domingo, 11 de abril de 2021

MEDITAÇÃO RETROSPECTIVA NOTURNA XLV: PROKOPTON E MODERAÇÃO

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Resultando das muitas "meditações matinais" que tenho feito, surgiu a lembrança de que os estoicos propunham também “meditações noturnas”, como já escrevi aqui, outras vezes.

Não é novidade que, em geral, a filosofia é vista como um exercício inútil, reservado a desocupados que vivem isolados em suas torres de marfim. A considerar-se que a filosofia tem mesmo uma característica bastante voltada à reflexão teórica, abre-se imenso campo para que a vejam como inaplicável, portanto, dispensável.

Mas, como outros estoicos, o filósofo estoico Caio Musônio Rufo, chamado por alguns de “Sócrates romano”, tornou-se à sua época conhecido não só por sua coerência interna, ou seja, pela aproximação entre o que ensinava e o que vivenciava mas por ter ensinado outro grande estoico: Epicteto; sobre quem tenho dedicado alguns breves textos aqui, no Blog.

Aqui, mais uma vez, vou destacar que nas minhas leituras cada vez mais frequentes sobre estoicismo, que o mais notório princípio para prática dessa filosofia é o conjunto de "exercícios práticos". Ora, visto que os objetivos estoicos estão sempre ajustados de forma a dar mais valor à ação do que às palavras, a maneira de agir de cada indivíduo que pretenda ser um estoico é priorizada devido ao fato de que verdadeiramente a ação mostra como uma pessoa realmente é. Daí a incessante busca, realizando tais "exercícios práticos" no cotidiano para alcançar o sempre almejado princípio da eustatheia (tranquilidade) e desenvolver a euthymia (crença em si). E, como já anotei aqui nessa página, um dia desses, nunca é demais reforçar e refazer o caminho no sentido de dar continuidade às reflexões pessoais, procurando juntar teoria e prática, uma das maneiras estoicas de se posicionar em oposição àqueles que julgam a filosofia como inútil. A referência estoica é Sócrates.

Então, à meditação noturna de hoje, reflito e proponho:

“(a) As coisas não inquietam os homens, mas as opiniões sobre as coisas. Por exemplo: a morte nada tem de terrível, ou também a Sócrates teria se afigurado assim, mas é a opinião a respeito da morte — de que ela é terrível — que é terrível! Então, quando se nos apresentarem entraves, ou nos inquietarmos, ou nos afligirmos, jamais consideraremos outra coisa a causa senão nós mesmos — isto é: as nossas próprias opiniões.

(b) É ação de quem não se educou acusar os outros pelas coisas que ele próprio faz erroneamente. De quem começou a se educar, acusar a si próprio. De quem já se educou, não acusar os outros nem a si próprio.”

Acrescento (c): Outra recomendação de Musônio Rufo valorizava a "moderação", ou sōphrosúnē (σωφροσύνη - em grego antigo). A sōphrosúnē consiste em abrandar suas emoções; não comer demais, ser frugal e comportar-se com certo equilíbrio e gravitas. A moderação está profundamente relacionada com estabelecimento de médias nas atividades práticas pessoais. E, no que se refere especificamente às emoções, Musônio Rufo afirma, por exemplo, que:

“Palavras de aconselhamento e admoestação oferecidas quando as emoções de uma pessoa estão em seu ponto mais alto e transbordante pouco ou nada adiantam. [Fragmento nº 36]”

Portanto, como um método para exercício dessas recomendações, segue a indicação abaixo:

“O método a que Musônio Rufo se refere pode ser a prática estoica da meditação retrospectiva noturna, a qual envolve a reflexão sobre o que você fez de bom ou de ruim em cada dia e a imaginação sobre o modo de melhorar sua conduta dali por diante. 
À mesa do jantar ou à hora de dormir, converse com seu filho sobre como foi o dia para vocês dois, discutindo o que deu certo e o que deu errado. Vocês perderam alguma oportunidade de fazer algo positivo pelo seu crescimento enquanto pessoas? Útil tanto para os filhos como para os pais é refletir sobre sua própria conduta, fazer comentários sobre suas falhas pessoais e revirar o cérebro em busca de soluções que visem ao aprimoramento de si. Sabedoria não é algo que se adquira do dia para a noite: estamos sempre nos empenhando na direção dela.”

O método de Musônio Rufo apresentado acima como "meditação retrospectiva noturna", é bem parecida com uma proposta de Agostinho de Hipona quando propunha uma reflexão sobre o que fizemos de bom ou ruim ao longo de cada dia e o estabelecimento de "metas" a serem vencidas para a melhora da conduta a partir de cada novo dia que tem início.

Isso está nas atribuições necessárias ao "προκόπτον –prokopton”, tanto na "meditação retrospectiva noturna", quanto nas "reflexões matinais"

Ademais, como fiz aqui, nunca é dispensável reforçar e prosseguir  nos termos expostos em que colocaremos em uníssono o que dizemos e o que fazemos. Moderação e equilíbrio dos polos.

______.

SUGESTÃO DE LEITURAS

XENOFONTE. Apologia de Sócrates. 5. ed. Trad. Líbero Rangel de Andrade. São Paulo: Nova Cultural, 1991. (p. 164-165). (Col. Os Pensadores)

DINUCCI, A.; JULIEN, A. O Encheiridion de Epicteto. Coimbra: Imprensa de Coimbra, 2014.

EPICTETO. Entretiens. Livre I. Trad. Joseph Souilhé. Paris: Les Belles Lettres, 1956.

______. Epictetus Discourses. Book I. Trad. Dobbin. Oxford: Clarendon, 2008.

______. O Encheirídion de Epicteto. Trad. Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão: EdiUFS, 2012. (Edição Bilíngue)

______. Testemunhos e Fragmentos. Trad. Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão: EdiUFS, 2008.

EPICTETUS. The Discourses of Epictetus as reported by Arrian; Fragments; Encheiridion. Trad. Oldfather. Harvard: Loeb, 1928.

HADOT, Pierre. The inner citadel: the meditations of Marcus Aurelius. London: Harvard University Press, 2001. 

IRVINE, William B. A guide to the good life: the ancient art of Stoic joy. New York: Oxford University Press, 2009.

KING, C. Musonius Rufus: Lectures and Sayings. CreateSpace Independent Publishing Platform, 2011.

LONG, Georg. Discourses of Epictetus, with Encheiridion and fragments. Londres: Georg Bell and sons, 1890.

LUTZ, C. Musonius Rufus, the Roman Socrates. Yale Classical Studies 10 3-147, 1947.

SÉNECA, Lúcio Aneu. Cartas a Lucílio. 5. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbekian, 2014. 

domingo, 4 de abril de 2021

REFLEXÃO MATINAL LXXIX: FILOSOFIA E BENS INTERIORES

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"Le domaine de la philosophie est de l'ordre de biens interieurs"  (Épictète. D. I, XV : 1)

Passada a turbulência, cabe prosseguir com os “exercícios” como sempre. E, como diz Epicteto em (Diatribes. III. XII. 3-4):

“Nem toda dificuldade e perigo é adequada para o treino, mas apenas aquela que é conducente ao sucesso em atingir o objeto de nosso esforço. E qual é o objeto de nosso esforço? Agir sem impedimento na escolha e na aversão. E o que isso significa? Nem falhar em conseguir o que desejamos, nem cair naquilo que queremos evitar.”

Decidido, há algum tempo, que seriam constantes o treino e os esforços na direção e reformulação dos hábitos (ethos), prossigamos. 

Agora, pela manhã, na releitura de Hadot (2014), sobre o que ele denominou “exercícios espirituais”, pude refletir novamente sobre sua divisão dos “exercícios” estoicos em:

  • aqueles que desenvolvem a consciência de si direcionados a uma visão exata do mundo, da natureza e, 
  • aqueles que são orientados para a paz e tranquilidade interior (Inner Citadel[1]).

Tal disciplina nos “exercícios” tem por meta equilibrar as emoções e, para Epicteto são fundamentalmente essenciais para a formação da alma.

“O homem que se exercita contra tais representações externas é o verdadeiro atleta em treino. [...] Grande é a luta, divina é a tarefa; o prêmio é um reino, liberdade [ἐλευθερίας], serenidade [εὐροίας], paz [ataraxia - ἀταραξία].”

E, é tarefa principal de quem pretenda reformular os hábitos, por exemplo, reeducar-se na busca do Bem que está ao alcance de cada um, para que, daí descubra que tudo o que lhe sucede durante a vida não é necessariamente um mal a paralisá-lo.

É certo que haverá o que lhe foge ao controle, como diz Epicteto, no Encherídion, I, 1. Mas isso é o que a vida exige de cada um:  o esforço, prática e “exercício” no que está sob seu controle: o interior. O que é exterior está para além do nosso controle.

Ademais e, principalmente, com estas recomendações, nota-se na obra de Epicteto[2] a disciplina e a adoção desses “exercícios” na busca de euroia, que a mudança dos hábitos a ponto de reformular a teoria em prática é processo lento e exige persistência. Por isso:

“Primeiro digira seus princípios, e então você terá certeza de não vomitá-los. [...] Mas depois que você tenha digerido estes princípios, mostre-nos alguma mudança em seu princípio governante [razão] que é devido a eles.” (D. III.XXII.3)

A proposta, portanto, é de alcançarmos o controle sobre nossos julgamentos, nossas escolhas (προαίρεσις) e assentimentos. Esforço válido e imprescindível!

“É mais necessário cuidar da alma do que do corpo, pois é preferível estar morto a viver mal. (Estobeu, Florilegium, IV. 53, 27. De Epicteto )”

E, para concluir com Aldo Dinucci e Alfredo Julien (2008):

“Ninguém é livre não sendo senhor de si mesmo. (Florilegium. frag. 38). ”

 

______.

ARRIANO FLÁVIO. O Encheirídion de Epicteto. Edição Bilíngue. Tradução do texto grego e notas Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão. Universidade Federal de Sergipe, 2012.

DESCARTES, René.  As paixões da alma. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

DINUCCI, Aldo; TARQUÍNIO, Antonio. Introdução ao Manual de Epicteto. 3. ed, São Cristóvão: Universidade Federal de Sergipe, 2012.

______; JULIEN, Alfredo. O Encheiridion de Epicteto. Coimbra: Imprensa de Coimbra, 2014.

______; JULIEN, A. (Org.) Epicteto: fragmentos e testemunhos. Tradução dos fragmentos gregos e notas Aldo Dinucci e Alfredo Julien. Textos de Aldo Dinucci, Alfredo Julien e Fábio Duarte Joly. São Cristóvão. Universidade Federal de Sergipe, 2008.

EPICTETO. Entretiens. Livre I, II, III, IV. Trad. Joseph Souilhé. Paris: Les Belles Lettres, 1956.

______. Epictetus Discourses. Book I. Trad. Dobbin. Oxford:
Clarendon, 2008.

______. O Encheirídion de Epicteto. Trad. Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão: EdiUFS, 2012. (Edição Bilíngue)

______. Testemunhos e Fragmentos. Trad. Aldo Dinucci; Alfredo Julien. São Cristóvão: EdiUFS, 2008.

EPICTETUS. The Discourses of Epictetus as reported by Arrian; fragments; Encheiridion. Trad. Oldfather. Harvard: Loeb, 1928.  https://www.loebclassics.com/

HADOT, Pierre. The inner citadel: the meditations of Marcus Aurelius. London: Harvard University Press, 2001.

______. A filosofia como maneira de viver: entrevistas de Jeannie Carlier e Arnold I. Davidson. (Trad. Lara Christina de Malimpensa). São Paulo: É Realizações, 2016

______. Exercícios Espirituais e Filosofia Antiga. Trad. Flavio Fontenelle Loque e Loraine Oliveira. Prefácio de Davidson, Arnold. São Paulo: É Realizações, 2014.

IRVINE, William B. A Guide to the Good Life: the ancient art of Stoic joy. New York: Oxford University Press, 2009.

LONG, A.A. A stoic and Socratic guide to life. New York: Oxford University Press, 2007.

SÉNECA, Lúcio Aneu. Cartas a Lucílio. 5. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbekian, 2014.



[1] Hadot, Pierre. Inner citadel: the meditations of Marcus Aurelius. Trad. Michael Case, Massachusetts: Harvard University Press, 1998. 

[2] Destaque-se que Epicteto não escreveu uma obra, o que temos dele foi composto por Arriano Flávio em O Encheirídion. Nas sugestões de leitura abaixo inseri a indicação bibliográfica da edição bilíngue, com tradução do texto grego e notas Aldo Dinucci e Alfredo Julien.

sexta-feira, 2 de abril de 2021

SELF-KNOWLEDGEAND SELF-FORMATION IN KANT

 


KATHARINA KRAUS

"Seus interesses de pesquisa estão centrados na história da filosofia moderna, especialmente Immanuel Kant, e na filosofia da mente e psicologia. Sua pesquisa atual diz respeito à concepção de autoconhecimento empírico de Kant, bem como à perspectiva da primeira pessoa, incluindo questões como seu status epistêmico especial, sua relação com a racionalidade e sua relevância para a psicologia científica. Além disso, ela também está interessada em filosofia da ciência, epistemologia e psicologia moral."

Link 1:





UM ANTROPÓLOGO EM MARTE: REVISITANDO UM TEMA

 


"Memento vivere"

Instigado pela grande quantidade de comentários em várias postagens nas "redes sociais" com menção  à data 02 de abril, vi-me, ontem à tarde, relendo "Um antropólogo em Marte" (Voltei a reler esse pequeno livro para uma pausa no feriado, um breve intervalo das leituras referentes à pesquisa, como sempre faço e principalmente, deste livro, o capítulo que vai da p. 246 até a p. 295 e da p. 332 até a p. 333), livrinho que li em 2006 (aliás, 2006 foi um ano tão bom, de muita recordação boa).

Sinopse: “O que têm em comum o pintor que, em decorrência de um acidente, passa a enxergar o mundo em preto-e-branco, o rapaz cujas únicas lembranças se restringem ao final dos anos 60 e o exímio cirurgião tomado por todo tipo de tiques (verbais e físicos) na vida cotidiana? Para o neurologista Oliver Sacks, esses não são apenas casos clínicos extraordinários. Antes de mais nada, eles dizem respeito a indivíduos cujas vidas, pressionadas por situações-limite (por vezes trágicas, em geral dramáticas), podem nos ajudar a compreender melhor o que somos. Em Um antropólogo em Marte, Sacks confirma a originalidade de sua prosa, já consagrada em Tempo de despertar e O homem que confundiu sua mulher com um chapéu. Uma prosa que dá ao relato clínico a dramaticidade de um verdadeiro gênero literário.”

(Grifos e destaques são meus)

______.

ASPERGER. Hans. "Autistic psichopathy in childhood". In: FRITH, Uta, ed. Autism an asperger syndrome. Nova York: Cambridge University Presss, 1991.

KANNER, Leo. "Autistic disturbances of affective contact". New York: Nervous Child 2:217-50, 1943.

PARK, Clara Claiborne. The Siege: a family's journey into the world of an autistic child.  Back Bay Books; Revised ed. Edição, 1982.

RIMLAND, Bernard. Infantile autism: the syndrome and its implicationsfor a mental theory of behavior. Nova York: Apple-Century-Crofts, 1964.

SACKS, Oliver. Um antropólogo em marte: sete histórias paradoxais. São Paulo: Companhia das letras, (edição de bolso), 2006.

______. O olhar da mente. São Paulo: Companhia das letras, 2010.

REFLEXÃO MATINAL LXXVIII: ESPERANÇA É UMA VIRTUDE?

 


" O que me é permitido esperar?" (Kant)

Atualizando e concluindo hoje 27.08.2022, a leitura do livro e, principalmente, o artigo de Cláudia Blöser. 

“Kant famously states in the Canon of the Critique of Pure Reason that “What may I hope?” (A805/B833) is one of the fundamental questions of reason. 1 However, it is not easy to pin down Kant’s full answer to the question. One puzzle concerns the question of what hope is: Kant does not explicitly discuss the nature of hope, which may explain in part why interpreters have often conflated hope and faith (e.g., Flikschuh, 2010). Another difficulty is that Kant talks about hope in a number of different writings, and it is not immediately clear whether there is a unified account of hope in the background. In this contribution, I want to shed light on these issues. In section 1, I sketch a framework for understanding what hope is, according to Kant, and for understanding what makes it rational. I then show how this abstract picture helps to describe the role of hope in different writings: in the first and second Critiques, in Religion within the Boundaries of Mere Reason, and in the historical and political writings. Finally, I briefly discuss the role of hope in moral motivation.”

Uma “[...] imagem ajuda a descrever o papel da esperança em diferentes escritos: na primeiro e segunda Críticas, em Religião nos limites da simples razão, e nos escritos históricos e políticos. Por fim, discuto brevemente o papel da esperança na motivação moral.” (BLÖSER, 2020, pp. 57-74)

Como tem sido comum, as minhas leituras e releituras sobre as discussões sobre a Virtude; não somente entre os estoicos, mas em diversos autores e em meio à sociedade, em geral, acrescento mais esta obra de Claudia Blöser e Titus Stahl, com a qual tive contato através da resenha que estou postando aqui no blog.

O tema é a “esperança”, mais uma vez, e ainda que não seja tão raro que se ouçam dizer que o mundo atual tem se tornado tão vazio de sentido por não haver uma preocupação com essa questão, sigo refletindo a temática. Meu destaque e foco está principalmente  em "Hope in Kant"Blöser desenvolve um relato unificado de esperança conforme discutido em uma série de obras de Immanuel Kant (a primeira e a segunda Críticas, a Religião ... e os escritos políticos de  Immanuel Kant).:

A PSICOLOGIA MORAL DA ESPERANÇA...

(Grifos e Destaques são meus)

______.

Por: Daniel Telech, Polonsky Academy, Van Leer Jerusalem Institute. 06.03.2021. Fonte: (Notre Dame PhilosophicalReviews)


"Claudia Blöser e Titus Stahl reuniram um volume abrangente sobre a natureza, a história e o significado social da esperança. O volume não economiza na história; seis de seus quinze capítulos enfocam a história filosófica da esperança e outros incluem uma discussão extensa de figuras históricas e tradições. O volume também contribui para a nossa compreensão da natureza da esperança, considerada tanto uma atitude quanto um traço (talvez uma virtude) de caráter. O volume fecha com uma seção sobre os "contextos sociais" da esperança, onde se dá atenção a tópicos como o papel da esperança na justificativa política e a racionalidade de esperar uma prosperidade humana generalizada em face de um possível colapso ambiental. É um volume rico. Terei oportunidade a seguir de abordar cada um de seus capítulos,

As últimas duas ou mais décadas de discussão filosófica da atitude de esperança podem ser caracterizadas por uma mudança da "visão padrão", segundo a qual a esperança é composta por i) a crença de que algum resultado ou estado de coisas X é possível, mas não garantido, e ii) o desejo de que X seja o caso. A visão padrão, geralmente é sustentada, não apenas falha em fornecer condições suficientes para a esperança; parece, de forma mais condenatória, considerar instâncias de desespero - o oposto da esperança - como instâncias de esperança. Pois, o desespero também envolve intuitivamente crenças e desejos do tipo acima. (Na verdade, como vários notaram, parece que dois agentes podem atribuir a mesma probabilidade a algum resultado e desejar esse resultado no mesmo grau, embora um esteja cheio de esperança e o outro, desespero.) Conseqüentemente, agora é amplamente aceito que algum outro componente - além da crença e do desejo - deve ser adicionado para obter condições suficientes para a esperança. Vários desses componentes foram identificados (para referências, ver trabalhos citados nas pp. 2, 115, 232.) Uma maneira útil de caracterizar o que essas propostas recentes têm em comum é encontrada no capítulo de Adrienne M. Martin, onde Martin escreve:

"recentemente surgiu um consenso aproximado de que a esperança tem três partes componentes principais: primeiro, a crença de que o resultado esperado é possível, mas não garantido; segundo, um desejo ou preferência por esse resultado; e uma terceira coisa que equivale a uma atitude "e se" em tom positivo em relação a um futuro contendo esse resultado ... (231-32)"

Em contraste com o agente desesperado, que pode desejar X e acreditar que X é possível, mas não garantido, o agente que espera tem uma atitude "e se" tonificada positivamente em relação à obtenção de X. Em outras palavras, a visão contínua reflete que, em contraste com o desespero, a esperança envolve uma orientação positiva em direção à possibilidade daquilo que é desejado.

Katie Stockdale desafia essa ideia. Em particular, o capítulo de Stockdale desafia a ideia de que, na medida em que a esperança envolve emoções, ela envolve emoções positivas. Stockdale afirma que a atenção às condições sociais não ideais revela que existe uma espécie de esperança negligenciada e com valor negativo. Este tipo de esperança, "esperança medrosa" como Stockdale a rotula, não está apenas associada, mas constituída em parte por medo. Seu tom afetivo é totalmente negativo. Stockdale fornece em apoio à sua proposta um exemplo em que uma mulher afro-americana chamada Kayla é parada sem motivo aparente e experimenta uma atitude negativa quando o policial se aproxima de seu carro. Stockdale caracteriza a atitude de Kayla como uma "esperança temerosa" de que "o policial que estou prestes a encontrar não use violência contra mim" (121). Dado, entretanto, que Kayla representa o oficial como "ameaçador", não está claro por que não caracterizaríamos a resposta de Kayla, mais simplesmente, como de medo . Afinal, o medo de algum possível estado de coisas envolve ver esse estado de coisas como ameaçador ou perigoso. Stockdale descreve Kayla 'agir violentamente em relação a ela. Mas, não podemos nos contentar em atribuir a Kayla a resposta mais familiar (isto é, uma resposta dirigida não à omissão, mas à ação) de medo de que o oficial possa se comportar violentamente em relação a ela ? A palavra 'esperança' pode ser tipicamente empregada para descrever a pessoa que sente medo: mesmo a pessoa que foge com medo do cão ameaçador, por exemplo, pode ser descrito como 'esperando escapar do cão'. Não está claro, no entanto, se este fato linguístico permite uma visão da economia mental desses agentes temerosos como incluindo uma atitude de esperança amedrontadora além da de medo, especialmente porque a natureza orientada para o futuro do medo está posicionada para explicar esses pensamentos dos agentes sobre segurança. Essas preocupações sobre a adequação descritiva e a recompensa psicológica moral podem ser especialmente pesadas, visto que a visão de Stockdale vem com o custo de rejeitar uma explicação unificada da esperança como parcialmente constituída por uma perspectiva positiva.

O capítulo de Matthew Benton apresenta aos leitores a relação entre conhecimento e esperança. Benton fornece suporte linguístico para a tese de que espero que p seja incompatível tanto com o conhecimento que p quanto com o conhecimento que não p; quando se espera que p, não se sabe se p. Benton se volta na última parte do capítulo para questões relativas à racionalidade de continuar a ter esperança em face de evidências crescentes contra a obtenção do resultado esperado. Como observa Benton, às vezes o esperançoso persistente é elogiado por sua "firmeza", enquanto outras vezes é recebido com escárnio por "ser irreal". Benton propõe que a racionalidade de perseverar na esperança, apesar das crescentes contra-evidências contrárias ao resultado esperado, vai depender de quão resiliente alguém pode antecipar ser em face de mais decepções. Como tal, a racionalidade de perseverar na esperança depende tanto de julgamentos teóricos quanto de julgamentos práticos.

Em "Is Hope a Moral Virtue?", Nancy E. Snow responde à pergunta do título afirmativamente, acrescentando a suas opiniões publicadas anteriormente que a esperança pode ser tanto uma virtude intelectual quanto uma virtude cívica democrática. Snow desenvolve um relato amplamente aristotélico da esperança como virtude moral, dando atenção especial ao desenvolvimento da esperança como virtude natural até a esperança como virtude moral, onde uma marca desta última é ser guiada pela sabedoria prática. Para Snow, a esperança tem uma conexão não acidental com uma orientação "agencial" positiva, já que "Ter esperança é parte de uma perspectiva positiva e voltada para o futuro que está aberta a possibilidades futuras e posiciona a pessoa que deseja engajar seu corpo cognitivo, afetivo, imaginativo e capacidades agenciais nos esforços para alcançar bens futuros. " (183) Ao desenvolver uma visão da esperança como uma virtude moral,

"Pessimismo e a possibilidade de esperança" de Samantha Vice defende a compatibilidade de uma disposição esperançosa com o pessimismo, onde o pessimismo é entendido como "a perspectiva ou atitude sobre o mundo humano que é cética quanto à possibilidade de um progresso moral significativo e que considera o dano que os humanos causam ser moralmente mais saliente e pesado do que o bem que eles trazem. " (154) Seguindo o exemplo de Gabriel Marcel, Vice se junta àqueles que entendem a esperança (ou melhor, a esperança) como uma orientação "agencial" positiva, a partir da qual o "futuro [é] considerado aberto e receptivo aos nossos esforços" (157). Assim interpretada, a esperança encontra seu oposto no desespero, e não no pessimismo. Atenção especial é dada às diferenças na fenomenologia temporal entre esperança e desespero. Para se desesperar, de acordo com Vice, capitular, ao passo que ter esperança é recusar-se a capitular. "(158) A esperança é assim caracterizada como uma forma de paciência (uma ideia que é coerente com recomendações de que 'não desistamos' e 'nos agarremos a ', esperança). Curiosamente, Vice interpreta a esperança em termos estéticos positivos, escrevendo que há uma "flexibilidade e graça na recusa em capitular." (159)

"Hope in Contemporary Psychology", de Matthew W. Gallagher, Johann M. D'Souza e Angela L. Richardson, enfoca o modelo influente de esperança desenvolvido por CR Snyder, segundo o qual a esperança escolhe um traço que envolve ver a si mesmo como um agente eficaz. Ou seja, no modelo dominante,

esperança [é] um traço cognitivo duplo que representa a capacidade de identificar estratégias para atingir seus objetivos (ou seja, caminhos de pensamento) e ter a motivação e determinação para implementar com sucesso esses caminhos (ou seja, pensamento de agência) para atingir seus objetivos (Snyder 2002 ; Snyder et al. 1991). (192)

Aqueles "muito esperançosos" - de acordo com várias escalas de medição (descritas no capítulo) desenvolvidas por Snyder e outros - são distintos daqueles muito otimistas porque os grandes esperançosos acreditam não apenas que seus objetivos serão satisfeitos, mas que eles serão satisfeitos por meio de seu próprio arbítrio (196). O capítulo também discute evidências para várias intervenções terapêuticas baseadas na esperança, incluindo aquelas que parecem ter alguma eficácia na redução dos sintomas de depressão e ansiedade.

Em "Aspectos Interpessoais da Esperança", Martin apresenta uma visão do tipo de esperança que as pessoas investem nos outros - esperança interpessoal - fornecendo ao longo do caminho uma taxonomia geral de esperança. Na concepção de esperança de "agência socialmente ampliada" desenvolvida por Martin, "investir esperança em uma pessoa é esperar estender sua agência por meio dela". (Martin 2020: 230). O exemplo paradigmático de Martin é aquele em que um pai investe em sua filha a esperança de uma vida melhor. A esperança interpessoal do pai consiste em esperar estender sua agência por meio da filha, o que se faz proporcionando à filha, a investida, "recursos agenciais". Isso inclui não apenas recursos materiais, mas o trabalho envolvido na criação e educação de uma criança, junto com recursos emocionais e motivacionais. O relato oferecido é rico, e o capítulo pode ter um significado especial para os interessados ​​na psicologia moral das atitudes dos participantes, além da tão discutida tríade de ressentimento, indignação e culpa. Pois Martin desenvolve sua visão com um olho na gama de respostas interpessoais que temos quando as esperanças que investimos nos outros são frustradas (por exemplo, decepção, traição) ou realizadas (por exemplo, apreciação, orgulho, gratidão).

Embora eu ache que Martin discute um fenômeno normativo importante e esquecido, eu me pergunto se a centralidade conferida à contribuição agencial do homemcorre o risco de deixar de fora instâncias de esperança interpessoal. Parece que somos capazes de investir esperança em agentes com os quais não estamos pessoalmente engajados e a quem não podemos estender nosso arbítrio da maneira evidenciada pelo pai. Suponha, por exemplo, que Belle seja uma eremita que vive nas montanhas, está equipada com televisão por satélite e tem paixão pela patinação artística. Nos últimos anos, Belle desenvolveu um interesse por Alicia, uma patinadora artística em ascensão. Belle é tomada pela graça de Alicia no gelo, vendo em seu potencial considerável. Talvez Belle e Alicia também compartilhem um passado nacional, onde a nação não é representada na patinação artística no nível de Alicia. Suponha que Alicia esteja prestes a se apresentar em suas primeiras Olimpíadas de inverno; Belle assiste com entusiasmo e nervosismo. Embora Belle não (e podemos traduzir o exemplo de tal forma que elanão pode ) contribuir com recursos agenciais do tipo que pode ser fornecido por seus amigos, família, treinadores e até mesmo outros fãs (por meio de torcidas nas arquibancadas, comprando mercadorias), no entanto, parece plausível que Belle possa investir esperança em Alicia (por exemplo, para ter sucesso como patinador, para continuar a desenvolver). Martin pode dizer que Belle está emocionalmente investida em Alicia, e isso certamente está certo, mas entender isso como um caso de agência socialmente ampliada parece, na melhor das hipóteses, tenso. Ao discutir casos semelhantes, Martin afirma que pode ser razoável "que os fãs de celebridades do esporte ou da política 'se sintam decepcionados com' desempenhos ruins ou falhas em defender valoresos fãs sentiram que tinham em comum "(236, itálico adicionado). Isso soa muito certo, mas parece apontar na direção de uma visão de esperança interpessoal centrada em algo como a partilha de valor - o que pode ser feito de longe - ao invés da extensão da agência.

Volto agora para os capítulos do volume com enfoque histórico. Em "Esperança no grego arcaico e clássico", Douglas Cairns defende a tese ponderada de que, embora a palavra grega elpis às vezes signifique mais ou menos o que queremos dizer com "esperança", o alcance semântico de elpis é muito amplo para mapear perfeitamente em nosso conceito de esperança. Depois de defender esta tese via Aristóteles e Platão, Cairns se volta para a poesia grega clássica, onde elpis é interpretada como uma divindade capaz de fornecer sustento espiritual, mas que ocasionalmente cria agentes para as frustrações decorrentes de lutar pelo inatingível. Elpis dessa forma, opera dentro de uma visão de mundo em que as aspirações humanas devem ser controladas por uma avaliação da extensão em que nossos sucessos e alegrias dependem de uma miríade de fatores além de nosso controle.

Em "Hope in Christianity", Anne Jeffrey afirma que dois tipos de esperança podem ser distinguidos em um relato cristão: i) esperança voltada para os eventos possíveis, e ii) esperança em Deus . Este último é caracterizado por incluir o “desejo de união com Deus” (42), onde este não deve ser entendido como uma espécie de esperança para a obtenção de algum acontecimento. Ou seja, a esperança dirigida por Deus é irredutível à esperança dirigida por eventos, em parte, afirma Jeffrey, porque a esperança dirigida por Deus não precisa ter um objeto determinado. Jeffrey dá como exemplo a esperança que Abraão deposita em Deus "quando ele deixa sua casa sob a orientação de Deus ... Nesse ponto, ele não sabe o que esperar de Deus". (42) Não está claro, porém, por que não devemos caracterizar Abraão em vez de confiar em Deus, pois a confiança parece tomar mais confortavelmente um agente como seu objeto, sem também tomar algum outro evento / ação como seu alvo. De interesse potencial para aqueles que consideram os aspectos epistemológicos da esperança é que a esperança às vezes é entendida como acompanhada por um tipo de certeza não evidencial, alcançada pela fé, onde "A fé consiste na adesão confiante a uma proposição com certeza, mas sem compreensão total" ( 45).

Em "Hope in Kant", Blöser desenvolve um relato unificado de esperança conforme discutido em uma série de obras de Kant (a primeira e a segunda Críticas, a Religião e os escritos políticos de Kant). Uma suposição fundamental sobre a visão apresentada é que a esperança pressupõe que algum fim é visto como estando além do nosso poder de realização. Mas enquanto esta pressuposição distingue esperança de escolher, para distinguir esperança de desejar, uma segunda suposição-chave é necessária, a saber, a pressuposição de que o fim tem fundamentos, ou seja, que pode ser provocada, por meio de algum poder. Como Blöser sustenta ainda, enquanto Kant sustenta que não temos conhecimento dos fundamentos da esperança, a esperança pode ser racional na medida em que é racional ter fé ou "crença moral" nos fundamentos da esperança. Uma crença moral que podemos sustentar racionalmente, de acordo com Kant, é que na existência de Deus e na vida após a morte, pois a lei moral ordena que ajamos de forma a sermos merecedores da felicidade, mas o mundo presente não é aquele em que a felicidade é garantida por uma ação moralmente digna. Na leitura de Blöser, Kant avança um argumento estruturalmente paralelo para a esperança racional de paz perpétua. Temos o "dever de promover e, assim, aproximar a paz perpétua" (69) e, portanto, podemos esperar uma paz perpétua, mas como não podemos presumir que possamos alcançar esse fim por conta própria, esta esperança pressupõe fé em seus fundamentos, ou seja, na ordem providencial. Além de identificar possíveis fraquezas nos vários argumentos de Kant, Blöser atende à questão de se a esperança ocupa um papel motivacional distinto na psicologia moral de Kant.

O capítulo de Roe Fremstedal, "Kierkegaard on Hope as Essential to Selfhood", avança a afirmação de que Kierkegaard sustenta que uma identidade prática coerente requer não apenas, como outros argumentaram, um compromisso sincero com um ideal moral, mas também a "esperança de que nossos ideais sejam realizáveis "(75). Uma característica estranha dessa visão é que parece ser uma questão de estipulação que o desespero envolve uma dupla mente e, portanto, impede uma identidade prática coerente. Pode ser que este leitor simplesmente requeira maior familiaridade com Kierkegaard sobre o desespero, pois, como discutido por Fremstedal, é um compromisso metodológico de Kierkegaard que seu relato de esperança seja desenvolvido via negativa , trabalhando para cima, por assim dizer, a partir do desespero.

Antes de abandonar a filosofia europeia do século 19, observo que em vários lugares do volume - incluindo a introdução dos editores e o capítulo mencionado - a afirmação de que 'Nietzsche é contra a esperança' é feita. Nietzsche é reconhecidamente contra a esperança na promessa do teísmo , particularmente na medida em que tal esperança serve para pacificar as aspirações de alguém por este mundo.. Mas concluir disso que Nietzsche é "contra a esperança" é como concluir, a partir da hostilidade de Nietzsche em relação aos efeitos de dívidas de gratidão consideradas irredimíveis para com um criador que se sacrifica, que Nietzsche é "contra a gratidão". Embora Nietzsche não defenda a esperança em detrimento da agência, seu projeto filosófico positivo é muito orientado para o futuro e, de muitas maneiras, caracterizado pela esperança. Mais fortemente, a postura de Nietzsche sobre a perspectiva de um futuro dionisíaco da música, a superação do niilismo, uma reavaliação dos valores, etc., são indiscutivelmente ininteligíveis sem a compreensão de Nietzsche como um filósofo da esperança.

"Pragmatist Hope" de Sarah Sitzlein cobre muito terreno, começando com os primeiros pragmatistas americanos (Pierce, James, Dewey) e concluindo com "pragmatistas neo e contemporâneos" (Rorty, Judith Green, Cornel West, Patrick Shade, Colin Koopman) . Sitzlein entende "esperança pragmática" como "um conjunto de hábitos" (103), onde esses hábitos compreendem disposições perceptivas, cognitivas e motivacionais para reimaginar criativamente nossas circunstâncias em resposta aos desafios encontrados em um mundo não ideal.

Em "Uma concepção zen budista de esperança na iluminação", Rika Dunlap argumenta - acompanhe aqueles que identificam a esperança como um estado orientado para o futuro e, como tal, um obstáculo à iluminação ou um mero degrau em direção a ela - que o zen-budismo de Dōgen oferece uma concepção de esperança voltada para o presente, na qual a esperança é um bom constituinte da iluminação propriamente dita.

Em "Esperança política e comunidade cooperativa", Stahl enumera várias funções que a esperança pode ocupar em uma teoria política e enfoca a possível função justificativa da esperança, argumentando que a esperança por uma forma ambiciosa de comunidade (em algo como o sentido empregado por Rawls) pode fornecer fundamentos para o endosso de uma sociedade liberal justa.

Em "Esperança de progresso material na era do Antropoceno", Darrel Moellendorf argumenta que, em face da destruição ambiental provocada pelo capitalismo, é racional esperar uma prosperidade humana generalizada. O argumento de Moellendorf prossegue examinando e corrigindo o mecanismo identificado por GA Cohen para explicar a tendência histórica do crescimento das forças produtivas. O que falta na opinião de Cohen, argumenta Moellendorf, é a apreciação da contribuição feita por circunstâncias ambientais suficientemente favoráveis, de modo que "quando os humanos trabalham, as melhorias podem ser repassadas a pelo menos algumas gerações sucessoras" (258). Moellendorf arrecada suporte empírico para este "fato da favorabilidade climática", como ele o denomina, do trabalho na teoria da evolução sobre as circunstâncias subjacentes ao advento da modernidade comportamental e dos dados relativos ao crescimento atribuível à Revolução Industrial. De acordo com Moellendorf, dada a destruição ambiental atribuível a fatores subjacentes ao crescimento da capacidade produtiva, o crescimento futuro e a eventual prosperidade generalizada não podem ser tomados como garantidos; isto pode, entretanto, ser racionalmente esperado. Ou seja, é racional esperar que "os fatos da inteligência e da racionalidade ... possam ser organizados para resolver o problema da destruição ambiental, que está se tornando um problema produtivo.

Dada sua amplitude, é provável que haja algo de valor no volume para uma ampla gama de leitores de várias disciplinas, incluindo filosofia, história, teologia e teoria política." 

Link: 

https://ndpr.nd.edu/reviews/the-moral-psychology-of-hope/?fbclid=IwAR0Cm0aIrQ86ZY--PDvAEObx-bp7UKekqUZI4JFT0ufg5P1VQcQtMZiN2CM

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Todos os títulos da série: "MORAL PSYCHOLOGY OF THE EMOTIONS

Series Editor: Mark Alfano, Associate Professor, Department of Philosophy, Delft University of Technology

How do our emotions influence our other mental states (perceptions, beliefs, motivations, intentions) and our behavior? How are they influenced by our other mental states, our environments, and our cultures? What is the moral value of a particular emotion in a particular context? This series explores the causes, consequences, and value of the emo[1]tions from an interdisciplinary perspective. Emotions are diverse, with components at various levels (biological, neural, psychological, social), so each book in this series is devoted to a distinct emotion. This focus allows the author and reader to delve into a specific mental state, rather than trying to sum up emotions en masse. Authors approach a particular emotion from their own disciplinary angle (e.g., conceptual analysis, feminist philosophy, critical race theory, phenomenology, social psychology, personality psychol[1]ogy, neuroscience) while connecting with other fields. In so doing, they build a mosaic for each emotion, evaluating both its nature and its moral properties.

 

Titles in the Series

The Moral Psychology of Forgiveness, edited by Kathryn J. Norlock.

The Moral Psychology of Pride, edited by Adam J. Carter and Emma C. Gordon .

The Moral Psychology of Sadness, edited by Anna Gotlib.

The Moral Psychology of Anger, edited by Myisha Cherry and Owen Flanagan.

The Moral Psychology of Contempt, edited by Michelle Mason.

The Moral Psychology of Compassion, edited by Justin Caouette and Carolyn Price.

The Moral Psychology of Disgust, edited by Nina Strohminger and Victor Kumar .

The Moral Psychology of Gratitude, edited by Robert Roberts and Daniel Telech.

The Moral Psychology of Admiration, edited by Alfred Archer and André Grahle.

The Moral Psychology of Regret, edited by Anna Gotlib The Moral Psychology of Hope, edited by Claudia Blöser and Titus Stahl."

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BLÖSER, Claudia; STAHL, Titus (eds.). The Moral Psychology of Hope. Rowman and Littlefield, 2020. 302pp.

Referência no artigo de (BLÖSER, 2020):

REFERENCES

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PHILONENKO, Alexis. Études kantiennes. Librairie philosophique J. Vrin, Paris, 1982.


quinta-feira, 1 de abril de 2021

ALGUMAS LEITURAS SOBRE O PROBLEMA MENTE-CORPO: "PROBLEM MIND-BODY"

 

(IMAGEM: "Pinterest")

A partir do parágrafo 245c-e do Fedro de Platão, no contexto do segundo discurso de Sócrates, o filósofo chama atenção para a importância de "se tornar explícita a natureza da alma, dos seus estados e atos, assim como indagar se esta natureza é humana ou divina".

Pretendo entender, relendo essas obras, que Platão, nesse diálogo tenta fundamentar a natureza mista da alma: em parte racional em parte passional. Essa ambiguidade constitutiva mostra-se diretamente relacionada àquelas referentes às formas de Amor, Loucura e Retórica abordadas ao longo do diálogo, à medida que estas podem ser tanto perniciosas quanto prodigiosas, a depender do modo como se as conduz.

Neste sentido, de estuda a “natureza da alma, dos seus estados, assim como indagar se esta natureza é humana ou divina”, reli alguns capítulos da obra de John Dupré: “Process of life: essays in the philosophy of biology”, que tinha lido em 2017, enquanto estudava sobre “Relação mente-cérebro”.

Por ser um tema que sempre me interessou, desde a graduação pelo menos, nas minhas leituras e pesquisa, hoje retomei para releitura da semana, aproveitando a pausa do feriado e da redação do texto principal que está sempre na “ordem do dia”. A este de Dupré, acrescentei outros dele e alguns entre os que tenho lido sobre o tema.

Sempre assim, sem interromper as atividades obrigatórias e cumprimento dos inúmeros prazos, acontecem, como em outras vezes, mais esse “clinâmen”.

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ARAUJO, S. F.. Searle's New Mistery, Or, How Not to Solve the Problem of Consciousness. Rivista Internazionale di Filosofia e Psicologia, 4:1-12, 2013. http://www.rifp.it/ojs/index.php/rifp...

______. Psicologia e neurociência: uma avaliação da perspectiva materialista no estudo dos fenômenos mentais. 2. ed. revista e ampliada. Juiz de Fora: EDUJF, 2011.

______. O eterno retorno do materialismo: padrões recorrentes de explicações materialistas dos fenômenos mentais. Revista de Psiquiatria Clínica, 40: 114-9, 2013. http://www.scielo.br/scielo.php?scrip...

DESCARTES, René. O mundo (ou Tratado da luz) e O Homem. Apêndices, tradução e notas: César Augusto Battisti, Marisa Carneiro de Oliveira Franco Donatelli. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2009.

______. Oeuvres. Org. C. Adam e P. Tannery. Paris: Vrin, 1996. 11v. [indicadas no texto como Ad & Tan]

 _______. Descartes: oeuvres et lettres. Org. André Bidoux. Paris: 
Gallimard, 1953. (Pléiade).

______. Discursos do Método; Meditações; Objeções e Respostas; As Paixões da Alma; Cartas. (Introdução de Gilles-Gaston Granger; prefácio e notas de Gerard Lebrun; Trad. de J. Guinsberg), Bento Prado J. 3. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1983 (Os Pensadores).

DUPRÉ, John. Process of life: essays in the philosophy of biology, Oxford University Press(UK); Reprint. 2014.

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PRICE, A. W. Conflito mental. Campinas, SP: Ed. Papirus, 1998.

 ______. Mental conflict. London: Ed. Routledge, 1995.

 III SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE FILOSOFIA – MEMÓRIA E FINITUDE - UFMG

Ao mesmo tempo em que estou relendo bastante sobre o tema "Finitude" em filosofia, soube da realização desse Seminário sobre ...