente racional e com caracteres bem delimitados. Só nos restava pôr em relevo, mediante subdivisões em número suficiente, os principais matizes do conjunto. Foi o que fizemos, com o concurso dos Espíritos, cujas benévolas instruções jamais nos faltaram.

Com o auxílio desse quadro, fácil será determinar-se a ordem, assim como o grau de superioridade ou de inferioridade dos Espíritos com os quais podemos travar relações e, por conseguinte, o grau de confiança ou de estima que mereçam. É, de certo modo, a chave da ciência espírita, porquanto só ele pode explicar as anomalias que as comunicações apresentam, esclarecendo-nos acerca das desigualdades intelectuais e morais dos Espíritos. Faremos, todavia, notar que eles não ficam pertencendo, exclusivamente, a tal ou tal classe. Sendo sempre gradual o progresso deles e muitas vezes mais acentuado num sentido do que em outro, pode acontecer que reúnam em si os caracteres de várias categorias, o que seus atos e linguagem tornam possível apreciar-se.

Terceira ordem. – Espíritos imperfeitos
101. Características gerais. – Predominância da matéria sobre o espírito. Propensão para o mal. Ignorância, orgulho, egoísmo e todas as paixões que lhes são conseqüentes.

Têm a intuição de Deus, mas não O compreendem.

Nem todos são essencialmente maus. Em alguns há mais leviandade, irreflexão e malícia do que verdadeira maldade. Uns não fazem o bem nem o mal; mas, pelo simples fato de não fazerem o bem, já denotam a sua inferioridade. Outros, ao contrário, se comprazem no mal e rejubilam quando uma ocasião se lhes depara de praticá-lo.

A inteligência pode achar-se neles aliada à maldade ou à malícia; seja, porém, qual for o grau que tenham alcançado de desenvolvimento intelectual, suas idéias são pouco elevadas e mais ou menos abjetos seus sentimentos.

Restritos conhecimentos têm das coisas do mundo espírita e o pouco que sabem se confunde com as idéias e preconceitos da vida corporal. Acerca dessas coisas, não nos podem dar senão noções falsas e incompletas; entretanto, nas suas comunicações, mesmo imperfeitas, o observador atento encontra a confirmação das grandes verdades ensinadas pelos Espíritos superiores.

Na linguagem de que usam se lhes revela o caráter. Todo Espírito que, em suas comunicações, trai um mau pensamento pode ser classificado na terceira ordem. Conseguintemente, todo mau pensamento que nos é sugerido vem de um Espírito desta ordem.

Eles vêem a felicidade dos bons e esse espetáculo lhes constitui incessante tormento, porque os faz experimentar todas as angústias que a inveja e o ciúme podem causar.

Conservam a lembrança e a percepção dos sofrimentos da vida corpórea e essa impressão é muitas vezes mais penosa do que a realidade. Sofrem, pois, verdadeiramente, pelos males de que padeceram em vida e pelos que ocasionaram aos outros. E, como sofrem por longo tempo, julgam que sofrerão para sempre. Deus, para puni-los, quer que assim julguem.

Podem ser divididos em cinco classes principais.

102. Décima classe. Espíritos impuros. – São inclinados ao mal, de que fazem o objeto de suas preocupações. Como Espíritos, dão conselhos pérfidos, sopram a discórdia e a desconfiança e se mascaram de todas as maneiras para melhor enganar. Ligam-se aos homens de caráter bastante fraco para cederem às suas sugestões, a fim de induzi-los à perdição, satisfeitos com o conseguirem retardar-lhes o adiantamento, fazendo-os sucumbir nas provas por que passam.

Nas manifestações dão-se a conhecer pela linguagem. A trivialidade e a grosseria das expressões, nos Espíritos, como nos homens, é sempre indício de inferioridade moral, senão também intelectual. Suas comunicações exprimem a baixeza de seus pendores e, se tentam iludir, falando com sensatez, não conseguem sustentar por muito tempo o papel e acabam sempre por se traírem.

Alguns povos os arvoraram em divindades maléficas; outros os designam pelos nomes de demônios, maus gênios, Espíritos do mal.

Quando encarnados, os seres vivos que eles animam se mostram propensos a todos os vícios gerados pelas paixões vis e degradantes: a sensualidade, a crueldade, a felonia, a hipocrisia, a cupidez, a avareza sórdida. Fazem o mal por prazer, as mais das vezes sem motivo, e, por ódio ao bem, quase sempre escolhem suas vítimas entre as pessoas honestas. São flagelos para a humanidade, pouco importando a categoria social a que pertençam, e o verniz da civilização não os forra ao opróbrio e à ignomínia.

103. Nona classe. Espíritos levianos. – São ignorantes, travessos, irrefletidos e zombeteiros. Metem-se em tudo, a tudo respondem, sem se incomodarem com a verdade. Gostam de causar pequenos desgostos e ligeiras alegrias, de aborrecer, de induzir maliciosamente em erro, por meio de mistificações e de espertezas. A esta classe pertencem os Espíritos vulgarmente tratados de duendes, trasgos, gnomos, diabretes. Acham-se sob a dependência dos Espíritos superiores, que muitas vezes os empregam, como fazemos com os nossos servidores.

Em suas comunicações com os homens, a linguagem de que se servem é, por vezes, espirituosa e faceta, mas quase sempre sem profundidade. Exploram as falhas e o lado ridículo dos homens e da coisas, comentando-os em traços mordazes e satíricos. Se tomam nomes supostos, geralmente é mais por malícia do que por maldade.

104. Oitava classe. Espíritos pseudo-sábios. – Dispõem de conhecimentos bastante amplos, porém, crêem saber mais do que realmente sabem. Tendo realizado alguns progressos sob diversos pontos de vista, a linguagem deles aparenta um cunho de seriedade, de natureza a iludir com respeito às suas capacidades e luzes. Mas, em geral, isso não passa de reflexo dos preconceitos e idéias sistemáticas que nutriam na vida terrena. É uma mistura de algumas verdades com os erros mais absurdos, através dos quais penetram a presunção, o orgulho, o ciúme e a obstinação, de que ainda não puderam despir-se.

105. Sétima classe. Espíritos neutros. – Nem bastante bons para fazerem o bem, nem bastante maus para fazerem o mal. Pendem tanto para um como para o outro e não ultrapassam a condição comum da Humanidade, quer no que concerne ao moral, quer no que toca à inteligência. Apegam-se às coisas deste mundo, de cujas grosseiras alegrias sentem saudades.

106. Sexta classe. Espíritos batedores e perturbadores. – Estes Espíritos, propriamente falando, não formam uma classe distinta pelas suas qualidades pessoais. Podem caber em todas as classes da terceira ordem. Manifestam geralmente sua presença por efeitos sensíveis e físicos, como pancadas, movimento e deslocamento anormal de corpos sólidos, agitação do ar, etc. Afiguram-se, mais do que outros, presos à matéria. Parecem ser os agentes principais das vicissitudes dos elementos do globo, quer atuem sobre o ar, a água, o fogo, os corpos duros, quer nas entranhas da terra. Reconhece-se que esses fenômenos não derivam de uma causa fortuita ou física, quando denotam caráter intencional e inteligente. Todos os Espíritos podem produzir tais fenômenos, mas os de ordem elevada os deixam, de ordinário, como atribuições dos subalternos, mais aptos para as coisas materiais do que para as coisas da inteligência; quando julgam úteis as manifestações desse gênero, lançam mão destes últimos como seus auxiliares.

Segunda ordem. – Espíritos bons

107. Características gerais. – Predominância do espírito sobre a matéria; desejo do bem. Suas qualidades e poderes para o bem estão em relação com o grau de adiantamento que hajam alcançado; uns têm a ciência, outros a sabedoria e a bondade. Os mais adiantados reúnem o saber às qualidades morais. Não estando ainda completamente desmaterializados, conservam mais ou menos, conforme a categoria que ocupem, os traços da existência corporal, assim na forma da linguagem, como nos hábitos, entre os quais se descobrem mesmo algumas de suas manias. De outro modo, seriam Espíritos perfeitos.

Compreendem Deus e o infinito e já gozam da felicidade dos bons. São felizes pelo bem que fazem e pelo mal que impedem. O amor que os une lhes é fonte de inefável ventura, que não tem a perturbá-la nem a inveja, nem os remorsos, nem nenhuma das más paixões que constituem o tormento dos Espíritos imperfeitos. Todos, entretanto, ainda têm que passar por provas, até que atinjam a perfeição absoluta.

Como Espíritos, suscitam bons pensamentos, desviam os homens da senda do mal, protegem na vida os que se lhes mostram dignos de proteção e neutralizam a influência dos Espíritos imperfeitos sobre aqueles a quem não é grato sofrê-la.

Quando encarnados, são bondosos e benevolentes com os seus semelhantes. Não os movem o orgulho, nem o egoísmo, ou a ambição. Não experimentam ódio, rancor, inveja ou ciúme e fazem o bem pelo bem.

A esta ordem pertencem os Espíritos designados, nas crenças vulgares, pelos nomes de bons gênios, gênios protetores, Espíritos do bem. Em épocas de superstições e de ignorância, eles foram elevados à categoria de divindades benfazejas.

Podem ser divididos em quatro grupos principais:

108. Quinta classe. Espíritos benévolos. – A bondade é neles a qualidade dominante. Apraz-lhes prestar serviço aos homens e protegê-los. Limitados, porém, são os seus conhecimentos. Progrediram mais no sentido moral do que no sentido intelectual.

109. Quarta classe. Espíritos de ciência. – Distinguem-se especialmente pela amplitude de seus conhecimentos. Preocupam-se menos com as questões morais, do que com as de natureza científica, para as quais têm maior aptidão. Entretanto, só encaram a Ciência do ponto de vista da sua utilidade e jamais dominados por quaisquer paixões próprias dos Espíritos imperfeitos.

110. Terceira classe. Espíritos de sabedoria. – As qualidades morais da ordem mais elevada são o que os caracteriza. Sem possuírem ilimitados conhecimentos, são dotados de uma capacidade intelectual que lhes faculta juízo reto sobre os homens e as coisas.

111. Segunda classe. Espíritos superiores. – Esses em si reúnem a ciência, a sabedoria e a bondade. A linguagem que empregam só respira benevolência; é invariavelmente digna, elevada e, muitas vezes, sublime. Sua superioridade os torna mais aptos do que os outros a nos darem as mais justas noções sobre as coisas do mundo incorpóreo, dentro dos limites do que é permitido ao homem saber. Comunicam-se de bom grado com os que procuram de boa-fé a verdade e cuja alma já está bastante desprendida das ligações terrenas para compreendê-la. Afastam-se, porém, daqueles a quem só a curiosidade impele, ou que são desviados da prática do bem por influência da matéria. 

Quando, por exceção, encarnam na Terra, é para cumprir missão de progresso e então nos oferecem o tipo da perfeição a que a Humanidade pode aspirar neste mundo.

Primeira ordem. – Espíritos puros

112. Características gerais. – Nenhuma influência da matéria. Superioridade intelectual e moral absoluta, com relação aos Espíritos das outras ordens.

113. Primeira classe. Classe única. – Os Espíritos que a compõem percorreram todos os graus da escala e se despojaram de todas as impurezas da matéria. Tendo alcançado a soma de perfeição de que é suscetível a criatura, não têm mais que sofrer provas, nem expiações. Não estando mais sujeitos à reencarnação em corpos perecíveis, realizam a vida eterna no seio de Deus.

Gozam de inalterável felicidade, porque não se acham submetidos às necessidades, nem às vicissitudes da vida material. Essa felicidade, porém, não é a de ociosidade monótona, a transcorrer em perpétua contemplação. Eles são os mensageiros e os ministros de Deus, cujas ordens executam para a manutenção da harmonia universal. Comandam a todos os Espíritos que lhes são inferiores, auxiliam-nos na obra de seu aperfeiçoamento e lhes designam as suas missões. Assistir os homens nas suas aflições, concitá-los ao bem ou à expiação das faltas que os conservam distanciados da suprema felicidade, constitui para eles ocupação gratíssima. São designados às vezes pelos nomes de anjos, arcanjos ou serafins.

Podem os homens pôr-se em comunicação com eles, mas extremamente presunçoso seria aquele que pretendesse tê-los constantemente às suas ordens."

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II. IMMANUEL KANT

Quase sempre me convenço, sem novidades nem originalidade nisso, de que certas obras são melhor apreendidas quando estudadas detidamente, e por muito tempo. Um bom motivo para publicar estes, lidos há muito tempo, sempre retomados, dado que estudo o autor e agora com muito maior empenho e com desafios ampliados.

Os que adiciono reúnem artigos de Immanuel Kant.  Precisei retornar à leitura de alguns e decidi postar aqui, nesse blog, que criei com esse objetivo: esboçar textos a serem melhor desenvolvidos à medida que a pesquisa for avançando.

Inicialmente, precisei relê-los, a partir de desafios que me foram impostos recentemente, no original inclusive; dessa vez pensando já em compreender melhor o idioma do autor e avançar estudando dessa perspectiva. Bastante surpreso com a releitura de alguns, por exemplo: “Que significa orientar-se no pensamento”?“Começo conjectural da história humana”“O fim de todas as coisas”. 

Os dois últimos, principalmente, com detalhes que só percebi nessa última releitura. Ou seja, como se diz: “Alea jacta est”.

Acrescento ainda "Começo conjectural da história humana": Kant, nesse artigo de 1786 faz um exame sobre a passagem do ser humano de sua natureza puramente animal "estado de rudeza animal" para o "estado de ser racional e social" estabelecendo "[...] que a ruptura entre o instinto e a razão marca o começo da história humana.".

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"[...] Sinceridade mascarada...

"Saber enganar delicadamente passou a compor certa 'science du temps', uma adequada 'sabedoria' à la mode, cujo agente principal se especializa em ser prudente (Nequitia disciplina) e dono de uma malícia instruída e disciplinada; em outras palavras, o hipócrita:

'Eles [os hipócritas] agem como veneno quando entorpecem os sentimentos pelas doçuras, enquanto sua maldade vai secretamente às entranhas e busca as partes mais nobres. Eles nos fazem mal com suas palavras; eles nos servem cicuta numa taça de rubis e esmeraldas; eles nos sufocam sob rosas e pedras preciosas; eles nos matam com espadas douradas; 'sic inventum est aliquando quomodo aurum non ametur'. Eis como o desregramento dos nossos costumes corrompe o uso de todas as coisas'

Conclusão: Desconfiemos, portanto, do exterior."

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Para estudos acrescento uma resenha:

CONCEIÇÃO, Jorge Wanderlei Costa da. Kant y laBiblia: principios kantianos de exégesis bíblica. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/kant/article/view/8672573/31404 . Acesso em: 04 de abril de 2025. 

______.

CUNHA, Bruno. A gênese da ética em Kant. São Paulo: Editora LiberArs, 2017.

DUPLÁ, Leonardo Rodriguez. Mal y la gracia: la religión natural de Kant. Barcelona: Herder; 2019.

KANT, Immanuel. Começo conjectural da história humana. São Paulo: Unesp, 2010. (p.80-81).
______. Ideia de uma história de um ponto de vista cosmopolita. São Paulo: Martins Fontes, 2004.

______. Dissertação de 1770. De mundi sensibilis ataque inteligibilis forma et princípio. Akademie-Ausgabe. Acerca da forma e dos princípios do mundo sensível e inteligível. Trad. apres. e notas de Leonel Ribeiro dos Santos. Lisboa: Imprensa Casa da Moeda. FCSH da Universidade de Lisboa, 1985.

______. Prolegômenos a qualquer metafísica futura que possa apresentar-se como ciência. Trad. José Oscar de Almeida Marques. São Paulo: Estação Liberdade, 2014)

______. Prolegômenos a toda metafísica futura. Lisboa: Edições 70, 1982.

______. Crítica da razão pura. "Do ideal de Sumo Bem como um fundamento determinante do fim último da razão pura. Segunda seção". (A805, 806 - B833, 834). Lisboa: Fundação Calouste Gulbekian, 1994.
______. Crítica da razão pura. Tradução Valerio Rohden e Udo Moosburguer. Coleção Os Pensadores. São Paulo,Abril Cultural, 1983.
______. Crítica da razão pura. 3. ed. Trad. Fernando Costa Matos. Petrópolis, RJ: Vozes; Bragança Paulista, SP: Editora Universitária São Francisco, 2013.

______. Sobre a Pedagogia. Tradução de Francisco Cock Fontenella. Piracicaba, SP: Editora Unimep, 1996.

______. Sobre a Pedagogia. Petrópolis, RJ, Editora Vozes, 2021.

______. Antropologia de um ponto de vista pragmático. Tradução Clélia Aparecida Martins. São Paulo: Iluminuras, 2006.

______. Cursos de Antropologia: a faculdade de conhecer (Excertos). Seleção, tradução e notas de Márcio Suzuki. São Paulo: Editora Clandestina, 2017.

______. Resposta à pergunta: o que é “esclarecimento”?. In: Immanuel Kant textos seletos. Petrópolis, RJ: Vozes, 1985.

______. Lições de ética. Trad. Bruno Cunha e Charles Fedhaus. São Paulo: Editora Unesp, 2018.

______. A religião nos limites da simples razão. Edições 70, Lisboa, 1992.

______. A religião nos limites da simples razão. Trad. Bruno Cunha. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2024.

______.Vorlesung über die philosophische Encyclopädie. In: Kant gesalmmelte Schriften, XXIX, Berlin, Akademie, 1980, pp. 8 e 12).

______. Observações sobre o sentimento do belo e do sublime; Ensaio sobre as doenças mentais. Tradução e estudo de Vinicius de Figueiredo. São Paulo: Editora Clandestina, 2018.

______. Observações sobre o sentimento do Belo e do Sublime; Ensaio sobre as doenças mentais. (Trad. Vinícius Figueiredo). Campinas, SP: Ed. Papirus, 1993.

______. Observações sobre o sentimento do Belo e do Sublime; Ensaio sobre as doenças mentais. Lisboa: Edições 70, 2012.

______. Die Religion innerhalb der Grenzen der bloßen Vernunft. W. de Gruyter, 1968.

______. Fundamentação da metafísica dos costumes. Trad. Guido A. de. São Paulo: Discurso editoria: Barcarola, 2009.

______. A metafísica dos costumes. Trad. Clélia Aparecida Martins. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.

______. Textos pré-críticos. São Paulo: Editora Unesp, 2005.

______. Sobre um suposto direito de mentir por amor à humanidade. In: Textos seletos. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.

______. Investigação sobre a clareza dos princípios da teologia e da moral. Lisboa: Imprensa Casa da Moeda, 2007.

KARDEC, A. Le Livre des Esprits. Paris, Dervy-Livres, s.d. (dépôt légal 1985). ______. O livro dos Espíritos. Trad. Guillon Ribeiro, 93. ed. - 1. reimpressão (edição histórica). Brasília, DF: Feb, 2013. (Q. 893-919: "As virtudes e os vícios”; “Paixões"; “Caracteres do homem de bem”; “Conhecimento de si mesmo” e 920-933: "Felicidade"; Q. 614-648: "Caracteres da Lei natural"; "Origem e conhecimento da Lei natural"; "O bem e o mal"; "Divisão da Lei natural").

LEMA-HINCAPIÉ, Andrés. Kant y la Biblia: principios kantianos de exégesis bíblica. Antropos Editorial: México: Universidad Autónoma Metropolitana -Iztapalapa. División de CienciasSociales y Humanidades, 2006. 




terça-feira, 7 de novembro de 2017

UMA DISCUSSÃO SOBRE VALORES



(neste caso, devido ao interesse e relevância dos temas éticos)... E, para pensar em outros domínios, sem abandonar minha limitação filosófica...
"Sobre questões que levantam implicações éticas". Com excelente prefácio/posfácio.
"[...] um guia de fácil leitura e aplicação, em que o autor Joseph Telushkin aborda temas amplos para a vida cotidiana com base nos princípios judaicos de piedade, bondade e bom relacionamento com o próximo.[...]".

sábado, 4 de novembro de 2017

ESPERANÇA E RESPONSABILIDADE: HANS JONAS


    


“É apenas em função da pressão de hábitos reais da ação – e geralmente do fato de que sempre a ação já aconteceu, sem que isto tenha sido ordenado antes de tudo – que a ética, enquanto regulação desse agir tendo em vista o critério do bem ou do permitido, entra em cena. Tal pressão emana dos novos poderes tecnológicos do homem, cujo exercício é dado com sua existência. Se eles real­mente são tão novos como aqui defendido, e se pelos tipos de suas consequências potenciais eles realmente aboliram a neutralidade moral que o comércio técnico com a matéria até agora possuía – então sua pressão exige que se procure por novas prescrições éticas que sejam competentes para assumir sua orientação mas que, antes de tudo, possam sustentar-se teoricamente [...]” (JONAS, 2017, p. 49)

Inicio aqui apontamentos para uma reflexão a ser revista e corrigida, mantido seu fio condutor sobre o que configura o progresso tecnológico em suas implicações éticas presente ou futuras. Considerados os pensadores de minhas leituras mais frequentes, tomo aqui por base o livro de Hans Jonas, traduzido recentemente.
Mesmo reconhecendo que desde Francis Bacon, que pensava a partir de uma luta entre o homem e a natureza, que o levou a fazer sua reflexão sobre o domínio da natureza que a ciência proporcionaria; é mesmo desde o século XIX, que o otimismo em relação à técnica, ganha seu status e seu auge se dará no século XX.
O célere avanço da civilização Ocidental produziu essa crença generalizada nos poderes que o homem ganha, mas que para alguns, acentuará um progressismo e cientificismo de proporções catastróficas. Desde a minha leitura do médico e filósofo alemão Hans Jonas, do seu livro: "O princípio responsabilidade" escrito em 1979, (que li e reli atentamente em 2006, um ano tão bom para mim) venho acompanhando seus escritos e o que se tem discutido a partir de suas ideias que aparecem como uma denúncia contra qualquer utopia exagerada progressista, independentemente do viés político-ideológico que esteja por trás de seus enunciados.
Da obra partimos para destaque de argumentos de Jonas que antecedendo qualquer ideia de progresso está a ideia assumida e defendida por ele com veemência de que o Ser existe, a própria VIDA “um não enfático ao não-ser”.
Essa maneira de pensar leva Jonas a trabalhar num sentido filosófico interessante e o filósofo Leibniz é lembrado no sentido que sua grande questão sobre “Por que existe alguma coisa ao invés do nada?”, que segundo ele pode ser retomado no Gênesis ou no Timeu de Platão onde se afirma o “existir em preferência ao “não-existir”. Ainda que se reconheça em Jonas sua visão, em certa medida religiosa, o seu grande argumento é a ética da responsabilidade, que tem como um de seus pilares a releitura do imperativo categórico de Kant, que Jonas dirá ser perceptível em Kant e em outras teorias éticas desde os filósofos da Antiguidade, o enfoque apenas nos atos de um indivíduo. Assim propõe o seguinte enunciado dentro de sua ética da responsabilidade:

“Age de maneira que tuas ações não comprometam a existência de uma autêntica vida humana sobre a Terra”.

Está, com isso considerando as ações humanas numa nova civilização tecnológica, Tais ações passariam a ser pensadas como possíveis de comprometer o futuro da humanidade, mesmo dos que ainda nem nasceram. O que extraímos das leituras da obra até aqui e que ainda seguiremos é uma questão existencial, ora, sem a esperança num futuro o princípio de responsabilidade de Jonas estaria inviabilizados.
Portanto, tendo iniciado a leitura de Jonas com aquele livro indicado acima, avançamos depois para “Técnica, medicina e ética: sobre a prática do princípio de responsabilidade.” E, recentemente, iniciei a leitura do livro “Ensaio filosóficos: da crença antiga ao homem tecnológico”[1] que acrescentarei aqui após atenta leitura.
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Vídeo 1, sobre a obra: 
https://www.youtube.com/watch?v=SOgtozcgwzQ

Vídeo 2, ...................: 


[1] JONAS, Hans.  “Ensaio filosóficos: da crença antiga ao homem tecnológico”. (trad. Wendell Evangelista Soares Lopes. São Paulo: ed. Paulus, 2017.

______.  “Ensaio filosóficos: da crença antiga ao homem tecnológico”. (trad. Marijane Lisboa, Luiz Barros Montez. São Paulo: Ed. Contraponto/Ed. PUC-Rio, 2006.




“KANT ON PERSONS AND AGENCY"

Era leitura programada para 2018; iniciei em 2019 e encerrei agora... Mais um inserido nas pesquisas!

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“Kant on Persons and Agency”
Editor: Eric Watkins, University of California, San Diego -View all contributors - Publication planned for: February 2018

"Today we consider ourselves to be free and equal persons, capable of acting rationally and autonomously in both practical (moral) and theoretical (scientific) contexts. The essays in this volume show how this conception was first articulated in a fully systematic fashion by Immanuel Kant in the eighteenth century. Twelve leading scholars shed new light on Kant's philosophy, with each devoting particular attention to at least one of three aspects of this conception: autonomy, freedom, and personhood. Some focus on clarifying the philosophical content of Kant's position, while others consider how his views on these issues cohere with his other distinctive doctrines, and yet others focus on the historical impact that these doctrines had on his immediate successors and on our present thought. Their essays offer important new perspectives on some of the most fundamental issues that we continue to confront in modern society.

Explores Kant's views on autonomy, freedom, and personhood both as questions in their own right and in the context of his wider system of thought
Essays written by twelve leading international Kant scholars present fresh and up-to-date insights into his philosophy
Addresses the lasting influence of Kantian thinking in this area and the continuing importance of the issue of agency for our lives today"

Para saber mais: 
...
Table of Contents
Introduction
By Eric Watkins

Part I. Autonomy:

1. The unconditioned goodness of the good will Eric Watkins
2. Universal law Allen Wood
3. Understanding autonomy: form and content of practical knowledge Stephen Engstrom
4. The principle of autonomy in Kant's moral theory: its rise and fall Pauline Kleingeld

Part II. Freedom:

5. Evil and practical reason Lucy Allais
6. Freedom as a postulate Marcus Willaschek
7. Kant's struggle for freedom: freedom of will in Kant and Reinhold Paul Guyer
8. The practice of self-consciousness: Kant on nature, freedom, and morality Dieter Sturma

Part III. Persons:

9. Kant's multiple concepts of person Béatrice Longuenesse
10. We are not alone: a place for animals in Kant's ethics Barbara Herman
11. The dynamism of reason in Kant and Hegel Robert Pippin

Part IV. Conclusion:

12. Once again: the end of all things Karl Ameriks.





sexta-feira, 3 de novembro de 2017

UMA RÁPIDA REFLEXÃO...: E A PRÁTICA?

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(REMBRANDT - "O filósofo em meditação", 1632)

Grandes sistemas morais não necessariamente devem estar atrelados a uma religião. É bem possível conceber princípios ou critérios em que a própria racionalidade humana seja a responsável pelas ações. Isso pensado em termos de autolegislação, ou seja, que nós mesmos nos impomos. Bastante pertinente notar que, em tempos em que o termo "ética" é tão propalado também seja possível perceber o quanto sua ausência, na prática, é suplantada por falatórios. Tem sido constante esse recurso ignominioso. 
Adoto, como cito abaixo, mais uma reflexão do grande estoico Epictetus. Interessante destacar a forma característica desse jeito de filosofar: o constante exercício prático. Sigo estudando e aprendendo.

“[48.a] Ἰδιώτου στάσις καὶχαρακτήρ· οὐδέποτε ἐξ ἑαυτοῦπροσδοκᾷὠφέλειαν ἢβλάβην, ἀλλ' ἀπὸτῶν ἔξω. φιλοσόφου στάσις καὶχαρακτήρ· πᾶσαν ὠφέλειαν καὶβλάβην ἐξ ἑαυτοῦπροσδοκᾷ.”

“[48.a] Postura e caráter do homem comum: jamais espera benefício ou dano de si mesmo, mas das coisas exteriores. Postura e caráter do filósofo: espera todo benefício e todo dano de si mesmo.”
(Grifos meus)

(Ἐπικτήτου - Ἐγχειρίδιον. Trad. Aldo Dinucci; Alfredo Julien)

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

ÉTICA E EXISTÊNCIA EM JANKÉLÉVITCH E BERGSON

Uma grande questão filosófica: o tempo; está presente em vários autores, desde a Antiguidade até os dias de hoje. Recentemente, me surpreendi com a maneira que os autores abaixo anotados trataram a questão. Sob diversos modos de ver a obra deles e mantendo o foco temático levado a cabo aqui nessa página, incluí nas minhas leituras, essas obras, as suas reflexões.
Entre outros motivos, a surpresa recente ficou por conta do meu contato inicial com a obra de Vladimir Jankélévitch (inclusive escreveu uma obra sobre a música). Seus textos, por apontarem na direção de questões e problemas que Sócrates e Platão, entre outros, já tinham estudado e apresentado profundas reflexões, coam as quais já estou aprendendo muito. Alguns temas como a “realização da felicidade humana”, o passado, o presente o futuro, a imortalidade, todos tendo por base o tempo.
Interessei-me de pronto pela obra na medida em que recoloca essas questões no terreno da busca por uma “origem” da filosofia e seu principal objetivo. 
E, isso, na obra de Jankélévitch é assumido como “paradoxo” visto que na filosofia, as respostas até aqui tem sido insatisfatórias ou provisórias, uma vez que na história humana sempre retornam as mesmas perguntas. Daí o desejo permanente de revermos o passado para renovar as esperanças no presente para um futuro. O tempo como instância máxima das realizações humanas.
É nesse sentido que a filosofia apresenta-se como ferramenta para novos embates e revisão das respostas e proposição de novas ou as mesmas perguntas. Bergson faz-se presente na sua obra e fornece alguns elementos para novos enfrentamentos existenciais. Portanto, uma obra repleta de importante tarefa na discussão sobre a “ética e a existência” (inclusive tendo publicado um livro sobre este filósofo)

"Os verdadeiros mistérios não são aqueles nos quais mergulhamos cada vez mais por um aprofundamento dialético, mas os que se mantêm inteiros em sua efetividade pura" (Jankélévitch)

Outro fator importante que me levou a ampliar, doravante, o meu contato com a obra é sua leitura da filosofia de Kant, em associação com as ideias de Bergson sobre o problema da noção de tempo. O que também se encontra nestas concepções bergsonianas é um retorno aos antigos para ali identificar o problema que foi herdado de uma tradição que pode ser contada desde de Parmênides, Zenão e outros antigos. Uma das obras de Henri Bergson a ser estudada juntamente com Jankélévitch será "Ensaio sobre os dados imediatos da consciência."

1.  2.   3. 4. 


1. "
O 'Curso de Filosofia Moral' de Vladimir Jankélévitch foi originalmente ministrado na Universidade Livre de Bruxelas em 1962. Nele Jankélévitch mostra-se muito didático e não hesita em fazer referências precisas e numerosas à história da filosofia. Nem por isso abandona seus temas prediletos. A singularidade e o interesse desse curso, em que o professor e o filósofo da moral se encontram, residem precisamente no cruzamento dessas duas ?linhas? de pensamento."

2. "Para Jankélévitch, a filosofia moral - que é o primeiro problema da filosofia - se apresenta ao pensador que se aventurar a pensar a moral como o cúmulo da ambigüidade e do inapreensível. Ao invés de apresentar mais um tratado de filosofia moral, o autor extrai e expõe a infinita cadeia de contradições e paradoxos que habitam a consciência do homem; ele não atribui soluções ao impasse em que estas contradições nos colocam, mas nos incita a submergir na ação e a viver com clareza até o final esta tensão inevitável entra a entrega (o amor) e o egoísmo (o ser) e entre o dever e o direito. 'O Paradoxo da Moral', um dos últimos livros do autor, propõe uma reflexão que é contrária a toda idéia preconcebida e que tira o equilíbrio e desconcerta o incauto ou o desprevenido, que, logo no início, perde de vista o mundo granítico das verdades predeterminadas".

3. Der Tod. "Por que a 'morte' de uma pessoa é sempre um tipo de escândalo? Por que esse evento tão normal suscita curiosidade e horror entre os que são testemunhas? Como é que você não se acostumou há muito tempo a esse acontecimento natural, mas sempre acidental? Em seu principal trabalho filosófico, Vladimir Jankélévitch analisa o evento da morte em toda a sua banalidade e estranheza, em sua inconsistência e também no contexto das complexas interpretações que a morte experimentou na história da filosofia."

4. "Ensaio Sobre os Dados Imediatos da Consciência" apresenta os fundamentos da doutrina bergsoniana da duração e tem por objetivo ajudar o leitor a compreender a visão que o filósofo tinha do intelecto como força aglutinadora do pensamento.

Fonte (sinopse das obras): Amazon; Editora Martins Fontes; Livraria Cultura. 


domingo, 22 de outubro de 2017

A CIDADELA: DRAMA DAS ESCOLHAS ÉTICAS



Em 1994, trabalhando numa livraria, num determinado dia como este, chuvoso, mas numa segunda-feira, chega um cliente a procura de um livro à época esgotado. Chamou-me à atenção o assunto sobre o qual a obra tratava, meu interesse desde aquela época. Posteriormente, descobri ter sido transformado em filme. Procurei muito pelo livro, sem sucesso durante alguns anos. Em 2008, saiu uma reedição (de bolso) que publico aqui. Claro que, logo ao ter acesso cuidei de ler imediatamente... Livro bom. Segue abaixo a sinopse do livro e o trailer do filme. Reli no mês que se passou. Ainda que se trate de um romance, foi uma excelente oportunidade de pensar sobre o tema.

E, enquanto hoje preparo uma resenha sobre uma tradução lançada recentemente de um livro de Hans Jonas, ainda na temática da dissertação, que estou revendo, e mantendo a linha do "blog", faço este “post”. 

"A cidadela: um clássico sobre a medicina do início do século XX.


“Romance que consagrou Cronin no mundo literário. A cidadela marcou época ao ser transformado em filme por King Vidor. O escocês Archibald Joseph Cronin era médico e membro do Royal College of Physicians. respeitada associação da classe médica no Reino Unido. O autor descreve as condições de trabalho do início do século XX e relata de um modo estarrecedor as dificuldades e tragédias ocorridas nas minas de carvão inglesas. O protagonista é o jovem médico Andrew Manson. que inicia sua prática profissional numa pequena aldeia do País de Gales. Drineffy. Dr. Manson dedica-se de forma intensa aos seus doentes. pondo em prática todo o idealismo de um jovem médico. Casa-se com a professora Christine Barlow. e mais tarde o casal parte para Londres. Na cidade grande. Andrew entra em contato com a classe médica conceituada que atende exclusivamente aos mais ricos. O texto de Cronin evidencia o drama das escolhas éticas na prática da medicina. Um tema ainda muito atual: o confronto entre integridade profissional e as tentações materialistas."

______.
CRONIN, Archibald Joseph. A cidadela. Rio de Janeiro: BestBolso, 2008.
Trailer do filme: "A cidadela" - "The Citadel" (1938)

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

POR UM MODELO NÃO MATERIALISTA DE CIÊNCIA


Sem fugir jamais dos temas que tenho estudado e comentado aqui, hoje o tema, de enormes implicações filosóficas e éticas; que destaco, partindo das notícias que nos chegam através das publicações de resultados nas ciências, como tem sido, é um texto apresentado como "manifesto por uma ciência pós-materialista".
A ciência, como já se sabe, desde que surgiu na era moderna, tem avançado e são inúmeras as conquistas na área. São perceptíveis na sua evolução várias conquistas e tem se somado um número crescente de evidências empíricas. O que se espera com o avanço cada vez maior nas pesquisas, melhorias de recursos e novas "descobertas" e abordagens é que seja um campo em que predomine o debate aberto, sem intransigências. O que aparece no texto e parafraseio aqui são estas evidências de maior ou menor repercussão. Algumas do início do século XX são bastante significativas. O que o “manifesto” (palavra, aliás, que não me agrada) que li há algum tempo atrás discute é a necessidade compreensão das pesquisas atuais, seus avanços, suas constatações e revisão de alguns percursos a serem retomados e repensados no sentido de destacar uma transição que alguns já defendem e assinam o documento. O foco fundamental nessa revisão que o manifesto propõe está, portanto, na discussão do modelo materialista de ciência que é a tônica dominante, mas que não consegue explicações para alguns avanços e novos achados empíricos no domínio da consciência e da espiritualidade, por exemplo. Alguns desses autores, tenho estudado; procurando entender o que eles trazem de novidade e postado aqui brevíssimas resenhas a partir do que li e estou lendo e relendo o tempo todo.
O “Manifesto para uma Ciência Pós-Materislista” foi assinado por estudiosos e pesquisadores contemporâneos na tentativa de abertura de debate sobre uma nova visão científica que emerge das pesquisas. Segue abaixo o texto:

"Manifesto for a Post-Materialist Science":

sábado, 14 de outubro de 2017

AS QUATRO VIRTUDES DO MUNDO CLÁSSICO

Da tradição estóica: "As Quatro Virtudes do mundo clássico"; anotadas por um amigo que tem se especializado em "estoicismo". Fica bem claro que "muito pouco é preciso para criar boas comunidades humanas. Mas este 'muito pouco' é indispensável."
E, pensar isso associado a uma filosofia perene é fundamental, como como a Filosofia deve ser.












"The Four Virtues of the Classical world. Very little is needed in order to raise good human communities. But this 'very little' is indispensable."

"As Quatro Virtudes do mundo clássico. Muito pouco é preciso para criar boas comunidades humanas. Mas este 'muito pouco' é indispensável".

"Четыре добродетели классического мира. Совсем немного требуется, чтобы воспитать хорошие общества. Но без этого «немного» не обойтись."

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

TÉCNICA, MEDICINA E ÉTICA: SOBRE A PRÁTICA DO PRINCÍPIO RESPONSABILIDADE

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Do que ainda preservo das leituras para pesquisa realizada até 2012, considerando-se que alterei totalmente minha forma de estudar a questão e por ter abandonado totalmente os referenciais usados àquela época, busquei com a leitura dessa obra, entender aquele mesmo cenário tecnológico que me levou à pesquisa que redirecionei para outros flancos. Tal cenário tecnológico, bom que se diga, no qual está inserido o curso da humanidade e, se mal-conduzida tende a alterar drasticamente a ordem das coisas, é essa preocupação que fez com que Hans Jonas nos advertisse para questão. Pois:

“a técnica avança sobre tudo o que diz respeito aos homens – vida e morte, pensamento e sentimento, ação e padecimento, ambiente e coisas, desejos e destino, presente e futuro – em resumo, dado que ela se converteu em um problema tanto central quanto premente de toda a existência humana sobre a terra, já é um assunto de filosofia e é preciso que exista alguma coisa como uma filosofia da tecnologia”

Evidente a preocupação de Hans Jonas com o impacto da técnica moderna; tanto do ponto de vista própria existência humana quanto para a biosfera que o circunda. Hans Jonas discute algumas questões com as quais devemos nos inquietar e aprofundar:
  1. Como foi que a tecnologia se tornou-se o destino da civilização contemporâne?
  2. Por que a técnica moderna é um problema filosófico?
  3. Como a tecnologia levanta um problema ético?
  4. Seria a tecnologia eticamente neutra?
Hans Jonas, assim, discute a reelaboração de um novo princípio ético que seja capaz de reorientar a ação dos homens no mundo atual a partir da compreensão do fenômeno da técnica que, para ele é a condição de possibilidade para uma formulação ética ontologicamente fundamentada. Hans Jonas, portanto, discute a necessidade de compreendermos a questão e desenvolvermos uma filosofia da tecnologia, que ele já tinha discutido desde seu ensaio de 1959 “The Pratical Uses of Theory”.

Livro: 
"Técnica, Medicina e Ética: sobre a prática do princípio responsabilidade". São Paulo: Paulus, 2013. (Ethos) 


"Ao resgatar filosoficamente o tema da vida, apoiado nos dados das ciências biológicas, o autor aponta os desafios e as ameaças contemporâneas lançadas pela técnica, diante dos quais seria preciso formular novos critérios éticos, visto que os modelos tradicionais já não dão conta da nova realidade. O tema central da obra é o fato de que a técnica transformou o homem em seu objeto. De sujeito da tecnologia, os avanços no campo da medicina e da moderna biotecnologia fizeram do ser humano um objeto, ou seja, uma espécie de artefato.Quais as consequências disso no campo ético, e quais as novas experiências e obrigações daí advindas? Até onde podem ir os experimentos com seres humanos? O que restará ainda da imagem do homem caso a técnica melhorativa realizar seu projeto utópico? Em que consiste o fato, ontológica e eticamente falando, de que o homem tenha se habilitado a "refabricar inventivamente" a si mesmo? Eis alguns dos problemas tão graves e urgentes quanto polêmicos que Hans Jonas enfrenta nesta obra."

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

A ÉTICA NA OBRA DE FICHTE

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A obra oferece uma visão do período final da carreira de Fichte. É um conjunto de palestras de Fichte sobre ética em que ele apresentou, à época, alguns dos principais conceitos e questões do seu sistema estruturado no idealismo. Discute elementos sobre a "teoria moral", sobre a "educação", sua ideia de "filosofia da história" e sobre a "filosofia da religião", focado em discussões com grandes pensadores como Kant, Schelling e Hegel.
Abaixo: dois textos sobre a obra de Johann Gottlieb Fichte, de 1812, em que apresenta discute a teoria da Ética:

1. "J. G. Fichte: Lectures on the Theory of Ethics (1812)":

2. "The first phenomenologist?":


terça-feira, 10 de outubro de 2017

ENTRE KANT E HEGEL: I SEMINÁRIO NACIONAL SOBRE FILOSOFIA CLÁSSICAALEMÃ DA UFJF"

Nenhum texto alternativo automático disponível.

"[...]

I Seminário nacional sobre filosofia clássica alemã da UFJF. O evento busca congregar estudiosos de interesses diversos no grande campo da filosofia alemã entre Kant e Hegel, incluindo possíveis comunicações sobre desdobramentos ou tradições discipulares historicamente próximos, além de uma mesa de debate sobre o legado de longo prazo da Filosofia Clássica Alemã. O programa de pós-graduação em filosofia da UFJF pretende, neste que é seu primeiro evento, estabelecer contatos, celebrar a pesquisa e estimular o interesse no pensamento clássico germânico através do debate sobre diferentes autores e sobre o fio condutor que os aproxima em um movimento filosófico comum."


Organização
Núcleo de Pesquisas sobre Filosofia Clássica Alemã (NUFCAL)
Programa de Pós-graduação em Filosofia da UFJF
Centro Acadêmico de Filosofia da UFJF
Cronograma
10 de novembro – Data limite para a submissão de resumos e inscrição de comunicadores
21 de novembro – Data limite para inscrições de ouvinte"

REFLEXÃO MATINAL CXLV: AINDA O PROBLEMA DA METAFÍSICA E "SORGE"

( Esboço e continuidade dos estudos) O texto em que me empenho, doravante, como exigência de um curso e preparação para o próximo Colóquio, ...