quinta-feira, 26 de abril de 2018

SCHLEIERMACHER SOBRE PLATÃO



Estudando a temática e o autor, recentemente, encontrei esse opúsculo. Li, com muito prazer. Instantes de reflexão sempre renovados.

"Esse livro contém a tradução da célebre 'Introdução' aos Diálogos de Platão, traduzidos por Schleiermacher em princípios do século XIX. Esse texto apresentou um novo modelo exegético na história da recepção da obra de Platão e, atualmente, continua a suscitar calorosos debates entre os mais importantes especialistas da filosofia grega"

_____.

SCHLEIERMACHER, Friedrich D. E. Introdução aos diálogos de Platão. Trad. de Georg Otte; revisão e notas de Fernando Rey Puente. (Coleção Travessias). Belo Horizonte: Editora daUFMG, 2002. 76 p

quarta-feira, 25 de abril de 2018

1º SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA DAS DOENÇAS E DAS ARTES DE CURAR

1º Simpósio Nacional de História das Doenças e das Artes de Curar

Data: 28 e 29 de junho de 2018 das 14:00 às 18:00 hs. 

Local: Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - FMUSP. 

Endereço: Av. Dr. Arnaldo, 455 - Cerqueira César, São Paulo

Contato: organizacaosnhdac@gmail.com


Inscrições para apresentação de trabalho a partir do dia 01/05/2018 e para participação como ouvinte a partir do dia 01/06/2018 em link que será em breve disponibilizado. 

Simpósios temáticos:

1- Artes de Curar no Brasil: terapêuticas e práticas populares

2- Epidemias e endemias: ações médico-sanitárias e políticas públicas

3- Instituições médicas e de saúde pública: organização corporativa e ações sobre o território

4- Circularidades e diálogos internacionais: debates científicos e trocas acadêmicas"



O EVENTO:

https://www.facebook.com/events/232677840644546/"

sexta-feira, 20 de abril de 2018

SOBRE "COMO" ENSINAR: UMA REFLEXÃO

A Arte de Ensinar

Próxima leitura

Feriado! E, pelo que se planeja aqui; um intervalo dos mais interessantes. Sem perder o fio das leituras já iniciadas, evidentemente. 

“Este livro não trata das disciplinas que devam ser ensinadas. Não tenta discutir se a ciência, a religião, ou a arte, ou as línguas estrangeiras devam ser ensinadas, ou que relações essas várias disciplinas apresentam entre si. Trata somente de métodos de ensino. Há numerosos livros de primeira qualidade que expõem as disciplinas que devam concorrer para a educação de crianças, rapazes e moças. Essas disciplinas largamente variam nos diferentes países e em diferentes épocas. Mas os métodos de ensinar, dentro de certos limites, parecem permanecer mais ou menos os mesmos. Portanto, neste livro não pretendemos mostrar o que deva ser ensinado, mas sim como o ensino possa ser bem conduzido”.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

O PROBLEMA MENTE-CÉREBRO E SUA RELEVÂNCIA PARA A PSICOLOGIA

A imagem pode conter: texto

Pelo tema em si, sua alta relevância filosófica, importância, e por conhecer a qualidade do trabalho do Prof. Saulo, recomendo:

"É com grande prazer que o PET-Psicologia traz o evento "O Problema Mente-Cérebro e sua relevância para a Psicologia" com a participação do Prof. Dr. Saulo de Freitas Araujo, expoente na área. 


O evento ocorrerá no dia 24 de abril (terça-feira) às 16:30, no Anfiteatro II do Instituto de Ciências Humanas (ICH) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). 
As pré-inscrições podem ser realizadas até o dia 22/04 através do link: 

https://goo.gl/NEfRiw." 

domingo, 15 de abril de 2018

UMA REFLEXÃO SOBREAS FRAGILIDADES E O "BEM HUMANO"

Resultado de imagem



Li esse livro em 2009; de vez em quando, como hoje pela manhã, revisito um de seus capítulos.

Foi publicado, aqui no Brasil,  com o título: "A fragilidade da bondade". Um exame sobre a "vulnerabilidade humana" em relação à "fortuna" no pensamento ético dos poetas gregos, de Aristóteles e Platão.

Sua autora Martha C. Nussbaum, estudiosa reconhecida internacionalmente como especialista em temas sobre Aristóteles; Professora emérita de Direito e Ética da Universidade de Chicago.

Aqui,  "examina respostas gregas para os desafios éticos de se construir uma boa vida por meio de boas escolhas, diante de ameaças do destino que ultrapassam nossa capacidade de controle e provocam crises angustiantes. Os impasses da tragédia grega, apontam, levam a dilemas em que os imperativos da práxis se impõem e exigem o cumprimento de deveres éticos na esfera pública, com o que o leitor/espectador encontra um amparo para compreender as difíceis escolhas que a vida impõe, e a eventual falta de soluções positivas."

Uma excelente reflexão sobre a bondade entendida como "Bem humano; eudaimonia".
______.
NUSSBAUM, Martha C. A fragilidade da bondade: fortuna e ética na tragédia e na filosofia grega. São Paulo, Martins Fontes, 2009. 486 páginas. 

______. NUSSBAUM, Martha. The fragility of goodness: luck and ethics in greek tragedy and philosophy. 2. ed. Cambridge University Press, 2001.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

DA AUFKLÄRUNG AO ROMANTISMO




“O segundo centenário de A religião nos limites da simples razão, de Kant, foi o motivo deste colóquio, da iniciativa do Departamento de Filosofia da FLL, que reuniu consagrados especialistas e vasta participação. As comunicações estão agrupadas em 4 secções: Religions-schrift; teologia transcendental, teodiceia e filosofia da história kantiana; pensadores que estão em debate com Kant e a religião no pensamento português.”

Segundo os coordenadores, "trata-se, com efeito, de um momento particularmente rico e crítitico da cultura alemã setecentista, marcada pelo esgotamento da 'Aufklärung' e pela eclosão do Romantismo" 

______.
SANTOS, Leonel Ribeiro dos; FERREIRA, Manuel J. Carmo (Coords.) Actas do Colóquio Religião, História e Razão: da Aufklärung ao romantismo. Lisboa: Edições Colibri, 1994.

domingo, 8 de abril de 2018

HANS GEORG GADAMER: O MISTÉRIO DA SAÚDE



O filósofo Hans-Georg Gadamer figura entre os herdeiros de uma tradição que pode ser registrada a partir da hermenêutica de Friedrich Schleiermacher (1768-1834).

Gadamer, em certa medida, deu roupagens novas a alguns pressupostos: a natureza e o objeto da hermenêutica. Influenciado também, pelo diálogo socrático-platônico, pelas ideias aristotélicas sobre o conceito de phrônesis e por Martin Heidegger,  em "Ser e Tempo" e "A questão da técnica" , preservando aspectos do conceito de “historicidade” hegeliano e de “mundo da vida” de Edmund Husserl.

Para ele, a hermenêutica não pode ser entendida somente como método ou técnica para interpretar ou compreender textos; deve ser tomada como postura existencial frente às nuances da vida; diante da ocorrências dos acontecimentos.

Com a sua hermenêutica filosófica, Gadamer tratou de analisar antigos temas da história da filosofia.

E, aqui, especificamente, como o meu interesse por alguns desses temas vem crescendo, decidi visitar a obra gadameriana que traz reflexões sobre a ciência, a técnica e decorrências dessa relação - um pouco do que andei pensando durante o mestrado. Percebi que Gadamer, assim como outros autores que tenho me dedicado à leitura, sempre esteve às voltas com uma certa crítica ao “cientificismo”; às vezes, aparecendo nos seus textos, um autor "anticientífico", defendendo a alta relevância das “humanidades” sobre o “tecnicismo reducionista”.

Aqui, portanto, com este seu livro “O mistério da saúde: o cuidado da saúde e a arte da medicina”, Gadamer reuniu alguns dos artigos e conferências que realizou em “ocasiões especiais”, como diz no início do prefácio, durante 25 anos de sua produção, entre 1965 e 1990, sobre o cuidado com a saúde em tempos de desenvolvimento da ciência e da técnica. 

Em seu livro, Gadamer trata de compreender que a ciência, e a medicina enquanto área comprometida com a ciência, não são capazes de, sozinhas, resolverem todos os problemas humanos, trabalhando com a tese mais específica de que é a saúde, e não a doença, o grade foco a ser estudado e é nesse ponto onde reside, na verdade: o “mistério da saúde” que desenvolverá.   

Perceptível que Gadamer mantem diálogo constante com pensadores como Platão, Aristóteles, alguns de seus contemporâneos e outros autores, ao longo dos capítulos do livro.

"O primeiro capítulo, “Teoria, técnica, prática” - (Stuttgart, 1972); (1993, p. 11-38), apresenta a principal questão que será desenvolvida ao longo do livro: a de que vivemos na era da ciência. Para mim, muito interessante esse tema, que me levou a pensar sobre, no mestrado, como apontei acima. E, a partir daí nota-se que Gadamer faz um percurso desde o que entendiam os gregos sobre teoria, técnica e prática e a maneira moderna com que se relaciona com a questão. Sempre presente a ideia de que é preciso trabalhar num  nível de “totalidade”, num sentido de visão integral do homem. Toca, em certa medida, portanto, na questão do “naturalismo”, inclusive. 

No segundo capítulo: “Apologia da arte de curar” - (Leipzig, 1965); (1993, p. 39-50), é apresentada uma importante tese que discute na obra: a de que a natureza tem o papel mais relevante sobre questões de saúde, caracterizado historicamente desde os antigos gregos, por uma compreensão da medicina como a área a se ocupar com o “equilíbrio natural”.

Em “Acerca o problema da inteligência” - (Wiesbaden, 1963 - publicado em 1964); (1993, p. 51-64), terceiro capítulo do livro, Gadamer, com a tese de que o ser humano deve ser pensado em sua totalidade, propõe discutir o conceito de “inteligência como desempenho”, como inteligência num âmbito mais integrado com o que pode entender por saúde da pessoa, destacando a importância da saúde mental, por exemplo.

Por sua vez, em “A experiência da morte” - (Heidelberg, 1983), (1993, p. 65-72), quarto capítulo, Gadamer aborda o tema da vida. 

Para Gadamer, o modo como a modernidade tem tratado a questão sofreu uma transformação na medida em que cresceu a secularização causado pela racionalidade técnica amplamente presente do mundo. Tal avanço tecnológico e secularização gera, por um lado, o prolongamento artificial da vida; por outro lado, dado o limite do ser humano em relação à “morte” ganha proporções novas também, na medida em que a consciência da nossa “finitude” nos afeta com mais intensidade. Destaca a necessidade de equilíbrio entre a razão instrumental científica e os valores humanos. Mais à frente, pretendo retornar a esse tema, considerando outros referenciais. 

Mais uma vez, o quinto capítulo, “Experiência e objetivização do corpo” - (publicado em 1986, s.l.); (1993, p. 73-84) , partindo dos gregos, Gadamer fala sobre a arte de curar dos gregos, destacando a unidade presente nessa entre corpo e alma. Mesmo a ciência, no estágio em que se encontra deve reconhecer tais limites por parte da ciência médica, que segundo Gadamer caracteriza por priorizar aspectos biológicos na abordagem do tema da saúde do ser humano.

E, “Entre natureza e arte” - (Heidelberg, 1987), (1993, p. 85-92), sexto capítulo, o destaque é para uma questão também fundamental sobre a saúde. Gadamer, novamente partindo das noções de “arte” entendida como techné; “o saber e o ser-capaz-de-fazer que sabe” e, discute a tarefa do médico alguém que contribui para o restabelecimento ao “estado natural” do doente.

A obra em seu sétimo capítulo: “Filosofia e medicina prática” (Berlim/Heidelberg, 1990); (1993, p. 93-100), apresenta um argumento de que: a prática médica no caso de teoria e técnica, não consistiria meramente em aplicar-se a lei e princípios específico, pois, no caso humano, cada situação é distinta de outra. E, recorre ao conceito de “medida” em Platão como algo que é “apropriado”  ou adequado numa determinada situação única. Isso, leva Gadamer a ressaltar que a saúde não pode ser totalmente objetivada pela ciência médica. Aí reside o “o caráter oculto da saúde”, ora se não há como medi-la, o que deve priorizar é a busca por um estado de adequação interna das pessoas, entre alma e corpo, integralmente.

No nono capítulo: “Autoridade e liberdade crítica” (Zürich, 1983); (1993, p. 113-120), Gadamer fala sobre a autoridade da ciência, e propõe uma relação mais próxima entre autoridade e liberdade crítica, que consistiria em reconhecendo os limites próprios como ser humano. E, isso ele trata mais detalhadamente no próximo capítulo.

Como faz em toda obra, também no décimo capítulo: “Tratamento e diálogo” (Oettingen, 1989); (1993, p. 121-132), Gadamer recorre a um conceito filosófico bem conhecido e presente na obra de Platão: o de “diálogo” aplicando-o à saúde. Etimologicamente, segundo Gadamer, a palavra “tratamento” teria se originado de “apalpar”. 

Gadamer, em relação ao diálogo dirá que em si mesmo, já se construiria como “tratamento” e, propõe uma associação entre diagnóstico, tratamento e o diálogo – no qual o paciente teria participação e colaboraria. A cura, destaca Gadamer, é o pleno poder da natureza, e não poder do médico. 

“Mas é inerente à natureza do homem, manter-se – em todo o seu saber e poder – em consonância com a natureza. Tal é a antiga sabedoria dos estóicos” (p.131).

O 11º capítulo, temos um tema que pretendo desenvolver melhor mais a frente: "Vida e alma"(Zürich, 1986); (1993, p. 133-142), ainda com os filósofos gregos analisa os conceitos de “vida” e “alma” em relação com as transformações modernas e contemporâneas.

O 12º capítulo: “A angústia e as ansiedades” (Conferência em Heidelberg, 1990); (1993, p. 143-152), tem como ponto de partida a obra de Martin Heidegger sobre a “angústia” que, no sentido heideggeriano é uma categoria existencial que possibilitaria o despertamento atravé das questões sobre o ser e o nada, deixando de ser mero desarranjo psicológico ou patologia psiquiátrica. Para Gadamer, a angústia e os medos constituiriam parte importante da “natureza humana" e, não são doenças. Um tema que pretendo desenvolver melhor mais a frente, também. 

Chegando ao último capítulo, “Hermenêutica e psiquiatria” (San Francisco, 1989); (1993, p. 153-161), em que Gadamer reflete sobre a possibilidade de aproximação entre as duas por, a seu ver, estarem preocupadas com as grandes questões humanas: a saúde e a doença."  

Enfim, uma grande contribuição de Gadamer para “o mistério da saúde” e a reflexão sobre o “cuidado da saúde” numa concepção integradora de corpo e alma. Uma retorno, mesmo a partir do presente, às concepções gregas sobre o tema. E, de tudo isso se infere que pretendo retornar aos temas, inclusive buscando relações com outros temas e autores que já esbocei aqui, nesse "blog." 

(Em andamento...)
 .............

GADAMER, Hans-Georg. O mistério da saúde: o cuidado da saúde e a arte da medicina. Lisboa: Edições 70, 1993. 165p.

______. Über die Verborgenheit der Gesundheit. (O mistério da saúde). In: Erfahrungsheikunde, Acta medica empirica: Zeitschrift für sie ärztliche Praxis, vol. 40, nº 11, 1991, 804-808.

______. O caráter oculto da saúde. Petrópolis: Editora Vozes; 2006. In: FRAGELLI, Thaís Branquinho Oliveira. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 23(10):2517-2522, out, 2007.


domingo, 1 de abril de 2018

EPICTETUS E A NECESSIDADE DA LÓGICA

Cinque Terre, Itália
(IMAGEM: "Pinterest")

DIATRIBE II. 25 - "Quão necessária é a LÓGICA":

(1) Quando algum dos presentes disse:

– Persuade-me de que a lógica é útil.
– Queres, disse Epicteto, que te demonstre isso?

(2) – Sim!

– Portanto, é-me preciso selecionar um argumento
demonstrativo?
Quando o outro concordou, Epicteto disse:
– E como saberás se eu te apresentar um sofisma?

(3) Quando o homem se calou, Epicteto disse:

– Vês como tu mesmo concordas que a lógica é necessária, já
que sem ela não é possível saber se é necessária ou não.



______.
Usei a tradução do Prof. Aldo Dinucci das Diatribes de Epictetus, “diretamente a partir do texto grego e, a seguir, cotejamos nosso trabalho com as melhores traduções disponíveis das Diatribes de Epicteto, dando especial atenção às de Barnes (1997) e de Souilhé (1962) publicada In: https://revista.classica.org.br/classica/article/view/220/294” 

sábado, 24 de março de 2018

AS "CRÍTICAS" DE KANT



No mesmo dia em que saiu, compartilhei no Facebook; excelente material, com grandes especialistas na obra de Immanuel Kant. Salvando aqui. O "estado da arte" em "O Estado de São Paulo" tem trazido bons materiais.

Fonte: http://oestadodaarte.com.br/as-criticas-de-kant/
...

Professores convidados pelo "Estadão":

Andrea Faggion: professora de teoria do conhecimento da Universidade Estadual de Londrina e secretária geral da Sociedade Kant Brasileira.
Daniel Perez: professor de história da filosofia moderna na Universidade Estadual de Campinas e autor de Kant e o problema da significação.
Maurício Keinert: professor de história da filosofia moderna da Universidade de São Paulo.


terça-feira, 13 de março de 2018

AS FRONTEIRAS DA RELAÇÃO MENTE E CORPO



Como sempre faço, à cada livro que leio ou releio, registro aqui. Isso para que fiquem armazenados os conteúdos aos quais sempre retorno, e que sempre me convidam aos estudos mais detalhados. Nesse caso, livro de fundamental importância, por contemplar uma ampla variedade de temas, à mim particularmente interessantes e que me auxiliou desde a primeira leitura, na compreensão do assunto sob vários ângulos de abordagens. O tema tem sido debatido amplamente e acompanho as discussões e publicações a que consigo ter acesso. Tomando como ponto de partida a Filosofia, avanço por esse campo bastante diversificado da ciência.     
______
Alexander Moreira-Almeida (Editor),‎ Franklin Santana  Santos (Editor). Exploring Frontiers of the Mind-Brain Relationship.  Springer 2012.


Contracapa:


"A mente consciente define a existência humana. Muitos consideram o cérebro como um computador e tentam explicar a consciência como emergindo em um nível limiar crítico, mas não especificado, de computação complexa entre os neurônios. O modelo de cérebro como computador, no entanto, não explica a experiência fenomenal e retrata a consciência como um epifenômeno impotente e after-the-fact que não possui o poder causal. E o conceito de cérebro como computador exclui a possibilidade mais remota de espiritualidade. Conforme descrito ao longo da história da humanidade, aparentemente os fenômenos mentais espirituais, incluindo estados transcendentes, experiências de quase morte e out-of-body experiences, e memórias de vidas passadas foram recentemente documentados e tratados cientificamente. Além disso, a abordagem do cérebro como computador foi desafiada pelos defensores da biologia do cérebro quântico, que possivelmente podem explicar, cientificamente, estados mentais não mentais, aparentemente espirituais. Exploring frontiers of the mind-brain relationship, portanto, argumenta contra a análise puramente física da consciência, para uma abordagem psicobiológica equilibrada. Este volume estimulante envolve a filosofia da mente com a ciência da mente para examinar empiricamente fenômenos transcendentes, como estados místicos, experiências de quase-morte e memórias de vidas passado, que confundiram cientistas há décadas. Representando disciplinas que vão desde a filosofia à história, até a neuroimagem e a física, e com especialistas cientistas e médicos, incluindo Andrew Newberg, Peter Fenwick, Stuart Hameroff, Mario Beauregard, Deepak Chopra e Chris Clarke, o livro segue rigorosamente várias linhas de pesquisa sobre controvérsias mind-brain, desafiando os leitores a formar suas próprias conclusões - ou que reconsidere as anteriores. É uma leitura essencial para pesquisadores e clínicos em diversas disciplinas, incluindo psicologia cognitiva, personalidade e psicologia social, neurociências, neuropsiquiatria, cuidados paliativos, filosofia e física quântica. Este livro ... reúne algumas observações preciosas sobre o mistério fundamental da natureza da consciência ... Ele suscita muitas questões que servem para convidar cada um de nós a estar mais conscientes da incerteza de nossas preconceitos sobre a consciência ... Este livro nas fronteiras da mente - os relacionamentos do corpo são uma encarnação acadêmica da ciência criativa e aberta."
...
______.
C. Robert Cloninger, MD -Wallace Renard Professor de Psiquiatria, Genética e Psicologia - Faculdade de Medicina da Universidade de Washington - St. Louis MO

sábado, 3 de março de 2018

WILHELM WUNDT: UMA NOVA INTERPRETAÇÃO


Há algum tempo atrás, tomei conhecimento da obra de Saulo de Freitas Araújo; algumas vezes conversamos e ele mesmo me apresentou as dicas de leitura sobre o tema apontado aqui.

Desde seu texto “Psicologia e neurociência: uma avaliação da perspectiva materialista no estudo dos fenômenos mentais”, em sua segunda edição revista e ampliada e, posteriormente, com a leitura deste nestes últimos dias dei-me o desafio de uma releitura e aprofundamento do tema principal, para mim: a relação mente-corpo. 


Ainda na minha costumeira releitura dos bons livros que me chamaram a atenção, hoje reli este: "Projeto de uma psicologia científica em Wilhelm Wundt: uma nova interpretação", também escrito pelo Saulo. A maneira com que Wundt tratava as questões, apresentada aqui, nesta “nova interpretação”, realmente preenche uma lacuna na maneira com que se tratou a obra de Wundt posteriormente.  
Uma “nova interpretação” da obra e do projeto de uma psicologia científica por parte de Wundt que, segundo Saulo discute em seu texto, foi simplificado e distorcido ao ser apresentado em manuais de Psicologia. Centrado em aspectos da História e Filosofia da ciência, e da Psicologia; o autor busca com rigor, apresentar o resultado de suas pesquisas.

______.
ARAÚJO, Saulo Freitas. Projeto de uma psicologia científica em Wilhelm Wundt: uma nova interpretação. Juiz de Fora: EDUJF, 2010.

______. Psicologia e neurociência: uma avaliação da perspectiva materialista no estudo dos fenômenos mentais. 2. ed. revista e ampliada. Juiz de Fora: EDUJF, 2011.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

ESPIRITUALIDADE E RELIGIOSIDADE EM PSIQUIATRIA - WPA

Postei recentemente (26.02.2018) no Facebook, faço-o aqui também:

"Posicionamento da Associação Mundial de Psiquiatria (WPA) sobre Espiritualidade e Religiosidade em Psiquiatria - Seção de Religião, Espiritualidade e Psiquiatria da WPA"


A Associação Mundial de Psiquiatria (WPA) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) trabalham arduamente para garantir que a promoção e os cuidados em saúde mental sejam baseados cientificamente e, ao mesmo tempo, compassivos e com sensibilidade cultural1,2. Nas últimas décadas, tem havido uma crescente conscientização da academia e da população geral sobre a relevância da religião e da espiritualidade nas questões de saúde. Revisões sistemáticas da literatura científica identificaram mais de 3.000 estudos empíricos investigando as relações entre religião / espiritualidade (R/E) e saúde3,4. [...]"
______.
Para saber mais:
ABP http://www.abp.org.br/portal/posicionamento-da-wpa-sobre-espiritualidade-e-religiosidade-em-psiquiatria/

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

REFLEXÃO: O RECOLHIMENTO

1. A Tranquilidade da Alma - A Vida Retirada 2. Resultado de imagem para Sobre a tranqüilidade da alma (A) - Sobre o ócio.

Deveria ter sido, em bom tom "estóico", a reflexão matinal; deu-se à tarde, porém. A vida contemplativa deve conduzir-se em silêncio reflexivo. A luta por aperfeiçoamento é uma condição humana, que só pode ser buscada na temporalidade do pensamento próprio. O inefável, apontado por Sêneca, seus fundamentos, podem ser alcançados e apreendidos em partes, nos limites de cada um e de forma sempre fragmentada; no entanto, estes pequenos encontros dão-nos oportunidade à busca de si mesmo, a cada homem, do encontro com seu lugar no universo. São o caminhos na luta pela aquisição das virtudes.
Ou seja: Sêneca, ao tratar do ócio como um estado de contemplação legítima esclarece:

“Há demais três gêneros de vida, entre os quais se procura saber qual seria o melhor: uma consagra-se ao prazer, outro a contemplação, um terceiro a ação. Primeiro, abandonados a polêmica e o ódio que implacavelmente temos impingido aos que seguem doutrinas contrarias, vejamos se todas elas, sob um outro título, não chegam ao mesmo resultado. Nem aquele que aprecia o prazer renuncia à contemplação, nem aquele que se dedica a contemplação renuncia o prazer, nem aquele cuja vida se destina a ações renuncia a contemplação”

Não haveria, portanto, impedimento para que o homem fosse útil a sociedade, mesmo optando pelo recolhimento. Não lhe faltariam ocasiões para ação.

______.
SÊNECA. Sobre a tranqüilidade da alma (A) - Sobre o ócio. (B). São Paulo: Nova Alexandria, 1994.

______. A tranqüilidade da alma. A vida retirada. São Paulo: Escala, 2000. 

POINCARÉ E O VALOR DA CIÊNCIA

 1.  2.  3A Ciência E A Hipótese - 9788523001889 - Livros na Amazon Brasil
Há pouco, estudando a obra de Poincaré, "Ensaios fundamentais" e "O valor da ciência", especificamente, para relaxar, lembrei-me de uma reflexão de sua autoria, que já publiquei aqui outrora:

"O livro une o passado ao presente, ressuscita os séculos; desperta a voz de nossos antepassados, proporcionando-nos viver em sua companhia e conversar com eles. Ao mesmo tempo, o livro registra os progressos realizados, propaga ideias fecundas, estimula as imaginações criadoras; é o mensageiro da ciência e arauto das boas letras; abre-nos a porta do desconhecido" (Henri Poincaré).

Limitado, por uma série de fatores, ciente de que preciso reler muita coisa que já li há algum tempo, dei-me essa incumbência. 

A bem da verdade, um segundo motivo é o de que se produz muito e o muito que aparece, sobre ciências, não me encanta nem me interessa. 

Daí a necessidade premente de revisitar os clássicos, e os grandes textos e autores que mais me chamaram a atenção quando os li; sempre mantenho a temática a que me dedico há anos e está descrita no que escrevo aqui.

O enfoque é sempre o mesmo.  

Alguns há, que já li mais de uma vez, mas sempre retorno com prazer. Faz-me bem demais tal disposição!

_____.
“Ainda em vida, Henri Poincaré foi considerado por Bertrand Russell, seu contemporâneo, como 'a maior figura produzida pela França nos tempos modernos'. Não havia exagero nisso, mas apenas reconhecimento de que estava ali um dos raros universalistas da história de ciência, talvez mesmo o último deles. Matemático por formação e vocação, Poincaré manejava com gênio, como Gauss o fizera, todos os ramos de sua disciplina, em forma pura ou aplicada. Engenheiro, astrônomo e físico, esteve entre os melhores de sua época. Humanista, filósofo e poliglota, destacou-se como um estilista da sua língua, expondo suas ideias com tal brilho, elegância e clareza que terminou acolhido na Academia Francesa.

Data do início do século sua preocupação específica com a divulgação da ciência, da qual resultou uma série de quatro livros de ensaios, logo traduzidos para todas as línguas e hoje alçados à condição de clássicos. Sobre sua importância, basta lembrar o que Abraham Pais, biógrafo de Einstein, escreveu: 'Antes de formular a teoria da relatividade, Einstein e seus amigos [da Akademie Olympia] fizeram muito mais do que passar os olhos pelos escritos de Poincaré. Solovine nos deixou uma lista detalhada dos livros que os membros da Akademie leram em conjunto. Destes, destacou um, e apenas um, 'A ciência e a hipótese', com o seguinte comentário: 'Poincaré nos impressionou profundamente e nos deixou sem respiração durante semanas e semanas'.

'O valor da ciência' desdobra e aperfeiçoa as ideias fundamentais esboçadas em 'A ciência e a hipótese'. Na primeira parte do livro, Poincaré discute a psicologia da invenção matemática, ressaltando a necessária interação da análise lógica e da intuição. Depois, num de seus ensaios precursores da teoria da relatividade, discute que convenções estão presentes na medida do tempo, demonstrando que não há simultaneidade absoluta. Passa em seguida para a noção de espaço, introduzindo o conceito de corte, questionando a tridimensionalidade e imaginando a possibilidade de uma quarta dimensão.

O quadro das ciências físicas ocupa a segunda parte do livro. Poincaré estuda o benefício recíproco da análise e da física e, em seguida, num capítulo dedicado à astronomia, dá uma imagem poderosa, encantadora e otimista de toda a ciência. Depois, em três ensaios concatenados, enfoca a física matemática, sua história, sua crise e seu futuro. Brilha então, com toda a força, o gênio visionário do autor. Ele chama atenção para as modificações trazidas por Lorentz, então recentes, nos conceitos de duração, distância e massa; antecipa que o estudo das raias dos espectros de emissão (efeito Zeeman) traria enormes surpresas teóricas; finalmente, anuncia duas inovações radicais, a seu ver necessárias: a substituição de diferenciais por leis estatísticas e o advento de uma nova mecânica, na qual, 'crescendo a inércia com a velocidade, a velocidade da luz se tornará um limite intransponível'."

São textos que me tiraram o fôlego quando os li, principalmente porque estamos lendo sobre a invenção do programa da nova física do século XX. (César Benjamin. Ed. Contraponto).”


(grifos e destaques meus)

sábado, 17 de fevereiro de 2018

RELENDO "PILARES DO TEMPO": SOBRE CIÊNCIA E RELIGIÃO



Atualizando Bibliografia em 22 de outubro de 2021.

Stephen Jay Gould defende em seu livro “Pilares do tempo: ciência e religião na plenitude da vida” a ideia de que ciência e religião pertencem a diferentes enfoques de verdade, os MNI: magistérios não-interferentes. 

Li, em 2002, reli nos últimos dias.

Segundo Gould, a mera observação do que se dá com eventos naturais é insuficiente para uma moral, uma ética, observando os fenômenos por eles mesmos. Mas entrariam numa outra área, outro MNI: magistério não interferente.

Um magistério que se ocupasse dessas questões já existiria antes da ciência, e trataria das questões sobre moral, valor e sentido da vida

Caberia portanto, na compreensão de Gould à áreas como a filosofia, a história, a literatura, entre outras, essa tarefa. E, à estas acrescentou a religião, presente nas sociedades humanas desde tempos imemoriais.

Nesse sentido, a obra de Gould reflete, basicamente sobre a tendência em se discutir esse tema a partir de uma dicotomia “ou isto/ou aquilo”, e adota-se os extremos, quase nunca o "meio termo" aristotélico.

Ora: com tão complexas questões em jogo, ele admite que ciência e religião oferecem respostas diversas.

Enfim, Gould, de família judia, recorre às histórias de vida de Charles Darwin e Thomas H. Huxley para, coerentemente, defender o princípio de não-interferência. Mostra que, em momento algum, apesar de intensa dor, confundira ciência e religião.

Esse o ponto fundamental no seu livro: a questão da pertinências das duas áreas no debate científico. 

Lembro-me ainda das manhãs de domingo, onde da banca de jornais trazia o jornal e num caderno especial (mais!), podia-se ler o debate entre Dawkins e Gould (bons tempos).

E, com esse livro Gould, logo na abertura também trouxe a história do cético São Tomé, apresentou-me a obra de Thomas Burnet que, à época, eu não conhecia; fala de Galileu Galilei x Maffeo Barberini (papa Urbano VIII), apontando para a própria questão da encíclica papal Fides et Ratio, publicada por João Paulo II. Uma obra que me agradou tanto à época que precisei revisitá-la agora, visto que os meus interesses não mudaram. 

______.

BENTO XVI. Instrução Dignitas Personae: sobre algumas questões de Bioética. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2009.

DENNETT, Daniel C. Science and Religion: are they compatible? Oxford University Press (USA), 2010.  

DIXON, Thomas; CANTOR, Geoffrey; PUMFREY, Stephen. Science and religion: new historical perspectives, 2011.

DIXON, Thomas. Science and Religion: a very short introduction. Ouxford University Press, 2008.

GALILEU GALILEI. Ciência e fé: cartas de Galileu sobre o acordo do sistema copernicano com a Bíblia. (Trad. Carlos Arthur Ribeiro do Nascimento). 2. ed. São Paulo: Ed. Unesp, 2009.

HABERMAS, Jürgen. Dialética da secularização: sobre razão e religião. Aparecida, SP: Ideias & Letras, 2007.

HARRISON, Peter. The territories of science and religion. University of Chicago Press, 2015.

______. (Org.) The Cambridge companion to science and religion. Cambridge Universtity Press, 2010.

______. (Org.) Ciência e religião. São Paulo: Ideias e Letras, 2014.

JOÃO PAULO II. Fides et ratio: sobre as relações entre fé e razão. 4. ed. São Paulo: Editora Paulus, 1998.

LINDBERG, David C; NUMBERS, Ronald. When Science and Christianity Meet. University of Chicago Press; Edição: Reprint 1, 2008.

NUMBERS, Ronald. Galileo goes to jail and other myths about science and religion. Harvard University Press. 2009.

______. Terra plana, Galileu na prisão e outros mitos sobre ciência e religião. Editora Thomas Nelson, 2020.

PLANTINGA, Alvin. Ciência, religião e naturalismo: onde está o conflito? Vida Nova, 2018.

______. Deus, a liberdade e o mal. Vida Nova, 2012.

VAN INVAGEN, Perter. O problema do mal. Brasília, DF: UNB, 2018. 

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

"REGRAS PARA A VIDA" E "ARQUITETURA DA CRENÇA"

1a. 1b. Maps of Meaning: The Architecture of Belief, 1st Edition (Paperback) book cover    2. 


Recentemente, tive contato com o trabalho deste pesquisador. Fugindo de algumas discussões que ele propõe, interessou-me sobretudo, a questão da "crença” e, a maneira com que se propõe a discutir toca nos temas que aqui tenho anotado como estando no "rol" dos assuntos a que me dedico. Tenho percebido, em vários momentos, tal relação, com as leituras que tenho feito. 
Por isso mesmo, enquanto leitor e escrevendo sobre o assunto decidi verificar suas teses com maior atenção. Duas  de suas obras me levam a encarar o desafio:

“Maps of Meaning: the architecture of belief” (1999) 1a e 1b. Publicado Editora Routledge; o livro apresenta uma teoria sobre a relação entre o significado de inúmeras narrativas   religiosas e míticas na modernidade, e o funcionamento da mente humana.

Em português: 

2. Em outra obra mais recente (também disponível em português): “12 rules for life: an antidote to chaos” (2018), publicada pela Penguin Random House Canada, Peterson discute questões como: disciplina, liberdade, aventura e responsabilidade, embasando suas discussões em princípios de sabedoria universal, por exemplo, em 12 regras práticas para a vida, na tentativa de confrontar “lugares-comuns”, tão ao gosto da modernidade, fala sobre ciência, fé e natureza humana.

Portanto, para mim, um importante modo ampliar a reflexão em várias abordagens.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

MANUAL DE RELIGIÃO E SAÚDE MENTAL: A RELAÇÃO ENTRE ESPIRITUALIDADE, RELIGIÃO, DOENÇAS E SAÚDE MENTAL.

Handbook of Religion and Mental HealthHandbook of Religion and Health


Agora em terceira edição :
Li, recentemente, a primeira edição deste livro-manual: "Handbook of Religion and Mental Health.". Segue abaixo, o prefácio como aparece no livro. Tinha acrescentado até a segunda edição. 

“A religião tem sido uma das forças mais poderosas ao longo da história humana. No entanto, as profissões médicas e de saúde mental geralmente não reconheceram esse poder. Na verdade, como demonstrado pelo Dr. Koenig e pelos seus colaboradores no “Manual de Religião e Saúde Mental”, as ligações da espiritualidade e da religião com a doença, a saúde e a saúde mental são inevitáveis. Em vez de continuarem a evitar, os profissionais de saúde mental precisam de estar mais bem preparados para fazerem o melhor uso destas ligações em benefício dos pacientes. Esta tarefa (à qual este Manual se dirige) exige que a área procure formas de transmitir adequadamente informações relevantes, válidas e úteis aos formandos e profissionais e expandir a base científica nesta área. No que diz respeito à educação e aos cuidados clínicos, é claro que a avaliação de questões religiosas e espirituais deve tornar-se uma parte esperada da avaliação do paciente em toda a medicina e especialmente nos cuidados de saúde mental, não diferente da consideração da família do paciente. e contexto social, o exame do estado mental e a elucidação das preferências do paciente para opções de tratamento específicas. É importante ressaltar que os esforços para expandir a compreensão do papel da espiritualidade e da religião nos cuidados de saúde devem ser feitos dentro do contexto das abordagens existentes, sob um paradigma "ambos-e" em vez de "um ou outro", com os profissionais mantendo o respeito pelos seus crenças dos pacientes. Quando os indivíduos são educados sobre técnicas e abordagens específicas, é fundamental que lhes sejam fornecidas informações completas sobre a base de evidências (ou seja, os pontos fortes e fracos da literatura existente, os bons e os maus impactos das intervenções). Idealmente, no desenvolvimento de directrizes ou outras ferramentas de ensino, as evidências específicas subjacentes às recomendações devem ser delineadas com clareza. Em essência, é necessária uma abordagem sistémica às questões educativas – desde o desenvolvimento curricular, aos testes de modelos, até à educação médica continuada. Este Manual fornece um recurso muito útil para atingir esses fins.

 

O Manual também deixa claro que, embora haja um grande apoio à interligação entre religião, espiritualidade e saúde, há necessidade de aprender muito mais sobre os mecanismos subjacentes a estas ligações, bem como sobre os resultados das intervenções para os seus objectivos. propósitos. Por causa disso, os esforços devem ser direcionados tanto para melhorar a metodologia para o campo como para expandir a sua infra-estrutura: para obter uma melhor compreensão do impacto e da especificidade dos diferentes elementos da religiosidade; determinar melhor os ingredientes activos das abordagens baseadas na religião; e desenvolver estruturas para investigação sobre questões religiosas e espirituais no contexto do desenvolvimento ao longo da vida, desde a infância e adolescência até à idade adulta e à velhice. Em resumo, este livro não só chama a atenção para as importantes conexões entre espiritualidade, religião, saúde e saúde mental, mas também identifica áreas importantes para desenvolvimento futuro. Koenig e os colaboradores do Manual deixaram bem claro que qualquer pessoa envolvida na prestação de serviços de saúde e de cuidados de saúde mental, no estudo ou avaliação de intervenções de saúde pública, ou na tentativa de melhorar a qualidade e a satisfação dos pacientes nos sistemas de prestação de cuidados de saúde, não pode ignorar a importância dessas questões.”


“Religion has been one of the most powerful forces throughout human history. Yet the medical and mental health professions have generally not acknowledged that power. In fact, as demonstrated by Dr. Koenig and his collaborators in the ‘Handbook of Religion and Mental Health’, the links of spirituality and religion with disease and health and mental health are unavoidable. Rather than continue this avoidance, mental health professionals need to be better poised to make the best use of these connections to benefit patients. This task (to which this Handbook is addressed) requires that the field look at ways to appropriately convey relevant, valid, and useful information to trainees and practitioners and to expand the science base in this area. With regard to edu- cation and clinical care, it is clear that the assessment of religious and spiritual is- sues should become an expected part of patient evaluation in all of medicine and especially mental health care, no different from the consideration of the patient's family and social context, the mental status examination, and the elucidation of patient preferences for particular treatment options. Importantly, efforts to expand the understanding of the role of spirituality and religion in health care should be made within the context of existing approaches, under a "both-and" paradigm rather than "either--or," with practitioners maintaining respect for their patients' beliefs. When individuals are educated about specific techniques and approaches, it is critical that they be given complete information about the evidence base (i.e., the strengths and weaknesses in the existing literature, the good and the bad im- pacts of interventions). Ideally, in the development of guidelines or other teaching tools, the specific evidence underlying the recommendations should be delineated with clarity. In essence, a systemic approach to educational issues is needed--from curriculum development, to model testing, to continuing medical education. This Handbook provides a very useful resource for attaining these ends.

The Handbook also makes clear that, although there is a great deal of support for the interconnection among religion, spirituality, and health, there is a need to learn much more about the mechanisms underlying these links as well as the outcomes of interventions for their targeted purposes. Because of this, efforts should be aimed at both enhancing the methodology for the field and expanding its infra-structure: to gain a better understanding of the impact and specificity of different elements of religiousness; to better ascertain the active ingredients of religion- informed approaches; and to develop frameworks for research on religious and spiritual issues in the context of development across the lifespan, from childhood and adolescence through adulthood and the elder years. In summary, this book not only calls attention to the important connections among spirituality, religion, health, and mental health but also identifies important areas for future development. Dr. Koenig and the contributors to the Handbook have made it very clear that anyone involved in providing health and mental health care services, studying or evaluating public health interventions, or trying to im- prove quality and patient satisfaction in health care delivery systems cannot ignore the importance of these issues.”

______.
1. KOENIG, Harold. Handbook of Religion and Mental Health. Academic Press (1998).

2. ______. Handbook of Religion and Mental Health. 2. ed. Oxford University Press. 2012

MEDITAÇÃO RETROSPECTIVA NOTURNA CXXV: "O ESTOICISMO NÃO É O QUE VOCÊ PENSA": REFLEXÃO SOBRE A “CULTURA DA AUTOAJUDA MODERNA” (II)

Em desenvolvimento... E, hoje programando a leitura de um novo livro de Jonh Sellars. Enquanto isso, aproveitando a pausa, reli alguns trech...