domingo, 20 de outubro de 2019

REFLEXÃO MATINAL LVI: "PROHAÍRESIS"


(IMAGEM: "Pinterest")

Exercitamos, insistimos, pois queremos prosseguir...

Ademais, mesmo em meio às ditas intempéries, o ser humano é dotado de força suficiente para manter uma vida com coesão e serenidade, em qualquer situação com que se depare na vida; se, é certo, souber perseverar no exercício da atenção [prosokhe] e, acima de tudo, dedicar-se às próprias aptidões.

O desafio maior?

"Relativamente à dor: intolerável, mata; duradoura, suporta-se. O pensamento, se retoma firmeza, conserva a serenidade, e o raciocínio não sofre alteração. Quanto aos órgãos afetados pela dor, que se queixem, se puderem."

Empenhar-se, portanto, em bem direcionar as escolhas [Prohaíresis - προαίρεσις] jamais desviar-se para atividades que estejam fora de seu alcance, ou seja, estar atento à essas aptidões, focar nelas. E, de todas as formas, seguindo os preceitos:

[8] Não busques que os acontecimentos aconteçam como queres, mas quere que aconteçam como acontecem, e tua vida terá um curso sereno.

[9] A doença é entrave para o corpo, mas não para a escolha, se ela não quiser. Claudicar é entrave para as pernas, mas não para a escolha. Diz isso para cada uma das coisas que sucedem contigo, e descobrirás que o entrave é próprio de outra coisa e não teu.

E, acima de tudo, jamais esquecer que:

"Le domaine de la philosophie est de l'ordre de biens interieurs" (Épictète. D. I, XV : 1).



______.
DINUCCI, A. O Manual de Epicteto: aforismos da sabedoria estoica. São Cristóvão, EdiUFS, 2007. 


______. A. Epicteto: Testemunhos e Fragmentos. São Cristóvão, EdiUFS, 2008. Disponível em: http://www.archive.org/details/EpictetoTestemunhosEFragmentos 


sábado, 19 de outubro de 2019

SOMOS CORPO OU ALMA, SWINBURNE?



Despertou-me a atenção o título desse livro e, dado que tenho lido o tema há algum tempo, problema mente-corpo, no caso, acabo de inseri-lo nas leituras para o mais breve possível. Tema interessa-me. Espero que seja uma defesa, como o próprio autor se propõe, plausível e coerente com as minha expectativas. Sigo com a leitura!

É bastante notório que “muitos pensam que somos apenas máquinas complicadas, ou animais que são diferentes das máquinas apenas por estarmos conscientes. Em Somos corpos ou almas? Richard Swinburneem defesa da alma, apresenta novos argumentos filosóficos que são apoiados pela neurociência moderna. Quando os avanços científicos permitem aos neurocientistas transplantar uma parte do cérebro em um novo corpo, ele argumenta, por mais que possamos descobrir sobre sua atividade cerebral ou experiências conscientes, nunca saberemos se a pessoa resultante é a mesma de antes ou se alguém é inteiramente Novo. 
Swinburne argumenta, portanto, que somos almas imateriais sustentadas por nossos cérebros. Sensações, pensamentos e intenções são eventos conscientes em nossas almas que causam eventos em nossos cérebros. Embora os cientistas possam descobrir algumas das leis da natureza que determinam eventos conscientes e cerebrais, a alma de cada pessoa é uma coisa individual e é isso que nos torna quem somos."

(Grifos meus)

"Many think that we are just complicated machines, or animals that are different from machines only by being conscious. In Are We Bodies or Souls? Richard Swinburne comes to the defence of the soul and presents new philosophical arguments that are supported by modern neuroscience. When scientific advances enable neuroscientists to transplant a part of brain into a new body, he reasons, no matter how much we can find out about their brain activity or conscious experiences we will never know whether the resulting person is the same as before or somebody entirely new. Swinburne thus argues that we are immaterial souls sustained in existence by our brains. Sensations, thoughts, and intentions are conscious events in our souls that cause events in our brains. While scientists might discover some of the laws of nature that determine conscious events and brain events, each person's soul is an individual thing and this is what ultimately makes us who we are."

   


______.
SWINBURNE, Richard. Are We Bodies or Souls? Oxford University Press, 2019.
...
Sobre o Autor e algumas de suas obras:

"Richard Swinburne was Professor of the Philosophy of the Christian Religion at the University of Oxford from 1985 until 2002. Since then he has continued to lecture in many different countries. His published works include a trilogy on the philosophy of theism, the central title being The Existence of God, Second Edition (Oxford 2004), a tetralology of books on the meaning and justification of central Christian doctrines, and Mind, Brain, and Free Will (Oxford 2013). Faith and Reason, 1981 (new edition 2005). The Evolution of the Soul, 1986. 
He is a Fellow of the British Academy. 

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

XIVe CONGRÈS INTERNATIONAL DE LA SEKLF

A imagem pode conter: 1 pessoa, texto

Link: https://www.facebook.com/events/796941457177053/

MEDITAÇÃO RETROSPECTIVA NOTURNA XX: O BEM DE SI PARA SI

Imagens da semana417 17
(IMAGEM: "Pinterest")

“[48.a] Ἰδιώτου στάσις καὶ χαρακτήρ· οὐδέποτε ἐξ ἑαυτοῦ προσδοκᾷ ὠφέλειαν ἢ βλάβην, ἀλλ' ἀπὸ τῶν ἔξω. φιλοσόφου στάσις καὶ χαρακτήρ· πᾶσαν ὠφέλειαν καὶ βλάβην ἐξ ἑαυτοῦ προσδοκᾷ.

[48.a] Postura e caráter do homem comum: jamais espera benefício ou dano de si mesmo, mas das coisas exteriores. Postura e caráter do filósofo: espera todo benefício e todo dano de si mesmo.”
______.

DINUCCI, A.; JULIEN, A. O Encheiridion de Epicteto. Coimbra: Imprensa de Coimbra, 2014.

EPICTETO. Entretiens. Livre I, II, III, IV. Trad. Joseph Souilhé. Paris: Les Belles Lettres, 1956.

______. Epictetus Discourses. Book I. Trad. Dobbin. Oxford: Clarendon, 2008.

______. O Encheirídion de Epicteto. Trad. Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão: EdiUFS, 2012. (Edição Bilíngue)

______. Testemunhos e Fragmentos. Trad. Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão: EdiUFS, 2008.

EPICTETUS. The Discourses of Epictetus as reported by Arrian; fragments; Encheiridion. Trad. Oldfather. Harvard: Loeb, 1928. 

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

VIRTUDES ÉTICAS


Os capítulos desse livro, com certeza, fazem deste, um dos melhores livros que acabei de ler sobre a temática. Está entre os muitos que tive que ler para a redação dos trabalhos e sãos capítulos que examinam a "estrutura teórica da 'ética da virtude' e seu lugar na teoria moral contemporânea, bem como a história das abordagens da ética baseadas na virtude, o que torna essas abordagens distintas, no que elas podem dizer sobre questões práticas específicas."


Como disse, um dos melhores livros sobre a temática que acabei de ler. E, a este, do mesmo autor, outros já acrescentei para leituras futuras.

THE CAMBRIDGE COMPANION TO VIRTUE ETHICS

Virtue ethics has emerged from a rich history to become one of the fastest-growing fields in contemporary ethics. In this volume of newly commissioned essays, leading moral philosophers offer a comprehensive overview of virtue ethics. They examine the theoretical structure of virtue ethics and its place in contemporary moral theory, as well as the history of virtue-based approaches to ethics, what makes these approaches distinctive, what they can say about specific practical issues, and where we can expect them to go in the future. This Companion will be useful to students of virtue ethics and the history of ethics, and to others who want to understand how virtue ethics is changing the face of contemporary moral philosophy.”

Sobre o autor: Daniel C. Russell
Professor of Philosophy at the Center for the Philosophy of Freedom and the Department of Philosophy,University of Arizona, and the Percy Seymour Readerin Ancient History and Philosophy at Ormond College, University of Melbourne. He is the author of Plato on Pleasure and the Good Life (2005), Practical Intelligence and the Virtues (2009), and Happiness for Humans (2012).

(Grifos são meus)
______.
RUSSELL. Daniel C. The cambridge companion to virtue ethics. New York: Cambrige University Press, 2013.


ENSAIOS DE FILOSOFIA DA CIÊNCIA: DUHEM

Um clássico traduzido, lançado recentemente e que coloco entre os que, havendo condições gerais vou ler.
Lembro-me de um curso que fiz na USP há alguns anos, com o prof. Chiappin sobre o tema. 
Uma oportunidade para retornar ao tema e aprender um pouco mais sobre as contribuições filosóficas de Duhem. 

Nenhuma descrição de foto disponível.

______.
DUHEM, Pierre. Ensaios de filosofia da ciência. São Paulo: Studia & Scientia, 2019. (col. Filosofia Ciência e da Tecnologia)

"COMPANION" SOBRE TOMÁS DE AQUINO



Um desafio para as horas de intervalo da pesquisa principal:

"Convidamos o leitor a considerar os colaboradores deste Companion como dez guias especializados a elementos importantes e ao contexto intelectual do pensamento de Tomás. Além de discutir algumas das características mais relevantes do seu tópico específico, cada colaborador aponta muitas questões conexas e interessantes, que devem ser procuradas nas próprias obras de Tomás e elucidadas em artigos e livros selecionados a partir de uma vasta literatura secundária. Os dez colaboradores esperam ter oferecido um Companion sobre Tomás de Aquino suficiente para introduzi-lo a novos leitores, e mostrar a eles e a outros o caminho para um conhecimento mais amplo e uma avaliação mais profunda da sua filosofia."
______.
KRETZMANN, Norman; STUMP, Eleonore. Tomás de Aquino. São Paulo: Ideias & Letras, 2019.


domingo, 13 de outubro de 2019

CONGRESSO "REENCUENTRO CON KANT"



CALL FOR PAPERS:

“Se hace un llamamiento a la recepción de propuestas para todos los investigadores interesados en contribuir con una propuesta al Congreso Reencuentro con Kant: tradición y perspectivas contemporáneas. El texto deberá ir encabezado con un título así como un resumen que no exceda las 500 palabras. Asimismo, deberá explicitarse el eje temático en el que podría contextualizarse la temática de entre los siguientes: 
  1.  Aetas kantiana y neokantismo. 
  2. La recepción de la filosofía kantiana en la fenomenologia.
  3. La proyección kantiana en la filosofía política, la moral y el derecho contemporâneos.
  4. Epistemología y teoría de la ciencia en Kant.
  5. Kant y la estética contemporânea.
  6. Metafísica y conocimiento en Kant

La propuesta se enviará junto a un breve CV (máximo 300 palabras) a la dirección de correo electrónico:reencuentroconkant@gmail.com
La fecha límite para el envío de propuestas es el 30 de Diciembre de 2019. La aceptación será comunicada antes del 10 de Enero de 2020.
La propuesta tendrá una duración de 20 minutos y se reservarán 10 minutos para la discusión. Las lenguas oficiales del Congreso son el español, el alemán y el inglés.”


Link blog:
https://reencuentroconkant.wordpress.com/

IMMANUEL KANT: RECEPÇÃO E REPERCUSSÃO NO IDEALISMO ALEMÃO




Uma introdução respeitável. 

"Immanuel Kant gehört zu den bedeutendsten Philosophen des Abendlandes. Klar und verständlich beschreibt Höffe Kants philosophische Entwicklung und Wirkungsgeschichte und entfaltet die Grundgedanken Kants von der Kritik der reinen Vernunft über die Ethik, Rechts- und Geschichtsphilosophie bis zur Philosophie der Religion und der Kunst. In kritischer Auseinandersetzung zeigt Höffe, warum Kants Denkentwurf auch heute noch herausfordert"

"Immanuel Kant (1724-1804). A filosofia de Kant marca tanto o fim e o ponto culminante do Esclarecimento moderno como a base e o ponto de partida das grandes concepções posteriores do Idealismo Alemão. Höffe descreve a trajetória filosófica e a influência histórica de Kant, analisando com clareza e rigor as suas ideias básicas. O êxito que o livro obteve se deve em grande parte ao seu caráter introdutório ao pensamento kantiano, inteligentemente aliado a um nível acadêmico exigente, detalhado, seguro e fundamentado no tratamento de todas as questões e conceitos centrais."

(grifos meus, nos temas em que me detive hoje. O foco sempre é o mesmo) 
______.
HÖFFE, Otfriede. Immanuel Kant. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

______. Immanuel Kant. München: C. H. Beck, 2004 (2014).

sábado, 12 de outubro de 2019

MEDITAÇÃO RETROSPECTIVA NOTURNA XIX: MEDIDAS PROFILÁTICAS

Lugares Esquecidos: Pontes lindas e esquecidas
(IMAGEM: "Pinterest")

O escritor e jurista romano Aulo Gélio, acabei de ler aqui, teria dito que:

"Se qualquer pessoa levasse duas palavras a sério e fizesse o necessário para se vigiar segundo elas, ela viveria uma vida tranquila e impecável. Essas duas palavras são: persistir e resistir."

E, nas leituras sobre Estoicismo reli, e aliás, já citei várias vezes aqui, uma conhecida "máxima" estoica que diz: "sustine et abstine", atribuída a Epicteto. As duas palavras, em português podem ser traduzidas por "suporta e abstém".

Assim, estoicaMente:

Suportemos os acontecimentos tidos, às vezes, e erroneamente, como "males" que, porventura, possam nos atingir e que não temos controle sobre eles (EPICTETO. Encheirídion I. 1-2), e abstenhamo-nos de coisas que podem nos colocar na direção desses ditos "males".

São palavras ditas por pessoas diferentes, mas que carregam o mesmo significado das que foram ditas por Aulo Gélio quando afirmou: persista e resista. Ou seja: persista durante os momentos difíceis da vida e resista aos maus impulsos.

Nos dois casos, para mim, um excelente conselho. Bastando direcionar esse conselho com princípios na direção da prática efetiva do suportar e abster.

Anéchou kai Apéchou - Suporta e Abstém-te - Sustine et Abstine

"Esse mesmo Epicteto [...] costumava dizer haver dois vícios entre todos de longe mais graves e perniciosos: a impaciência e a incontinência, quando ou não aguentamos os sofrimentos que devem ser suportados, ou não nos abstemos de coisas e desejos em relação aos quais devemos nos abster. “Assim,” diz Epicteto, “se alguém tomar a peito estas duas palavras e as velar através do governo e da observação de si mesmo, na maior parte do tempo não cometerá faltas e viverá uma vida tranquilíssima”. Estas duas palavras Epicteto dizia serem anéchou (suporta) e apéchou (abstém-te). (Aulo Gélio, Noites Áticas, XVII, XIX, 5 ss.) 


Um caminho?
Guiarmos nossas ações pelas virtudes.


Como boa medida profilática, recomenda Musonius Rufus*: 

"Devemos viver como médicos, tratando a nós mesmos com a razão, contra os males de não usá-la" 

(os grifos são meus)

______.
* (Caio Musónio Rufo - Filósofo estóico do primeiro século da “era cristã”. Nascido em Volsínios, na Etrúria. Viveu entre 25 d.C. - 95 d.C.) 

______.

ARRIANO FLÁVIO. O Encheirídion de Epicteto. Edição Bilíngue. Tradução do texto grego e notas Aldo Dinucci; Alfredo Julien. Textos e notas de Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão. Universidade Federal de Sergipe, 2012. 96 p.

BOÉCIO. (Anicius Manlius Torquatus Severinus Boetius). A consolação da filosofia. prefácio de Marc Fumaroli ; tradução do latim por Willian Li. – 2. ed. – São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2012. – (Clássicos WMF).

CAMUS, Albert. O estrangeiro. 54. ed. Rio de Janeiro, RJ: Record, 1979.

COELHO, Humberto Schubert. Genealogia do Espírito. Brasília, DF: 2012.

______. Filosofia perene: o modo espiritualista de pensar. São Paulo: Ed. Didier, 2014.

DEFOE, Daniel. Um diário do ano da peste. São Paulo: Novo Século, 2021.

______. A journal of the plague year. Penguim Books, 2003.

DINUCCI, A.; JULIEN, A. O Encheiridion de Epicteto. Coimbra: Imprensa de Coimbra, 2014.

EPICTETO. Entretiens. Livre I, II, III, IV. Trad. Joseph Souilhé. Paris: Les Belles Lettres, 1956.

______. Epictetus Discourses. Book I. Trad. Dobbin. Oxford: Clarendon, 2008.

______. O Encheirídion de Epicteto. Trad. Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão: EdiUFS, 2012. (Edição Bilíngue)

______. Testemunhos e Fragmentos. Trad. Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão: EdiUFS, 2008.

EPICTETUS. The Discourses of Epictetus as reported by Arrian; fragments; Encheiridion. Trad. Oldfather. Harvard: Loeb, 1928.  https://www.loebclassics.com/

FRANKL,Viktor. Yes to life: in spite of everything. Beacon Press, 2020.

______. Um sentido para a vida: psicoterapia e humanismo. Aparecida, SP: Ideias e letras, 2005.

GALENO. On the passions and errors of the soul. Translated by Paul W . Harkins with an introduction and interpretation by Walter Riese. Ohio State University Press, 1963.

______. Aforismos. São Paulo: E. Unifesp, 2010.

GAZOLLA, Rachel.  O ofício do filósofo estóico: o duplo registro do discurso da Stoa, Loyola, São Paulo, 1999.

HADOT, Pierre. The inner citadel: the meditations of Marcus Aurelius. London: Harvard University Press, 2001.

KANT, Immanuel. Lições de ética. Trad. Bruno Cunha e Charles Fedhaus. São Paulo: Editora Unesp, 2018.

KARDEC, A. Le Livre des Esprits. Paris, Dervy-Livres, s.d. (dépôt légal 1985). ______. O livro dos Espíritos. Trad. Guillon Ribeiro, 93. ed. - 1. reimpressão (edição histórica). Brasília, DF: Feb, 2013. (Q. 893-919: "As virtude e os vícios”; “Paixões"; “Caracteres do homem de bem”; “Conhecimento de si mesmo” e 920-933: "Felicidade"; Q. 614-648"Caracteres da Lei natural"; "Origem e conhecimento da Lei natural"; "O bem e o mal"; "Divisão da Lei natural").

LESSING, Gotthold Ephraim. Educação do gênero humano. Bragança Paulista, SP: Ed. Comenius, 2019.


segunda-feira, 7 de outubro de 2019

domingo, 6 de outubro de 2019

DEFINIÇÃO DE ESPIRITUALIDADE E SEUS IMPACTOS NA SAÚDE CARDIOVASCULAR


Uma reflexão:

“Definição de Espiritualidade e seus impactos na Saúde Cardiovascular”
Por: Álvaro Avezum

Link do vídeo TV Nupes/UFJF:

“Qual a definição de espiritualidade? Como a espiritualidade e a religião pode ajudar o indivíduo no enfrentamento da vida? A ciência deve investigar a espiritualidade? Qual o impacto da religiosidade na saúde cardiovascular? O Dr. Álvaro Avezum foi considerado pela consultoria Thomson Reuters (2015) como um dos quatro cientistas brasileiros com produção acadêmica de maior impacto no mundo em uma lista de 3.215 pesquisadores. É o pesquisador brasileiro da área de biomédica mais citado no mundo. É diretor da Divisão de Pesquisa do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo e professor do Programa de Doutorado da USP. O médico participa de várias pesquisas clínicas e epidemiológicas internacionais ligadas à área. A colaboração principal dos projetos é com a Universidade McMaster, Hamilton, no Canadá (Instituto de Pesquisa em Saúde Populacional – PHRI). Alvaro Avezum é ainda, o idealizador, fundador e vice-presidente eleito do GEMCA - Grupo de Estudos em Espiritualidade e Medicina Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia.”


Para saber mais:


REFLEXÃO MATINAL LIV: EPITOME OF STOIC ETHICS





"O fim de todas essas excelências é viver seguindo a natureza; uma delas, através das suas peculiaridades, permite ao homem atingir. Pois, por natureza, tem um ponto de partida para a descoberta da ação conveniente, para a estabilidade dos impulsos, para a persistência e para a partilha. (ÁRIO DÍDIMO. 2.7.5b3.1) "

Estudando o Estoicismo já algum tempo, nas pausas da leituras obrigatórias, recentemente deparei-me com um texto do prof. Aldo Dinucci[1] em que ele traduz “os passos 2.7.5A- 2.7.5B da Epítome de Ética Estoica, do filósofo estoico e doxógrafo alexandrino Ário Dídimo (acme 30 a.C.).” e, segundo ele, por não haver “traduções em língua moderna das obras completas de Ário Dídimo”, usou “a fixação da exposição sobre a ética estoica presente em Estobeu (Florilégio), realizada por Pomeroy (1999).” Inserido abaixo.

Comecei, imediatamente, a leitura; muito bom aos inciantes e os que tem tomado a filosofia estoica a sério!

A este, acrescentei para leitura na sequência: "Hierocles the Stoic: Elements of Ethics, Fragments, and Excerpts (2009)"

"Hiérocles foi um filósofo estóico do início da era imperial, testemunha crucial do Oriente e do Neo-estoicismo, especialmente no que diz respeito à filosofia ética estóica.
Neste livro, tudo o que sobreviveu de suas obras, são traduzidas para o inglês pela primeira vez, a partir do grego original: The Elements of Ethics, preservado em papiro, junto com todos os fragmentos e trechos do tratado Sobre os deveres, coletados por Stobaeus no século V dC e lidando principalmente com relações sociais, casamento, família e família. Além disso, o ensaio introdutório de Ramelli demonstra como Hierocles modificou suas doutrinas de acordo com o estoicismo médio e com os desenvolvimentos adicionais da filosofia e de suas opiniões pessoais.

Finalmente, o extenso comentário de Ramelli sobre as obras de Hierocles esclarece questões filosóficas levantadas pelo texto e fornece referências ricas e atualizadas à bolsa de estudos existente.”


______.
ÁRIO DÍDIMO. Epitome of stoic ethics. Tradução de Arthur J. Pomeroy. Atlanta: Society of Biblical Literature, 1999.
ESTOBEU. Florilegium. v. I e II. Ed. Augustus Meineke. Lipsiae: Taubner, 1855.
LONG, A. Arius Didymus and the exposition of stoic ethics. In: FORTENBAUGH, W. W. (Ed.). On stoic and Peripatetic ethics: the work of Arius Didymus. London: Transaction, 1983. p. 190-201.
MEINEKE, A. Zu Stobaeus. Zeitschrift für Gymnasialwesen, v. 13, p. 363-365, 1859.
PLATÃO. Laches. Protagoras. Meno. Euthydemus. Tradução de W. R. M. Lamb. Harvard: https://www.loebclassics.com, 1924.
SÊNECA. Cartas 1-66. Tradução de R. M. Gummere. Harvard: https://www.loebclassics.com, 2001.
______. Cartas a Lucílio. 5. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbekian, 2014.
______. Cartas 66-92. Tradução de R. M. Gummere. Harvard: https://www.loebclassics.com, 2001.
CÍCERO. On ends (The Finibus). Tradução de H. Rackham. Harvard: https://www.loebclassics.com, 1914.



HÖFFE: BREVE HISTORIA ILUSTRADA DA FILOSOFIA



O esperado em filosofia, segundo Otfried Höffe, nessa obra, é que esta ajude a pensar em questões fundamentais e buscar respostas igualmente fundamentais. É sabido que a filosofia lida com questões de princípio e podem se concentrar em três questões decisivas:

  1. O que é natureza e o que podemos saber sobre ela?
  2. Como devemos viver como indivíduos e como comunidade?
  3. O que devemos esperar de uma boa existência, nesta vida ou no futuro?

A essas questões são acrescentadas outras que dizem respeito a momentos específicos como a relação entre razão e revelação ou a que está relacionada à existência de algum progresso na história.

É comum a visão de que filósofos são pessoas deslocadas da vida real.

No entanto, quem examinar com mais detalhes as questões que levantam e afetam a humanidade em geral descobrirá imediatamente questões parciais ou subordinadas que não têm nada estranho à realidade:

1a. Existe uma questão original ou básica que constitui a t.otalidade? da natureza?; Isso significa a palavra "átomo" no sentido literal: um componente último e indivisível da natureza?

1. A natureza espacial e temporalmente infinita é, ao contrário, finita e, portanto, obra de um criador, de uma divindade? É possível que essas questões não tenham relevância existencial, mas não há dúvida de que as seguintes a possuem: a questão referente a 2a) ao bem e ao mal e

2. a À liberdade, especialmente a liberdade de vontade, e

2. b) Aquele que pede a justiça do direito e do Estado. Finalmente, também queremos saber

3. a) Se nosso bem-estar, felicidade, depende de nosso bom comportamento, de uma vida moralmente boa: a honestidade moral é lucrativa ou, pelo contrário, a pessoa honesta é, em suma, um tolo

3. b) E, caso a compensação não seja dada "nesta vida", há esperança para uma alma imortal, uma "vida eterna" e uma recompensa no futuro?

Um pouco do que encontrei nessa obra que acabo de ler!

______.


HÖFFE, Otfriede. Breve historia ilustrada de la filosofia: el mundo de las ideas a través de 18o imágenes . Trad. de José Luis Gil Aristu. Barcelona: Ediciones Península, 2003.


______. Kleine Geschichte der Philosophie. 3. ed. München: Verlag C. H. Beck oHG, München, 2001 (2018).

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

II ENCONTRO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM FILOSOFIA DA UNIFESP

Próxima parada:
Entre os dias 6 e 7 de novembro, no campus UNIFESP. 
Diz a "carta de aceite" (21.10):
"[...] comunicamos que sua inscrição no II Encontro de Pós-Graduação em Filosofia da Unifesp foi aprovada. Sua apresentação está marcada para quarta-feira 06/11 às 10h30. Abaixo, a programação completa com todas as mesas e conferências [...]"

Link do evento (comunicações):
https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=140910817300797&id=105604040831475&__tn__=K-R

Resultado de imagem para II ENCONTRODE PÓS-GRADUAÇÃO EM FILOSOFIADA  UNIFESP

PROGRAMAÇÃO COMPLETA:

https://docs.google.com/document/d/1S2o5jnbCvHkanCEunZY73kmJyaMV2XGnxYwOwrNBgpk/edit






quinta-feira, 3 de outubro de 2019

CONTRIBUIÇÕES DA HISTÓRIA E FILOSOFIA DA CIÊNCIA

A imagem pode conter: texto


Leitura:
Textos sobre História e Filosofia da Ciência embasados em vários referenciais teóricos, relacionando o tema ao ensino da disciplina e às reflexões sobre o desenvolvimento das atividades de pesquisas através da história.
Objetivos humanísticos, conteúdos científicos: contribuições da história e da filosofia da ciência para o ensino de ciências. Campina Grande: EdUEPB. 

Livro, na íntegra, disponível no site da EdUEPB

Link:

IMMANUEL KANT: UMA INTRODUÇÃO


Kant: A Very Short Introduction (Very Short Introductions Book 50) (English Edition) por [Scruton, Roger]

Tenho acompanhado o trabalho de Roger Scruton, li vários textos disponíveis na rede, outros que recebo aqui, enviados por amigos, nos quais o escritor Roger Scruton apresenta suas concepções de mundo e filosofia.

Em entrevistas e apresentações disponíveis no Youtube, alguns desses vídeos usei em aulas e reuniões a que, porventura conversávamos sobre tais temas. 

Aqui, após ter lido, recentemente, um de seus livros “A alma do mundo”; iniciei a leitura de uma brevíssima introdução ao pensamento kantiano: “Kant: a very short introduction”, tinha lido a versão em português há algum tempo e, com a necessidade de me aperfeiçoar no idioma, releio agora, durante a pausa de hoje. Anotado!

______.
SCRUTON, Roger. Kant: a very short introduction. New York: Oxford University Press, 2001.

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

NOS "PALÁCIOS DA MEMÓRIA"

Resultado de imagem para A memória, o esquecimento e o desejo


Cheguei a esse texto, principalmente, pelo anterior e antigo interesse que mantenho pelo tema "memória". Aqui, desde Platão ("teoria das reminiscências", passando por Agostinho, nas "Confissões" até outros autores da psicologia do seculo XIX e inícios do XX.

"Entre memória, esquecimento e desejo circula uma vinculação dinâmica cujo reconhecimento esclarece o íntimo do ser humano. Seus processos psíquicos e espirituais, seus projetos e ações, seu ir e vir, lutar ou desistir estão ali sempre implicados. Em um exame do legado de pensadores consagrados sobre o tema, particularmente Agostinho, Freud e Nietzsche, esta obra desvela uma extraordinária análise e reflexão sobre os elementos fundamentais que conjugam a surpreendente complexidade do humano. É uma contribuição altamente sugestiva para pensadores e profissionais das mais diferentes áreas. A linguagem ilustrada, que se soma à admirável clareza de expressão sobre um assunto envolvente, favorece uma leitura agradável e proveitosa.”
______.
AGOSTINHO de HIPONA (354 - 430). "Confissões". Livro X, XII e XVIII

BEAR, Mark F; CONNORS, Barry W; PARADISO, Michael A. Neurociências: desvendando o sistema nervoso. 4. Ed. Porto Alegre, RS: Artmed, 2017.

IZQUIERDO, Ivan. A arte de esquecer: cérebro, memória e esquecimento. 2. ed.  Rio de Janeiro: Vieira & Lent, 2010.


REFLEXÃO MATINAL LIII: O PARADOXO DO MENTIROSO


Nenhuma descrição de foto disponível.

O Facebook fez-me lembrar esta publicação de 2016. Acrescentei uma citação da Metafísica de Aristóteles e outra, do prof. O. Porchat. 

Em tempos "paradoxais", de infindo falatório, vale brincar de Lógico aqui. Tomem como exemplo o enunciado abaixo:
______.
"[...] ESTA AFIRMAÇÃO É FALSA.” (*)

A sentença do mentiroso nos leva a uma contradição quando tentamos determinar se ela é verdadeira ou não.

Vejamos:

1.      Se assumimos a sentença como verdadeira, então o que ela afirma deve ser o caso e, portanto, ela deve ser falsa!
2.      Por outro lado, se a assumimos como falsa então ela de fato expressa aquilo que é o caso, sendo portanto verdadeira!

Em qualquer uma das duas possíveis situações, somos conduzidos a uma contradição, ou seja, se a sentença é verdadeira então ela é falsa, e vice-versa. Este paradoxo é chamado de Paradoxo do mentiroso, e faz parte de uma classe chamada de paradoxos auto-referentes [...]".
______.
*(TESTA, R. - Doutor e pesquisador associado do Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência (CLE-Unicamp), ligado ao grupo de Lógica Teórica e Aplicada (GTAL).

E, como dizia Aristóteles, ampliando ainda a reflexão para o contexto de uma sociedade como a nossa, que fala sobre tudo, fala e fala:

“Os que pretendem discutir devem entender-se sobre algum ponto. Se isso não ocorresse, como poderia haver discussão entre eles? Portanto, é preciso que cada um dos termos que eles usam seja-lhes compreensível e signifique algo e não muitas coisas, mas uma só (...) Se não é possível afirmar nada de verdadeiro, então também esta afirmação será falsa, isto é, será falso dizer que não existe nenhuma afirmação verdadeira.”
______.
(ARISTÓTELES. Metafísica. Livro 11, 1062a, 10 e 1062b, 10.)

Ademais, para pensar em outra frente, considere-se também que:

"Em suma, no que respeita a esse tópico, o que eu sempre quis significar a meus estudantes poderia resumir-se numas poucas palavras, tais como: "Se vocês querem realmente fazer filosofia, não acreditem em nada do que lhes digo, seja ao expor idéias filosóficas minhas, seja ao propor alguma interpretação da doutrina de algum filósofo. Mas também não acreditem em ninguém mais. Utilizem seus professores e seus livros como instrumentos eventualmente úteis para ajudá-los no trabalho de conhecer a filosofia e de filosofar. Porque aquele que acreditar no que eu disser, ou no que disser algum outro professor de filosofia, estará apenas mostrando que está longe, muito longe de saber o que é filosofia". No limite, o professor deveria dizer muito seriamente a seus alunos - e isso no princípio de cada aula: "Não se pode acreditar em nada do que eu digo". Bem sei que algum esperto filósofo analítico poderia querer ver aqui uma variante do paradoxo do mentiroso. Mas deixemos isso para lá. São divertimentos de filósofo analítico".


______.
(Cf. PORCHAT, O. "Discurso proferido quando do recebimento do título de professor emérito da FFLCH-USP". In: SMITH, P. J.; WRIGLEY, M. B. O filósofo e sua história: uma homenagem a Oswaldo Porchat. Campinas-SP, UNICAMP, 2003, p. 32).

REFLEXÃO MATINAL CXXX: “CURA OU CONTROLE DAS PAIXÕES”? EUROIA E AS "PAIXÕES DA ALMA E SEUS ERROS" (III)

(IMAGEM: " Pinterest ")    Na hora do cafezinho !   1. Terminei pela manhã uma releitura de uma das Biografias de Ludwig van Beeth...