quarta-feira, 20 de novembro de 2019

REFLEXÃO MATINAL LXIII: EUROIA E O FLUXO DA VIDA


Caminhos👣
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Pausa na oficina, depois de ter estudado "Do ideal de sumo bem como um fundamento determinante do fim último da razão pura, 'segunda seção da Crítica da Razão pura'", aproveito para a reflexão matinal. 

E, foi assim:

Uma reflexão sobre a “filosofia ética” de Epicteto evidencia, desde o início uma preocupação: a filosofia entendida prática interna para o “bem viver”. Lembrando que o tripé fundamental do estoicismo são, a física, a ética e a lógica; tenho feito aqui uma leitura do tema sob o viés de uma ética de si. Assim compreendida a Filosofia deve ocupar-se, em grande medida, com o esforço no desenvolvimento de Virtudes, por uma vida virtuosa.

Como sempre tenho anotado aqui, um dos pontos básicos nessa prática filosófica é, como refleti antes e várias vezes aqui, ocuparmo-nos com o que está em nosso poder, que depende de nós (eph'hêmin e úk eph'hêmin). EPICTETO, Encheiródion, I, 1-2)

A isso acrescento aqui: “o que nos é permitido desejar” e o que  “não nos é permitido desejar”, também de Epicteto e anotados por Arriano.

"Aquele que progride é quem aprendeu dos filósofos que o desejo é pelas coisas boas e que a repulsa é pelas coisas más; é o que aprendeu também que a serenidade e a privação de sofrimento (tó euroyn kaí apathés) não advêm de outro modo ao homem senão assegurando o desejo e evitando o repulsa [...] Como, portanto, concordamos ser a virtude algo tal e buscamos e exibimos progresso em outras coisas? Qual a obra da virtude? A serenidade (euróia)." (Epicteto. D. I, IV.)

A meta: com essas máximas tomadas como maneira de caminha em busca das virtudes, o propósito é alcançar a eudaimonia, chegar à euroia [εὐροίας]serenidadecom a recomendação de Epicteto: 

  • apátheia (ἀπάθεια): ausência de paixões e 
  • ataraxía (ἀταραξία):imperturbabilidade da alma.

Um modo de levar em frente o projeto tem sido, em meio a tudo isso, acrescentar a leitura que Hadot fez dessa filosofia. Ora, o que ele denominou “exercício espirituais” tem possibilitado a reflexão e uma “metodologia” para uma verdadeira transformação de si mesmo que muitos estoicos e o próprio Epicteto viam como “conversão” por ser uma ética profundamente vinculada a proairesis (προαίρεσις): escolhas.

É nesse sentido, que prossigo esse estudo em meio ao restante: aperfeiçoar a proairesis é aperfeiçoar a nossa capacidade de escolha e como devemos bem viver.
Para Bem vivermos faz-se urgente, portanto, uma disciplina centrada na atenção de si e o cultivo da razão.
______.
CÍCERO. De Finibus Bonorum et Malorum. Trad. H. Rackham, Cambridge: Harvard University Press, 1914.

DESCARTES, René.  As paixões da alma. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

DINUCCI, Aldo. Introdução ao Manual de Epicteto. 3ª ed, São Cristóvão: Universidade Federal de Sergipe, 2012.

__________. Koinonia cósmica e antropológica em Epicteto, p. 57-70. IN: Cosmópolis

DIOGENES LAERTIUS. Diogenes Laertius: Live of Eminent Philosophers, Trad. R. D. Hicks, Vol. II, Cambridge: Harvard University Press, 1925.

DUHOT, Jean-Joël. Epicteto e a sabedoria estoica. Trad. Marcelo Perine. São Paulo: Edições Loyola, 2006.

FERRY, Luc. Aprender a Viver: filosofia para os novos tempos. Trad. Véra Lucia dos Reis, Rio de Janeiro: Objetiva, 2010

HADOT, Pierre. Exercícios espirituais e filosofia antiga. Trad. Flávio Fontenelle Loque, Loraine Oliveira. São Paulo: É Realizações, Coleção Filosofia Atual, 2014.

__________. What is ancient philosophy? Trad. Michael Chase, London: Cambridge, 2002.

__________. La filosofía como forma de vida: conversaciones com Jeannie Carlier y Arnold I. Davidson. Trad. María Cucurella Miquel, Barcelona: Alpha Decay, 2009.

__________. Elogio da Filosofia Antiga. Trad. Flávio Fontenelle Loque e Loraine Oliveira, São Paulo: Loyola, 2012.

__________. The Inner Citadel: The Meditations of Marcus Aurelius. Trad. Michael Case, Massachusetts: Harvard University Press, 1998. 

IRVINE, William B. A Guide to the Good Life: the ancient art of Stoic joy. New York: Oxford University Press, 2009.

KANT, Immanuel. Crítica da razão pura. 3. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbekian, 1994.

LONG, A.A. A stoic and Socratic guide to life. New York: Oxford University Press, 2007.

domingo, 17 de novembro de 2019

REFLEXÃO MATINAL LXII: "DICOTOMIA DO CONTROLE"



"[...] o espetáculo exterior [das coisas] é um maravilhoso perverter da razão, e quando temos certeza de que as coisas com as quais estamos lidando valem a pena, é quando ela mais nos engana. (Meditações. VI, 13)"

Prosseguindo, da última reflexão matinal, retorno a um princípio estoico (princípios filosóficos", em (51.1) e "principios" e (52.1), no Encheirídion): concentrar-se no q
ue se pode controlar, aceitar o que não se pode!

"[1.1] Τῶν ὄντων τὰ μέν ἐστιν ἐφ' ἡμῖν, τὰ δὲ οὐκ ἐφ'  ἡμῖν. ἐφ' ἡμῖν μὲν ὑπόληψις, ὁρμή, ὄρεξις, ἔκκλισις καὶ ἑνὶ λόγῳ ὅσα ἡμέτερα ἔργα· οὐκ ἐφ' ἡμῖν δὲ τὸ σῶμα, ἡ κτῆσις, δόξαι, ἀρχαὶ καὶ ἑνὶ λόγῳ ὅσα οὐχ ἡμέτερα ἔργα. [1.2] καὶ  τὰ μὲν ἐφ' ἡμῖν ἐστι φύσει ἐλεύθερα, ἀκώλυτα, παραπόδιστα,  τὰ δὲ οὐκ ἐφ' ἡμῖν ἀσθενῆ, δοῦλα, κωλυτά, ἀλλότρια."

"[1.1] Das coisas existentes, algumas são encargos nossos; outras não. São encargos nossos o juízo, o impulso, o desejo, a repulsa – em suma: tudo quanto seja ação nossa. Não são encargos nossos o corpo, as posses, a reputação, os cargos públicos – em suma: tudo quanto não seja ação nossa.  [1.2] Por natureza, as coisas que são encargos nossos são livres, desobstruídas, sem entraves. As que não são encargos nossos são débeis, escravas, obstruídas, de outrem. (EPICTETO. Encheirídion. I, 1-2, 2012)"

Dessa citação do Encheirídion de Epicteto, o fundamental para reflexão matinal de hoje a partir da filosofia estoica é pensar a  "dicotomia estoica do controle". Tal princípio orienta-nos na direção da distinção clara entre o que é "nosso encargo", que esteja em nosso controle e o que escapa-nos totalmente do domínio.

Nossas escolhas, já refleti aqui nessa página sobre isso, é encargo nosso. As escolhas que fazemos, ações e juízos estão sob nosso controle; o que não está incluso aqui, não está sob nosso controle.

Exemplo simples? O próprio corpo não depende das nossas escolhas voluntárias. Podemos até cuidar deste, mas até um determinado limite fixado pela natureza. 

Ainda sobre o corpo, notemos o quanto em nós acontece que não está sob nosso controle: nossa genética e tudo que daí decorra; por exemplo: as doenças, as lesões.

Por se tratar de uma dicotomia incortornavel, o que devemos fazer, segundo os estoicos, é continuarmos fazendo o nosso melhor e aceitar o resultado, se fizemos esse nosso melhor.

Mesmo os obstáculos servem de exercício para aquisição de Virtudes, aplicarmos a razão nas escolhas, exercitamos a coragem na ação, desenvolvermos um senso de justiça e viver praticando a moderação.

Também, como diria Epicteto:

“Faça uma prática dizer a todas as impressões fortes: ‘Uma impressão é tudo o que você é’. Em seguida, teste e avalie com seus critérios, mas um principalmente: pergunte: ‘Isso é algo que está ou não está sob meu controle?’ E se não é uma das coisas que você controla, diga: ‘Então não é minha preocupação’. (EPICTETO. D. II, 18)

Portanto, cabe-nos concentrar a atenção no que está sob nosso controle, a Natureza cuida do que está longe do nosso poder.
_____.

ARRIANO FLÁVIO. O Encheirídion de Epicteto. Edição Bilíngue. Tradução do texto grego e notas Aldo Dinucci; Alfredo Julien. Textos e notas de Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão. Universidade Federal de Sergipe, 2012.

CÍCERO. On Duties. Trad. W. Miller. Harvard: Loeb Classical Library, 1913.

______. On the Nature of the Gods. Academics. Trad. H. Rackham. Harvard: Loeb Classical Library, 1933.

______. De Finibus. Bonorum Et Malorum. Trad. H. Rackham. Harvard: Loeb Classical Library, 1914.

______. Letters to Friends. Volume I: Letters 1-113. Trad. B. Shackleton. Harvard: Loeb Classical Library, 2001

DESCARTES, René.  As paixões da alma. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

DIÓGENES LAÉRCIO. Lives of Eminent Philosophers. vol. I, II.Trad. R. D. Hicks. Harvard: LoebClassical Library, 1925.

DINUCCI, A.; JULIEN, A. O Encheiridion de Epicteto. Coimbra: Imprensa de Coimbra, 2014.

EPICTETO. Entretiens. Livre I, II, III, IV. Trad. Joseph Souilhé. Paris: Les Belles Lettres, 1956.

______. Epictetus Discourses. Book I. Trad. Dobbin. Oxford: Clarendon, 2008.

______. Testemunhos e Fragmentos. Trad. Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão: EdiUFS, 2008.

EPICTETUS. The Discourses of Epictetus as reported by Arrian; Fragments; Encheiridion. Trad. Oldfather. Harvard:Loeb Classical Library, 1928.

HADOT, Pierre. The inner citadel: the meditations of Marcus Aurelius. London: Harvard University Press, 2001.

______. A filosofia como maneira de viver: entrevistas de Jeannie Carlier e Arnold I. Davidson. (Trad. Lara Christina de Malimpensa). São Paulo: É Realizações, 2016.

______. Exercícios Espirituais e Filosofia Antiga. Trad. Flavio Fontenelle Loque e Loraine Oliveira. Prefácio de Davidson, Arnold. São Paulo: É Realizações, 2014.

HANH, Thich Nhat. Meditação andando: guia para a paz interior. 21. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000.

______. Silêncio: o poder da quietude em um mundo barulhento. Rio de Janeiro, RJ: Harper Collins, 2018.

MARCO AURÉLIO. Meditações. São Paulo: Abril Cultural, 1973.

SÉNECA, Lúcio Aneu. Cartas a Lucílio. 5. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbekian, 2014.

sábado, 16 de novembro de 2019

LÓGICA, EPISTEMOLOGIA E FILOSOFIA DA CIÊNCIA


“A Perpectivas, Revista de Filosofia da Universidade Federal do Tocantins, apresenta para  o  seu  público  o  presente  dossiê  que  aborda  temas  concernentes  à  Lógica  e  à Epistemologia.  Trata-se  de  um projeto  realizado  a  partir  de  diálogos  acerca  de  temas  e interesses comuns de seus idealizadores e que muito aguardava-se pela sua concretização. Esse dossiê, portanto, vem nos trazer discussões importantes e que, certamente, irá aprazer o seu público”
______.
Link para os artigos:

PRINCETON’S JAMES PEEBLES RECEIVES NOBEL PRIZE IN PHYSICS

Recente vencedor do premio Nobel de Física, o Astrofísico James Peebles não concorda com os argumento em defesa do "Big Bang". Isso me levou a interessar pelo seu trabalho, considerando, claro, minhas limitações sobre o assunto:

James Peebles in his office in front of books on a bookshelf

Link sobre o tema e o autor:
https://www.princeton.edu/news/2019/10/08/princetons-james-peebles-receives-nobel-prize-physics?fbclid=IwAR13jUYxZ5fRFe7udNqN0FTJxMM3CQyVLy5-LNfUP9lJxKIGzgrXlUcpCyw

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

E, PARA 2020: "EARLY MODERN GERMAN PHILOSOPHY (1690-1750)"

Lançamento futuro:
Em dezembro no Reino Unido e no início de 2020, no Canadá

Que bom! Já tenho mais coisa boa para ler em 2020:


Early Modern German Philosophy (1690-1750) - Corey W. Dyck.

São “[...] textos (que) pretendem mostrar a filosofia alemã no início do período moderno como uma tradição muito mais rica do que normalmente é creditada, e de fato muito mais do que uma nota de rodapé para Leibniz ou apenas um passo a caminho de Kant.” Uma coletânea que, com certeza, se constituirá em “[...] um recurso valioso para estudantes e acadêmicos interessados ​​na tradição alemã moderna e nos trabalhos muitas vezes negligenciados que a iluminaram. ”. Por isso, a leitura já está programada e sigo aguardando a publicação.

Early Modern German Philosophy (1690-1750) makes some of the key texts of early German thought available in English, in most cases for the first time. The translations range from texts by the most important figures of the period, including Christian Thomasius, Christian Wolff, Christian August Crusius, and Georg Friedrich Meier, as well as texts by consequential but less familiar thinkers such as Dorothea Christiane Erxleben, Theodor Ludwig Lau, Friedrich Wilhelm Stosch, and Joachim Lange. The topics covered range across a number of areas of theoretical philosophy, including metaphysics (the immortality of the soul, materialism and its refutation, the pre-established harmony), epistemology (the principle of sufficient reason, the limits of reason with respect to matters of faith), and logic (the role of prejudices in cognition and the doctrine of truth).
These texts are intended to showcase German philosophy in the early Modern period as a far richer tradition than it is typically given credit for, and indeed as much more than either a footnote to Leibniz or merely a step on the way to Kant. This collection is a valuable resource for students and scholars interested in the early modern German tradition and the often neglected works that enlightened it.”
______.
"Table of Contents

Part I: Truth and Prejudice

1. Christian Thomasius, from Introduction to the Doctrine of Reason (1691)
2. Dorothea Christiane Erxleben, from Rigorous Investigation of the Causes that obstruct the Female Sex from Study (1742)

Part II: Radical Philosophy
3. Friedrich Wilhelm Stosch, from The Concord of Reason and Faith (1692)
4. Theodor Ludwig Lau, Philosophical Meditations concerning God, the World, and the Human Being (1717)

Part III: The Controversy Between Wolff and the Pietists
5. Christian Wolff, from Rational Thoughts concerning God, the World, and the Human Soul and also all Things in general (1720)
6. Joachim Lange, from A Modest and Detailed Disclosure of the False and Harmful Philosophy in the Wolffian Metaphysical System (1724)
7. Christian Wolff, Refutation of Spinoza's Ethics (1737)

Part IV: The Limits of Reason
8. Christian August Crusius, from Philosophical Dissertation on the Use and Limits of the Principle of Determining Reason, commonly called the Principle of Sufficient Reason (1743)
9. Georg Friedrich Meier, from Thoughts on the State of the Soul after Death (1746)"

(grifos e destaques meus)

______.
DYCK, Corey W. Early Modern German Philosophy (1690-1750). Oxford Univerity Press, 2020.

Sobre o autor:

Corey W. Dyck is Professor of philosophy at Western University in Canada where he specializes in Kant and the history of German philosophy. He is the author of Kant and Rational Psychology (Oxford 2014), the co-editor (with Falk Wunderlich) of Kant and his German Contemporaries (Cambridge 2017), and co-translator (with Dan Dahlstrom) of Morning Hours by Moses Mendelssohn.”

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

O CÉREBRO DURANTE UMA EXPERIÊNCIA RELIGIOSA: MENTE E CÉREBRO



(TV NUPES -UFJF)

O que acontece com o cérebro durante uma experiência religiosa?Há alguma relação entre experiências religiosas e transtornos mentais? Sarah Lane Ritche é pesquisadora na University of St Andrews (Escócia). Trabalha na intersecção da teologia com as ciências e tem interesse em investigar questões que envolvem a mente humana, a relação entre Deus e o mundo físico, a fenomenologia e o desenvolvimento cognitivo da crença religiosa e as formas complexas pelas quais a pesquisa científica pode desempenhar um papel no estudo teológico. Seu doutorado concentrou-se na questão de como as realidades divinas se relacionam com a matéria física e particularmente na questão de se a mente humana deve ser considerada imaterial ou ‘mais que física’.”

Para mais informações sobre o autor acesse: 
https://www.ed.ac.uk/profile/dr-sarah...

Link do vídeo TV NUPES/UFJF:
https://www.youtube.com/watch?v=kV9VJN-xH1Q

(Grifos e destaques meus)

domingo, 10 de novembro de 2019

REFLEXÃO MATINAL LXI: ESCOLHAS - "PROAÍRESIS"


E se o inverno não é um lugar fora?
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“Torna meu pensamento capaz de se adaptar seja ao que for que venha a acontecer” (EPICTETO, Diatribes, II, 2, 21)

Antes de começar a pensar, ressalte-se que "adaptar-me" aqui não é sinônimo de conivência com absurdos, como se há de perceber abaixo.

Li, certa vez, não me lembro onde, algo sobre a Filosofia estoica ser uma doutrina da coerência consigo mesmo. A Razão perfeita que eles buscam ou defendem é a mesma papa pensar a comunidade dos humanos Seria a Razão a que rege o “mundo dos homens”, da mesma maneira, a que rege o homem considerado individualmente.

Nessa maneira de ver as coisas, em que o homem procura seu local of control, suainner citadel, está o cerne da razão mesma. 
Inegável que todo o homem tem um conhecimento natural de realidade essencial, sente a aspiração pelo Bem, felicidade e a paz de espírito.

É comum a todo homem o esforço na busca do Bem e em evitar o mal. 

Nesse sentido é que os estoicos propunham o conceito de epiméleia (cuidado de si) e o conceito de oikeíosis (apropriação de si). Ao que se pretenda aventurar pelo caminho da filosofia, no que se refere ao aprofundamento dessa busca, diz Epicteo nas (Diatribes, I, 22, 9-15):

“Que é, então, a educação filosófica? É aprender a aplicar nossas prenoções naturais aos casos particulares de uma maneira conforme com a natureza; é em seguida, discernir, em meio aos seres, aquilo que depende de nós e aquilo que não depende. Depende de nós: a pessoa e todos os seus atos; não depende de nós: o corpo, as partes do corpo, aquilo que nós possuímos, os parentes, os irmãos, as crianças, a pátria, em uma palavra aqueles com quem nós vivemos. Em que então devemos colocar nosso bem?  A que tipo de realidade aplicaremos este nome? Àquelas que dependem de nós. - “Quê! Então não é um bem a saúde, a integridade do corpo, a vida? Não? Nem mesmo as crianças, os parentes ou a pátria? Quem poderia crer?” – Transportemos então para esses últimos objetos a denominação de bens. Então é possível ser feliz se injuriado e privado dos bens? – “Isso não é possível”. – E, ter com aqueles que vivem perto de vós as relações que devem existir? E como isso seria possível? Porque eu sou levado pela natureza a considerar meu interesse. Se for meu interesse ter um campo; é também meu interesse pegar aquele do vizinho; se for meu interesse ter uma veste, é também meu interesse roubá-lo de uma casa de banhos. Daí, as guerras, as dissensões, as tiranias, os complôs.”
  
O “coração” do homem, segundo o Epicteto, pode ser posto nas coisas que não dependem de nós, e é disso que resulta a visão de que o mundo é um horror, um “inferno” (segundo alguns).
Ora, sendo um estoico Epicteto orienta sobre a maneira de nos posicionarmos em relação ao mundo, à natureza. Se está chovendo, faz calor, faz frio mas eu desejava outra coisa, não a que está acontecendo, não devo me perturbar. Realmente, difícil entrar no ritmo dessa disciplina, mas é procedimento da educação filosófica estoica.

Disso reflitamos sobre se não é fundamental, ainda na perspectiva da educação filosófica estoica, colocarmos nosso “coração” nas coisas que dependem mesmo de nós. Desenvolvermos, e insistindo que não é fácil, uma adaptação, com o tempo, às circunstâncias.

“Eis como nós representamos a tarefa do filósofo. Falta ainda procurar realizá-la. Vemos que alguém se torna carpinteiro graças a um aprendizado, piloto graças a um aprendizado. Não é portanto claro que também nesse caso não basta querer ser alguém de bem, mas é necessário um aprendizado? Nós procuramos qual é esse aprendizado. Os filósofos dizem que é preciso começar por isto:  Existe um Deus, ele exerce sua Providência sobre todo o Universo (hoti esti théos kaí pronoeî  ton hólon), e não é possível esconder dele, não somente suas ações como também seus próprios pensamentos e desejos. (EPICTETO, Diatribes, II, 14, 9-12).”

À medida que estudo as obras dos estoicos, sobre os quais anoto aqui nessa página os resultados de pesquisa, fica claro para mim: há no interior do ser humano, aquilo que levou Piere Hadot a chamar de “cidadela interior”, que acima ressaltei com “local of control” e “coração” do homem. Onde está seu "coração" aí estará o homem. Portanto, é necessário aferirmos nossas escolhas (proaíresis - προαίρεσις).

E, é sempre bom lembrar:

“[1.1] Τῶν ὄντων τὰ μέν ἐστιν ἐφ' ἡμῖν, τὰ δὲ οὐκ ἐφ'  ἡμῖν. ἐφ' ἡμῖν μὲν ὑπόληψις, ὁρμή, ὄρεξις, ἔκκλισις καὶ ἑνὶ λόγῳ ὅσα ἡμέτερα ἔργα· οὐκ ἐφ' ἡμῖν δὲ τὸ σῶμα, ἡ κτῆσις, δόξαι, ἀρχαὶ καὶ ἑνὶ λόγῳ ὅσα οὐχ ἡμέτερα ἔργα. [1.2] καὶ  τὰ μὲν ἐφ' ἡμῖν ἐστι φύσει ἐλεύθερα, ἀκώλυτα, παραπόδιστα,  τὰ δὲ οὐκ ἐφ' ἡμῖν ἀσθενῆ, δοῦλα, κωλυτά, ἀλλότρια. [1.3] μέμνησο οὖν, ὅτι, ἐὰν τὰ φύσει δοῦλα ἐλεύθερα οἰηθῇς καὶ τὰ ἀλλότρια ἴδια, ἐμποδισθήσῃ, πενθήσεις, ταραχθήσῃ, μέμψῃ καὶ θεοὺς καὶ ἀνθρώπους, ἐὰν δὲ τὸ σὸν μόνον οἰηθῇς σὸν εἶναι, τὸ δὲ ἀλλότριον, ὥσπερ ἐστίν, ἀλλότριον,  οὐδείς σε ἀναγκάσει οὐδέποτε, οὐδείς σε κωλύσει, οὐ μέμψῃ  οὐδένα, οὐκ ἐγκαλέσεις τινί, ἄκων πράξεις οὐδὲ ἕν, οὐδείς σε βλάψει, ἐχθρὸν οὐχ ἕξεις, οὐδὲ γὰρ βλαβερόν τι πείσῃ. [1.4] τηλικούτων οὖν ἐφιέμενος μέμνησο, ὅτι οὐ δεῖ μετρίως   κεκινημένον ἅπτεσθαι αὐτῶν, ἀλλὰ τὰ μὲν ἀφιέναι παντελῶς, τὰ δ' ὑπερτίθεσθαι πρὸς τὸ παρόν. ἐὰν δὲ καὶ ταῦτ' ἐθέλῃς καὶ ἄρχειν καὶ πλουτεῖν, τυχὸν μὲν οὐδ' αὐτῶν τούτων τεύξῃ διὰ τὸ καὶ τῶν προτέρων ἐφίεσθαι, πάντως γε μὴν  ἐκείνων ἀποτεύξη, δι' ὧν μόνων ἐλευθερία καὶ εὐδαιμονία περιγίνεται. [1.5] εὐθὺς οὖν πάσῃ φαντασίᾳ τραχείᾳ μελέτα ἐπιλέγειν ὅτι ‘φαντασία εἶ καὶ οὐ πάντως τὸ φαινόμενον’.  ἔπειτα ἐξέταζε αὐτὴν καὶ δοκίμαζε τοῖς κανόσι τούτοις οἷς  ἔχεις, πρώτῳ δὲ τούτῳ καὶ μάλιστα, πότερον περὶ τὰ ἐφ' ἡμῖν  ἐστιν ἢ περὶ τὰ οὐκ ἐφ' ἡμῖν· κἂν περί τι τῶν οὐκ ἐφ' ἡμῖν  ᾖ, πρόχειρον ἔστω τὸ διότι ‘οὐδὲν πρὸς ἐμέ’.”

[1.1] Das coisas existentes, algumas são encargos nossos; outras não. São encargos nossos o juízo, o impulso, o desejo, a repulsa – em suma: tudo quanto seja ação nossa. Não são encargos nossos o corpo, as posses, a reputação, os cargos públicos – em suma: tudo quanto não seja ação nossa.  [1.2] Por natureza, as coisas que são encargos nossos são livres, desobstruídas, sem entraves. As que não são encargos nossos são débeis, escravas, obstruídas, de outrem. [1.3] Lembra então que, se pensares livres as coisas escravas por natureza e tuas as de outrem, tu te farás entraves, tu te afligirás, tu te inquietarás, censurarás tanto os deuses como os homens. Mas se pensares teu unicamente o que é teu, e o que é de outrem, como o é, de outrem, ninguém jamais te constrangerá, ninguém te fará obstáculos, não censurarás ninguém, nem acusarás quem quer que seja, de modo algum agirás constrangido, ninguém te causará dano, não terás inimigos, pois não serás persuadido em relação a nada nocivo. [1.4] Então, almejando coisas de tamanha importância, lembra que é preciso que não te empenhes de modo comedido, mas que abandones completamente algumas coisas e, por ora, deixes outras para depois. Mas se quiseres aquelas coisas e também ter cargos e ser rico, talvez não obtenhas estas duas últimas, por também buscar as primeiras, e absolutamente não atingirás aquelas coisas por meio das quais unicamente resultam a liberdade e a felicidade. [1.5] Então pratica dizer prontamente a toda representação bruta: “És representação e de modo algum <és> o que se afigura”. Em seguida, examina-a e testaa com essas mesmas regras que possuis, em primeiro lugar e principalmente se é sobre coisas que são encargos nossos ou não. E caso esteja entre as coisas que não sejam encargos nossos, tem à mão que: “Nada é para mim”. (EPICTETO. O Encheirídion, 2012)

______.
ARRIANO FLÁVIO. O Encheirídion de Epicteto. Edição Bilíngue. Tradução do texto grego e notas Aldo Dinucci; Alfredo Julien. Textos e notas de Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão. Universidade Federal de Sergipe, 2012.
CÍCERO. On Duties. Trad. W. Miller. Harvard: Loeb Classical Library, 1913.
______. On the Nature of the Gods. Academics.Trad. H. Rackham. Harvard: Loeb Classical Library, 1933.
______. De Finibus. Bonorum Et Malorum. Trad. H. Rackham. Harvard: Loeb Classical Library, 1914.
______. Letters to Friends. Volume I: Letters 1-113. Trad. B. Shackleton. Harvard: Loeb, 2001
DESCARTES, René.  As paixões da alma. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
DIÓGENES LAÉRCIO. Lives of Eminent Philosophers. vol. I, II.Trad. R. D. Hicks. Harvard: Loeb Classical Library, 1925.
DINUCCI, A.; JULIEN, A. O Encheiridion de Epicteto. Coimbra: Imprensa de Coimbra, 2014.
EPICTETO. Entretiens. Livre I, II, III, IV. Trad. Joseph Souilhé. Paris: Les Belles Lettres, 1956.
______. Epictetus Discourses. Book I. Trad. Dobbin. Oxford: Clarendon, 2008.
______. Testemunhos e Fragmentos. Trad. Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão: EdiUFS, 2008.
EPICTETUS. The Discourses of Epictetus as reported by Arrian; Fragments; Encheiridion. Trad. Oldfather. Harvard: Loeb, 1928.
HADOT, Pierre. The inner citadel: the meditations of Marcus Aurelius. London: Harvard University Press, 2001.
______. A filosofia como maneira de viver: entrevistas de Jeannie Carlier e Arnold I. Davidson. (Trad. Lara Christina de Malimpensa). São Paulo: É Realizações, 2016.
______. Exercícios Espirituais e Filosofia Antiga. Trad. Flavio Fontenelle Loque e Loraine Oliveira. Prefácio de Davidson, Arnold. São Paulo: É Realizações, 2014. 
MARCO AURÉLIO. Meditações. São Paulo: Abril Cultural, 1973.
SÉNECA, Lúcio Aneu. Cartas a Lucílio. 5. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbekian, 2014.

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

SCHNEEWIND: ENSAIOS SOBRE A HISTÓRIA DA FILOSOFIA MORAL

Retornando aos trabalhos:

Essays on the History of Moral Philosophy (English Edition) por [Schneewind, J. B.]

Tive acesso a esses ensaios e entre eles um, específico, trata da relação de Kant com a filosofia moral pré-kantiana, interessou-me uma possível relação com os estoicos, apresentada por Schneewind num dos ensaios. Prossigamos!

J. B. Schneewind apresenta uma seleção de seus ensaios publicados sobre ética, a história da ética e da psicologia moral, juntamente com uma nova peça que oferece uma autobiografia intelectual. O volume varia entre os séculos XVII, XVIII e XIX: inclui os primeiros conhecimentos morais e princípios morais anti-fundacionalistas de Schneewind, o clássico "Os infortúnios da virtude" e outros ensaios sobre a relação de Kant com a filosofia moral pré-kantiana; também um longo artigo sobre "Os poderes ativos" e a própria interpretação de Schneewind da filosofia moral de Kant. Esses escritos fornecem excelentes introduções aos dois longos livros de Schneewind e os complementam de maneiras importantes.”

...
Sobre o autor:

J. B. Schneewind is Emeritus Professor of Philosophy at Johns Hopkins University. He has studied at Cornell and Princeton and has taught at Chicago, Yale, Princeton, Hunter, Stanford, Leicester, Halle, Helsinki, and Johns Hopkins. A member of the American Academy of Arts and Sciences, he has been Chair of the Board of the Americal Philosopical Association and was awarded a Quinn Prize for Distinguished Service.
______.
SCHNEEWIND, J. B. Essays on the history of moral philosophy. New York: Oxford University Press, 2010.

domingo, 3 de novembro de 2019

REFLEXÃO MATINAL LX: EPICTETO E A HARMONIZAÇÃO DOS IMPULSOS

Ponte.    Eu não estou com muita concentração hoje. Estou sob pressão isso me dificulta. Deleta erros de escrita ou qualquer frase que te magoe. Estou relendo varias vezes mas não estou conseguindo saber se o que estou escrevendo está fazendo sentido. Qualquer coisa é só me deixar só, eu vou entender.
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“Quando discernires que deves fazer alguma coisa, faz. Jamais evites ser visto fazendo-a, mesmo que a maioria suponha algo diferente sobre <a ação>. Pois se não fores agir corretamente, evita a própria ação. Mas se <fores agir> corretamente, por que temer os que te repreenderão incorretamente?” (Epicteto. Encheirídion. XXXV. Trad. A. Dinucci e A. Julien, 2012)

Nos intervalos dos trabalhos, prosseguindo com os estudos das obras “O Encheirídion” de Epicteto e as “Meditações” do imperador Marco Aurélio, tenho aprendido a maneira de se conceber a filosofia como “exercício”, como defendia Hadot (2014), , como fim a ser buscado para mudança interior de quem se aprofunde em reflexões filosóficas nessa chave de interpretação.

Como já disse aqui, nesse blog, O Encherídion reúne pensamentos e máximas de Epicteto organizadas por Arriano, seu discípulo, com o objetivo de preparar o aprendiz de filósofo para uma vida filosófica orientada à prática. As Meditações (tá eís eautóv) de Marco Aurélio também são desse tipo; "exercícios espirituais" escritos, sobre certos temas que foram refletidos por Epicteto e que o Imperador usou para orientar-se na mudança interior à medida que a vida assim o exigisse.

Importante aqui, é tomar a ideia da prática de “exercícios espirituais” como esforço, disposição em se alcançar alguma coisa. Nesse caso, esforçar-se na aquisição de virtudes. Daí a ideia para esse texto nesta manhã, de caminhar pela vida, “passear sozinho” e enveredar por conversas íntimas; tarefa complexa e por vezes penosa, mas  a meta é buscada no sentido de aperfeiçoar corpo e a alma.

Por trás dessa reflexão, considerando a noção de “exercícios espirituais” está a importância da filosofia como ascese (áskesis) e conversão (metastrophé) em Epicteto e Marco Aurélio, que retomarei em texto com objetivos mais acadêmicos; aqui faço somente os esboços para reflexões posteriores.

Neste sentido, nas Diatribes, Epicteto orienta sobre o caminho a seguir considerando um duplo aspecto, característico dos seres humanos. Um, estaria mais próximo a sua natureza animal e que precisa ser superada; outro, um parentesco com os deuses que precisa ser desenvolvido.

Diz Epicteto:

"[…] Dois elementos foram misturados em nossa gênese: o corpo, em comum com os animais, e a razão e a inteligência, em comum com os Deuses. Alguns inclinam-se para o primeiro parentesco, que é desafortunado e mortal. Alguns poucos, para o divino e bem-aventurado. Já que é necessário que todo e qualquer homem use cada coisa segundo o que supõe sobre ela, <é necessário que> aqueles poucos que pensam ter nascido tanto para a confiabilidade e para a dignidade […] nada sórdido ou abjeto suponham sobre si mesmos. […] Em razão desse parentesco, <alguns> homens, ao se inclinarem <para a carne>, tornam-se semelhantes aos lobos, desleais, traiçoeiros e nocivos. Outros, <tornam-se> como os leões: agrestes, bestiais e selvagens. Mas muitos de nós <tornam-se> raposas e, assim, o que há de não-afortunado entre os animais. Pois que outra coisa é um homem malévolo e ofensivo senão uma raposa ou algum outro <animal> mais não-afortunado e abjeto? 
(Diatribes. 1.3.3-5, 7-8)"

Epicteto, apresenta nessa Diatribe, uma reflexão bem interessante no sentido de se pensar no ser humano que se inclinou para o seu lado animal e perdeu sua dimensão moral, e é isso que considera como dificuldade que impede o homem, com esse desvio, de não conseguir desenvolver o modo ético da realidade que o cerca, pois se não desenvolver o seu caráter racional e moral, estará reduzido ao outro aspecto de sua dupla característica: de um animal irracional que busca apenas satisfação dos impulsos primários, desejos egoístas e apetites sensuais.

Temos lido, no entanto, no Estoicismo e em Epicteto que há consequências para esse desvio. O ser humano que cai nesse desvio, dominado por essa sua inclinação limita-se a uma faixa inferior de suas possibilidades, e não conseguirá realizar a sua verdadeira natureza racional, isso, para Epicteto, é que faz do ser humano, um desleal, traiçoeiro, contrário do ser humano que se inclina a sua natureza próxima aos deuses, como visto acima. Isso,  segundo Epicteto, faria com que o ser humano buscasse as Virtudes, a dignidade.

Dessa dupla natureza, aparentemente em "conflito", o ser humano deve escapar buscando harmonizar seus impulsos sob o domínio da razão.

“Se são verdadeiros os ditos dos filósofos sobre o parentesco dos Deuses e dos homens, que outra coisa resta aos homens que <repetir> o dito de Sócrates, que, quando se lhe perguntava de que país era, jamais se dizia ateniense ou coríntio, mas cidadão do Cosmos. Por que dizes tu mesmo ser ateniense e não unicamente declaras em que canto do mundo o teu pequeno corpo foi lançado ao nascer? […] Portanto, por que não chama a si mesmo de cidadão do Cosmos quem entendeu a administração do Cosmos e aprendeu que “O maior, mais importante e mais universal sistema de todos <é o composto> pelos homens e por Deus, do qual foram lançadas as sementes que geraram não somente meu pai e meu avô, mas todas as coisas que surgiram e cresceram sobre a terra, principalmente os seres racionais, porque somente estes por natureza formam uma comunidade com Deus, entrelaçados pela razão em uma vida em comum” (EPICTETO. Diatribes. 1.9.5)?

A partir disso, podemos formular, como regra para cada ação, partirmos da necessidade de nos aproximarmos da nossa natureza racional, que segundo Epicteto, operaria na harmonização dos nos nossos impulsos, naturalmente em conflito.

______.

ARRIANO FLÁVIO. O Encheirídion de Epicteto. Edição Bilíngue. Tradução do texto grego e notas Aldo Dinucci; Alfredo Julien. Textos e notas de Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão. Universidade Federal de Sergipe, 2012).

CÍCERO. On Duties. Trad. W. Miller. Harvard: Loeb Classical Library, 1913.

______. On the Nature of the Gods. Academics.Trad. H. Rackham. Harvard: Loeb Classical Library, 1933.

______. De Finibus. Bonorum Et Malorum. Trad. H. Rackham. Harvard: Loeb Classical Library, 1914.

______. Letters to Friends. Volume I: Letters 1-113. Trad. B. Shackleton. Harvard: Loeb, 2001

DESCARTES, René.  As paixões da alma. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

DIÓGENES LAÉRCIO. Lives of Eminent Philosophers. vol. I, II.Trad. R. D. Hicks. Harvard: Loeb Classical Library, 1925.

DINUCCI, A.; JULIEN, A. O Encheiridion de Epicteto. Coimbra: Imprensa de Coimbra, 2014.

EPICTETO. Entretiens. Livre I. Trad. Joseph Souilhé. Paris: Les Belles Lettres, 1956.

______. Epictetus Discourses. Book I. Trad. Dobbin. Oxford: Clarendon, 2008.

______. Testemunhos e Fragmentos. Trad. Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão: EdiUFS, 2008.

EPICTETUS. The Discourses of Epictetus as reported by Arrian; Fragments; Encheiridion. Trad. Oldfather. Harvard: Loeb, 1928.

FREUD, Sigmund. Os instintos e suas vicissitudes. In: A história do movimento psicanalítico, Artigos sobre a metapsicologia e outros trabalhos (1914–1916). Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Volume XIV. Rio de Janeiro: Imago, 2006.
HADOT, Pierre. The inner citadel: the meditations of Marcus Aurelius. London: Harvard University Press, 2001.
______. A filosofia como maneira de viver: entrevistas de Jeannie Carlier e Arnold I. Davidson. (Trad. Lara Christina de Malimpensa). São Paulo: É Realizações, 2016.
______. Exercícios Espirituais e Filosofia Antiga. Trad. Flavio Fontenelle Loque e Loraine Oliveira. Prefácio de Davidson, Arnold. São Paulo: É Realizações, 2014. 

JUNG, Carl Gustav. Tipos psicológicos. 7. ed. Petrópolis/RJ: Editora Vozes, 2013. (Obras completas, Vol. 6). 

SCHILLER, J. C. Friedrich. Cartas sobre a educação estética do homem. São Paulo: Iluminuras, 1995.

SÉNECA, Lúcio Aneu. Cartas a Lucílio. 5. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbekian, 2014.

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

BIOÉTICA, DIREITO E MEDICINA

“Obra pioneira em abrangência a respeito da Bioética [..] (bioética, direito e medicina); editores e autores especialistas nas áreas que compõem o livro; tema de pouca bibliografia especializada no Brasil [...]" (Ed. Manole)


"Aqui é preciso fazer uma viagem à história dos editores Claudio Cohen e Reinaldo Ayer de Oliveira. Discípulos, como eu, do inesquecível, querido, carismático e inspirador Professor Marco Segre, assumiram, depois da morte do mestre, a direção do programa de Bioética da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e, coerentes com suas personalidades e formação, deram a ele dimensão e característica únicas. Com foco intensivo em Bioética Clínica e forte interação com a área do Direito – uma peculiaridade definidora do programa e deste livro –, ampliaram a área de discussão e de interesse da Bioética, do Direito e da Medicina." (Prof. Dr. Gabriel Oselka).”
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Sobre o Autor
“Médico psiquiatra e psicanalista, mestre e doutor em Psicologia Social pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IPUSP). Professor-Associado da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Coordenador do Núcleo de Estudos de Bioética da USP (NEB-USP) e do Centro de Estudos e Atendimento Relativos ao Abuso Sexual (CEARAS). Docente de Ética Médica e Bioética do Departamento de Medicina Legal, Ética Médica, Medicina Social e do Trabalho da Faculdade de Medicina da USP.

Graduação em Medicina Humana pela Faculdade de Ciências Médicas e Biológicas de Botucatu (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – UNESP). Doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Docente de Ética Médica e Bioética do Departamento de Medicina Legal, Ética Médica, Medicina Social e do Trabalho da Faculdade de Medicina da USP.”


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COHEN, Cláudio; OLIVEIRA, Reinaldo Ayer. Bioética, direito e medicina. São Paulo: Ed. Manole, 2019. 

PIERRE DUHEM: HISTÓRIA E FILOSOFIA DA CIÊNCIA


Após leitura da "comunicação sobre Kant", no "II Encontro de Filosofia da Unifesp".

Para encerrar bem a próxima quarta-feira (06.11.2019):

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Immanuel Kant, pela manhã e "História e Filosofia da ciência", com lançamento da obra de Pierre Duhem à tarde (na USP).


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Scientiae Studia e o Departamento de Filosofia da  FFLCH USP têm o prazer de convidar a todos para a mesa de lançamento do livro Ensaios de filosofia da ciência, de Pierre Duhem


dia 06 de novembro – 4a feira – das 17 às 19 hs
na sala 113 – Prédio de Filosofia e Ciências Sociais/FFLCH - USP (Avenida Prof. Luciano Gualberto, 315)

Com a presença de:

Fábio Rodrigo Leite, pós-doutorado do Depto. de Filosofia/USP, organizador e tradutor do livro
e
Pablo Rubén Mariconda, professor titular do Depto. de Filosofia/USP e editor da Coleção de Estudos sobre Ciência e Tecnologia

Na ocasião do evento haverá a venda do livro com preço promocional de lançamento.

Divulgue a atividade. Apoie a produção científica nacional.



TEMPO DE ESTUDOS. LEITURA DE "AMOR AO BELO E AO BEM: ESTUDOS SOBRE O BANQUETE E A REPÚBLICA DE PLATÃO" (II)

 Amor ao belo e ao bem: estudos sobre o Banquete e a República de Platão “ O Amor é o anseio de imortalidade. ” ( Platão - Banquete   Termin...