terça-feira, 12 de maio de 2026

TEMPO DE ESTUDOS: "HISTÓRIA NATURAL DA RELIGIÃO" E "PRINCÍPIOS DA MORAL" (I)


Relia, há pouco, as "Lições..." de Immanuel Kant, referência principal nas pesquisas por aqui, sobre o tema, e decidi fazer uma digressão...

Primeiro, destaco "História natural da religião é uma profunda reflexão sobre os princípios que dão origem à crença original e como o contexto histórico, cultural e social influencia e é influenciado pelas disposições morais e filosóficas do ser humano. O percurso de Hume leva ao entendimento de que "o bem e o mal se misturam e se confundem universalmente, assim como a felicidade e a miséria, a sabedoria e a loucura, a virtude e o vício". Por esse ângulo, a religião estaria associada a princípios sublimes, ao mesmo tempo que dá ensejo a práticas as mais vis. Uma conclusão audaz para a sua época e dramaticamente corroborada pelo cenário contemporâneo.”

Nessa obra, Hume faz "[...] uma espécie de genealogia da crença religiosa, ... busca a origem e os motivos causais da mesma.

Apresenta dois tipos de explicações no que se refere à origem da religião.

"A primeira explicação defende a tese de que as pessoas são levadas à religião pela contemplação racional do universo, explicação que lembra de passagem a ideia do Movente Imóvel de Aristóteles.

A segunda defende a tese de que a religião tem seu fundamento não em bases racionais mas em fatores estritamente psicológicos. Hume defenderá a segunda tese, ou seja, que as religiões não são fruto de uma tentativa de compreensão racional do universo, mas de paixões humanas primitivas e basilares, principalmente das paixões do medo e da esperança. A crença religiosa (e, por conseguinte, o politeísmo) origina-se do medo e do desconhecido e prospera em circunstâncias adversas de medo e ignorância em relação ao futuro. A crença religiosa acaba sendo uma escora psicológica importante para atenuar fracassos e fomentar esperanças 
[...]. (Fonte: http://pepsic.bvsalud.org/pdf/nh/v14n2/a11.pdf)"

Logo depois, O "Facebook" trouxe uma lembrança e decidi por publicar aqui, um pequeno resumo, unicamente por trazer elementos para uma nova reflexão e aprofundamento, mantido o enfoque a que tenho me dedicado desde muito tempo:

Trata-se de "Uma investigação sobre os princípios da moral é, segundo o próprio Hume, a expressão final e definitiva de suas ideias e de seus princípios filosóficos. Com este livro, Hume mostra que uma investigação deve proceder de fatos observados sobre o comportamento humano, deixando de lado quaisquer esquemas puramente hipotéticos e idealizados acerca da “real natureza” do homem. Seu modo de estudo é a antiga ideia do homem como um ser caracteristicamente racional, e a consequente tentativa de fundamentar na razão todas as atividades que são próprias do ser humano ― entre elas, a busca do conhecimento e do aprimoramento moral. Hume, ao publicar esta obra, teve em vista o leitor culto e educado, que acredita na filosofia não como um meio de vida, mas sim como uma fonte de princípios e ensinamentos, e que busca antes o conteúdo substancial do que os longos caminhos das réplicas e das tréplicas. Esse leitor poderá entregar-se a um dos textos mais ricos e fascinantes da prosa filosófica.”

...

"DOS PRINCÍPIOS GERAIS DA MORAL: As disputas com homens teimosamente obstinados em seus princípios são dentre todas as mais tediosas, exceto talvez aquelas com pessoas inteiramente insinceras que não acreditam realmente nas opiniões que defendem mas engajam-se na controvérsia por afetação, por um espírito de oposição ou pelo desejo de mostrar um brilho e inventividade superiores aos do resto da humanidade. Em ambos os casos deve-se esperar a mesma aderência cega aos próprios argumentos, o mesmo desprezo pelos seus antagonistas e a mesma veemência apaixonada com que insistem em sofismas e falsidades. E como o raciocínio não é a fonte da qual nenhum desses contendores deriva suas doutrinas, é vão esperar que a lógica – que não se dirige aos afetos – consiga alguma vez leva-los a abraçar princípios mais sadios”.

 

Dessa digressão, advirão outras reflexões e releituras.

______.

CUNHA, Bruno. A gênese da ética em Kant. São Paulo: Editora LiberArs, 2017.

ESSEN, Georg; STRIET, Magbus. (Hrsg.) Kant und die Theologie. Wbg academic, 2005. 

HUME, David. História natural da religião. Trad. apres. e notas Jaimir Conte. São Paulo: Ed. Unesp, 2005.

______. Tratado da natureza humana. São Paulo: Ed. Unesp, 2009.

______. Uma investigação sobre os princípios da moral. Trad: José Oscar de Almeida Marques. Campinas, SP: Editora UNICAMP, 1995, p.19.

______. A arte de escrever Ensaios. São Paulo: Ed. Unesp, 2008.

______. Dissertação sobre as paixões: seguida de História natural da religião. Trad. Pedro Paulo Pimenta. São Paulo: Iluminuras, 2021.

______. Dissertação sobre as paixões. Trad. Jaimir Conte. In: Revista Princípios. Natal, v.18, n.29, jan./jun. 2011, p. 371-399.

JAMES, William. L'expérience religieuse: essai de psychologie descriptive. Legare Street Press, 2022. (482 páginas).

______. (e-book) L'expérience religieuse. 

______. As variedades da experiência religiosa: um estudo sobre a natureza humana. São Paulo: Cultrix, 2017.

______. A vontade de crer. São Paulo: Edições Loyola, 2001.

______. Human immortality: two supposed objections to the doctrine. Cosimo Classics, 2007.

______. Alguns problemas de filosofia. Lisboa: Edições 70, 2023.

______. Ensaios sobre psicologia. Organização, tradução, introdução e notas de Saulo de Freitas aAraújo. São Paulo: Hogrefe, 2024.

KANT, Immanuel. Lições de ética. Trad. Bruno Cunha e Charles Fedhaus. São Paulo: Editora Unesp, 2018.

______. Lições sobre a doutrina filosófica da religião. Trad. Bruno Cunha. Petrópolis, RJ: Vozes, 2019.

______. Die Religion Innerhalb Der Grenzen Der Bloße Vernunft. Walter de Gruyter, 2010. (Editado por Ottfried Höffe)

______. Die Religion innerhalb der Grenzen der bloßen Vernunft. W. de Gruyter, 1968.

______. A religião nos limites da simples razão. Edições 70, Lisboa, 1992. 

______. Vorlesung über die philosophische Encyclopädie. In: Kant gesalmmelte Schriften, XXIX, Berlin, Akademie, 1980, pp. 8 e 12).

______. Observações sobre o sentimento do belo e do sublime; Ensaio sobre as doenças mentais. Tradução e estudo de Vinicius de Figueiredo. São Paulo: Editora Clandestina, 2018.

______. Observações sobre o sentimento do Belo e do Sublime; Ensaio sobre as doenças mentais. (Trad. Vinícius Figueiredo). Campinas, SP: Ed. Papirus, 1993.

______. Observações sobre o sentimento do Belo e do Sublime; Ensaio sobre as doenças mentais. Lisboa: Edições 70, 2012.

KANTERIAN, Edward. Kant, God and Metaphysics: the secret thorn. Routledge, 2017.

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