sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

ESTOICISMO E TCC/CBT: UMA REFLEXÃO



O autor discute a importância que ele vê na Terapia Cognitivo-comportamental e por que os psicoterapeutas modernos deveriam ocupar-se mais com filosofia, especialmente filosofia antiga? E, por que os filósofos deveriam interessar-se por psicoterapia?

Para Robertson, há vários elementos de contato entre as duas áreas, ainda que bastante distintas entre si e que sem dúvidas, nem sempre foi clara tal distinção. Considera que, ao reconsiderar a sabedoria geralmente recebida sobre a história desses assuntos intimamente relacionados, podemos aprender muito sobre filosofia e psicoterapia, inclusive sobre concepções como "auto-ajuda" e "desenvolvimento pessoal". 

Portanto, o meu interesse pela obra está totalmente ligado a dois pontos que tenho estudado nos escritos desse autor:
  1. Como ele investiga a sabedoria antiga, especialmente o Estoicismo, nessa relação entre filosofia e psicoterapia
  2.  Como sua investigação sobre “desenvolvimento pessoal” não desembocaria numa simplória “auto-ajuda”?
...
“Why should modern psychotherapists be interested in philosophy, especially ancient philosophy? Why should philosophers be interested in psychotherapy? There is a sense of mutual attraction between what are today two thoroughly distinct disciplines. However, arguably it was not always the case that they were distinct. The author takes the view that by reconsidering the generally received wisdom concerning the history of these closely-related subjects, we can learn a great deal about both philosophy and psychotherapy, under which heading he includes potentially solitary pursuits such as ‘self-help’ andpersonal development’.”
...
Sobre o Autor: Donald Robertson is an integrative psychotherapist and trainer, who specializes in the treatment of anxiety and the use of cognitive-behavioral approaches to clinical hypnotherapy. He is the author of a number of articles on philosophy and psychotherapy in professional journals, and the forthcoming book, The Discovery of Hypnosis, The Collected Writings of James Braid. Donald's background in academic philosophy has helped him to appreciate the relationship between modern psychotherapy and ancient philosophy,”

LINK:

______.

ROBERTSON, Donald. The Philosophy of Cognitive Behavioural Therapy (CBT): Stoic Philosophy as Rational and Cognitive Psychotherapy. Londres: Karnac Books, 2010.


BIBLIOGRAFIA E SUGESTÕES DE LEITURA

 

BECK, Aaron T; Alford, Brad A. O poder integrador da terapia cognitiva. Porto Alegra, RS: Artmed, 2000.

BECK, Judith S. Terapia cognitiva: teoria e prática. Porto Alegre, RS, 2997.

CALVINO, Italo. Por que ler os clássicos. Trad. Milton Moulin. São Paulo: Companhia de bolso, 2007.

DINUCCI, A.; JULIEN, A. O Encheiridion de Epicteto. Coimbra: Imprensa de Coimbra, 2014.

______. Epictetus Discourses. Trad. Dobbin. Oxford: Clarendon, 2008.

______. Testemunhos e Fragmentos. Trad. Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão: EdiUFS, 2008.

______. The Discourses of Epictetus as reported by Arrian; fragments: Encheiridion. Trad. Oldfather. Harvard: Loeb, 1928.  https://www.loebclassics.com/

GALENO. Aforismos. São Paulo: E. Unifesp, 2010.

______. On the passions and errors of the soul. Translated by Paul W . Harkins with an introduction and interpretation by Walter Riese. Ohio State University Press, 1963.

GAZOLLA, Rachel.  O ofício do filósofo estóico: o duplo registro do discurso da Stoa, Loyola, São Paulo, 1999.

HADOT, Pierre. The inner citadel: the meditations of Marcus Aurelius. London: Harvard University Press, 2001.

______. A filosofia como maneira de viver: entrevistas de Jeannie Carlier e Arnold I. Davidson. (Trad. Lara Christina de Malimpensa). São Paulo: É Realizações, 2016.

______. Exercícios espirituais e filosofia antiga. Trad. Flávio Fontenelle Loque, Loraine Oliveira. São Paulo: É Realizações, Coleção Filosofia Atual, 2014.

HANH, Thich Nhat. Meditação andando: guia para a paz interior. 21. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000.

______. Silêncio: o poder da quietude em um mundo barulhento. Rio de Janeiro, RJ: Harper Collins, 2018.

HUIZINGA, Johan. Nas sombras do amanhã: um diagnóstico da enfermidade espiritual de nosso tempo . - Trad. Sérgio Marinho, Goiânia-GO: Editora Caminhos, 2017.

INWOOD, Brad. Reading Seneca: stoic philosophy at Rome. Oxford, Reino Unido: Clarendon Press, 2005.

IRVINE, William B. A Guide to the Good Life: the ancient art of Stoic joy. New York: Oxford University Press, 2009.

KARDEC, A. Le Livre des Esprits. Paris, Dervy-Livres, s.d. (dépôt légal 1985). O livro dos Espíritos. 93. ed. - 1. reimpressão (edição histórica) Trad. Guillon Ribeiro. Brasília, DF: Feb, 2013. (Q. 907-912: "paixões"; 893-906: “virtudes . “vícios” e 920-933: "felicidade").

LEBRUN, Gérard. O conceito de paixãoIn: NOVAES, Adauto (org.). Os sentidos da paixão. São Paulo: Cia. das Letras, 1987.

MARCO AURÉLIO. Meditações. São Paulo: Abril Cultural, 1973.

RANGÉ, Bernard. Psicoterapias Cognitivo-Comportamentais: Um Diálogo com a Psiquiatria. 2. ed. Porto Alegre: Grupo A - Selo: Artmed, RS, 2011.

ROBERTSON, Donald. The Philosophy of Cognitive Behavioural Therapy (CBT): stoic philosophy as rational and Cognitive Psychotherapy. Londres  :Karnac Books, 2010.

______. Pense como um imperador. Trad. Maya Guimarães. Porto Alegre: Citadel Editora, 2020.

______. How to think Like a roman emperor: the stoic philosophy of Marcus Aurelius. New York: St. Martin's Press, 2019.

SELLARS, J. The Art of Living: The Stoics on the Nature and Function of philosophy. Burlington: Ashgate, 2003.

SÊNECA, Lúcio Aneu. Cartas a Lucílio. 5. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbekian, 2014.

______. Edificar-se para a morte: das cartas morais a Lucílio. Petrópolis, RJ: Vozes, 2016.

____. Sobre a clemência. Introdução, tradução e notas de Ingeborg Braren. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.

____. Sobre a ira. Sobre a tranquilidade da alma. Tradução, introdução e notas de José Eduardo S. Lohner. São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras, 2014.

____. Tragedies I: Hercules, Trojan women, Phoeniciam women, Medea, Phaedra. Tradução de J. G. Fitch. Cambridge, EUA: Harvard University Press, 2002.  https://www.loebclassics.com/.

____. Tragedies II: Oedipus, Agamemnon, Thyestes, Hercules on Oeta, Octavia. Tradução de J. G. Fitch. Cambridge, EUA: Harvard University Press, 2004.  https://www.loebclassics.com/.

____. Moral Essays. Tradução de John W. Basore. Cambridge, EUA: Harvard University Press, 1985.  https://www.loebclassics.com/.

______. Sobre a brevidade da vida. Porto Alegre, RS: L&PM, 2007.

VEILLARD, Christelle. Le souffle de la raison: le défi des stoïciens. Plon, 2023.


segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

CLÁSSICOS NA HISTÓRIA DA PSICOLOGIA


Collage of significant contributors to psychological thought
Classics in the History of Psychology banner


"Classics in the History of Psychology".

Organizado por: Dr. Christopher D. Green, da York University, Toronto, Canada.

Disponibiliza, em domínio público, obras clássicas da “história da psicologia”.

Site para pesquisas de “fontes primárias”.

Entre os clássicos estão:
Textos de Cattell, Freud, Watson, Baldwin, James, Thorndike, Hall, Münsterberg, Binet, Skinner, Jung, Rogers, Boring, Titchener, Wundt, Broca, Aristóteles, Descartes, Locke e outros.

...
Para pesquisar, escolher e ler, basta acessar:

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domingo, 13 de janeiro de 2019

JOURNÉE D’ÉTUDE: »HISTORICISER L’EXPERTISE. L’AUTORITÉ DE L’EXPERT EN MÉDECINE DANS LES SOCIÉTÉS ANTIQUES ET MÉDIÉVALES », LYON, 14-15/01


Link do evento:
https://docciham.hypotheses.org/4203

Programme

Lundi 14 janvier, 14h :
  • Isabelle Boehm (Université de Lyon, HiSoMA), Laurence Moulinier-Brogi (Universitéde Lyon, CIHAM), Marilyn Nicoud (Avignon Université, CIHAM), Introduction
  • Robert Alessi (Université de Poitiers, Orient & Méditerranée), «La notion d’expertise médicale dans les Épidémies II,IV et VI d’Hippocrate et le commentaire de Galien : une discussion à la fois philologique et médicale»
  • Antonio Ricciardetto (Collège de France, CEDOPAL) «L’expertise médico-légale dans l’Antiquité : le témoignage des papyrus grecs d’Égypte»
  • 16h : Pause
  • Tommaso Duranti (Università degli Studi di Bologna), «La création du professionnel: l’expert médical par les sources normatives »
Mardi 15 janvier, 9h30
  • Vincent Barras (CHUV, Lausanne), «Les troubles de l’âme et l’expertise du médecin antique»
  • Corinne Leveleux (Universitéd’Orléans, CESFIMA), «La place et le rôle de l’expertise dans la construction de la vérité judiciaire (XIIe-XVesiècle)»
  • 10h45 Pause
  • Joël Chandelier (Université Paris 8, Centre de Recherches Historiques), «L’expert peut-il se tromper? La médecine scolastique face aux cas particuliers (XIIIe-XIVe siècle) »
  • Carmel Ferragud (Universitatde València), «The methods of the procedure and the role and temporality of the use of the medical report within the judgment in the Kingdom of Valencia during the late Middle Ages»
Mardi 15 janvier, 14h30
  • Helène Leuwers (Université Paris-Ouest-Nanterre, CHISCO), « »Veu par la cour le rapport de medecins, cirurgiens et barbiers ». La place de l’expertise dans le jugement de la capacité professionnelle (1350-1550)»
  • François-Olivier Touati (Université de Tours, CITERES), «Judicium leprae. Acteurs et pratiques de l’expertise de lèpre. Du Moyen Âge à la Modernité (Orient-Occident)»
  • Didier Boisseuil (Université de Tours, CESR), «Expertiser les eaux thermales: la place des médecins (XIVe-XVIesiècle)
Lieu
Lyon 7, MSH LSH, 14 avenue Berthelot, salle Marc Bloch
Contact :

sábado, 12 de janeiro de 2019

REFLEXÃO MATINAL XXII: "DOCTA IGNORANTIA"



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magem: "codex cusanus". In: "God and Math"

DOCTA IGNORANTIA.

Título da mais conhecida obra de Nicolau de Cusa. Segundo este se exprime, a "Docta Ignorantia" consiste em "saber que não se sabe" (I,1); possui pois: uma "douta ignorância", aquele que se sabe ignorante, isto é, que se elevou a um nível de reflexão capaz de reconhecer os próprios limites e a imperfeição do próprio conhecimento. A "docta ignorantia" tem um duplo fundamento:

1) a essência da verdade que implica sempre a Verdade Absoluta, identificada com Deus, e que nunca podemos conhecer compreensivelmente (Docta Ignorantia. II,3);

2) a própria natureza do nosso conhecimento que procede comparando: ora, a comparação é uma medida, e esta, nunca é perfeitamente exata, Ibid., I, 1 e 3); portanto, o nosso conhecimento tende para a verdade como o polígono inscrito para o círculo, sem nunca poder atingi-lo plenamente. A expressão tem as suas raízes já na filosofia socrática e na tradição platônica e augustiniana; tornou-se célebre a partir de Nicolau de Cusa e influenciou F. Sanches na obra "Quod nihil scitur" e, provavelmente através desta, a exigência da "dúvida metódica" introduzida por Descartes no Discurso do Método.

A obra:
“Nicolau de Cusa (1401-1464) cujo verdadeiro nome era Nicolau Chryspffs ou Krebs, nasceu em Cusa, na Alemanha. Foi o primeiro filósofo da Renascença, um autêntico antecipador da Idade Moderna, embora sua obra se inscreva ainda na cronologia medieval. Viveu em Heidelberg, Roma, Colônia e Traier, onde foi secretário do cardeal Orsini, humanista ilustre que o introduziu no gosto dos clássicos. Tornou-se um erudito excepcional. Tomou parte do Concílio de Basiléia. Feito cardeal, chegou a ser uma das mais importantes figuras da Igreja em seu tempo. Deixou uma longa obra filosófica e científica, e seu livro mais importante e mais famoso é o tratado "De Docta Ignorantia" no qual os estudiosos vêem as raízes da teoria da Relatividade de Einstein e da Teoria da Incerteza de Heisenberg.”



______.
CUSA. Nicolau de. A douta ignorância. 4. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbekian, 2018.


(Nicolau de Cusa - 1401 - 1464. In: LOGOS – ENCICLOPÉDIA LUSO-BRASILEIRA DE FILOSOFIA. Rio de Janeiro: Verbo, 1990). Fonte: Gregório, S. B. Dicionário de filosofia.


quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

UM ANTÍDOTO PARA O CAOS



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Aproveitei o subtitulo da obra para essa postagem aqui na página; dessa que, entre suas obras, é a mais recente e que estou lendo: “12 rules for life: an antidote to chaos” (2018), publicada pela Penguin Random House Canada, Jordan Peterson discute questões como: disciplina, liberdade, aventura e responsabilidade, embasando suas discussões em princípios de sabedoria universal, por exemplo, em 12 regras práticas para a vida, na tentativa de confrontar “lugares-comuns”, tão ao gosto da modernidade, fala sobre ciência, e natureza humana.
...

“Aclamado psicólogo clínico, Jordan Peterson tem influenciado a compreensão moderna sobre a personalidade e, agora, se transformou em um dos pensadores públicos mais populares do mundo, com suas palestras sobre tópicos que variam da bíblia, às relações amorosas e à mitologia, atraindo dezenas de milhões de espectadores. Em uma era de mudanças sem precedentes e polarização da política, sua mensagem franca e revigorante sobre o valor da responsabilidade individual e da sabedoria ancestral tem ecoado em todos os cantos do mundo. Neste livro, ele oferece doze princípios profundos e práticos sobre como viver uma vida com significado. A partir de exemplos vívidos de sua prática clínica e vida pessoal, bem como de lições extraídas das histórias e mitos mais antigos da humanidade, 12 Regras para a Vida oferece um antídoto para o caos em nossas vidas: verdades eternas aplicadas aos nossos problemas modernos. “Um dos pensadores mais importantes a surgir no cenário mundial em muitos anos.” (Amazon


sábado, 5 de janeiro de 2019

REFLEXÃO MATINAL XX: MEDIDAS PROFILÁTICAS


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"Devemos viver como médicos, tratando a nós mesmos com a razão, contra os males de não usá-la" (Musónio Rufo)*

A "reflexão matinal" de hoje.

Tem sido comum meu esforço em registrar aqui, para crescimento pessoal, trechos de breves preleções que tendo apresentado, quando me convidam, ou em aulas mesmo. Como sempre destaco; nas minhas leituras cada vez mais frequentes sobre estoicismo, o mais notório princípio, para mim, na prática dessa filosofia é o conjunto de “exercícios”, que o professor Aldo Dinucci (UFS) traduz a partir de Theoremata como “princípios”. 

Meus destaques, de início, eram bastante pessoais e continuam despretensiosos. No entanto, a perspectiva da realização do “4° Colóquio Brasileiro sobre Epicteto” tem me encorajado a dar contornos mais sérios a esses estudos, mantidos o foco na melhoria pessoal; apesar da atividade na profissão e nas pesquisas que se intensificam.

Ora, visto que os objetivos dos pensadores estoicos estão sempre ajustados de forma a dar mais valor à ação do que às palavras; a maneira de agir de cada indivíduo que pretenda refletir a partir dessa escola é priorizar a ação; pois, na ação o indivíduo revela-se tal qual realmente é.

Para levar adiante essa busca, realizando tais “exercícios” práticos no dia a dia, é necessário, logo de início, considerarmos que há algo bastante almejado por quem se disponha a enfrentar tal desafio: a eustatheia (tranquilidade) e a euthymia (crença em si), como já anotei aqui nessa página, tempos atrás. E, nunca é demais retornar a isso enquanto não as alcançamos.

Neste sentido, dar ensejo a reflexões nessa direção exige comprometimento pessoal na revisão de antigas concepções. 

E, a mim, pelo que já me dediquei a estuda, Epictetus tem uma contribuição interessante a serem adotados como ponto de partida dessas revisões e posterior redirecionamento das buscas, pois, o que importa é que, livres, estejamos dispostos e:

"A liberdade não tem nada a ver com a liberdade em um sentido social ou político, a liberdade que interessa a Epictetus** é inteiramente psicológica e atitudinal, é a liberdade de ser restringido ou impedido por qualquer circunstância externa ou reação emocional". (LONG, 2007)

Devo orientar-me, portanto, a buscar o bem ou mal de dentro pra fora, à medida que, livremente, me disponha a isso, como meta.

Diz ele, e destes enunciados se depreende alguns elementos para construção de coerência interna:

a) "Onde então, eu procuro o bem e o mal? Não em eventos incontroláveis, mas em mim, nas escolhas que são minhas."

b) "[...] se você considerar como seu apenas o que lhe cabe e o que pertence aos outros como não sendo seu, então ninguém jamais terá o poder de lhe coagir ou lhe parar, você não encontrará alguém para acusar ou culpar, não fará coisa alguma contra sua vontade, não terá inimigos, ninguém irá lhe ferir porque nenhum mal poderá lhe afetar."

c) "Qual é a primeira coisa que deve fazer quem começa a filosofar? Rejeitar a presunção de saber. De fato: não é possível começar a aprender aquilo que se presume saber".

E, ainda, diante das dificuldades:

d) "Se você não deseja perder a cabeça, não alimente o hábito. Tente, como primeiro passo, manter-se calmo e conte os dias que você não se irritou. Eu costumava me irritar todos os dias, depois a cada dois dias, então a cada três ou quatro dias… Se você chegar a 30 dias, agradeça aos deuses! Porque primeiro um hábito é enfraquecido e depois obliterado. Quando você puder dizer: 'Eu não perdi minha calma hoje, ou no próximo dia, ou nos próximos três ou quatro meses, mas me mantive sereno enquanto sofria provocações', você saberá que está com a saúde melhor."

Evidentemente clara uma postura de autoeducação, e enfim, do que está posto aqui, a partir da leitura da obra dos estoicos e de Epictetus, fica recomendado que filosofar nessa direção é restabelecer a Saúde, portanto, prossigo com esta profilaxia. Medidas preventivas para que a saúde se mantenha.

“[5.b] Ἀπαιδεύτου ἔργον τὸἄλλοις ἐγκαλεῖν, ἐφ' οἷς αὐτὸς πράσσει κακῶς· ἠργμένου παιδεύεσθαι τὸἑαυτῷ·πεπαιδευμένου τὸμήτε ἄλλῳμήτε ἑαυτῷ.

[5b] É ação de quem não se educou acusar os outros pelas coisas que ele próprio faz erroneamente. De quem começou a se educar, acusar a si próprio. De quem já se educou, não acusar os outros nem a si próprio.” (Ἐπικτήτου - Ἐγχειρίδιον – Epictetus. Traduzido por. Aldo Dinucci)

Não alimentar hábitos ruins, pois, reeducar-se no restabelecimento da saúde já é profilaxia a evitar desvios futuros. O projeto, por visar a Sabedoria prática, é um empreendimento bastante viável e extremamente relevante do ponto de vista existencial. Estou no caminho; fazendo o melhor.

(Texto em construção/correções)
.......

* (Caio Musónio Rufo - Filósofo estóico do primeiro século da “era cristã”. Nascido em Volsínios, na Etrúria. Viveu entre 25 d.C. - 95 d.C.)
** (Epictetus - Filósofo estóico).
______.
BIBLIOGRAFIA SEMPRE CONSULTADA


DINUCCI, A.; JULIEN, A. O Encheiridion de Epicteto. Coimbra: Imprensa de Coimbra, 2014.
EPICTETO. Entretiens. Livre I. Trad. Joseph Souilhé. Paris: Les Belles Lettres, 1956.
______. Epictetus Discourses. Book I. Trad. Dobbin. Oxford: Clarendon, 2008.
______. O Encheirídion de Epicteto. Trad. Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão: EdiUFS, 2012. (Edição Bilíngue)
______. Testemunhos e Fragmentos. Trad. Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão: EdiUFS, 2008.
EPICTETUS. The Discourses of Epictetus as reported by Arrian; fragments; Encheiridion. Trad. Oldfather. Harvard: Loeb, 1928.  https://www.loebclassics.com/
HADOT, Pierre. The inner citadel: the meditations of Marcus Aurelius. London: Harvard University Press, 2001.
King, C. Musonius Rufus: Lectures and Sayings. CreateSpace Independent Publishing Platform, 2011.
LONG, Georg. Discourses of Epictetus, with Encheiridion and fragments. Londres: Georg Bell and sons, 1890.
LONG, A. A. How to be free. Princeton, New Jersey:  Princeton University Press, 2018.
______. Epictetus: a stoic and socratic guide to life. New York: Oxford University Press. 2007.
Lutz, C. Musonius Rufus: the Roman Socrates. Yale Classical Studies 10 3-147, 1947.
Pritchard, M. “Philosophy for Children”. Stanford Encyclopedia of Philosophy, 2002. Acessado em 19 de agosto de 2016; fonte: http://plato.stanford.edu/entries/children/ .
SÉNECA, Lúcio Aneu. Cartas a Lucílio. 5. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbekian, 2014.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

HISTÓRIA DAS CIÊNCIAS: UMA REFLEXÃO


Recentemente, cada vez mais, tenho lido com afinco a temática que sempre anoto aqui. Entre os autores que tenho estudado com muita dedicação estão: Peter Harrison, que organizou “Ciência e religião”; Ronald Numbers e seu, entre outros, “Galileu Goes to jail”; Andrew Pinsent e muito recentemente: Rodney Stark.
Depois disso, quero ver esse que postei a imagem da capa, do prof. Danilo Marcondes... (já percebi que preciso cotejar muito atentamente), sigamos o trabalho:

.’.

“A Revolução Científica, das grandes navegações a Newton. Esta antologia de textos sobre filosofia e história das ciências tem como objetivo pôr o estudante em contato direto com as ideias dos grandes expoentes da Revolução Científica. Em vez de "ouvir falar" ou "ler sobre" o que eles pensam, o leitor terá oportunidade de lidar diretamente com os textos de Copérnico, Da Vinci, Galileu, Newton e muitos outros. Com a experiência de mais de 30 anos de magistério, o professor Danilo Marcondes defende uma interpretação mais abrangente da Revolução Científica, incluindo ao lado dos habituais campos da física e da astronomia também a geografia, a linguagem, a medicina, as artes... Indo além nessa visão inovadora, afirma ainda que, sob muitos aspectos, a Revolução começou de fato com os desafios ao conhecimento tradicional lançados pelas grandes navegações, e sobretudo pelo descobrimento do Novo Mundo. Elaborado para utilização didática, o volume está organizado com: - uma introdução para cada pensador; - um comentário que situa cada trecho escolhido no contexto da obra original, destacando sua importância e indicando seu enfoque central; - uma série de questões e temas para discussão, no fim de cada capítulo, além da indicação de leituras complementares; - uma cronologia da Revolução Científica moderna no final do livro. Esse título vem se somar aos demais volumes da coleção Textos Básicos e ao livro Iniciação à história da filosofia, também de autoria de Danilo Marcondes. Juntas, essas obras constituem um aparato didático de valor inestimável - como comprova sua ampla adoção nas escolas e universidades.”
(grifos meus)

______.
BIBLIOGRAFIA

HARRISON, Peter. The Territories of Science and Religion. University of Chicago Press, 2015.

______. (Org.) Ciência e religião. São Paulo: Ideias e Letras, 2014.

LINDBERG, David C; NUMBERS, Ronald. When Science and Christianity Meet. University of Chicago Press; Edição: Reprint 1, 2008.

NUMBERS, Ronald L. Galileo Goes to Jail: and other myths about science and religion. Harvard University Press, 2009.

PINSENT, Andrew. Link: https://www.youtube.com/watch?v=-39OweTCOLo&feature=c4-overview&list=UUBFbFwJHAdu6PAitK1_3gTw

STARK, Rodney. Bearing false witness: debuking centuries of anti-catholic history. Templeton Press, 2016.

______. Why God? : explaining religious phenomena. Templeton Press, 2017.

______. For the glory of God: how monotheism led to refomations, science, witch-hunts and the end of slavery. New Jersey: Princeton University Press, 2003.

FILOSOFIA NO ROMANTISMO ALEMÃO

Cover Brill’s Companion to German Romantic Philosophy

Link para informações do livro:
https://brill.com/flyer/title/39495?print=pdf

JORNADA HERDER 2019

ESTÉTICA como disciplina filosófica...

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

VIRTUDES: UMA REFLEXÃO A PARTIR DE BENJAMIN FRANKLIN

Benjamin Franklin: Uma vida americana por [Isaacson, Walter]

"The 13 virtues of Life: Franklin’s Guide Building Character"

“’Tho’ I never arrived at the perfection I had been so ambitious of obtaining, but fell far short of it, yet I was, by the endeavour, a better and a happier man than I otherwise should have been if I had not attempted it.”
.'.

“Eu nunca cheguei à perfeição a que eu tinha sido tão ambicioso de obter; fiquei muito aquém disso, mesmo assim eu fui, pelo esforço, um homem melhor e mais feliz do que eu deveria ter sido se não tivesse tentado"


Em 1726, com 20 anos, Benjamin Franklin criou um sistema para desenvolver seu caráter. Em sua autobiografia, Franklin listou as 13 virtudes abaixo:
Temperança: coma sem se empanturrar; beba sem se elevar.
Silêncio: Não fale se não beneficiar outros ou a si próprio; evite conversações superficiais.
Ordem: Faça suas coisas terem seus lugares; faça cada parte dos seus afazeres terem seu horário.
Resolução: Decida quais ações irá realizar; realize sem falhas o que decidir.
Frugalidade: Não crie gastos exceto para fazer bem a você ou outros; não desperdice nada.
Indústria: Não perca tempo; esteja sempre empregado em algo útil; corte todas as ações desnecessárias.
Sinceridade: Não engane; pense inocentemente e de forma justa, e, se falar, fale de acordo com isso.
Justiça: A ninguém prejudicar fazendo-lhe injustiça ou furtando-se a fazer-lhe o bem que lhe seja devido.
Moderação: Evite extremos; tolere injúrias o quanto puder.
Limpeza: Não tolere a sujeira no corpo, roupas ou habitação.
Tranquilidade: Não se perturbe com trivialidades ou acidentes comuns ou inevitáveis.
Castidade: Não use o sexo exceto para fins de saúde e procriação; nunca até a languidez, fraqueza ou de modo a atacar a reputação de outro ou de si mesmo.
Humildade: Imite Jesus e Sócrates.
Ben fez um caderninho em que conferia dia a dia como havia se comportado em relação a elas. O objetivo era diminuir o número de pontos, indicando uma ‘vida limpa’, ou livre do vício.

ben-franklin-schedule

Ele também se preocupou em dar foco em um objetivo a cada semana, colocando o título na parte superior do cartão, seguido de uma breve descrição. Dessa forma, após 13 semanas, ele havia se preocupado por todas as 13 virtudes e então poderia iniciar o processo novamente.
Mesmo que com o passar do tempo, ele viu as marcas diminuírem nos cartões, nunca chegou a cumprir sua meta de perfeição moral, devido à suas falhas mais do que conhecidas (mulherengo e beberrão, que davam-lhe problemas com a castidade e temperança), mas sentiu que se beneficiou com essa tentativa.



______.
LINK:
https://alyjuma.com/13-virtues/?fbclid=IwAR1YIzKbHYNzTnS9Eou9GebMd4vNiotKV-CQcMx8l3Mautt9WKOOFGjynsA


REFLEXÃO MATINAL XIX: FAREI O MELHOR

Autumn Photography Fall Colors Photo Road Path Trail Fall Forest Print Trees Yellow Leaves Landscape
(IMAGEM: Pinterest)

Buscar o melhor é só um dever.

Aqui, como já faço há algum tempo, registro o que foi a reflexão do dia ou nas noites. Hoje, fiz anotações ainda na perspectiva de um "προκόπτον –prokopton”. De quem aspira à Sabedoria.

Pois, no que se refere à reflexão e atenção essencial à prática; sempre tendo em vistas a vivência como Prokopton, fazer o melhor nessa direção consiste em dever fundamental a ser pensado já na base de tal empreendimento. Fazer sempre o melhor deve ser a busca; contribuir somente com discussões sobre assuntos que sejam importantes, evitando sermões e disputas teóricas. Da discussão política, me afastei já há algum tempo e me distanciarei ainda mais, cada vez mais.
Das minhas leituras frequentes e constantes sobre estoicismo o mais notório na prática mesmo dessa filosofia é o conjunto de “exercícios práticos” - princípios - theoremata. Os objetivos estoicos estão sempre ajustados de forma a dar mais valor à ação do que ao desperdício de palavras nos longos falatórios. A maneira de agir de cada indivíduo que pretenda ser um estoico é priorizada devido ao fato de que na ação é que se revela a pessoa como realmente é. Daí a incessante busca, realizando tais exercícios práticos no cotidiano para alcançar a eustatheia (tranquilidade) e euthymia (crença em si) como já anotei aqui nessa página, tempos atrás e sempre retomo, porque devem ser constantes. 
Enfim, só vou dando continuidade, registrando aqui... E, por isso, do Encheirídion anotei para hoje os passos abaixo:

“[33.1] Τάξον τινὰ ἤδη χαρακτῆρα σαυτῷ καὶ τύπον, ὃν φυλάξεις ἐπί τε σεαυτοῦ ὢν καὶ ἀνθρώποις ἐντυγχάνων. [33.2] σιωπὴ τὸ πολὺ ἔστω ἢ λαλείσθω τὰ ἀναγκαῖα καὶ δι' ὀλίγων. σπανίως δέ ποτε καιροῦ παρακαλοῦντος ἐπὶ τὸ λέγειν τι ἥξομεν, ἀλλὰ περὶ οὐδενὸς τῶν τυχόντων· μὴ περὶ μονομαχιῶν, μὴ περὶ ἱπποδρομιῶν, μὴ περὶ ἀθλητῶν, μὴ περὶ βρωμάτων ἢ πομάτων, τῶν ἑκασταχοῦ λεγομένων, μάλιστα δὲ μὴ περὶ ἀνθρώπων ψέγοντα ἢ ἐπαινοῦντα ἢ συγκρίνοντα. [33.3] ἂν μὲν οὖν οἷός τε ᾖς, μετάγαγε τοῦς σοῦς λόγους καὶ τοὺς τῶν συνόντων ἐπὶ τὸ προσῆκον. εἰ δὲ ἐν ἀλλοφύλοις ἀποληφθεὶς τύχοις, σιώπα. [33.4] γέλως μὴ πολὺς ἔστω μηδὲ ἐπὶ πολλοῖς μηδὲ ἀνειμένος.

.’.

[33.1] Fixa, a partir de agora, um caráter e um padrão para ti próprio, que guardarás quando estiveres sozinho, ou quando te encontrares com outros. [33.2] Na maior parte do tempo, fica em silêncio, ou, com poucas palavras, fala o que é necessário. Raramente, quando a ocasião pedir, fala algo, mas não sobre coisa ordinária: nada sobre lutas de gladiadores, corridas de cavalos, nem sobre atletas, nem sobre comidas ou bebidas – assuntos falados por toda parte. Sobretudo não fales sobre os homens, recriminando-os, ou elogiando-os, ou comparando-os. [33.3] Então, se fores capaz, conduz a tua conversa e a dos que estão contigo para o que é conveniente. Porém, se te encontrares isolado em meio a estranhos, guarda silêncio. [33.4] Não rias muito, nem sobre muitas coisas, nem de modo descontrolado.”

Tarefas difíceis de se executar. Exigem de nós: muita moderação e esforços.
Fundamental que com esses exercícios seja alcançada e mantida uma alta de dose coerência interna, em que se mostre em nós, a aproximação entre o que buscamos (ou dizemos) e o que somos.


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BIBLIOGRAFIA SEMPRE CONSULTADA


DINUCCI, A.; JULIEN, A. O Encheiridion de Epicteto. Coimbra: Imprensa de Coimbra, 2014.

EPICTETO. Entretiens. Livre I. Trad. Joseph Souilhé. Paris: Les Belles Lettres, 1956.

______. Epictetus Discourses. Book I. Trad. Dobbin. Oxford: Clarendon, 2008.

______. O Encheirídion de Epicteto. Trad. Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão: EdiUFS, 2012. (Edição Bilíngue)

______. Testemunhos e Fragmentos. Trad. Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão: EdiUFS, 2008.
EPICTETUS. The Discourses of Epictetus as reported by Arrian; Fragments; Encheiridion. Trad. Oldfather. Harvard: Loeb, 1928.  https://www.loebclassics.com/

HADOT, Pierre. The inner citadel: the meditations of Marcus Aurelius. London: Harvard University Press, 2001.

King, C. Musonius Rufus: Lectures and Sayings. CreateSpace Independent Publishing Platform, 2011.

LONG, Georg. Discourses of Epictetus, with Encheiridion and fragments. Londres: Georg Bell and sons, 1890.

Lutz, C. Musonius Rufus, the Roman Socrates. Yale Classical Studies 10 3-147, 1947.

Pritchard, M. “Philosophy for Children”. Stanford Encyclopedia of Philosophy, 2002. Acessado em 19 de agosto de 2016; fonte: http://plato.stanford.edu/entries/children/ .

SÉNECA, Lúcio Aneu. Cartas a Lucílio. 5. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbekian, 2014.

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