domingo, 19 de abril de 2026

TEMPO DE ESTUDOS: "A RAZÃO E SEUS INIMIGOS" SEGUNDO KARL JASPERS

Ainda sobre o Bom Existencialismo: (II)

Já, desde há muito tempo, acostumado a ler Karl Jaspers, desde seu “Introdução ao pensamento filosófico”, e, sempre como existencialista, ou como grande autor dos 2 volumes de “Algemeine Psychopathologie” a que tive acesso, inicialmente em português, e sempre os consulto, sobre estes temas com qual sempre estou envolvido e estudando.

Hoje, estou anotando e aguardando para leitura mais esse, lançado em 1958: JASPERS, K. Razão e anti-razão em nosso tempo. Rio de Janeiro: MEC, 1958.

Antes desse texto eu não sabia que Jaspers tivesse refletido sobre o tema, também comum aqui nesta página. Com certeza trará acréscimos às minhas reflexões.

Diz Karl Jaspers: "Mas se as realidades perceptíveis da existência humana concreta nos tentam a duvidar da razão, devemos antes dizer, na medida dessas realidades: é como um milagre que a filosofia atravesse a história e que, uma vez surgida, nunca tenha sido completamente apagada; que na razão exista uma força de autoafirmação que sempre retorna para se realizar como liberdade. A razão é como um mistério manifesto que a qualquer momento pode se revelar a qualquer um, o recinto tranquilo no qual todos podem entrar com seu pensamento" ("A Razão e Seus Inimigos em Nosso Tempo"; Buenos Aires: Sudamericana, 1967 [1950], página 86).

"Razão e Anti-Razão em Nosso Tempo" (originalmente Vernunft und Widervernunft in unserer Zeit) é uma obra fundamental do filósofo existencialista alemão Karl Jaspers, publicada originalmente em 1950. Nela, Jaspers analisa os desafios que a racionalidade enfrenta na era moderna, marcada por conflitos ideológicos e pela técnica. 

Para Karl Jaspers, a razão (Vernunft) não é apenas uma lógica formal ou entendimento, e sim, uma força mais abrangente que possibilita conexões entre ciência, existência, liberdade e comunicação. É a capacidade humana de transcender, poder de buscar a verdade e se 

Por outro ado, entende a anti-razão como todo obstáculo que possa impedir a capaciade de o pensar criticamente. No pensamento moderno, ela se manifesta, segundo Jaspers, em variadas formas

Como dogmatismos políticos que corrompem as emoções e inventam "mitos políticos" que induzem massas e corrompem a própria individualidade.

Abuso da técnica (ver, nesse sentido o artigo de Hedegger traduzido pelo professor Marco Aurélio Werle) acima de valores básico humanos.

posturas niilistas que esvaziam a vida de sentido (sobre isso, tenho lido Viktor Frankl).

Cintificismo exagerado, que anula a dimensão da existência humana e se supervaloriza a ciência.

Ressalte-se que, como psiquiatra e autor de uma das obras mais importantes sobre Psicopatologia (citada acima e nas referência bibliográficas); as reflexões de Jaspers estão no contexto do fim da Segunda Guerra Mundial e em suas obras livro reflete sobre a questão da "angústia" que decorre das ruínas e do irracionalismo na Alemanha.

Karl Jaspers, toma como uma de suas proposta a superação desse vazio, do caráter niilista do mundo moderno, uma revalorização da razão; tarefa que caberia a cada um de nós. 

Este livro, portanto, publicado pela editora Piper Verlag, apresenta três palestras que Jaspers proferiu em três noites diferentes na Universidade de Heidelberg naquele mesmo ano, a convite da AStA (Associação Geral de Estudantes). Organizado de acordo com a ordem das palestras, o livro é composto por três capítulos: "A Exigência de Rigor Científico", "A Razão" e "A Razão em Luta".

"Se dividirmos o pensamento de Jaspers em diferentes períodos ou focos temáticos, este livro se origina do período que, após o primeiro período com suas obras psicopatológicas (culminando na obra fundamental metodológica "Psicopatologia Geral", de 1913) e o segundo período com suas obras existencialistas (culminando nos três volumes de " Filosofia , Vol. I: "Orientação Filosófica do Mundo", Vol. II: "Iluminação Existencial", Vol. III: "Metafísica", de 1932), pode ser considerado a terceira fase do pensamento de Jaspers. Representa o desenvolvimento de uma filosofia da razão. Essa fase do pensamento atingiu seu ápice na publicação do extenso livro "Sobre a Verdade", em 1947.

O fato de o conceito de razão ter desempenhado um papel central no pensamento subsequente de Jaspers fica evidente em seus escritos políticos, especialmente em sua principal obra de filosofia política, "A Bomba Atômica e o Futuro do Homem" , publicada em 1958. Cinco capítulos de uma seção importante do livro são dedicados a esse conceito e sua relação com o pensamento político. Esse conceito forma o pano de fundo para seus objetivos políticos, como a ideia de comunicação universal entre pessoas de diferentes países, culturas e visões de mundo; o ideal de uma comunidade global de indivíduos racionais e estadistas; e o apelo por um esforço político permanente para alcançar a paz mundial. Jaspers enfatizou repetidamente que seu apelo por uma transformação moral e política na política e a demanda pela transformação da política de interesses e poder, míope, em algo "suprapolítico" só podem ser fundamentados na razão.

Na primeira palestra publicada neste livro, “A Exigência do Rigor Científico”, Jaspers apresenta sua compreensão da ciência e confronta

Essa compreensão está ligada tanto à apropriação da ciência pelo marxismo, motivada por interesses políticos e ideológicos, quanto ao uso indevido da ciência no contexto da psicanálise freudiana, uma escola de pensamento e prática. Jaspers destaca uma crítica crucial à ideologia que pode ser vista como um aspecto central da educação política no sentido liberal-democrático: a diluição da distinção entre juízos de valor subjetivos e afirmações factuais cientificamente verificáveis ​​— ou, dito de outra forma, o disfarce de convicções políticas e juízos de valor pessoais como fatos comprovados cientificamente. Essa estratégia cria a falsa impressão de que as avaliações subjetivas possuem a mesma universalidade e validade teórica que o conhecimento factual.

Nesta palestra, Jaspers também destaca um aspecto importante de sua compreensão da relação entre ciência e filosofia, enfatizando que a ciência é necessária para a verdade na filosofia. Em todos os seus escritos em que discute a relação entre ciência e filosofia, ele sustenta que o pensamento científico e o conhecimento científico são pré-requisitos necessários para filosofar. Pois, no pensamento científico, a humanidade encontra limites fundamentais em sua capacidade cognitiva, por exemplo, quando se trata de questões de significado na existência humana e também na busca científica pelo conhecimento. Essas experiências nos limites fornecem o ímpeto para o pensamento filosófico. Onde a humanidade inevitavelmente falha com o pensamento científico empírico-racional, a filosofia começa. (Veja especialmente o Volume 1 de Filosofia , Orientação Filosófica do Mundo. )

Na segunda palestra, "Razão", Jaspers mitifica repetidamente a razão de uma forma quase patética, estilizando-a como a antítese ideal-típica da irracionalidade, da contrarracionalidade e do mero pensamento intelectual. É importante ter em mente que o conceito de razão ainda não ocupava um lugar sistemático na principal obra existencialista de Jaspers, "Filosofia". Foi somente em seu ensaio de 1935 , "Razão e Existência" , e posteriormente em seu extenso livro "Sobre a Verdade", que o conceito de razão adquiriu uma posição sistemática. Isso ocorreu inicialmente no contexto da doutrina do abrangente (Ser abrangente), que Jaspers elabora detalhadamente neste último livro. Ao fazê-lo, ele desenvolve uma distinção entre diferentes "modos do abrangente". Esses modos são parcialmente análogos aos modos antropológicos do ser humano apresentados em "Iluminação Existencial" , onde Jaspers distingue entre a abrangência do Dasein, da consciência em geral, do espírito e da existência, e a abrangência do mundo e da transcendência. A razão é introduzida como o "elo" central de todos os modos de abrangência. No contexto do conceito de um ser abrangente, funções específicas são atribuídas a ele, com o objetivo de impedir a absolutização, dogmatização, ossificação e isolamento de qualquer um desses sábios (Kurt Salamun elaborou essas funções com mais detalhes em sua monografia sobre Jaspers: Karl Jaspers, 2ª edição ampliada, Würzburg 2006, pp. 75 e seguintes).

Jaspers correlaciona as funções ou "tarefas" atribuídas à razão com conceitos centrais de todo o seu pensamento. Isso é demonstrado em trechos desta palestra onde ele discute as funções da razão em relação à existência (o ser existencial de um indivíduo), em relação à comunicação interpessoal e em relação à comunicação universal (a razão como a vontade fundamental de comunicar, a razão como um fator indispensável para a comunicação política universal). Jaspers também enfatiza a função significativa da razão em relação à liberdade individual e política, à historicidade e à verdade (no sentido de verdade existencial). Também digno de nota, neste contexto, é a declaração explícita de Jaspers de que, com relação à filosofia que agora precisa ser desenvolvida, ele não deseja mais falar de "filosofia existencial" como fazia anteriormente, mas sim de uma "filosofia da razão".

Na terceira palestra, "A Razão em Luta", Jaspers destaca, entre outras coisas, que a razão também deve lutar contra sua absolutização, como a noção de que a razão pode descobrir e garantir uma verdade final. A realização da razão, assim como a realização da verdadeira humanidade, é um processo permanente de "estar em construção" e nunca pode chegar a uma conclusão em uma unidade final, totalidade ou verdade absoluta. Jaspers identifica a universidade como a arena primordial onde se trava a luta pela preservação e disseminação da razão. Ali, é responsabilidade dos professores manter e difundir, em "independência interior" e incorruptibilidade em relação aos poderes externos, e sem uma "vontade de poder", esse modo racional de pensar que Jaspers vislumbra como um objetivo pedagógico, tanto em seu tratado reimpresso e revisado diversas vezes, * A Ideia da Universidade* (1923, 1946, 1961), quanto em escritos políticos posteriores."

Karl Jaspers: Razão e Contra-Razão em Nosso Tempo (1950), 6º-8º milésimo, Munique: R. Piper & Co. Verlag 1952.

Link para um artigo sobre a obra: GASPAR, Ronaldo F. S. Karl Jaspers: Irracionalismo filosófico e conservadorismo político. In: Verinotio - Revista on-line de Filosofia e Ciências Humanas . ISSN 1981-061X . Ano XI . out./2016 . n. 22. Disponível em: https://www.verinotio.org/conteudo/0.8434004912557085.pdf . Acesso em: 19 de abril de 2026.

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REFLEXÃO MATINAL CXXV: SOBRE VIDA SIMPLES E NATURAL

(Fonte da Imagem. In: "Pinterest")

A inúmera quantidade e crescente diversificação das vãs competições revelam nossas fraquezas; dão forças e servem para inflar o ego. Definitivamente, nossos inimigos somos nós mesmos. Sem o esforço da busca, interior, é impossível a alegria do encontro consigo mesmo.

Ou, se vai ao interior, ou se investe em exterior; impossível trilhar dois caminhos ao mesmo tempo. (MARQUINHOS, 2018). E, como disse, Epicteto:

"Quem se concentra na busca das coisas exteriores mostra que as valoriza mais que os bens interiores (que são adquiridos através de reflexão e uma prática que esteja em conformidade com essa reflexão). Sendo assim, necessariamente deixará em segundo plano a busca pelos bens interiores. (EPICTETO. trad. Aldo Dinucci)

É bastante significativo que a natureza, para poetas e pensadores em geral, muitas vezes seja reconhecida como lugar do “divino”. Para os estóicos, por exemplo, “viver de acordo com a natureza” deveria ser o maior objetivo a ser alcançado pelos seres humanos através do uso e disciplina da razão.

E o que é que a razão exige dele? A coisa mais fácil do mundo, – viver de acordo com sua própria natureza. Mas isso é transformado em uma tarefa difícil pela loucura geral da humanidade; nós impulsionamos um ao outro ao vício. E como pode um homem ser lembrado para a redenção, quando não tem ninguém para refreá-lo, e toda a humanidade para instigá-lo?” (Sêneca. XLI, 9)

Há quem ainda insista em defender um "conflito" entre "religião e filosofia". De tal forma que "religião" freqüentemente é mostrada como “fé cega”, até mesmo fanatismo. No entanto, o estoicismo de Sêneca e Epicteto alinhava reflexões nos dois campos, da “religião” e da “filosofia”, a partir do cerne da discussão daí advinda: a razão em harmonia com as leis naturais!

Deus está perto de você, ele está com você, ele está dentro de você. É isso que quero dizer, Lucílio: um espírito santo mora dentro de nós, aquele que anota nossas boas e más ações e é nosso guardião. À medida que tratamos esse espírito, também somos tratados por ele. De fato, nenhum homem pode ser bom sem a ajuda de Deus.” (Sêneca. XLI, 1-2)

Na mesma carta, Sêneca, reforça isso no sentido de que basta que estejamos alinhados com a simplicidade da natureza, esta mesmo, nos fará perceber na natureza um certo ar de reverência "religiosa" na presença de um local em que é notado algo de "numinoso" e, comenta que a presença em lugares como bosques, cavernas, nascente de rios, fontes, entre outros, inspiram-nos essa tal “reverência religiosa”.

Se alguma vez você se deparou com um bosque cheio de árvores antigas que cresceram a uma altura incomum, fechando a visão do céu por um véu de ramos cheios e entrelaçados, então a imponência da floresta, a reclusão do lugar, e sua admiração com a espessa sombra ininterrupta no meio dos espaços abertos, irá provar-lhe a presença da deidade. Ou se uma caverna, feita pelo profundo desmoronamento das rochas, sustenta uma montanha em seu arco, um lugar não construído com as mãos, mas esvaziado em tais espaços por causas naturais, sua alma será profundamente comovida por uma certa intimação da existência de Deus. (Sêneca. XLI, 3-4)

As recomendações de Sêneca, portanto, sugerem que o homem deve estar atento à natureza, viver segundo suas regras, simplicidade e ordem. Considerar esse tipo de vida como a mais verdadeira, desprendida do desejo de posses e desejos infundados. Ou seja, o melhor para seu próprio bem é seguir a natureza e não desejar bens materiais, exteriores, que possam ser perdidos ou antes afastá-lo de uma vida simples.

Como também diria Epicteto:

 Lembra então que, se pensares livres as coisas escravas por natureza e tuas as de outrem, tu te farás entraves, tu te afligirás, tu te inquietarás, censurarás tanto os deuses como os homens. Mas se pensares teu unicamente o que é teu, e o que é de outrem, como o é, de outrem, ninguém jamais te constrangerá, ninguém te fará obstáculos, não censurarás ninguém, nem acusarás quem quer que seja, de modo algum agirás constrangido, ninguém te causará dano, não terás inimigos, pois não serás persuadido em relação a nada nocivo. Então, almejando coisas de tamanha importância, lembra que é preciso que não te empenhes de modo comedido, mas que abandones completamente algumas coisas e, por ora, deixes outras para depois. Mas se quiseres aquelas coisas e também ter cargos e ser rico, talvez não obtenhas estas duas últimas, por também buscar as primeiras, e absolutamente não atingirás aquelas coisas por meio das quais unicamente resultam a liberdade e a felicidade” (Epicteto. I, 1-4)

 E, assim como dito acima por Epicteto, o próprio Sêneca, numa descrição da razão, diria que é próprio da razão exigir de nós uma vida plena, simples e disciplinada, de acordo com a “leis naturais”, com a natureza, resultando em liberdade e felicidade.

Segundo eles, se a razão não segue estas leis, ela se envereda por trilhas viciosas que, com a desculpa de que viver é tarefa complexa, o homem, ao decidir-se por não segui-las torna, aí sim, a vida difícil. Quase que criando uma “segunda natureza” viciosa e indisciplinada.

Enfim, tanto em Epicteto quanto em Sêneca, uma vida simples e sem apegos infundados ao que nos seja exterior, é fundamental.

 

______.

ARRIANO FLÁVIO. O Encheirídion. Edição Bilíngue. Tradução do texto grego e notas Aldo Dinucci; Alfredo Julien. Textos e notas de Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão. Universidade Federal de Sergipe, 2012).

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quarta-feira, 15 de abril de 2026

XVII SEMINÁRIO VIVA VOX ESTOICISMO -2026

   

Anunciamos o tradicional Seminário Viva Vox Estoicismo em sua XVII edição. Interessados em assistir as conferências devem enviar dois dias antes de cada uma delas mensagem para vivavoxdata@gmail.com para receber o link. 

Posteriormente, as conferências serão divulgadas em nossos canais YouTube. 

Organização e coordenação: Aldo Dinucci e Vilmar Prata

 PROGRAMAÇÃO

13/4 ZALBOENO LINS (Doutorando em Filosofia / UERJ)

“O mito da Fênix e a filosofia de Zenão como um fogo eterno a nos orientar”

20/4 JOELSON NASCIMENTO (Doutor em Filosofia / Professor do IFS)

“O descanso do deus estoico”

 27/4 MARCOS VINICIOS PEREIRA (Doutorando em Filosofia / UFG)

"A relação entre ética e conhecimento: syllabis conteram como effectum est ut diligentius loqui scirent quam vivere nas epístolas de Sêneca."

11/5 VILMAR PRATA (Doutor em Filosofia UFS / Bolsista Pós-Doc UFES/FAPES): 11/05

“A Melancolia na Consolação a Márcia: Perspectivas Estoicas e Atualizações Filosóficas”

 18/5 VANESSA CORDEIRO (Doutoranda em Filosofia / UnB)

“O bom governante para os estoicos”

 25/5 BRENNER BRUNETTO  (Doutorando em Filosofia / UFG)

“Καθῆκον: gênese, fundamentação filosófica e desdobramentos sistemáticos do “dever” no Estoicismo”

 15/6 RAQUEL WACHTLER  (Doutoranda em Filosofia / UFS)

“Lute como uma filósofa romana: participação nos círculos intelectuais e outras ações políticas radicais das estoicas”

 22/06 LUIS MARCOS FERREIRA (Doutorando em Filosofia / Professor da FIMI)

“O Estoicismo não o fará ‘feliz’: Uma reflexão sobre a ‘Cultura da Autoajuda Moderna’”

 29/6 ANDREA BIERI (Doutora em Filosofia / Professora da UNIRIO)

"Todo ócio é político? Algumas considerações sobre o ócio em Sêneca."

Sobre o GT Epicteto e marginália filosófica:

Link: https://anpof.org/gt/gt-epicteto-e-marginalia-filosofica

______.

ARRIANO FLÁVIO. O Encheirídion. Edição Bilíngue. Tradução do texto grego e notas Aldo Dinucci; Alfredo Julien. Textos e notas de Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão. Universidade Federal de Sergipe, 2012).

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DINUCCI, Aldo. Manual de estoicismo: uma visão estóica do mundo. São Paulo: Auster, 2023. 

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KING, C. Musonius Rufus: Lectures and Sayings. CreateSpace Independent Publishing Platform, 2011.

LONG, A. A. Epictetus: a stoic and socratic guide to life. New York: Oxford University Press. 2007.

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MARCO AURÉLIO. Meditações. São Paulo: Abril Cultural, 1973. (Livro II. 1).

______.  Meditações. São Paulo: Penguim/Companhia das Letras, 2023.

ROBERTSON, Donald. The Philosophy of Cognitive Behavioural Therapy (CBT): stoic philosophy as rational and Cognitive Psychotherapy. Londres  : Karnac Books, 2010.

______. Pense como um imperador. Trad. Maya Guimarães. Porto Alegre: Citadel Editora, 2020.

______. How to think Like a roman emperor: the stoic philosophy of Marcus Aurelius. New York: St. Martin's Press, 2019.

RUSSEL, Bertrand. A conquista da felicidade. Rio de Jamneiro, RJ: Nova Fornteira, 2015.

SCHLEIERMACHER, F. D. E. Introdução aos Diálogos de Platão. Belo Horizonte, MG: Ed. UFMG, 2018.

SCHELLE, Karl Gottlob. A arte de passear. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

SELLARS, J. The Art of Living: The Stoics on the Nature and Function of philosophy. Burlington: Ashgate, 2003.

______. Lições de estoicismo: O que os filósofos antigos têm a ensinar sobre a vida. Rio de Janeiro: Editora Sextante, 2023.

______. Lessons in Stoicism: What ancient philosophers teach us about how to live.  Londres: Penguin Books Ltd, 2020.

______. Hellenistic Philosophy. Oxford University Press, 2018.

______. Aristotle: Understanding the world's greatest philosopher. Pelican, 2023.

SÉNECA, Lúcio Aneu. Cartas a Lucílio. 5. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbekian, 2014.

SOLNIT, Rebecca. Wanderlust: a history of walking. Penguim books, 2001.

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______. Aristotle, Kant and the stoics: rethinnking happiness and duty. Cambridge University Press; Edição: Reprint, 1998.

______. A invenção da autonomia: uma história da filosofia moral moderna. São Leopoldo: Unisinos, 2001. 

THOUREAU, Henry David. Andar a pé: um ritual interior de sabedoria e liberdade. Loures: Editora Alma dos livros, 2021.

 

sexta-feira, 10 de abril de 2026

FILOSOFIA CLÁSSICA ALEMÃ E IDEALISMO ALEMÃO

 

Em andamento:

Acabei de reler, mais uma vez (1), e acrescento mais uma obra lançada recentemente 10.04.2026 (2) sobre o tema. 

1. Li, uma edição atualizada, mas a obra, por oferecer um material bem abrangente e informativo sobre o período clássico da filosofia clássica alemã, tornou-se fundamental para os estudos e, desde que tive as primeiras informações sobre sua publicação, passou a ser, para mim, leitura obrigatória. Nela, Autores do período como: Kant, Fichte, Hegel e Schelling são apresentados  e discutidos em detalhes, em conjunto com seus debates com contemporâneos como Hölderlin, Novalis e Schopenhauer.

Um livro que me obriguei a ler por tratar-se de reunião de vários estudiosos do Idealismo alemão e kantiano, discutindo sua relação ou divergências com o romantismo, o Iluminismo e a cultura da Europa dos séculos XVIII e XIX.

Bem me fez, ler a segunda edição, que oferece uma bibliografia mais atualizada e incluiu três novos capítulos, abordando questões estéticas e a natureza humana; a revolução química após Kant e o organismo e sistema no idealismo alemão

Enfim, um empreendimento para essa semana que, com certeza, vou retomar várias vezes. Uma visão geral sobre o movimento filosófico do Idealismo alemão. Sem dúvidas, muito importante a todos que tem interesse por filosofia, literatura, teologia, estudos alemães e história das idéias. (23.09.2018)

...

“Esta edição atualizada oferece um guia abrangente, penetrante e informativo para o que é considerado o período clássico da filosofia alemã.

Kant, Fichte, Hegel e Schelling são todos discutidos em detalhes, juntamente com contemporâneos como Hölderlin, Novalis e Schopenhauer, cuja influência foi considerável, mas cujo trabalho é menos conhecido no mundo de língua inglesa.

Os principais estudiosos traçam e exploram os temas unificadores do Idealismo Alemão e discutem sua relação com o Romantismo, o Iluminismo e a cultura da Europa dos séculos XVIII e XIX. Esta segunda edição oferece uma bibliografia atualizada e inclui três capítulos inteiramente novos, que abordam a reflexão estética e a natureza humana, a revolução química após Kant e o organismo e sistema no idealismo alemão. O resultado é uma visão geral esclarecedora de um movimento filosófico rico e complexo e atrairá uma ampla gama de leitores interessados ​​em filosofia, literatura, teologia, estudos alemães e história das idéias.”

2. Lançado recentemente: "Filosofia clássica alemã: Kant, Hegel, Schelling, Fichte, Goethe".

Sinopse: “Entre as décadas de 1780 e de 1850 ocorreu na Alemanha um movimento filosófico cuja elevação especulativa não tem paralelo na história da civilização ocidental. Centrado inicialmente na Universidade de Jena e depois em Berlim, atingiu o apogeu na primeira década do século XIX, quando Fichte chegou à maturidade, Schelling publicou seus textos mais significativos e Hegel elaborou os fundamentos do seu sistema.

A despeito de defenderem diferentes abordagens, eles compartilhavam o mesmo ponto de partida, a filosofia de Kant. Ela abrira novos horizontes ao tentar compreender e legitimar o conhecimento que aspira a valer como verdade (Crítica da razão pura, 1781), como justiça (Crítica da razão prática, 1788) ou como beleza (Crítica do juízo,1790).

Cada um dos pensadores dessa época estudou Kant com paixão, tendo em vista suprir suas carências, reais ou supostas, e solucionar os problemas que ele havia enunciado. A meta comum era a criação de um sistema filosófico abrangente e homogêneo, baseado em fundamentos últimos e irrefutáveis.

Kant havia fornecido os prolegômenos para uma "metafísica futura", mas eram apenas alicerces. Isso não bastava. Era preciso chegar a uma clareza inequívoca. Todos compartilhavam a crença de que a razão humana podia edificar tal sistema ideal, o que lhes conferia um vigoroso otimismo filosófico e impulsionava um grande esforço criador.

A marcha em direção a um sistema unitário, tendo a ideia de totalidade como fundamento, foi o elemento característico dessas doutrinas. Vem daí o interesse que esse período da filosofia alemã desperta até hoje.” (César Benjamin)

E, acrescento mais um texto de César Benjamin: escreveu para o livro; https://www.contrapontoeditora.com.br/arquivos/artigos/a_revolucao_copernicana_de_Kant.pdf

...

AMERIKS, Karl. The Cambridge Companion to German Idealism. Cambridge University Press; 2. ed., 2017.

BENJAMIN, César. Filosofia clássica alemã: Kant, Hegel, Shelling, Fichte, Goethe. Rio de Janeiro: Contraponto Editora, 2025.

KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes. Trad. Guido A. de. São Paulo: Discurso editoria: Barcarola, 2009.

______. Crítica da razão pura. 3. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbekian, 1994. (B 832-847)

______. A metafísica dos costumes. Trad. Clélia Aparecida Martins. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.

______. Lições sobre a Doutrina Filosófica da Religião. Trad. Bruno Cunha. Petrópolis: Vozes/ São Francisco, 2019.

______. Lições de Metafísica. Trad. Bruno Cunha. Petrópolis: Vozes/São Francisco, 2021

______. Textos pré-críticos. São Paulo: Editora Unesp, 2005.

______. Textos seletos. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.

______. Investigação sobre a clareza dos princípios da teologia e da moral. Lisboa: Imprensa Casa da Moeda, 2007.______. A religião nos limites da simples razão. Edições 70, Lisboa, 1992.

______. A religião nos limites da simples razão. Trad. Bruno Cunha. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2024.

______.Vorlesung über die philosophische EncyclopädieInKant gesalmmelte Schriften, XXIX, Berlin, Akademie, 1980, pp. 8 e 12).

______. Crítica da razão pura. 3. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbekian, 1994. (B 832-847)

______. Crítica da razão pura. Tradução Valerio Rohden e Udo Moosburguer. Coleção Os Pensadores. São Paulo,Abril Cultural, 1983.

______. Crítica da razão pura. "Do ideal de Sumo Bem como um fundamento determinante do fim último da razão pura. Segunda seção". (A805, 806 - B833, 834). Lisboa: Fundação Calouste Gulbekian, 1994.

_____. Antropologia de um ponto de vista pragmático. Tradução Clélia Aparecida Martins. São Paulo: Iluminuras, 2006.

______. Cursos de Antropologia: a faculdade de conhecer (Excertos). Seleção, tradução e notas de Márcio Suzuki. São Paulo: Editora Clandestina, 2017.

______. Resposta à pergunta: o que é “esclarecimento”?. In: Immanuel Kant textos seletos. Petrópolis, RJ: Vozes, 1985.

______. Lições de Ética. Trad. Bruno Cunha e Charles Feldhaus. São Paulo: Unesp, 2018.

______. Crítica da razão prática. Trad. Monique Hulshof. Petrópolis, RJ: Vozes, 2016.

______. Sobre a Pedagogia. Tradução de Francisco Cock Fontenella. Piracicaba, SP: Editora Unimep, 1996.

______. Sobre a Pedagogia. Petrópolis, RJ, Editora Vozes, 2021.

 


sábado, 4 de abril de 2026

TEMPO DE ESTUDOS SOBRE QUESTÕES DE "MÉTODO". IDENTIDADE PESSOAL. RELAÇÕES ESPÍRITO E CORPO (III)

Em ANDAMENTO. Elaborando, ainda, um texto e desenvolvendo as ideias discutidas hoje.

Relendo "Dissertação sobre as paixões" (Hume); "As paixões da alma" (Descartes), "Antropologia de um ponto de vista pragmático"(Kant), amparado nas Q. 495, 843, 845, 872, 1009 (LE), CIGE, ESE e LM (itens 159; 182 e  256); RE. (set, 1861).

E, mais uma vez estudando. A VIDA não pode parar!
Nada de pessimismo, materialismo ou ateísmo injustificáveis.

Mesmo não podendo digitar por muito tempo, ainda, as reuniões de estudo e as leituras seguem normais. Pela manhã, mantidos os estudos e leituras de sempre sobre a Filosofia de Christian Wolff; Kant; Kierkegaard, entre outros. Agora esse estudo muito bom, envolvendo questões de "método"

Participando agora, numa das pausas na leitura e mais estudos atentos a partir da excelente nova tradução da "Religião nos limites da razão pura", do prof. Bruno Cunha e outros textos kantianos, tentando redigir um artigo e um texto maior, apesar das dificuldades,  com amigos de Curitiba (IDEAK), vários Estados, alguns países. Sempre muito bom retornar aos estudos ... rever os amigos de aprendizado.

Gostei muito, desde a proposta inicial que me levou a participar deste o grupo, da discussão sobre "O que é ciência e outras questões" sobre o tema como ponto de partida, e claro, sempre excelente estudo e muito esclarecedor sobre o tema.

Para melhor compreensão do tema Filosofia da ciência na abordagem utilizada durante as discussões sugiro a página do professor Silvio S. Chibeni:

Aproveitei para aprofundar também as leituras sobre o "conceito de pessoa" (identidade pessoal)


______.

BOUDRY, M. (2021). Diagnosing pseudoscience – by getting rid of the demarcation problem. Journal for General Philosophy of Science. https://doi.org/10.1007/s10838-021-09572-4

CHALMERS, A. (2013). The limitations of falsificationism. In A. Chalmers (Ed.), What is this thing called science? (4th ed., pp. 81–96). essay, University of Queensland Press.

DESCARTES, R. Oeuvres. Org. C. Adam e P. Tannery. Paris: Vrin, 1996. 11v. [indicadas no texto como Ad & Tan]

_______. Descartes: oeuvres et lettres. Org. André Bidoux. Paris: Gallimard, 1953. (Pléiade).

______. Discursos do Método; Meditações metafísicas; Objeções e Respostas; As Paixões da Alma; Cartas. (Introdução de Gilles-Gaston Granger; prefácio e notas de Gerard Lebrun; Trad. de J. Guinsberg), Bento Prado J. 3. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1983 (Os Pensadores).

GORDIN, Michael D. Pseudosciencea very short introduction. New York: Oxford University Press, 2023.

HANSSON, Sven Ove. Belief Change: introduction and overview. Springer,  2018.

______. Vetenskap och ovetenskap. Stockholm: Tiden, 1983.

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______. Falsificationism FalsifiedIn: Foundations of Science, 11: 275–286, 2006.

______. Values in Pure and Applied ScienceIn: Foundations of Science, 12: 257–268, 2007.

_____. Philosophy in the Defence of ScienceIn: Theoria, 77(1): 101–103, 2011., Theoria, 77(1): 101–103, 2011.

______. Defining pseudoscience and science.  In: Pigliucci and Boudry (eds.), pp. 61–77, 2013.

______. Philosophy of pseudoscience: reconsidering the demarcation problem. University of Chicago Press; Illustrated edição, 2013.

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JAMES, William. L'expérience religieuse: essai de psychologie descriptive. Legare Street Press, 2022. (482 páginas).

______. (e-book) L'expérience religieuse. 

______. As variedades da experiência religiosa: um estudo sobre a natureza humana. São Paulo: Cultrix, 2017.

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______. Alguns problemas de filosofia. Lisboa: Edições 70, 2023.

______. Ensaios sobre psicologia. Organização, tradução, introdução e notas de Saulo de Freitas aAraújo. São Paulo: Hogrefe, 2024.

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REFLEXÃO MATINAL CXLI: SOBRE SAÚDE E FILOSOFIA

"𝐏𝐡𝐢𝐥𝐨𝐬𝐨𝐩𝐡𝐢𝐜𝐚𝐥 𝐇𝐞𝐚𝐥𝐭𝐡 𝐢𝐬 𝐛𝐞𝐜𝐨𝐦𝐢𝐧𝐠 𝐏𝐡𝐢𝐥𝐨𝐬𝐨𝐩𝐡𝐢𝐬𝐜𝐡𝐞 𝐆𝐞𝐬𝐮𝐧𝐝𝐡𝐞𝐢𝐭. A tradução alemã do m...